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HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA
Q U I N H E N T I S M O
José Neres
O ano era mil e quinhentos
Da era de Nosso Senhor
Quando uns homens briguentos,
Mas com mil juras de amor,
Aportaram, sonolentos,
Após dias de terror.
Da era de Nosso Senhor
Quando uns homens briguentos,
Mas com mil juras de amor,
Aportaram, sonolentos,
Após dias de terror.
Foi Pero Vaz de Caminha,
O Escriba da expedição,
Que lavrou numa cartinha
As notícias da missão
Ao rei disse da terrinha
De tão grande dimensão.
Essa Carta principia
A bela literatura
De um Brasil que já nascia
Com uma grande estatura,
Que logo se tornaria
Belo foco de cultura.
Quinhentismo brasileiro
É um nome que se dá
A esse momento primeiro
Que nós iremos estudar.
O documento pioneiro
Vem em forma epistolar.
Foi buscando informação
Sobre a terra descoberta
Que se inicia a lição
Pois uma coisa era certa:
Explorar a região
Foi decisão correta.
E gente do mundo inteiro
Veio o Brasil visitar.
Não era só por dinheiro,
Mas também para estudar
Tanto costume verdadeiro
De um povo singular.
Gândavo, Hans, Gabriel
Souza, também Antonil
Colocaram no papel
Mil coisas sobre o Brasil:
Leitura quase fiel
Dum céu todo azul-anil.
E, tentando a catequese
Da população gentio,
Portugal defendeu a tese
De que um local tão bravio
Precisa de alguém que reze
Dentro e fora do navio.
Chegaram os jesuítas
À terrinha descoberta.
Eram bem mais que visitas
Eram esperança certa:
Evitar males parasitas
E criar almas libertas.
Chegaram o Manuel
Da Nóbrega e o Dom José
De Anchieta com o véu
De padres de muita fé
E executam o papel
Da Sagrada Santa Sé.
Os povos originais
Foram aculturados.
Eles eram muito mais
Até serem dizimados
Por homens que eram iguais
A demônios libertados.
Nosso Quinhentismo então
Não traz muitas novidades
Tem tempo da informação
Tem tempo das santidades.
E tempo de transição
Pra novas realidades.

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