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domingo, 18 de dezembro de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
PARA QUEM GOSTA DE SE APROPRIAR DE IDEIAS ALHEIAS...
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domingo, 12 de setembro de 2010
O FALAR MARANHENSE
A revista já está nas bancas
segunda-feira, 22 de março de 2010
RONALDO COSTA FERNANDES
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terça-feira, 9 de março de 2010
ARTIGO
domingo, 28 de fevereiro de 2010
REPRODUÇÃO DE MATÉRIA IMPORTANTE

O ESTADO DO MARANHÃO de hoje, último dia de fevereiro de 2010, chega à bancas com uma excelente notícia: a cada duas semanas haverá um texto especial sobre a LITERATURA MARANHENSE. Não há como não ficar feliz com uma novidade dessas. Esperamos que o plano seja cumprido e que os pesquisadores da nossas letras tenham mais uma fonte de consulta.
Reproduzo aqui, com os devidos créditos de autoria, o artigo da jornalista CARLA MELO, que contou com o apoio e a consultoria do sempre amante das letras JOMAR MORAES.
OBS: Não deixa de ser motivo de orgulho para mim ter um de meus artigos citado na matéria.
Carla Melo
(FONTE: Jornal O Estado do Maranhão, 28 de janeio de 2010 - Caderno Altenativo, página 1)
Eles foram considerados românticos de primeira hora. Viveram em uma época na qual a literatura maranhense começava a ganhar destaque e respeito dentro e fora das fronteiras estaduais. Batizados tempos depois como Grupo Maranhense, é deles o mérito de inscrever a alcunha de Maranhão-Atenas no Brasil e no mundo.

Sobre a importância desses vultos do romantismo maranhense na literatura brasileira, o crítico José Veríssimo, escreve em seu famoso “História da Literatura Brasileira”, o capítulo intitulado “Gonçalves Dias e o Grupo Maranhense”. Nele, o autor fala sobre a obra de nomes como Gonçalves Dias, João Lisboa, Odorico Mendes, Sotero dos Reis e Gomes de Sousa, entre outros que compuseram o chamado Grupo Maranhense.
Principal representante desse momento literário, o poeta Gonçalves Dias é assim descrito por José Verísimo: “Nenhum poeta brasileiro, em prosa ou verso, teve em grau igual ao de Gonçalves Dias o sentimento do nosso índio e do que lhe constituía a feição própria. Todos os nossos indianistas, maiores e menores, sem excetuar o próprio Alencar, que é quem em tal sentimento mais se aproxima de Gonçalves Dias, o foram antes de estudo e propósito que de vocação. Daí a sua inferioridade relativamente ao poeta dos ‘Timbiras’ e os despropósitos em que caíram. E o conceito pode ser generalizado a toda a obra lírica de Gonçalves Dias”.
O professor Alfredo Bosi, em seu livro “História concisa da Literatura Brasileira” explica as diferenças entre Dias e seus contemporâneos. Para ele, o maranhense traz em sua obra “muito de português no trato da língua e nas cadências garretianas do lirismo, ao contrário de seus contemporâneos, sobre os quais pesava a influência francesa”. Isto talvez se explique pelo fato de o poeta ser filho de português e ter estudado Leis em Coimbra, na qual manteve contato com a poesia romântico-nacionalista de Garret e Herculano, poetas que o influenciariam durante sua trajetória.
Românticos - De acordo com o professor e pesquisador Jomar Moraes, o Grupo Maranhense manifesta-se entre os anos de 1840 e 1880. “Eles não se consideravam um grupo, esta denominação veio depois. Não tinham uma produção com características idênticas, mas diversas entre si. Nem sequer eram todos amigos. Na verdade, o que os unia era o fato de terem nascido todos aqui e serem contemporâneos”, salienta Jomar Moraes.
Por não se verem como grupo, não há como quantificar os autores que, por sua obra, se incluem no chamado Grupo Maranhense. Além de Gonçalves Dias, destaca-se Odorico Mendes, considerado como “último árcade” e “primeiro romântico”. Mestre nas línguas clássicas grega e romana, ele foi, ao lado de Gonçalves de Magalhães, precursor do romantismo no Norte do Brasil, com a publicação de seu “Hino à Tarde”, escrito em 1832. “A partir daí, o Maranhão, que era aparentemente uma terra sáfara para as letras começa a produzir uma boa quantidade de escritores de grande talento, chegando sua capital a receber o honroso epíteto de Atenas Brasileira, em homenagem à quantidade e à diversidade de valores intelectuais surgidos em tão pouco tempo”, diz o especialista em Literatura Brasileira pela PUC-MG, José Neres, em texto publicado em 1998, em O Estado do Maranhão.
Além desse, Joaquim Serra, Sousândrade, Maria Firmina dos Reis, Trajano Galvão, Gentil Braga, Henriques Leal, estão no rol de intelectuais do século XIX. Neres cita ainda José Cândido de Morais (jornalista), Joaquim Gomes de Sousa (um dos maiores matemáticos do Brasil); Belarmino de Matos (tipógrafo) “e tantos outros intelectuais, que não se limitavam à arte literária, mas sim compunham um verdadeiro quadro cultural de múltipla abrangência”, observa.
Saudosismos à parte, o Grupo Maranhense é ainda inspiração para muitos escritores, maranhenses ou não. “Considero Gonçalves Dias o maior poeta brasileiro. Sem exageros. Acho que é necessário conhecer mais sua obra, tal qual a de outros grandes vultos da literatura nacional”, diz Jomar Moraes.
O escritor e político José Sarney, em discurso proferido por ocasião do centenário da Academia Maranhense de Letras (AML), destaca a importância literária do Grupo Maranhense. “Fala-se sempre que a Academia foi fundada para retirar o Maranhão da angústia que se seguiu ao desaparecimento do chamado Grupo Maranhense, que fizera a glória do nosso passado”. Mas, ressalta também, no mesmo discurso, que o Maranhão não pode viver de glorificar apenas o passado, pois sempre foi celeiro de grandes escritores.
Saiba mais
GONÇALVES DIAS, Antônio (1823-1864) - Poeta, teatrólogo, etnólogo, porém, sobretudo e principalmente poeta, com justiça cognominado o Poeta da Raça. Sua obra poética, publicada nos livros Primeiros Cantos (1864), Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848) e Últimos Cantos (1951), e Os Timbiras (1857), foi reunida no volume Cantos, cuja primeira edição é de 1860. Após a morte do poeta, Antonio Henriques Leal publicou as Obras Póstumas de A. Gonçalves Dias, em 6 volumes. Todos esses títulos, porque de edição original muito antigas, são hoje raros e de consulta problemática. Edições recomendável pelo alto nível de selecionador, José Carlos Garbuglio, a intitulada Melhores poemas de Gonçalves Dias, da Global Editora.
LISBOA, João Francisco (1812-1863) – Jornalista, historiador e um dos principais fundadores da prosa portuguesa e viés brasileiro Tudo quanto de mais expressivo produziu, foi reunido postumamente por iniciativa da Antônio Henriques Leal e Luís Carlos Pereira de Castro nos 4 volumes das obras de João Francisco Lisboa, 1864/65.
MENDES, Manuel Odorico (1799-1864) – jornalista, poeta e, sobretudo, produtor de grande importância. Autor do grande feito de traduzir para o português os poemas do Homero, de Virgilio, além de outros diversos autores de nomeada, a exemplo de Voltaire. Os poemas homéricos traduzidos por Odorico, acham-se em boas edições de Ediouro.
DICA: Boas fontes de referência acerca dos autores citados são os livros de história da literatura brasileira. Também os três autores contam com estudos biográficos, entre outras obras, no Panteon maranhense, de Antonio Henriques Leal.
Jomar Moraes
Consultoria para o Alternativo
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
ANTÔNIO AILTON
PERAMBULANDO PELAS HABITAÇÕES
José Neres
A geração poética de 90 legou à literatura maranhense grandes nomes que agora, quase no final da primeira década do século XXI, começam a amadurecer seus frutos. Claro que nessa caminhada de quase vinte anos alguns escritores se perderam ou desistiram de continuar na luta com as palavras escritas. Outros, no entanto, apesar de alguns tropeços e percalços, continuaram suas jornadas e começaram a solidificar suas obras e tentam eternizar seus nomes no rol dos talentos maranhenses.
Entre os que não desistiram diante dos obstáculos de publicação, divulgação e promoção de seus trabalhos está o poeta e ensaísta Antônio Aílton, um escritor várias vezes laureado em concursos e que publicou “As Habitações do Minotauro” (2000) e “Humanologia do Eterno Empenho: conflito e movimento trágicos em A Travessia do Ródano de Nauro Machado” e que, após conquistar o prêmio Eugênio Coimbra Júnior, promovido pela Fundação de Cultura da Cidade de Recife, publica também “Os Dias Perambulados e outros Tortos Girassóis” (2008).
O fato de dividir-se entre a criação poética e a crítica ensaística, que poderia trazer problemas para uma pessoa com poucos recursos intelectuais e argumentativos, transformou-se, para Antônio Ailton, numa espécie de arma contra as mesmices literárias. Suas constantes leituras transparecem nas páginas de seus textos e imprimem em cada verso uma dicção própria de quem tem total consciência de seu fazer poético e das conseqüências das palavras impressas no papel. Seus versos não perseguem o lirismo fácil e banal, pelo contrário, estão sempre em busca do inusitado e do aparentemente indizível. Seus poemas não claudicam diante dos obstáculos e seguem em marcha, ora mais lenta, ora mais acelerada, rumo a soluções poéticas que vão além das rimas e da metrificação.
Tendo como amarras o ritmo cadenciado imposto por cada situação e a temática a ser desenvolvida, o eu lírico de Antônio Ailton age como um flâneur vagando em busca de algo desconhecido até para ele mesmo. Nos seus livros, o poeta não pretende encontrar soluções mágicas para os inúmeros problemas do mundo, nem mesmo busca entender ou explicar o que se passa no entorno de suas angústias e observações. Contudo, é exatamente desse constante observar da realidade que o poeta, como um voyeur consciente de que pode perder a visão a qualquer instante, retira a matéria bruta que será lapidada em forma de poema.
Tanto em “As Habitações do Minotauro” quanto em “Os Dias Perambulados e Outros Tortos Girassóis”, tudo parece estranho para o leitor, no entanto, cada verso traz também a sensação do dèja vu, não pelas questões intertextuais que permeiam os versos, mas sim pela certeza de que cada poema, cada estrofe e cada verso falam das dúvidas, da realidade e dos anseios do homem em geral. Os textos rápidos não dão tempo para o leitor respirar e o sufocam cada tentativa de tomar fôlego.
Em suma, os poemas de Antônio Ailton não são feitos para serem lidos por quem busque apenas lirismo e formas bem comportadas, mas sim por quem tenha coragem de perambular por um labirinto de sensações e de palavras e de onde, às vezes, a única saída é enfrentar algumas verdades para as quais fechamos os olhos no nosso dia a dia.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
BIOQUE MESITO
Com este artigo, iniciaremos uma série sobre os poetas maranhenses contemporâneos. Esperamos que um dia falar sobre literatura seja algo comum em nossa mídia. Mas enquanto isso não acontece, vamos tentando fazer a nossa parte.
POETAS DE HOJE: BIOQUE MESITO
José Neres
Quando Fábio Henrique Gomes Brito resolveu separar e depois juntar letras finais de seu nome de batismo, veio à luz o pseudônimo de Bioque Mesito, o autor de A inconstante Órbita dos Extremos (2001) e A Anticópia dos Placebos Existenciais (2008), ambas obras premiadas em concursos literários.
Mais preocupado mais com a essência poética do que com a mera forma do poema, Mesito transita livremente entre os versos soltos e a experiências com a linguagem e com as formas. Em muitos casos, o poeta utiliza-se de recursos gráficos e das associações entre imagens e palavras para transmitir suas ideias, suas críticas e suas impressões sobre o mundo. Isso pode causar estranheza a quem esteja acostumado tão somente com poemas rimados e metrificados com o rigor.
Como pode ser visto desde a escolha das palavras que dão nome aos livros, o interesse do poeta não é fazer poemas narrativos nem de críticas sociais explícitas a cada verso, embora o tom crítico seja visível em muitos momentos dos livros. O interesse maior da poesia de Bioque Mesito é a inquirição do humano, sem se preocupar, porém, em trazer respostas prontas, acabadas e definitivas. Na leitura dos poemas, é possível perceber-se que o eterno questionar(-se) a respeito do mundo ocupa um espaço significativo no estro do poeta. O aparente tom de confissão que permeia grande parte dos textos nem sempre está relacionado ao homem que escreve os poemas, mas, sem dúvida, está se dirigindo ao Homem, visto como entidade universal.
É possível identificar na poética de Bioque Mesito um olhar sempre atento às mais diversas realidades que circundam o ser humano. Como um flâneur a vagar pela inconsistente certeza das dúvidas, o eu lírico dos poemas afia seu olhar em direção ao infinito e ali vislumbra o vazio de seres anônimos que, ao mesmo tempo, podem ser ninguém ou cada um de nós.
A insatisfação é outro ponto a ser destacado nos poemas do jovem escritor. Ao longo das páginas, o leitor entra em contato com um sentimento de descontentamento com relação a tudo que gira na órbita de um nada que se considera digno de reconhecimento. Dessa forma, uma sensação de que o mundo está desconsertado, tão evidente em Camões, Drummond e em outros poetas de grande nível, volta remodelada nas palavras de um homem/poeta que demonstra estar insatisfeito até mesmo com a própria insatisfação, como se pode ser visto nos versos finais do livro de estréia de Bioque Mesito, quando traduz como queria que seu último poema fosse: “suave como borboletas/ no cio/ metade eterno por todo tempo/ metade eterno por insatisfeito.”
A obra de Bioque Mesito não exige uma leitura atenta e livre de preconceitos relativos à forma, às temáticas e às construções nem sempre comuns. As palavras espacializadas à Maiakovski podem até espantar um leitor pouco afeito aos versos menos tradicionais, contudo, em uma leitura mais atenta, ninguém poderá negar o belo trabalho que o poeta faz com a linguagem, em busca da essência humana que só a arte é capaz de traduzir.








