Em uma época em que o leitor de
livros impressos começa a ser visto como um ser estranho e até mesmo
anacrônico, sempre é bom saber que ainda há pessoas dedicando-se à produção de
textos literários de bom nível e que se arriscam, mesmo contra a lógica
mercadológica, a investir na produção e na divulgação de livros.
Infelizmente, quase sempre o
lançamento de um livro se transforma em um primeiro passo para o esquecimento
de sua existência. Em nossa sociedade contemporânea, falta quem comente os
novos autores e lhes dê estímulo para continuar na constante luta com versos e
parágrafos. Como os trabalhos intelectuais publicados quase sempre caem no
ostracismo, sem repercussão nem mesmo nos círculos de amizade, alguns
escritores simplesmente desistem de publicar seus livros, deixando as gavetas
cheias de originais, alguns de boa qualidade.
Registremos aqui os trabalhos de
três escritores estreantes de nossa terra. Seus livros foram publicados entre a
metade de 2011 e o início de 2012, sendo, portanto, bastante recentes e quase
desconhecidos da maioria do público leitor.
Comecemos com a escritora Eva Maria
Nunes Chatel, que publicou concomitantemente a novela “De Volta” e o livro de
contos “Substantivo Próprio: Fábulas Humanas”. No primeiro título, a autora faz um périplo
pelas inusitadas visões de uma anciã em coma. Narrado em primeira pessoa pela
protagonista, o livro não traz apenas uma história em vários breves capítulos,
mas sim abre espaço para a reflexão do leitor a respeito da própria existência
e da fragilidade da natureza humana. No outro livro, Eva Chatel, em contos
curtos, metaforiza as mazelas humanas. Homens, mulheres, adultos e crianças são
amalgamados às características de animais dentro de uma sociedade pretensamente
civilizada, mas que nega às pessoas as condições de viver com dignidade.
Saindo do campo da prosa de ficção e
mergulhando na poesia, Carvalho Junior trouxe à luz o seu “Mulheres de
Carvalho”, no qual o autor brinca de modo sério com as palavras, produzindo
imagens poéticas de excelente qualidade. Suas temáticas são geralmente líricas,
mas sem decair na pieguice sentimentalista tão comum nos poetas
estreantes. Com bom humor, Carvalho
Junior trabalha temas que vão do sentimento amoroso não correspondido ao
preconceito racial, passando por poemas telúricos em homenagem a sua cidade
natal, um erotismo sutil e incursões pela metalinguagem. Tudo temperado com
intenso trabalho com as palavras, a fim de tirar delas o máximo dos efeitos
poéticos.
Finalmente temos “Palavras ao
Vento”, livro de Lindalva Barros, que com esse título estreia no mundo da
poesia. Explorando a espacialização das palavras e os vazios entre os versos, a
escritora esculpe em seus versos as antigas angústias do ser humano, com a
solidão, a inexorável passagem do tempo e a inefabilidade da dor do existir e
repetitiva rotina imposta pela vida. Seus versos são curtos, mas vigorosos, sem
muita preocupação com a métrica ou com os esquemas rímicos tradicionais, porém
carregados da essência humana, o que torna cada poema mais próximo ao leitor,
já que a principal fonte de inspiração da autora é a complexa simplicidade da
vida humana.
Eva Chatel, Carvalho Junior e
Lindalva Barros são apenas alguns dos nomes de autores que publicam seus livros
e que transformam palavras em obras de arte. Felizmente não são nomes isolados
em nossa terra. Há muitas outras pessoas produzindo bons textos e à espera de
leitores que transformem páginas escritas em pedaços compartilhados da
experiência humana.
CONTATO COM OS AUTORES E POSSÍVEL
AQUISIÇÃO DO LIVRO
Os Livros de Eva Chatel podem ser adquiridos no seguinte no site da editora All Print
O livro de Carvalho Júnior pode ser adquirido pelo site da Café e Lápis Editora ou em contato com o próprio autor por seu blog
O livro de Lindalva Barros pode ser adquirido com a autora pelo seu e-mail ou por seu blog
Esse poema foi publicado há mais de uma década, mas acredito que ainda tem muito a dizer sobre esse compositor e músico fantástico que nos deixou verdadeiras obras de arte.
Caros amigos, estamos disponibilizando neste momento este livro sobre a vida e a obra de Adelino Fontoura, patrono da cadeira nº 1 da ABL, mas quase desconhecido do grande público. Além de um estudo sobre o poeta, nesse livro há também uma coletânea de poemas do escritor falecido precocemente. Este livro é parte do projeto Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertexto e pode ser encontrado também na versão impressa em bibliotecas, com a finalidade de divulgar as letras maranhenses.
AUTORES: José Neres, Jheysse Lima Coelho e Viviane Ferreira
Aproveite e veja também o desenho animado que é citado no texto
Ao folhear livros de História ou ao
assistir a filmes sobre a Idade Média e sobre as arenas romanas, é possível que
perceber que os homens que iam para as batalhas costumavam resguardar os corpos
da melhor maneira possível. Armaduras, elmos, escudos, protetores de tórax e
todos os apetrechos possíveis para proteger-se dos impactos com os adversários
eram utilizados pelos guerreiros. A intenção maior era evitar que durante os
combates os ferimentos causados pelas refregas ceifassem a vida dos lutadores.
Ao mesmo tempo, toda essa proteção, juntamente com os equipamentos de ataques,
era usada também para causar danos aos adversários.
Hoje, muitos séculos após as
Cruzadas e as batalhas pela vida e pela honra nas arenas, o homem continua na
busca de algo que possa evitar seus ferimentos, mesmo que seja a custa de
sérias lesões ou até mesmo da vida de outras pessoas. As armaduras tradicionais
foram abandonadas e agora fazem parte do acervo de museus ou servem como parte
da indumentária de filmes de época. Em seu lugar, apareceu algo bem mais
moderno que teria como principal utilidade ajudar no deslocamento de pessoas e
de cargas, mas que pode servir ao mesmo tempo como instrumento de defesa e de
ataque, podendo evitar que o guerreiro contemporâneo tenha seu corpo
estraçalhado, mas que pode inutilizar parcial ou permanentemente alguma pessoa
desavisada que tenha o azar ou a imprudência de cruzar com o proprietário dessa
armadura moderna em um momento de desatenção, imperícia ou de arrogância.Essa nova arma de combate utilizada tanto por
pessoas sérias e responsáveis quanto por boçais que não dão o maior valor à
vida alheia é chamada veículo motorizado, podendo atender por diversos nomes:
moto, carro, caminhão, ônibus...
Os noticiários mais recentes não
deixam dúvida de que a cada dia que passa o homem vem utilizando-se do carro
como uma armadura protetora e como instrumento de combate em uma guerra urbana
em que quase todos saem derrotados ou pelo menos lamentando a perda de um ente
querido.
Ao entrar em um carro, o cidadão
comum parece ser tomando pela síndrome do Sr. Weeler, personagem criado por
Walt Disney e representado pelo Pateta, que, ao ligar seu automóvel assume a
postura de um monstro do trânsito, desrespeitando faixas, sinais e todas as
regras da civilidade. Porém ao se ver novamente na condição de pedrestre,
reclama da falta de educação dos demais condutores.
Ao volante de um carro possante, o
bom garoto do bairro pode ser convertido em um demônio irresponsável que faz
zig-zag, entra pela contramão, vocifera contra quem cumpre a lei. O pai de
família, ao ligar o carro, às vezes se transforma em um lunático que acredita
ser sua pressa maior que a dos demais e põe em risco não somente a segurança de
sua família, mas também a de todos os que estão a sua volta. O homem pequenino
que mal consegue sustentar o peso do próprio corpo, quando está sentado diante
da direção de seu carro sente-se como um gigante de músculos de aço capaz de
tirar de sua frente todos aqueles que atravancam seu caminho. A delicada mulher,
de sorriso encantador de modos educados, ao soltar o freio de mão e entrar no
fluxo das avenidas, ou mesmo antes disso, sente-se senhora de todos os poderes
do mundo e crê que pode ganhar tempo e encurtar distâncias à custa do pavor
inoculado nos olho dos pedestres e dos demais condutores. Isso sem falar nas
pessoas que jamais apresentaram uma capa de civilidade e aproveitam o carro
para dar vazão a seus instintos criminosos.
Os mortais gladiadores modernos
vestem a armadura de metal revestida com a blindagem da impunidade ou pelo
menos usam o capacete da intolerância e do descaso e fazem de cada rua uma
arena, com corpos espalhados no asfalto ou na areia. Quando têm suas armaduras
amassadas, confiscadas ou destruídas, compram uma nova e continuam matando sob
o manto protetor das frágeis leis.