segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO

Caros amigos, no dia 1º de outibro, a partir das 19 horas, na Livraria Leiamundo, haverá o lançamento do mais recente livro do escritor Wilson Marques. Quem puder, compareça! Vale a pena!!!!!

domingo, 26 de setembro de 2010

SECRETARIADO EXECUTIVO


SECRETARIADO: 25 ANOS DE SUCESSO
José Neres & Lindalva Barros
 

            Embora seja bastante antiga, remetendo inclusive à época dos escribas, no Brasil, foi somente a partir de 30 de setembro de 1985, com a aprovação da Lei nº 7.377, depois modificada pela Lei nº 9.261, de 10 de janeiro de 1986, que o profissional de secretariado teve sua situação regulamentada.
            Durante muito tempo, era comum acreditar-se que para exercer a função de secretário ou secretária bastava saber atender ao telefone, servir água ou cafezinho e, principalmente, ter rosto e corpo bonitos. Hoje, no entanto, as pessoas já começam a ter consciência de que competência e preparo técnico/acadêmico são elementos essenciais para quem deseje ingressar nessa carreira, que é uma das mais promissoras do mercado.
            É muito difícil imaginar, atualmente, um profissional de secretariado que aja de maneira passiva dentro de uma empresa, apenas acatando ordens sem pensar em saídas mais eficientes para os problemas enfrentados no dia a dia de uma instituição. O perfil moderno desse profissional exige que ele esteja atento às mudanças do mercado, atualizado com as novas técnicas de administração e gerenciamento de situações que anteriormente eram passadas diretamente para o imediato superior, sem a menor interferência do(a) secretário(a).
            Com a exigência de formação superior para exercer a profissão, a atividade secretarial deixou de ser vista como uma tarefa técnica, mecânica e repetitiva, passando a ter maior importância dentro da organização interna e externa de uma instituição pública ou privada. Com uma visão holística da realidade circundante, o(a) secretário(a) passou da categoria de simples serviçal de escritório à condição de gestor adjunto de diversos setores da instituição à qual presta serviço e não são raros os casos em que assume  responsabilidade extras em situações de emergência.
            No Maranhão, o curso superior em Secretariado Executivo demorou bastante a chegar e foi implantado graças aos esforços conjuntos de José de Ribamar Fiquene e Zenira Massoli Fiquene, proprietários de uma instituição de ensino superior, de Dalti Calvert Sousa, um dos ícones do secretariado no Estado e da professora Nilzenir de Lourdes Ribeiro Almeida, atual presidenta do Sindicato da classe e a primeira professora do Curso no Maranhão com diploma superior em Secretariado.
            O Curso, que recentemente completou dez anos de funcionamento, já formou aproximadamente mil profissionais e foi homenageado pelos Correios com um selo comemorativo pela passagem da primeira década de atuação. Constantemente adaptando-se às necessidades de um mercado cada vez mais exigente e que começa a impor a formação superior como condição essencial para a contratação de secretários e secretárias, o curso de Secretariado Executivo Bilíngue foi inicialmente coordenado pela professora Ester Rátis de Santana e depois pelas professoras Lígia Saraiva e Evelin Leite Kantorski e é atualmente dirigido por Conceição de Maria Moura Ferreira, secretária executiva de grande experiência na área administrativa e na educacional.
            Depois de muita luta, o profissional de secretariado finalmente começa a ser reconhecido como parte de extrema importância nas complexas engrenagens de uma instituição de qualquer porte. E agora, vinte e cinco anos após a regulamentação da profissão, a cada dia prova que pode fazer a diferença neste exigente e cada vez mais moderno mundo de negócios.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

AGUARDEM... TÁBUA DE PAPEL

Com o intuito de promover uma salutar discussão em torno da literatura produzida por autores maranhenses, a Café & Lápis Editora realizará, no dia 06 de novembro (sábado), no Auditório Che Guevara/Sindicato dos Bancários em São Luís, a Jornada Tábua de Papel – Literatura Maranhense, com a participação de professores universitários e escritores, que palestrarão sobre variadas temáticas.

Ao final do evento, será lançado o livro coletânea TÁBUA DE PAPEL: ESTUDOS DE LITERATURA MARANHENSE, organizado pelo escritor e professor JOSÉ NERES, da Faculdade Atenas Maranhense, reunindo artigos de dez autores. 
Capa provisória do livro

Em breve, locais de inscrições e programação completa.

Aguardem!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

O FALAR MARANHENSE

Aqui está nosso artigo publicado na revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa.
A revista já está nas bancas

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

GULLAR... SEMPRE GULLAR

Não consigo negar nem esconder minha admitação pela obra de Ferreira Gullar. Sou fã de toda a obra desse poeta que conseguiu sair dos limites da própria província e, com o poder de suas palavras, alcançou os mais altos postos da literatura brasileira.
Hoje o Poeta completa 80 anos e, como forma de homenagem, republico este artigo que saiu há muitos anos na Revista De Repente, do Piauí, com algumas modificações. Em breve, uma versão mais ampliada e consistente deste estudo saíra no livro Tábua de papel, a ser editado pela Café e Lápis Editora.



GULLAR: O CORDELISTA
José Neres


fonte: Internet: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBl4vaGkKYSz5ez41vnyp7wrnEWd-CtxKy0YI-ZTjIidxx_7FFsjcajk-AJsMZ_m9oedgqsI9cN31QcApCG-cjJVacva-bnILEMU5Vze03M0Di8ryQA9yi2taSqH-uByHoJfYL8da1vCI/s1600/ferreira+gullar.jpg
            Não há menor dúvida de que Ferreira Gullar é um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Com dezenas de livros publicados, o poeta maranhense é conhecido pela crítica e pelo leitor geral por seu tom que mescla o lírico ao social e por denunciar os desmandos dos governantes, separando muito bem, na relação de status quo quais são os dominantes e quais são os dominados. Tal atitude valeu-lhe anos de exílio e inúmeros poemas, como pode muito bem ser comprovado na leitura do livro Rabo de Foguete, sua autobiografia literária publicada no final de 1998.
            Visto por Vinícius de Moraes como “o último grande poeta brasileiro”, Gullar é dono de uma alentada obra, que vai de poemas a ensaios, passando por peças teatrais, prosa experimental, roteiro para telenovelas e séries de televisão, traduções e crônicas. Mas é sem dúvida seu livro, Poema Sujo, escrito durante os anos de chumbo da censura brasileira, a sua maior realização literária.  O crítico piauiense Assis Brasil compara a obra magna de Gullar a uma espécie de nova Canção do Exílio das letras nacionais.
 Conhecido também por seu estilo independente, o poeta partiu de textos de caráter parnasiano, atingiu a aura modernista e investiu em atitudes vanguardistas, brigando com o grupo concretista e trazendo à luz o movimento Neo-Concreto. E, entre 1962 e 1967, publicou, numa grande demonstração de engajamento político (que aparece também  em obras anteriores às datas citadas com outros matizes) quatro romances de cordel, com os seguintes  títulos: João Boa-Morte – Cabra Marcado pra Morrer; Quem Matou Aparecida; Peleja de Zé da Molesta com Tio Sam e História de um Valente.
            Embora a produção cordelística de Ferreira Gullar tenha sido relegada a um segundo plano até mesmo pelos estudiosos de sua obra, ela merece ser lida e relida, pois apresenta versos de boa qualidade e com grande carga de abordagem social. No início da saga de João Boa-Morte, o poeta adverte que o caso:

Sucedeu na Paraíba
mas é uma história banal
em todo aquele nordeste
Podia ser em “Sergipe,
Pernambuco ou Maranhão
Que todo cabra da peste
Ali se chama João
Boa-Morte, vida não

            João é um trabalhador rural que, após desafiar o Coronel Benedito, o dono das terras em que trabalha, se vê ameaçado de morte e é obrigado a deixar a região. Em todos os lugares aonde chega pedindo emprego, João é tratado com desdém, pois o antigo patrão já havia declarado que ninguém poderia contratá-lo, sob pena de sofrer retaliações. Com a mulher e os seis filhos, o herói da narrativa vaga sem perspectiva de alimentar sua família. Finalmente, após a morte de um dos filhos, por inanição, decide matar a mulher e as demais crianças  e cometer suicídio. Quando vai cometer o crime, é encontrado por Chico Vaqueiro, “um lavrador como ele sem dinheiro”, que faz parte da Liga que luta contra os latifundiários. O caboclo diz a João:

O inimigo da gente
é o latifundiário
Que submete nós todos
a esse cruel calvário
(...)
É contra aquele inimigo
que nós devemos lutar.
Que culpa têm os seus filhos?
Culpa de tanto penar?
Vamos mudar o sertão
Pra vida deles mudar.

            Saindo do campo e indo para a cidade, ou melhor, para a favela, mas sem mudar o enfoque da exploração do homem pelo homem, o poeta escreve o cordel Quem Matou Aparecida, subtítulado História de uma favelada que ateou às vestes. O Poema traz a vida e morte de uma moça que:

Que não teve glória, nem fama
de que se possa falar.
Não teve nome distinto:
criança brincou na lama,
fez–se moça sem ter cama
nasceu na Praia do Pinto,
morreu no mesmo lugar.

            Aparecida sai da favela e vai trabalhar como doméstica na residência de uma família rica. Envolta em um turbilhão de acontecimentos, a adolescente é seduzida pelo patrão e é descoberta pela patroa, que a acusa de roubo. Grávida, vai parar na cadeia, onde sofre as maiores humilhações possíveis. Depois de muito sofrimento, conhece o operário Simão, que trabalhava muito, mas ganhava “tão pouco/ que mal dava pra comer”. Vão morar juntos. O rapaz envolve-se em uma greve e é preso pela Repressão. Assim como muitas vítimas da ditadura, Simão desaparecer e nunca mais volta para o “barraco esburacado” onde morava com sua companheira. Sem alimento, a criança morre, no desespero, a mãe, com apenas 15 anos, “derramou álcool na roupa/ para logo fogo acender”. Surgem então os questionamentos Quem Matou Aparecida/ “Por que há ricos e pobres?”. Vindo depois a resposta:

Quem ateou fogo ás vestes
Dessa menina infeliz
Foi esse mundo sinistro
Que ela nem fez nem quis
- Que deve ser destruído
pro povo viver feliz.

            No terceiro cordel temos Zé da Molesta, “Um Zé franzino/ nascido no Ceará/ mas cantador como ele/ no mundo inteiro não há”. Numa típica alegoria, Gullar põe Zé da Molesta como sinônimo do povo brasileiro, sofrido, mas inteligente e improvisador. Para opositor, temos o Tio Sam, um estereótipo da cultura americana, arrogante e dominador, impondo seus desejos pela força. Desafiado pelo americano, o nordestino foi parar no prédio da ONU, para provar, que mesmo pobre, muito vale e que sua pobreza ocorrer em virtude dos constantes saques que os Estados Unidos promovem no Brasil. Rendido no embate, o norte-americano apela pela força bruta de seu poderio bélico e econômico, e o brasileiro tem de fugir dali para continuar com a vida. No desespero, o poderoso Tio Sam:

Gritou: “Chega de conversa,
Que estou desmoralizado!
Desliguem a televisão,
Deixem o circuito cortado,
Mobilizem os fuzileiros,
Quero ver esse ‘cabra’ amarrado.
Vamos lhe cortar a língua
Pra ele ficar calado.

            Finalmente, temos a História de um Valente, que traz a saga de Gregório Bezerra, um “filho de pais camponeses” que sai de Pernambuco e se torna soldado. Deixa o exército e ingressa no PCB, participa da revolta de 35, vai preso, é torturado, e depois tornar-se deputado, mas perde o mandato quando o Partido Comunista é posto na ilegalidade. Já sexagenário volta para cadeia. O poeta termina os versos conclamados e alertando:

Gregório está na cadeia.
Não basta apenas louvá-lo.
O que a ditadura espera
É a hora de eliminá-lo.
Juntemos nossos esforços
Para poder libertá-lo,
Que o povo precisa dele
Pra em sua luta ajudá-lo.

            É importante notar que em todos os seus cordéis, Ferreira Gullar procura soluções marxistas para os problemas enfrentados no Brasil. Para ele só há um modo de salvar o que temos: a luta de classes, através de uma revolução. Logicamente, as idéias defendidas pelo escritor, bem como as propostas por ele dadas não agradaram ao “Governo”, que, na época, o considerou uma ameaça.
            Interessante perceber também que somente agora parece que os leitores estão entrando em contato com os cordéis de Gullar. Mesmo que os textos fizessem parte das várias edições de Toda Poesia, acabavam servindo mais como uma curiosidade que como fonte de leitura e de estudo. Recentemente os textos foram reunidos em um livro chamado Romances de Cordel, uma edição que valorizou os textos, pois os tirou do conjunto geral e ressaltou a beleza individual de cada narrativa em cordel. Hoje os poemas podem também ser lidos na belíssima edição de Poesia Completa, Teatro e Prosa, da Nova Aguilar Editora, organizada pelo professor Antônio Carlos Secchin.
            Mesmo o próprio poeta dizendo que os poemas de tom dominante político são pobres, não podemos negar que a coragem de mostrar uma outra face do País em um momento tão melindroso já é o suficiente para imortalizar um escritor. E, inteligentemente, Gullar escolheu uma forma popular para trabalhar um tema que a todos interessa: a liberdade. Ao contrário do que alguns críticos pensam, o cordel não empobreceu a obra de Ferreira Gullar, pelo contrário, fê-la tornar-se mais rica, densa e humana.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NÃO PERCAM!!!!



A CAFÉ E LÁPIS EDITORA a todos para participar conosco da I Jornada Pergaminho Maranhense: desafios da pesquisa em História do Maranhão, a ser realizada no dia 04 de setembro (sábado), no Auditório do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, Centro - São Lu-is - MA). Com a seguinte programação, que inclui o Lançamento da Coletânea Pergaminho Maranhense (vol. 1):
Programação da I Jornada Pergaminho Maranhense:
08:30 h - Credenciamento
09:30 h - Abertura

10:00 – 11:30 h - Mesa 1: Memória, Identidade e Literatura
Participantes: Ms. Dinacy Mendonça Corrêa (Letras –UEMA);

Esp. Jeane Carla Oliveira de Melo (Mestranda Cultura e Sociedade – UFMA);
Esp. Marcelo de Sousa Araújo (Mestrando Cultura e Sociedade – UFMA);

Ms. Régia Agostinho da Silva (História – UFMA).
13:30 – 15 h - Mesa 2: Política, Economia e Movimentos Sociais

Participantes: Dr. Baltazar Macaíba de Sousa (Ciências Sociais – UFMA);
Esp. Marivânia Melo Moura (Especialista História do Maranhão);

Dra. Marize Helena de Campos (História – UFMA).
15:30 – 16:30 h - Conferência de encerramento

Preservação e inserção: uma leitura de imagens
Dra. Júlia Constança Pereira Camêlo (História – UEMA)

17 h - Lançamento Coletânea Pergaminho Maranhense: estudos históricos
Café de Encerramento
As inscrições para o evento ainda podem ser feitas nos seguintes locais:
- Livraria Athenas - Rua do Sol, Centro;
- Livraria Prazer de Ler - CCH - UFMA, Campus do Bacanga.

Sobre os valores:
- R$ 12,00 (somente Certificado - carga horária: 10h);
- R$ 20,00 (Certificado + Livro "Pergaminho Maranhense (vol.1)").

Para os não inscritos no evento, o livro será vendido no lançamento ao valor de R$ 20,00.


Não deixem de participar!

Outras informações:

blog: cafelapiseditora.blogspot.com
Tel: (98) 3082-8871 (Germana ou Claunísio)

NOSSA LITERATURA

A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO MARANHÃO – PARTE IV
José Neres


            Um dos grandes obstáculos encontrados pelos escritores maranhenses é a falta de condições de escoamento de sua produção artístico-cultural. Como não há um sistema profissional de produção e de distribuição de livros, o autor torna-se, ao mesmo tempo, escritor, revisor, editor, patrocinador, divulgador e vendedor dos próprios trabalhos. Funções para as quais nem sempre está preparado ou tem disponibilidade de tempo. Isso faz com que a algumas obras de boa qualidade não atinjam o público-alvo. A falta de suplementos culturais que comentem, resenhem e divulguem a produção literária é outro percalço que contribui para o desânimo dos autores com relação ao alcance de seus trabalhos.
            Tais problemas de divulgação trazem como consequência imediata a ausência das obras nas prateleiras das livrarias. Quem tem o desejo de ler os autores maranhenses esbarra na dificuldade de encontrar as obras à venda. No caso da literatura infanto-juvenil isso se torna bastante evidente também pelo fato de a quase totalidade dos escritores dedicados a esse gênero não terem suas obras adotadas pelas escolas e serem praticamente desconhecidos no próprio Estado em que nasceram ou que adotaram como lar.
            Mesmo com tantos obstáculos, alguns escritores tentam vencer as barreiras da falta de espaço na mídia e nas escolas e produzem textos que muito têm a dizer ao público a que se destinam. É o caso de Josué Costa, poeta, teatrólogo e ator, que reuniu doze de seus textos teatrais em um volume intitulado “Comédias para rir e aprender”, um livro em que o riso e a seriedade de informações úteis sobre vícios, saúde e relações familiares se mesclam de forma equilibrada. Alguns esquetes, como os protagonizados pela Turma do Gueto, são altamente educativos e, a partir do humor, discutem problemas como alimentação inadequada, uso de drogas nas escolas, noções e higiene e outras situações que precisam ser discutidas na escola e na família. O livro, ricamente ilustrado, destina-se a pessoas de todas as idades, embora algumas peças tenham seu conteúdo aproveitado com maior intensidade por quem já tenha discernimento suficiente para perceber as ironias presentes nos diálogos.
            A talentosa e experiente Lenita Estrela de Sá percorre com a mesma desenvoltura os caminhos da literatura tida como adulta e as tortuosas veredas dos textos infanto-juvenis. Em “A Filha de Pai Francisco”, a escritora retoma a conhecida temática do auto do bumba-meu-boi, mas dá uma roupagem diferente ao conflito principal, introduzindo novas personagens e discutindo situações que vão além do desejo de comer a língua do boi. Em outra obra – “A Lagartinha Crisencrise” – o universo da angústia das transformações físicas e comportamentais por que passam todos os seres humanos são metaforizados pela história da lagartinha ansiosa por tornar-se borboleta.
            Joaquim de Oliveira Gomes, com seu livro de estreia, “O Jabuti que falava inglês”, não se preocupa apenas em contar a breve passagem do menino Pedrinho por uma região na qual ele é o estrangeiro e, portanto, o deslocado no meio de uma língua e de uma cultura diferentes. O jabuti que serve de título ao livro, não se limita a ser intérprete do menino, mas também é o elo entre aspectos culturais tão diversos e o elemento mediador entre os diversos temas suscitados pela obra: amizade, deslocamento cultural, aprendizagem e respeito pelo que há de diferente nas pessoas que se aproximam em busca de conforto e de solidariedade.
            Infelizmente, as edições limitadas e o pouco incentivo a divulgação dificultam o acesso do leitor ao mundo mágico criado por Lucas Baldez em sua “Viagem ao Mundo da Imaginação”; às fantasias imagéticas de Tácito Borralho, em “Gibi, o menino que não sabia voar”; às irônicas metáforas de Lio Ribeiro, no alegórico “O Sumiço do Rei”; à amizade surreal criada por Suely Moura de Oliveira, no seu livro “Juliana”; e a tantos outros livros que se tornaram raridades nas estantes de nossas bibliotecas e de nossas livrarias

domingo, 29 de agosto de 2010

NOSSA LITERATURA


A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO 

MARANHÃO – III
(O Estado do Maranhão, 26 de agosto de 2010)
José Neres

            Nos últimos anos, o autor maranhense que mais tem se destacado na publicação de obras destinadas ao público infanto-juvenil é Wilson Marques. Não apenas pela quantidade de obras publicadas, mas também pela qualidade de seus textos e pela evidente presença de um projeto literário que visa levar para os leitores iniciantes um pouco da história de São Luís e do Estado como um todo, com suas lendas, folclore e personalidades mais destacadas.
            Em sua escrita, Wilson Marques consegue equilibrar os aspectos ficcionais da narrativa com elementos que fazem parte da história ou do imaginário popular do povo maranhense. Dessa forma, ele consegue despertar a curiosidade do jovem leitor que, após o contato inicial com o livro, pode sentir-se motivado para pesquisar sobre as curiosidades deixadas ao longo das páginas. Livros como “Touchê: uma aventura pela cidade dos azulejos”, “Touchê: uma aventura em noite de São João”, “Quem tem medo de Ana Jansen?” e “Touchê e o segredo da serpente encantada”, entre outros, são essenciais para despertar nos jovens o interesse pela história e pelas lendas do Maranhão, tornando-se excelentes aliados dos educadores na tarefa de levar às novas gerações, de forma lúdica e didática ao mesmo tempo, um pouco da identidade cultural do povo maranhense.
            Pensando em um público mais amadurecido, Wilson Marques também investiu na série “O Maranhão também tem História”, na qual pontos estratégicos da História do Maranhão são narrados em uma linguagem acessível. Os livros podem ser lidos apenas com uma perspectiva lúdica ou podem servir como fonte de consulta para trabalhos escolares.
            Outro escritor que, apesar de pouco divulgado, tem uma boa produção de obras infanto-juvenis é Gilmar Pereira, que nasceu em Tocantins, mas que vive em Imperatriz desde seu primeiro ano de vida. Recentemente, o escritor Lançou “O Camaleão que queria ser gente e outras fábulas”, uma coletânea de histórias que trabalham temas bastante atuais como poluição ambiental, culto ao corpo, solidariedade e descobertas juvenis. Tudo em uma linguagem carregada de alegorias, em que os animais funcionam como personagens tipificadas, representando pequenos grupos que são facilmente identificáveis durante a leitura.
            Gilmar Pereira vem há mais de uma década dedicando-se à formação de leitores com seus textos metafóricos e sociais ao mesmo tempo, como é o caso de “O menino e a Lagosta e outras peripécias”, “A bela amortecida e outros contos”, “Contos de menino e de menina e de velho também” e “Canção para dormir e outros contos”. Em suas narrativas fica claro o desejo de divertir e ensinar ao mesmo tempo, mas sem precisar recorrer ao mero moralismo e sem tratar o jovem leitor como figura passiva diante dos textos.
            Reconhecido por sua habilidade por tratar temas polêmicos e por levar para o mundo ficcional fatos verídicos que frequentaram  as páginas policiais de jornais, José Louzeiro – o criador do romance-reportagem de cunho policial no Brasil – consegue levar o público infanto-juvenil para um universo de suspense e de aventura. Alguns de seus livros, como “Ritinha Temporal”, “A Gangue do beijo” e “O bezerro de ouro” são adotados como livros paradidáticos em diversas regiões do país e são constantemente reeditados. Não são, contudo, obras para quem ainda tateia no mundo das palavras escritas, mas sim para leitores (jovens ou adultos) com certo grau de proficiência e que já desenvolveram a habilidade de relacionar a ficção com a realidade circundante.
            Autores como Wilson Marques, Gilmar Pereira e José Louzeiro mostram que é possível produzir obras de boa qualidade técnica e temática. Mas eles não são os únicos com essa habilidade, pois há ainda muitos outros escritores que, mesmo sem divulgação publicam trabalhos de bom nível, conforme veremos no próximo artigo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VI festival geia de literatura

PROGRAMAÇÃO






















25 .08.10 – QUARTA-FEIRA

HORA    GINÁSIO PATRONATO SÃO JOSÉ DE RIBAMAR
10h       A linda rosa juvenil – Alunos da Escola Municipal Maria Amélia Bastos
10:30h  Sitio do Pica Pau Amarelo – Alunos da Escola Municipal Maria Amélia Bastos
14h       II Gincana Geia do Conhecimento – II Desafio Geia de Literatura – Categoria Ensino Fundamental
HORA UNIDADE ESCOLAR DIOMEDES DA SILVA PEREIRA
10h    A Literatura infanto-juvenil no Maranhão de hoje – José  Neres
HORA LICEU RIBAMARENSE
10h    Vida e Obra de João Mohana – Lourival Serejo
HORA  CASA PAROQUIAL
08h     Oficina 1: Desenrolando o texto - Bruna de Oliveira, Paula Freitas e Perla Silva – público-alvo: estudantes de 5ª a 6ª séries
09h     Oficina 2: Literatura e Paisagem: uma janela para o mundo – Amanda Pestana Pereira e Renata Ribeiro Lima – público-alvo: 7ª a 8ª séries
HORA RESTAURANTE MIRAMAR
10h    Aquecimento Global – Qual a sua contribuição? – Elizângela da Silva Moura Santos
14h   COMUNICAÇÕES: Letramento Literário: Importância e Perspectivas – Diego Lima dos Santos (FAMA); Literatura de Cordel: contribuição e importância – Vilma da Cruz (FAMA); Leitura áudio oral para deficiente visual – Layra Trindade Diniz (SANTA FÉ) e Literatura e paisagem – Rafaella Gomes Monteiro (UFMA).
17h DEBATE: Iracema na construção do Brasil – Maria Rita dos Santos
16h PRAÇA DA MATRIZ: FEIRA DE LIVROS – LEITURA NA PRAÇA – RECITAL DE POESIAS

26.08.10 – QUINTA-FEIRA

HORA GINÁSIO PATRONATO SÃO JOSÉ DE RIBAMAR
10h    O Baile das Lavandeiras – Grupo Teatrodança
14h    II Gincana Geia do Conhecimento – II Desafio de Literatura – Categoria Ensino Fundamental
HORA UNIDADE ESCOLAR DIOMEDES DA SILVA PEREIRA
10h    Augusto dos Anjos: uma abordagem para iniciantes – Rui Pontes Ribeiro de Moraes
HORA LICEU RIBAMARENSE
10h  Touchê em Balaiada, A Revolta – Wilson Marques
HORA CASA PAROQUIAL
08h    Oficina 1: Desenrolando o texto - Bruna de Oliveira, Paula Freitas e Perla Silva – público-alvo: estudantes de 5ª a 6ª séries
09h    Oficina 2: Literatura e Paisagem: uma janela para o mundo – Amanda Pestana Pereira e Renata Ribeiro Lima – público-alvo: 7ª a 8ª séries
HORA RESTAURANTE MIRAMAR
10h    Encontro com acadêmicos – Benedito Buzar, Ubiratan Teixeira, Waldemiro Viana e Milson Coutinho
14h  COMUNICAÇÕES: O cortiço: uma leitura do espaço a luz da teoria da percepção – Maria Deidla da Silva Moraes (UFMA); Erotismo na obra “Batom Vermelho” de Lúcia Santos – Roseli Maria Ribeiro Neri Saldanha (FAMA); São Luis, Atenas Brasileira: um percurso histórico sobre a construção da identidade literária ludovicense – Maria das Neves Oliveira e Silva Azevedo (FAMA) e A incomunicabilidade e o isolamento na obra de Graciliano Ramos – Lisiane Vieira Alves (UFMA).
17h DEBATE: O Crime da Baronesa: uma análise literária, histórica e jurídica – José Eulálio Figueiredo de Almeida, Marineis Merçon, Carlos Vinícius Lauande Franco, Marcus Alexandre Marinho Assaiante e Haroldo Gouveia.
16h   PRAÇA DA MATRIZ: FEIRA DE LIVROS – LEITURA NA PRAÇA – RECITAL DE POESIA

27.08.10 – SEXTA-FEIRA

HORA GINÁSIO PATRONATO SÃO JOSÉ DE RIBAMAR
10h  II Gincana Geia do Conhecimento – II Desafio de Literatura – Categoria Ensino Médio
14h  II Gincana Geia do Conhecimento – II Desafio de Literatura – Categoria Ensino Fundamental – FINAL
HORA UNIDADE ESCOLAR DIOMEDES DA SILVA PEREIRA
10h    Sousândrade para crianças – Antônio Martins
HORA LICEU RIBAMARENSE
10h    Memórias de um sargento de milícias – Grupo de Teatro do Curso de Direito da UNDB
HORA CASA PAROQUIAL
08h    Oficina 1: Desenrolando o texto - Bruna de Oliveira, Paula Freitas e Perla Silva – público-alvo: estudantes de 5ª a 6ª séries
09h    Oficina 2: Literatura e Paisagem: uma janela para o mundo – Amanda Pestana Pereira e Renata Ribeiro Lima – público-alvo: 7ª a 8ª séries
HORA RESTAURANTE MIRAMAR
10h  Encontro com os autores de São José de Ribamar – Marli da Conceição, Samuel Moreira, Raimunda Frazão e Maria da Glória
14h  COMUNICAÇÕES:O lúdico na obra “O Jabuti que falava Inglês”,de Joaquim Gomes – Doris Day Da Silva Lima (FAMA); O gênero e sua representação em Tereza Batista, cansada de guerra – Alessandra Moreira Pontes (UFMA); A poesia como instrumento na formação de leitores – Marcia Maria Araujo Cortes (FAMA)e As marcas da oralidade na carta do leitor – Denise Márcia Abreu Borges (UFMA).
17h DEBATE: Surrealismo e Loucura – Ceres Costa Fernandes
16h PRAÇA DA MATRIZ: FEIRA DE LIVROS – LEITURA NA PRAÇA- RECITAL DE POESIA

terça-feira, 17 de agosto de 2010

LITERATURA INFANTO-JUVENIL


A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO 

MARANHÃO – PARTE  I I



José Neres
(O Estado do Mararnhão, 23 de agosto de 2010)


            Entre os maranhenses, há escritores de todos os gêneros literários que se notabilizaram por suas obras tidas como “adultas”, mas que também deixaram suas contribuições, mesmo que esporádicas, na tessitura de obras infanto-juvenis.
            Um exemplo disso é Odylo Costa, filho, sonetista de primeira linha da poesia de língua portuguesa, respeitado jornalista e ficcionista, e que, em alguns momentos, dedicou seu grande talento à causa da formação de leitores e à divulgação dos valores positivos à juventude. Em seu hoje pouco lembrado livro “Os bichos do céu”, de 1972, o escritor usa diversos animais como protagonistas de poemas curtos que misturam questões religiosas e a formação de valores diversos, como educação, religiosidade, paciência e solidariedade, tudo embalado por melodiosas rimas e por um ritmo cadenciado, sem esquecer a adequação verbal à faixa etária a que se destinam os versos.
            Outro que também tem sua produção literária infanto-juvenil pouco divulgada é o poeta, contista, tradutor e crítico de arte Ferreira Gullar. Dono de uma vasta bibliografia que vai da poesia ao memorialismo, passando pelo cordel, pelo teatro e pelo ensaio, o autor de “Poema Sujo”, além de fazer uma das melhores adaptações do Dom Quixote de La Mancha para o público que começa a despertar para as obras clássicas, também publicou “Um gato chamado Gatinho” (2000) e “Dr. Urubu e outras fábulas” (2005). No primeiro, todos os poemas têm como foco principal um gatinho muito esperto e sua relação com o dono. No segundo, são poemas de extensão variada em torno de animais como papagaio, formiga, macaco, abelha, aranha e o urubu, entre outros animais. A intenção dos versos de estrutura bastante simples é apresentar os animais e suas características básicas aos jovens que começam a descobrir os inúmeros elementos da fauna e, ao mesmo tempo, transmitir algumas noções de valores aos novos leitores.
            Há casos em que a contribuição de determinados escritores para as letras infanto-juvenis é bastante pontual, mas mesmo assim assume uma relevância que não pode ser deixada de lado na hora de um levantamento dos nomes que se dedicaram a esse gênero literário no Maranhão.
            É o caso de Dagmar Destêrro, Arlete Nogueira da Cruz, José Ewerton Neto e Ubiratan Teixeira, autores de poucos, mas significativos trabalhos para a formação dos jovens leitores. Dagmar Destêrro, poetisa bastante ligada à essência da vida e também educadora preocupada com a divulgação dos grandes vultos de seu estado natal, escreveu “A vida de Benedito Leite para crianças”, livro no qual tenta divulgar a imagem de um dos grandes políticos que atuaram no Maranhão. Depois de ter seu nome solidificado como poetisa, pesquisadora e ficcionista, Arlete Nogueira da Cruz publicou seus “Contos Inocentes”, uma coletânea de historietas de cunho metafórico, que servem tanto para diverti as crianças como para levar adultos a uma reflexão acerca de vários aspectos da vida e das mazelas sociais.
            José Ewerton Neto, conhecido pelo hábil manejo com a palavra em seus romances e pelo estilo cortante de suas crônicas semanais, é autor também do premiado “O Menino que via o além”, uma bela fábula sobre a passagem do tempo e a própria condição humana. De forma envolvente, o autor leva o leitor a uma viagem ao interior do próprio homem, em busca da criança que habita cada ser. O jornalista, cronista e teatrólogo Ubiratan Teixeira brinda o leitor com “Búli-Búli” um livro que pode ser lido tanto por crianças, quanto por adolescentes e adultos, pois traz em suas temáticas descobertas, relações familiares, mistério e uma boa dose de aventura.
            Contudo, nem todos os escritores fazem apenas participações esporádicas nesse universo de palavras destinadas às crianças, alguns  se dedicam com afinco à tarefa de escrever para o público infanto-juvenil, tanto em termos de quantidade, quanto em qualidade, conforme será visto em outra ocasião.


domingo, 15 de agosto de 2010

NOSSA LITERATURA


A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO

MARANHÃO – PARTE I
José Neres
(Jornal O Estado do Maranhão - 16 de agosto de 2010)


            Há quem considere as obras destinadas ao público infanto-juvenil como um trabalho de menor envergadura técnica e sem grande impacto na formação do cânone literário de um país ou mesmo de uma região. Para tais pessoas, quem se dedica a escrever para crianças e adolescentes nem mesmo deveria ser chamado de escritor, pois se limitaria a contar “estorinhas” sem profundidade temática e sem preocupação com a produção de textos mais elaborados.
            Na literatura brasileira como um todo, alguns escritores desmentem essas opiniões e demonstram que é possível produzir textos de qualidade para o público mais jovem, tratando os leitores em formação com respeito, contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo, desenvolvendo a criatividade e fazendo a imaginação alçar voos sem limite. Esse é o caso das obras de autores como Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Orígenes Lessa, Maria Clara Machado, Maria José Dupré, Lygia Bojunga, Pedro Bandeira, Vinicius de Morais, Sylvia Orthof, Ruth Rocha, Ziraldo e tantos outros escritores que produzem ou produziram obras de excelente qualidade.
Cazuza, de Viriato Corrêa
            Quando o assunto é o Maranhão, há quem chegue ao cúmulo de afirmar categoricamente que não temos e nunca tivemos uma literatura infanto-juvenil. Tal afirmação pode ser creditada ao desconhecimento que temos de nossas próprias letras e à falta de divulgação dos escritores que se dedicam a esse gênero literário que nem sempre é bem visto pelos raríssimos críticos e historiadores da produção literária maranhense.
            Para começar, vale lembrar que o livro “Cazuza”, de autoria do maranhense Viriato Correa, escrito entre 1936 e 1937, é até hoje uma das obras mais lidas em todo o Brasil. Diversas gerações se encantaram com as aventuras e desventuras do menino Cazuza, que narra os diversos momentos da vida dos garotos do interior que começam a descobrir um mundo bem diferente quando passam a frequentar a escola. Além de ser uma obra de aventura, o livro de Viriato Corrêa desperta nos leitores a criança adormecida que há em cada pessoa. Não é raro o leitor se identificar nas páginas do livro e se ver diante da própria infância contada pela sensibilidade de um dos maiores prosadores da primeira metade do século XX.
            Também no início do século passado, Humberto de Campos, escritor que se destacou como poeta, contista, cronista e memorialista de excelente estirpe, dedicou parte de seu tempo a escrever para o público mais jovem, conforme pode ser visto no livro “O Miolo e o Pão”, organizado pelos professores Roberto Reis, Lúcia Helena Carvalho e Roberto Acízelo de Souza, que reproduzem em fac-símile o conto João Bobo, a história de um rapaz que é  humilhado pelos irmãos e pelas cunhadas, mas que foi agraciado com um poder mágico concedido por um peixinho de escamas douradas. Com o poder nas mãos, João Bobo castiga as pessoas que o exploravam e consegue o respeito da família. O tom moralizante do texto é uma das marcas mais recorrentes das primeiras obras destinadas à formação moral dos jovens e é claramente influenciada pelos contos clássicos da literatura universal.
            Josué Montello, um dos maiores nomes da prosa de ficção de todos os tempos nas letras brasileiras, também deixou suas marcas em páginas que tinham como público-alvo os leitores mirins. No entanto, as alentadas obras de Montello, principalmente seus romances basilares, como “Os Tambores de São Luís”, “Cais da Sagração” e “Os Degraus do Paraíso”, eclipsaram sua produção infanto-juvenil e fizeram com que a maioria dos  leitores não desse a atenção devida a obras como “As Aventuras de Calunga”, “A Cabeça de Ouro”, “O Carrasco que era Santo”, “A formiguinha que aprendeu a dançar”, “A Viagem Fantástica” e “O tesouro de Dom José”, textos curtos e de leitura agradável que podem servir para a formação de novos leitores, mas que, infelizmente, encontram-se fora de edição, constituindo-se em raridade bibliográfica.
            Além desses autores, muitos outros se dedicaram ou se dedicam a fortalecer a literatura infanto-juvenil no Maranhão, como veremos em breve.