segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO

Caros amigos, no dia 1º de outibro, a partir das 19 horas, na Livraria Leiamundo, haverá o lançamento do mais recente livro do escritor Wilson Marques. Quem puder, compareça! Vale a pena!!!!!

domingo, 26 de setembro de 2010

SECRETARIADO EXECUTIVO


SECRETARIADO: 25 ANOS DE SUCESSO
José Neres & Lindalva Barros
 

            Embora seja bastante antiga, remetendo inclusive à época dos escribas, no Brasil, foi somente a partir de 30 de setembro de 1985, com a aprovação da Lei nº 7.377, depois modificada pela Lei nº 9.261, de 10 de janeiro de 1986, que o profissional de secretariado teve sua situação regulamentada.
            Durante muito tempo, era comum acreditar-se que para exercer a função de secretário ou secretária bastava saber atender ao telefone, servir água ou cafezinho e, principalmente, ter rosto e corpo bonitos. Hoje, no entanto, as pessoas já começam a ter consciência de que competência e preparo técnico/acadêmico são elementos essenciais para quem deseje ingressar nessa carreira, que é uma das mais promissoras do mercado.
            É muito difícil imaginar, atualmente, um profissional de secretariado que aja de maneira passiva dentro de uma empresa, apenas acatando ordens sem pensar em saídas mais eficientes para os problemas enfrentados no dia a dia de uma instituição. O perfil moderno desse profissional exige que ele esteja atento às mudanças do mercado, atualizado com as novas técnicas de administração e gerenciamento de situações que anteriormente eram passadas diretamente para o imediato superior, sem a menor interferência do(a) secretário(a).
            Com a exigência de formação superior para exercer a profissão, a atividade secretarial deixou de ser vista como uma tarefa técnica, mecânica e repetitiva, passando a ter maior importância dentro da organização interna e externa de uma instituição pública ou privada. Com uma visão holística da realidade circundante, o(a) secretário(a) passou da categoria de simples serviçal de escritório à condição de gestor adjunto de diversos setores da instituição à qual presta serviço e não são raros os casos em que assume  responsabilidade extras em situações de emergência.
            No Maranhão, o curso superior em Secretariado Executivo demorou bastante a chegar e foi implantado graças aos esforços conjuntos de José de Ribamar Fiquene e Zenira Massoli Fiquene, proprietários de uma instituição de ensino superior, de Dalti Calvert Sousa, um dos ícones do secretariado no Estado e da professora Nilzenir de Lourdes Ribeiro Almeida, atual presidenta do Sindicato da classe e a primeira professora do Curso no Maranhão com diploma superior em Secretariado.
            O Curso, que recentemente completou dez anos de funcionamento, já formou aproximadamente mil profissionais e foi homenageado pelos Correios com um selo comemorativo pela passagem da primeira década de atuação. Constantemente adaptando-se às necessidades de um mercado cada vez mais exigente e que começa a impor a formação superior como condição essencial para a contratação de secretários e secretárias, o curso de Secretariado Executivo Bilíngue foi inicialmente coordenado pela professora Ester Rátis de Santana e depois pelas professoras Lígia Saraiva e Evelin Leite Kantorski e é atualmente dirigido por Conceição de Maria Moura Ferreira, secretária executiva de grande experiência na área administrativa e na educacional.
            Depois de muita luta, o profissional de secretariado finalmente começa a ser reconhecido como parte de extrema importância nas complexas engrenagens de uma instituição de qualquer porte. E agora, vinte e cinco anos após a regulamentação da profissão, a cada dia prova que pode fazer a diferença neste exigente e cada vez mais moderno mundo de negócios.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

AGUARDEM... TÁBUA DE PAPEL

Com o intuito de promover uma salutar discussão em torno da literatura produzida por autores maranhenses, a Café & Lápis Editora realizará, no dia 06 de novembro (sábado), no Auditório Che Guevara/Sindicato dos Bancários em São Luís, a Jornada Tábua de Papel – Literatura Maranhense, com a participação de professores universitários e escritores, que palestrarão sobre variadas temáticas.

Ao final do evento, será lançado o livro coletânea TÁBUA DE PAPEL: ESTUDOS DE LITERATURA MARANHENSE, organizado pelo escritor e professor JOSÉ NERES, da Faculdade Atenas Maranhense, reunindo artigos de dez autores. 
Capa provisória do livro

Em breve, locais de inscrições e programação completa.

Aguardem!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

O FALAR MARANHENSE

Aqui está nosso artigo publicado na revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa.
A revista já está nas bancas

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

GULLAR... SEMPRE GULLAR

Não consigo negar nem esconder minha admitação pela obra de Ferreira Gullar. Sou fã de toda a obra desse poeta que conseguiu sair dos limites da própria província e, com o poder de suas palavras, alcançou os mais altos postos da literatura brasileira.
Hoje o Poeta completa 80 anos e, como forma de homenagem, republico este artigo que saiu há muitos anos na Revista De Repente, do Piauí, com algumas modificações. Em breve, uma versão mais ampliada e consistente deste estudo saíra no livro Tábua de papel, a ser editado pela Café e Lápis Editora.



GULLAR: O CORDELISTA
José Neres


fonte: Internet: http://3.bp.blogspot.com/_fNDQBIymy-Q/TAZOnPi-LpI/AAAAAAAAAGg/TyXN3Bo9f54/s1600/ferreira+gullar.jpg
            Não há menor dúvida de que Ferreira Gullar é um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Com dezenas de livros publicados, o poeta maranhense é conhecido pela crítica e pelo leitor geral por seu tom que mescla o lírico ao social e por denunciar os desmandos dos governantes, separando muito bem, na relação de status quo quais são os dominantes e quais são os dominados. Tal atitude valeu-lhe anos de exílio e inúmeros poemas, como pode muito bem ser comprovado na leitura do livro Rabo de Foguete, sua autobiografia literária publicada no final de 1998.
            Visto por Vinícius de Moraes como “o último grande poeta brasileiro”, Gullar é dono de uma alentada obra, que vai de poemas a ensaios, passando por peças teatrais, prosa experimental, roteiro para telenovelas e séries de televisão, traduções e crônicas. Mas é sem dúvida seu livro, Poema Sujo, escrito durante os anos de chumbo da censura brasileira, a sua maior realização literária.  O crítico piauiense Assis Brasil compara a obra magna de Gullar a uma espécie de nova Canção do Exílio das letras nacionais.
 Conhecido também por seu estilo independente, o poeta partiu de textos de caráter parnasiano, atingiu a aura modernista e investiu em atitudes vanguardistas, brigando com o grupo concretista e trazendo à luz o movimento Neo-Concreto. E, entre 1962 e 1967, publicou, numa grande demonstração de engajamento político (que aparece também  em obras anteriores às datas citadas com outros matizes) quatro romances de cordel, com os seguintes  títulos: João Boa-Morte – Cabra Marcado pra Morrer; Quem Matou Aparecida; Peleja de Zé da Molesta com Tio Sam e História de um Valente.
            Embora a produção cordelística de Ferreira Gullar tenha sido relegada a um segundo plano até mesmo pelos estudiosos de sua obra, ela merece ser lida e relida, pois apresenta versos de boa qualidade e com grande carga de abordagem social. No início da saga de João Boa-Morte, o poeta adverte que o caso:

Sucedeu na Paraíba
mas é uma história banal
em todo aquele nordeste
Podia ser em “Sergipe,
Pernambuco ou Maranhão
Que todo cabra da peste
Ali se chama João
Boa-Morte, vida não

            João é um trabalhador rural que, após desafiar o Coronel Benedito, o dono das terras em que trabalha, se vê ameaçado de morte e é obrigado a deixar a região. Em todos os lugares aonde chega pedindo emprego, João é tratado com desdém, pois o antigo patrão já havia declarado que ninguém poderia contratá-lo, sob pena de sofrer retaliações. Com a mulher e os seis filhos, o herói da narrativa vaga sem perspectiva de alimentar sua família. Finalmente, após a morte de um dos filhos, por inanição, decide matar a mulher e as demais crianças  e cometer suicídio. Quando vai cometer o crime, é encontrado por Chico Vaqueiro, “um lavrador como ele sem dinheiro”, que faz parte da Liga que luta contra os latifundiários. O caboclo diz a João:

O inimigo da gente
é o latifundiário
Que submete nós todos
a esse cruel calvário
(...)
É contra aquele inimigo
que nós devemos lutar.
Que culpa têm os seus filhos?
Culpa de tanto penar?
Vamos mudar o sertão
Pra vida deles mudar.

            Saindo do campo e indo para a cidade, ou melhor, para a favela, mas sem mudar o enfoque da exploração do homem pelo homem, o poeta escreve o cordel Quem Matou Aparecida, subtítulado História de uma favelada que ateou às vestes. O Poema traz a vida e morte de uma moça que:

Que não teve glória, nem fama
de que se possa falar.
Não teve nome distinto:
criança brincou na lama,
fez–se moça sem ter cama
nasceu na Praia do Pinto,
morreu no mesmo lugar.

            Aparecida sai da favela e vai trabalhar como doméstica na residência de uma família rica. Envolta em um turbilhão de acontecimentos, a adolescente é seduzida pelo patrão e é descoberta pela patroa, que a acusa de roubo. Grávida, vai parar na cadeia, onde sofre as maiores humilhações possíveis. Depois de muito sofrimento, conhece o operário Simão, que trabalhava muito, mas ganhava “tão pouco/ que mal dava pra comer”. Vão morar juntos. O rapaz envolve-se em uma greve e é preso pela Repressão. Assim como muitas vítimas da ditadura, Simão desaparecer e nunca mais volta para o “barraco esburacado” onde morava com sua companheira. Sem alimento, a criança morre, no desespero, a mãe, com apenas 15 anos, “derramou álcool na roupa/ para logo fogo acender”. Surgem então os questionamentos Quem Matou Aparecida/ “Por que há ricos e pobres?”. Vindo depois a resposta:

Quem ateou fogo ás vestes
Dessa menina infeliz
Foi esse mundo sinistro
Que ela nem fez nem quis
- Que deve ser destruído
pro povo viver feliz.

            No terceiro cordel temos Zé da Molesta, “Um Zé franzino/ nascido no Ceará/ mas cantador como ele/ no mundo inteiro não há”. Numa típica alegoria, Gullar põe Zé da Molesta como sinônimo do povo brasileiro, sofrido, mas inteligente e improvisador. Para opositor, temos o Tio Sam, um estereótipo da cultura americana, arrogante e dominador, impondo seus desejos pela força. Desafiado pelo americano, o nordestino foi parar no prédio da ONU, para provar, que mesmo pobre, muito vale e que sua pobreza ocorrer em virtude dos constantes saques que os Estados Unidos promovem no Brasil. Rendido no embate, o norte-americano apela pela força bruta de seu poderio bélico e econômico, e o brasileiro tem de fugir dali para continuar com a vida. No desespero, o poderoso Tio Sam:

Gritou: “Chega de conversa,
Que estou desmoralizado!
Desliguem a televisão,
Deixem o circuito cortado,
Mobilizem os fuzileiros,
Quero ver esse ‘cabra’ amarrado.
Vamos lhe cortar a língua
Pra ele ficar calado.

            Finalmente, temos a História de um Valente, que traz a saga de Gregório Bezerra, um “filho de pais camponeses” que sai de Pernambuco e se torna soldado. Deixa o exército e ingressa no PCB, participa da revolta de 35, vai preso, é torturado, e depois tornar-se deputado, mas perde o mandato quando o Partido Comunista é posto na ilegalidade. Já sexagenário volta para cadeia. O poeta termina os versos conclamados e alertando:

Gregório está na cadeia.
Não basta apenas louvá-lo.
O que a ditadura espera
É a hora de eliminá-lo.
Juntemos nossos esforços
Para poder libertá-lo,
Que o povo precisa dele
Pra em sua luta ajudá-lo.

            É importante notar que em todos os seus cordéis, Ferreira Gullar procura soluções marxistas para os problemas enfrentados no Brasil. Para ele só há um modo de salvar o que temos: a luta de classes, através de uma revolução. Logicamente, as idéias defendidas pelo escritor, bem como as propostas por ele dadas não agradaram ao “Governo”, que, na época, o considerou uma ameaça.
            Interessante perceber também que somente agora parece que os leitores estão entrando em contato com os cordéis de Gullar. Mesmo que os textos fizessem parte das várias edições de Toda Poesia, acabavam servindo mais como uma curiosidade que como fonte de leitura e de estudo. Recentemente os textos foram reunidos em um livro chamado Romances de Cordel, uma edição que valorizou os textos, pois os tirou do conjunto geral e ressaltou a beleza individual de cada narrativa em cordel. Hoje os poemas podem também ser lidos na belíssima edição de Poesia Completa, Teatro e Prosa, da Nova Aguilar Editora, organizada pelo professor Antônio Carlos Secchin.
            Mesmo o próprio poeta dizendo que os poemas de tom dominante político são pobres, não podemos negar que a coragem de mostrar uma outra face do País em um momento tão melindroso já é o suficiente para imortalizar um escritor. E, inteligentemente, Gullar escolheu uma forma popular para trabalhar um tema que a todos interessa: a liberdade. Ao contrário do que alguns críticos pensam, o cordel não empobreceu a obra de Ferreira Gullar, pelo contrário, fê-la tornar-se mais rica, densa e humana.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NÃO PERCAM!!!!



A CAFÉ E LÁPIS EDITORA a todos para participar conosco da I Jornada Pergaminho Maranhense: desafios da pesquisa em História do Maranhão, a ser realizada no dia 04 de setembro (sábado), no Auditório do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, Centro - São Lu-is - MA). Com a seguinte programação, que inclui o Lançamento da Coletânea Pergaminho Maranhense (vol. 1):
Programação da I Jornada Pergaminho Maranhense:
08:30 h - Credenciamento
09:30 h - Abertura

10:00 – 11:30 h - Mesa 1: Memória, Identidade e Literatura
Participantes: Ms. Dinacy Mendonça Corrêa (Letras –UEMA);

Esp. Jeane Carla Oliveira de Melo (Mestranda Cultura e Sociedade – UFMA);
Esp. Marcelo de Sousa Araújo (Mestrando Cultura e Sociedade – UFMA);

Ms. Régia Agostinho da Silva (História – UFMA).
13:30 – 15 h - Mesa 2: Política, Economia e Movimentos Sociais

Participantes: Dr. Baltazar Macaíba de Sousa (Ciências Sociais – UFMA);
Esp. Marivânia Melo Moura (Especialista História do Maranhão);

Dra. Marize Helena de Campos (História – UFMA).
15:30 – 16:30 h - Conferência de encerramento

Preservação e inserção: uma leitura de imagens
Dra. Júlia Constança Pereira Camêlo (História – UEMA)

17 h - Lançamento Coletânea Pergaminho Maranhense: estudos históricos
Café de Encerramento
As inscrições para o evento ainda podem ser feitas nos seguintes locais:
- Livraria Athenas - Rua do Sol, Centro;
- Livraria Prazer de Ler - CCH - UFMA, Campus do Bacanga.

Sobre os valores:
- R$ 12,00 (somente Certificado - carga horária: 10h);
- R$ 20,00 (Certificado + Livro "Pergaminho Maranhense (vol.1)").

Para os não inscritos no evento, o livro será vendido no lançamento ao valor de R$ 20,00.


Não deixem de participar!

Outras informações:

blog: cafelapiseditora.blogspot.com
Tel: (98) 3082-8871 (Germana ou Claunísio)

NOSSA LITERATURA

A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NO MARANHÃO – PARTE IV
José Neres


            Um dos grandes obstáculos encontrados pelos escritores maranhenses é a falta de condições de escoamento de sua produção artístico-cultural. Como não há um sistema profissional de produção e de distribuição de livros, o autor torna-se, ao mesmo tempo, escritor, revisor, editor, patrocinador, divulgador e vendedor dos próprios trabalhos. Funções para as quais nem sempre está preparado ou tem disponibilidade de tempo. Isso faz com que a algumas obras de boa qualidade não atinjam o público-alvo. A falta de suplementos culturais que comentem, resenhem e divulguem a produção literária é outro percalço que contribui para o desânimo dos autores com relação ao alcance de seus trabalhos.
            Tais problemas de divulgação trazem como consequência imediata a ausência das obras nas prateleiras das livrarias. Quem tem o desejo de ler os autores maranhenses esbarra na dificuldade de encontrar as obras à venda. No caso da literatura infanto-juvenil isso se torna bastante evidente também pelo fato de a quase totalidade dos escritores dedicados a esse gênero não terem suas obras adotadas pelas escolas e serem praticamente desconhecidos no próprio Estado em que nasceram ou que adotaram como lar.
            Mesmo com tantos obstáculos, alguns escritores tentam vencer as barreiras da falta de espaço na mídia e nas escolas e produzem textos que muito têm a dizer ao público a que se destinam. É o caso de Josué Costa, poeta, teatrólogo e ator, que reuniu doze de seus textos teatrais em um volume intitulado “Comédias para rir e aprender”, um livro em que o riso e a seriedade de informações úteis sobre vícios, saúde e relações familiares se mesclam de forma equilibrada. Alguns esquetes, como os protagonizados pela Turma do Gueto, são altamente educativos e, a partir do humor, discutem problemas como alimentação inadequada, uso de drogas nas escolas, noções e higiene e outras situações que precisam ser discutidas na escola e na família. O livro, ricamente ilustrado, destina-se a pessoas de todas as idades, embora algumas peças tenham seu conteúdo aproveitado com maior intensidade por quem já tenha discernimento suficiente para perceber as ironias presentes nos diálogos.
            A talentosa e experiente Lenita Estrela de Sá percorre com a mesma desenvoltura os caminhos da literatura tida como adulta e as tortuosas veredas dos textos infanto-juvenis. Em “A Filha de Pai Francisco”, a escritora retoma a conhecida temática do auto do bumba-meu-boi, mas dá uma roupagem diferente ao conflito principal, introduzindo novas personagens e discutindo situações que vão além do desejo de comer a língua do boi. Em outra obra – “A Lagartinha Crisencrise” – o universo da angústia das transformações físicas e comportamentais por que passam todos os seres humanos são metaforizados pela história da lagartinha ansiosa por tornar-se borboleta.
            Joaquim de Oliveira Gomes, com seu livro de estreia, “O Jabuti que falava inglês”, não se preocupa apenas em contar a breve passagem do menino Pedrinho por uma região na qual ele é o estrangeiro e, portanto, o deslocado no meio de uma língua e de uma cultura diferentes. O jabuti que serve de título ao livro, não se limita a ser intérprete do menino, mas também é o elo entre aspectos culturais tão diversos e o elemento mediador entre os diversos temas suscitados pela obra: amizade, deslocamento cultural, aprendizagem e respeito pelo que há de diferente nas pessoas que se aproximam em busca de conforto e de solidariedade.
            Infelizmente, as edições limitadas e o pouco incentivo a divulgação dificultam o acesso do leitor ao mundo mágico criado por Lucas Baldez em sua “Viagem ao Mundo da Imaginação”; às fantasias imagéticas de Tácito Borralho, em “Gibi, o menino que não sabia voar”; às irônicas metáforas de Lio Ribeiro, no alegórico “O Sumiço do Rei”; à amizade surreal criada por Suely Moura de Oliveira, no seu livro “Juliana”; e a tantos outros livros que se tornaram raridades nas estantes de nossas bibliotecas e de nossas livrarias