sábado, 13 de junho de 2026

Um encontro com João Mohana

 

Artigo 


José Neres, José Casanova e Tony Mohana - foto de Antônia Nilda Alves Cruz


UM ENCONTRO COM JOÃO MOHANA

José Neres 


Estava muito tempo sem ir a Bacabal.

Nas minhas habituais viagens a serviço, passava pela BR e seguia caminho. No máximo parava em algum restaurante, para depois seguir adiante.

Porém, em 2025, durante uma sessão da Academia Vianense de Letras, conheci o professor, escritor e ativista cultural José Casanova. Conversa vai, conversa vem e ele me perguntou da possibilidade de um dia eu ir a Bacabal para uma conversa sobre João Mohana.

Esse é o tipo de convite que não se recusa. A oportunidade veio agora por ocasião da II Semana João Mohana, realizada pela Academia Bacabalense de Letras, de 9 a 15 de junho de 2026.

Basicamente, eu iria reproduzir minha fala de um ano antes, mas para um outro público e com uma responsabilidade ainda maior. Afinal, o padre-escritor, que é um dos nomes mais representativos da prosa maranhense, é também uma das maiores personalidades nascidas em Bacabal.

Chegou o dia. 

A data marcada era um desafio para toda a equipe organizadora do evento: 12 de junho - não era apenas o Dia dos Namorados, mas também o segundo dia da Copa do Mundo e véspera da estreia do Brasil nesse campeonato de gigantescas proporções. Mas desafios existem para serem superados!

Logo na chegada, fui muito bem recebido pelo José Casanova e pelas professoras e acadêmicas Liduina Tavares e Maria Raimunda Lopes Costa. É aquele tipo de contato que por si só já paga qualquer sacrifício realizado. Mas quem disse que falar sobre literatura é algo sacrificante? É pura alegria que renova nossas energias!!!

Chegou a hora.

Diversos acadêmicos e acadêmicas da Academia Bacabalense de Letras compareceram ao evento. Na plateia, tive o prazer de contar também com a presença da professora e querida amiga Antônia Nilda Alves Cruz, que deixou seus afazeres para para prestigiar aquele momento cultural.

À mesa, além de mim e do mediador José Casanova, estava também Tony Mohana, que além de ser um intelectual respeitado, é sobrinho de João Mohana e fiel guardião da obra desse escritor.

Tony Mohana despertou o interesse dos presentes ao falar sobre passagens da vida do Autor de Inês e Pedro em Bacabal e para isso recorreu a fragmentos da memória e das lembranças de seu tio Ibrahim Mohana. Revelações praticamente inéditas invadiram o recinto e encantaram a plateia. Aplausos!

A mim, coube falar dos aspectos romanescos da obra de João Mohana, autor de dois romances de grande sucesso: O outro caminho e Maria da Tempestade. Evitando ao máximo chegar aos famigerados spoilers, chamei atenção para a a tessitura desses livros, dos aspectos paralelísticos dessas duas obras e não tive como não tocar no assunto do “Pescoço da Viúva”, tema que sempre desperta a imaginação do público.

Além da criatividade, Mohana tinha o domínio técnico da escrita literária e sabia prender a atenção dos leitores. Ele era dono de imenso cabedal de cultura e sabia mesclar seu vasto conhecimento científico com a necessária sensibilidade humanística na construção do cenário e das personagens que lhe brotavam das mãos.

Valeu a pena voltar a Bacabal. Valeu a pena conversar sobre a vida e a obra do grande escritor João Mohana.


Leia nosso artigo sobre João Mohana 

Leia nossa homenagem a João Mohana 


sexta-feira, 12 de junho de 2026

SONETO DOS NAMORADOS

 

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


SONETO DOS NAMORADOS

(José Neres)


Dizem que o amor fora de moda está.
Será brega suspirar pelos cantos?
Ou, de feliz, derramar doces prantos
ao beijar a amada ao som do luar?

E será vergonha de amor falar?
E tremer e gaguejar só de espanto
quando ela surge como por encanto
pra dizer que te viu no seu sonhar?

Não... Não façamos do amor mil tormentos
Cada gota de amor são sentimentos,
são beijos que respiram emoções.

Se beijar é só os lábios encostar,
o amor é muito mais que beijar
amar é o cruzar de dois corações.

terça-feira, 9 de junho de 2026

AMIZADE

 Soneto

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 



AMIZADE
José Neres

O cachorro sentia o odor do dono
Que para casa jamais voltaria
E ali enfrentava fome, frio e sono
Nas frestas do relento se escondia.

Sofria as mil dores de um abandono
Involuntário que tanto lhe doía 
Fosse inverno, primavera ou outono
Só de saudade o peito lhe tinia.

A fria lousa tornou-se seu trono
Perto daquela cruz ele latia
Convertendo lágrimas em carbono.

Eu vejo tudo isso e me impressiono…
Com aquela canina sinfonia
A clamar pelo falecido dono.

São Luís, 09.06.2026.