José Neres
(Professor de Literatura)
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Imagem retirada da reportagem da Mirante sobre o assunto |
Vários amigos me interpelaram sobre
o que eu acho do fato de estarem transformando o
Casarão onde morou Aluísio Azevedo
em um estacionamento rotativo. Fico triste, mas não surpreso...
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Imagem retirada da reportagem da Mirante sobre o assunto |
É
visível o descaso com que foi tratada nossa cidade ao longo dos anos. Vejamos:
Os bustos dos escritores foram e hoje se
encontram recolhidos no Museu, sem previsão de volta; a escadaria da rua
Humberto de Campos transformou-se em um mictório público; as fontes são quase propriedade particular de pedintes e/ou desocupados;
nossas praias hoje são receptáculos de dejetos e de esgoto a céu aberto; a
Praça Valdelino Cécio foi transformada em um reduto de uso e comercialização de
drogas; o busto de Odorico Mendes foi roubado e possivelmente derretido para ter
seu material vendido em um ferro-velho qualquer; as ruas são feudos de
inescrupulosos guardadores de carro; o
calçamento da cidade é uma grande armadilha para transeuntes de qualquer idade;
os casarões históricos estão entregues à própria sorte e às intempéries da
natureza; nossas livrarias fecham as portas por falta de consumidores para um
produto tido como luxo chamado livro; os becos são lugares perfeitos para
assaltos e estupros, etc, etc, etc.
Dessa
forma jamais acreditei que o casarão de Aluísio fosse escapar a essa insanidade
que ajuda destruir o que passamos séculos para conquistar. E tudo isso aconteceu
e acontece bem diante de nossos olhos...
Em
qualquer lugar do mundo dito civilizado aquela casa seria um museu, um centro
cultural, onde a memória e a obra de um dos maiores escritores do Brasil seriam
preservadas, apreciadas e estudadas, mas isso não acontece e possivelmente
nunca acontecerá.
Chegamos finalmente
ao tempo em que o progresso atropela o passado e em que ter uma vaga para
estacionar o carro é muito mais importante que conhecer um pouco de nós mesmos
de nosso passado.
O pior é que em
breve tudo isso será esquecido e nós mesmos, que hoje estamos tão revoltados
com esse fato, sorridentes, pagaremos para deixar nosso veículo lá, pois para
muita gente, um risco no carro dói muito mais que um arranhão na história.
Seu desabafo é o meu!
ResponderExcluirBelas palavras ,professor, mas triste realidade!
ResponderExcluirInfelizmente, esta é a verdade. Como as pessoas estão cada dia mais preocupadas com o próprio umbigo, preservar uma casa histórica como esta é perca de tempo... E que venha mais carros, que venha mais lixo, que venha mais estupidez. E assim caminha este pais, e com São Luís não poderia ser de outro modo. Enquanto jogarem livros nos lixões da ignorância, só nos resta lamentar que tais coisas continuam acontecendo...
ResponderExcluirExcelente a matéria professor, é lamentável demais tal degradação, basta saírmos de nossa Ilha para vermos tamanho descaso. Tive a oportunidade de hospedar uma pesquisadora sobre autismo de Portugal para um trabalho e lhe confesso que fiquei com vergonha, pois no período a polícia estava em greve, os garis parados; para se passar pelo João Paulo colacava-se os dedos no nariz de tanto mal odor. Onde São Luis vai parar?
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