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QUEM VALE MAIS?
José Neres
Quem é mais importante? A mãe ou o pai? Não sei responder marcando apenas uma das opções. Acredito que os dois são muito importantes para a formação física, afetiva, moral e intelectual de um filho ou filha.
Mas…
Mas, para o comércio em geral, a mãe é muito mais importante e lucrativa que os papais. Ou será que não?
Voltemos alguns meses… mês de maio, Dia das Mães, lojas enfeitadas, shoppings com decorações especiais, flores e outros mimos. Restaurantes com reservas lotadas desde as semanas anteriores e filas na entrada. Mamães alegremente recebidas com um efusivo “Parabéns!”. Muitas vezes, música ao vivo, sorteio ou distribuição de brindes. Muitos dos frequentadores com embalagens coloridas para presentear a pessoa amada. Milhares de fotos e mensagens nas redes sociais… na playlist , músicas em homenagem às mães. Tudo lindo. Tudo perfeito. Parabéns!
Agosto. Segunda semana. Lojas abrem e fecham nos horários tradicionais. Atendentes com cara sisuda e o habitual mau-humor. Nenhuma lembrancinha. Raros parabéns. Restaurantes sem necessidade de reservas. Raramente se observa alguém entrar com um presente. Poucos presentes, muitas ausências! Nas redes sociais, várias mensagens também, muitas delas com referências e agradecimentos aos pais, mães e pães (mães que também desempenharam o papel do pai). Nada de playlist especial. Para quê? Bastam os barulhos dos talheres e o mastigar de algumas bocas abertas…
Certa vez, fiz essas observações à dona de um restaurante, no momento em que pagava a conta do Dia das Mães. Ela olhou para mim e disse que eu estava enganado e que, pelo menos naquele estabelecimento, o Dia dos Pais também era bastante comemorado e que até o cardápio era especial.
Esperei alguns meses e fiz questão de voltar no segundo domingo de agosto. Tudo normal. Nada que lembrasse uma data comemorativa. Ela, já esquecida da conversa de maio, disse que era um dia de movimento normal e que até pensou em colocar uma música ao vivo, mas os custos eram muito altos e não compensam. Voltei lá por mais dois anos consecutivos. Em maio e em agosto. As diferenças eram as mesmas. Parece que o lucro do Dia dos Pais não motiva nem mesmo gastar tempo com um “Parabéns!”
Ainda bem que existem vida, cortesia e amabilidade fora do comércio.
Papais e mamães agradecem… mas bem que os comerciantes e as equipes de marketing poderiam lembrar que país, mães, crianças, namorados e final de ano são datas que deveriam ser marcadas pelos variados tipos de amor. E o Amor (pelo menos o verdadeiro) se incomoda muito com (in)diferenças de tratamento...
Parabéns, pais!
Parabéns, mães!
Vocês são muito importantes para todos nós!

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