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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
ILHAVIRTUALPONTOCOM NÚMERO 21
Chegamos a este fim de ano com a volta do nosso Ilhavirtualpontocom, desta vez com entrevista com o poeta Carvalho Junior, comentários sobre o CD Palavra Acesa de José Chagas e sobre o livro Baratão 66, além da poesia de Francinete Braga Santos. Desejamos boa leitura a todos.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
RAIMUNDO CORREIA: POESIA COMPLETA
RAIMUNDO
CORREIA: POESIA COMPLETA
José
Neres
(Professor
de Literatura)
Raimundo Correia (1859–1911) parece
ser um daqueles cultuados escritores que têm o nome lembrado em diversas obras
de cunho crítico e/ou didático, que se eternizaram pelo talento e pela
reprodução sistemática de dois ou três textos, mas que não conseguem
transformar essa admiração em leitura atenta de sua obra.
Em praticamente todos os livros
didáticos utilizados pelos alunos do ensino médio há sempre alguns parágrafos
situando o poeta maranhense entre os três mais importantes escritores do
Parnasianismo brasileiro, ao lado de Olavo Bilac e Alberto de Oliveira.
Geralmente há também nesses compêndios um esboço biobibliográfico do poeta,
seguido da transcrição de alguns seus sonetos mais populares – quase sempre Mal Secreto, As Pombas ou A Cavalgada
–, mas essas informações básicas nem sempre são suficientes para estimular nos
estudantes a leitura de outras produções de Raimundo Correia.
Mesmo que alguém se interessasse
pela produção poética do autor de Primeiros Sonhos, teria dificuldades de
encontrar no mercado livros que trouxessem mais textos desse poeta. E mesmo em
uma busca na internet, os admiradores do escritor esbarrariam na repetição dos
textos disponíveis para leitura, cerca de duas dúzias de poemas, quase sempre
os sonetos mais conhecidos. Essa recorrência aos mesmos títulos pode levar
alguém a pensar que Raimundo Correia fosse um escritor de poucas obras e de
talento limitado, o que não é verdade.
Recentemente, no entanto – pouco
mais de um século depois da morte do poeta maranhense – chegou às livrarias um
livro que tenta trazer de volta para o público leitor os poemas desse escritor
que foi efusivamente elogiado por críticos do porte de Manuel Bandeira e João
Ribeiro. Trata-se de “Raimundo Correia: Poesia Completa” (Café e Lápis Editora,
2012, 358 páginas), um livro que oferece ao leitor a oportunidade de entrar em
contato com 325 poemas de Correia, trazendo também notas explicativas que podem
ajudar a compreender alguns textos.
Para aproximar ainda mais o leitor
do sonetista parnasiano, Claunísio Amorim, responsável pela editoração, organização
e revisão, além de escrever a apresentação do livro, não se limitou a
reproduzir as centenas de poemas produzidos por Raimundo Correia, mas sim de
também transcrever as apresentações e prefácios presentes nas primeiras edições
das obras reunidas nesse volume.
Uma das grandes qualidades de um
trabalho como a edição de obra completa de um poeta é a oportunidade de
entrar-se em contato diretamente com a produção do escritor, e não apenas com
textos esparsos. Desse modo, o leitor pode chegar a algumas conclusões às quais
não chegaria se ficasse apenas na leitura dos teóricos ou dos poemas soltos.
Uma
das ideias solidificadas sobre Raimundo Correia e que pode ser questionada em
uma leitura mais atenta de seus poemas é a que se refere ao negativismo que
supostamente atravessa toda a sua obra. Embora fique evidente que o estilo do
autor seja carregado de certa dose de pessimismo, pode-se notar também que, em
variados momentos, ele despejava em seus versos um humor ácido, como, por
exemplo, no poema “Ideia Entomológica”, no qual um pseudo-poeta, ao levar a mão
à cabeça, no lugar de tirar idéia para um poema, só consegue encontrar um
piolho; ou ainda no soneto “A Uma Cantora”, no qual o eu lírico se vê gravemente
ferido pela voz de alguém que se diz cantora.
Os versos de Raimundo Correia são
bastante plásticos e, apesar de ficarem presos às formas parnasianas, trazem
algumas imagens que mesclam densidade filosófica e crítica social, como ocorre
no belíssimo poema intitulado “Diálogos”, no qual a terra, o trigo, a pedra e o
ferro são personificados e não perdoam o homem pelas atrocidades cometidas ao
longo dos tempos.
Poesia Completa de Raimundo Correia
é um livro para ser lido não apenas pelos apaixonados pelos versos do autor,
mas também por aqueles que acreditam que toda a obra do poeta parnasiano se
resume a apenas meia dúzia de poemas bem elaborados. Ele é muito mais que isso.
É um dos maiores poetas que o Brasil já teve. E hoje, mais de um século após
seu passamento, Raimundo Correia ainda demonstra ter muito a dizer em seu
universo poético.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
WANDA CRISTINA
José Neres
![]() |
Fonte da imagem: Internet |
Cerca
de uma década e meia após sua estreia em livro, quando não pairava mais nenhuma
desconfiança sobre seu talento poético, Wanda Cristina volta a ser lembrada por
outro grande crítico. Ela foi selecionada por Assis Brasil como uma das
representantes da poesia maranhense do século XX. O romancista e crítico
piauiense destaca a inventividade, o domínio da linguagem e o uso de formas
poéticas diversificadas por parte da escritora, que tem cinco de seus poemas
destacados na antologia.
Em
sua obra, Wanda Cristina não espera que o leitor abra o livro para entrar em
contato com a poesia e com as metáforas. Logo na capa, ela já costuma fazer um
trabalho de escolha lexical que leva o leitor a perceber que escolher um título
não se trata de um mero artifício verbal, mas sim de um recurso poético que
pode ser bem empregado por quem sabe que os jogos poéticos não se limitam à
confecção dos versos e à busca desenfreada pelas rimas. Desse modo surgiram
títulos como “Uma Cédula de Amor no meu Salário”, “Engraxam-se Sorrisos” e
“Rede de Arame”.
Embora
seja mais conhecida por seus textos em verso, Wanda Cristina não se prendeu a
apenas um gênero ou a uma forma. Ela, ao longo de sua trajetória literária, já
se dedicou à prosa, ao texto teatral, à composição de letras de músicas, à
pesquisa folclórica e a outros gêneros, além de dedicar-se ao magistério. Essas
múltiplas atividades talvez tenham eclipsado um pouco o brilho da poetisa que,
possivelmente ainda deve ter muitos textos inéditos esperando a oportunidade de
virem à luz.
As
temáticas e estruturas trabalhadas pela autora de “Geofagia Ruminante no Sótão
da Preamar” são variadas e vão desde situações cotidianas até incursões pela
experiência concretista, com especial atenção aos aspectos sociais da
realidade. Em diversos momentos de sua obra, Wanda Cristina deixa transparecer
seu descontentamento com a as injustiças sociais e com os (des)rumos que o
mundo vem tomando e que quase sempre não estão de acordo com o que seria
desejável. Atenta aos elementos circundantes, a escritora colhe do dia a dia a
matéria para seu trabalho com a palavra. Um acidente de trânsito, uma discussão
banal, um cigarro, uma árvore... Tudo pode servir de tema para a poética dessa
escritora que busca no cotidiano e dentro da essência das pessoas a
matéria-prima que, após um burilamento com a linguagem, se transforma em
Poesia.
Em
alguns de seus poemas, Wanda Cristina consegue amalgamar o tom de revolta com a
consistência de um apurado trabalho de construção poética. É o caso do pequeno,
mas contundente Aliteração, no qual, em apenas dez versos, a antiga concepção
político-ideologia do Pão e Circo é mostrada e desnudada como força coercitiva
da alienação do povo. Trata-se de um poema que ao mesmo tempo encanta o leitor
pela bela construção e o faz pensar na forma como somos manipulados ao longo
dos tempos.
Adepta
dos jogos de palavras, mas sem decair no mero experimentalismo fonético, e do
engajamento literário, contudo sem recorrer ao panfletarismo militante, Wanda
Cristina é o tipo de escritora que deve ser lida com calma, apreciando-se todas
as nuances e matizes que fazem de cada um de seus textos uma pequena obra de
arte.
Visite a página da escritora em http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=16679
quinta-feira, 16 de maio de 2013
PROGRAMAÇÃO
Dia
23.05.2013 (quinta-feira)
Horário: 8h – CREDENCIAMENTO (Sala
de apoio 01)
Local: CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS -
CCH/UFMA
8h30 – MESA DE ABERTURA
Composição: Prof.
Dr. Jarbas Couto e Lima– Coordenador PGCult-UFMA
Profa. Dra. Teresinha de Jesus
Baldez e Silva (GELLD-DELER-NEPLiCI-UFMA)
Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa
(GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO MEIRELLES”
– CCH
10h15 – INTERVALO
Composição:Profa.
Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD- NEPLiCI -DELER-UFMA)
12h às 14h30 – INTERVALO
14h30 MESA-REDONDA 2 – “A
sustentabilidade ambiental no espaço maranhense”
16h15 – INTERVALO
16h30 MESA-REDONDA 3 – “A memória das
cidades: seu espaço, sua identidade”
18h – LANÇAMENTO DE LIVROS
Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Prof. Ms. Gersino dos Santos Martins (PGCult -DEART-UFMA)
Composição: Prof.
Dr. Antônio Cordeiro Feitosa (DEGEO–NEPLiCI-UFMA)
Profa. Ms. Andreia
Marques (PGCult)
Moderador(a):Profa.
Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Composição: Profa.
Ms. Maria de Lourdes Lauande Lacroix
Profa. Dra. Maria
Cândida Seabra (UFMG)
Moderador(a):Profa.
Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD-NEPLiCI-DELER-UFMA)
Dia
24.05.2013 (sexta-feira)
Horário: 8h30 – MESA-REDONDA 4 – “Literatura maranhense:
múltiplos olhares”
Composição: Prof.
Ms. José Ribamar Neres Costa(FAMA)
Profa. Ms. Janete de
Jesus Serra Costa (PGCult-UFMA)
Susane
Martins Ribeiro (Graduanda em Letras - FAMA)
Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO
MEIRELLES” – CCH
10h15 – INTERVALO
Composição: Prof. Dr. José Dino Costa Cavalcante (GELLD-DELER-UFMA)
Profa. Ms. Dinacy Mendonça Correia (UEMA)
Profª.Esp.Samara Santos Araújo
Paloma Veras Pereira (Graduanda em Letras-UFMA)
Composição: Flaviano
Menezes da Costa (GELLD-PGCult)
Adeilson Marques (GELLD-PGCult)
Narjara Mendes da Silva
(GELLD-PGCult)
Moderador(a):Profa.
Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Conferencista: Prof. Dr. Samarone Marinho (Pós-Doutorando pela USP em Geografia
Humana)
9h-CONFERÊNCIA DE ABERTURA - “Léxico
Toponímico: documentação, memória e cultura”
Conferencista: Dra.
Maria Cândida Seabra (UFMG)
domingo, 21 de abril de 2013
DA ARTE DE PERDER LIVROS
DA ARTE DE PERDER LIVROS
José Neres
A regra é bem lógica e simples. Quer perder livros? Basta dedicar-se a não muito salutar tarefa de emprestá-los.
Um livro, qualquer que seja ele, é tão importante que é capaz de mudar completamente até mesmo a noção de tempo e de espaço. Não! Não estou falando aqui do poder dos livros de levar os leitores para outros tempos ou a paragens alcançáveis apenas pela imaginação. Fala de algo mais real e mais facilmente comprovável.
É o seguinte: quando alguém precisa de um livro, raramente se dirige a uma livraria para comprá-lo. É mais fácil e cômodo pedi-lo emprestado a um incauto qualquer de boa fé. É esse o momento de fazer o teste que passo a descrever a partir desta linha. Basta o dono do livro dizer que só ele sabe onde está o referido título, que mora longe e que só estará em casa a partir das dez ou onze horas da noite. Pronto. Como em um passe de mágica, relógio, convenções sociais e distâncias perdem a importância. Na hora marcada, por mais incômoda que seja; no endereço dado, por pior que seja o acesso a ele, o pedinte estará ali, com um sorriso no rosto, pedindo desculpas pelos inconvenientes, mas deixando bem claro que consultar aquela obra é questão de vida ou de morte. A visita costuma ser rápida, raramente o cidadão aceita passar da soleira da porta, tal é sua pressa.
A segunda parte do teste vem dias, semanas ou meses mais tarde. Uma vez feita a tão urgente consulta, a residência do dono do livro se torna extremamente distante; aquela pessoa que outrora se dispôs a ir a qualquer hora pegar a obra, de repente, não mais que de repente, como diria Vinícius de Moraes, percebe que não deve incomodar as pessoas altas horas da noite, domingos ou feriados tão simplesmente para entregar um mero livro; o número do telefone do proprietário do livro, que foi usado incessantes vezes para lembrar o título exato do volume, como que por encanto, desaparece da agenda do agora tão ocupado pedinte... E o tempo vai passando...
A terceira e última parte do teste vem em um encontro fortuito, quase acidental entre as duas partes. Geralmente, quem está com o livro não toca no delicado assunto e, quando instado a falar sobre uma possível devolução, alega falta de tempo, muito serviço, problemas de locomoção para lugares distantes e conclui dizendo que em breve, assim que sobrar um tempinho, fará uma visita com mais calma, para entregar o precioso objeto, etc, etc, etc.
Pronto. O teste está completo. Os livros, principalmente os emprestados têm o poder de relativizar aos extremos as noções de tempo, de espaço e de prioridade.
O problema desse tipo de comprovação é que ela pode sair muito cara para quem decide investir em uma formação mais letrada. A cada experiência, alguns livros preciosamente raros participam de uma espécie de êxodo bibliográfico sem volta às estantes de origem. Além do valor pecuniário perdido, o amante das palavras escritas percebe aos poucos que os clarões das estantes mostram bem mais que uma hemorragia de celulose, escancarando aos olhos do pobre coitado a perda de anos e mais anos de busca incessante a exemplares raros que aos amados lares nunca mais retornarão.
É... esse é o tipo de arte que precisa ser combatida, antes que transforme benfeitores da palavra em seres egoístas especializados na arte de esconder a sete chaves seus pequenos tesouros de papel
Publicado originalmente em O Estado do Maranhão
segunda-feira, 8 de abril de 2013
JETHER, UM ADEUS
JETHER, UM ADEUS
Passei o final de semana trabalhando,
ministrando aula em um curso de pós-graduação. Fiquei praticamente dois dias
sem contato muito demorado com a internet, com os amigos virtuais e com o mundo
sem fronteiras. Hoje, às cinco da madrugada, hora em que geralmente estou
acordado, escuto o barulho da moto do entregador de jornal e o característico ruído
de algo arremessado no terraço. Pego o periódico e sou surpreendido com a notícia
do covarde e brutal assassinato do poeta, bancário, ex-vizinho e sempre
amigável Jether Joran Coelho Martins.
Conheci-o na metade da década de
noventa do século passado. Primeiro pelas páginas de seu livro Poesia Revolucionária, que eu havia
comprado quase por acaso. Depois pessoalmente,
quando, em uma dessas voltas do destino, descobrir que o autor do livro morava
no mesmo prédio que eu, no apartamento logo abaixo. Daí em diante gastamos
muito de nosso tempo em conversa sobre poesia, arte , música e uma de suas
paixões: a cidade Vargem Grande, terra à qual dedicou um longo trabalho de
abordagem histórica em uma abordagem bem
pessoal.
Depois que me mudei tive poucos
encontros com ele. Recentemente no reencontramos por acaso em um supermercado. Descobri
que novamente éramos vizinhos e sempre tentávamos marcar um momento para
conversar sobre literatura e arte em geral. Nunca conseguimos realizar esse
feito. A última vez que o vi foi na Feira do Livro. Conversamos durante um bom
tempo e ele disse que me mandaria seu novo livro para uma apreciação. Nunca enviou
e, lamentavelmente não mais o enviará, pois alguém resolveu pôr fim a uma vida que
ainda teria muito a oferecer a sua família, a seus amigos e às letras em geral.
Nossa
cidade está ficando cada dia mais violenta... Nós, a cada dia nos sentimos mais
inseguros, seja em casa, seja nas ruas ou em qualquer outro lugar. Os gritos de
socorro das vítimas e de seus familiares parecem não ecoar nos ouvidos das autoridades.
Os homicídios, os assaltos e os demais tipos de violências já respiram ares de
banalidade. E, entre as banalidades com que são tratadas as ocorrências e as
boçalidades dos marginais. Vamos tentando sobreviver em nossa selva de azulejos
e pedras de cantaria.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Escrevi este texto logo após a morte de Josué Montello. Peguei alguns dos vários livros do grande escritor e fiz uma pequena homenagem a esse grande homem de letras.
A TÍTULO DE HOMENAGEM
José Neres
A TÍTULO DE HOMENAGEM
José Neres
Era para ser uma tarde comum, como outra tarde qualquer, mas quando a noite desceu sobre Alcântara, sobre o Largo do Desterro e sobre o Cais da Sagração, e os bentivis começavam a procurar um beiral para descansar, uma notícia deixou a cidade duas vezes perdida: Josué Montello, a cabeça de ouro da vida literária maranhense, acabara de receber sua última convidada.
Naquele momento, a morte deixava de ser apenas uma sombra na parede e levava o criador de mil imagens para uma viagem fantástica por um labirinto de espelhos, deixando entre seus conterrâneos, além de mais de uma centena e meia de obras, um camarote vazio e uma escola de saudade.
Naquela hora, como se estivéssemos no silêncio de uma confissão, tudo muda na cidade: a lanterna vermelha perde o brilho, a estante giratória pára, o fio da meada se perde, o caminho da fonte se fecha e os longos diários recebem o ponto final. Josué deixa de estar entre nós. Sua indesejada aposentadoria definitivamente chega para levá-lo para junto dos tesouros de Dom José, para viver mil aventuras com Calunga, ou para, através do olho mágico da eternidade, quem sabe na próxima noite de natal, ou numa noite de papel picado, ver Glorinha, com seu rosto de menina, recitando os versos do anel que tu me deste ou brincando com os bichinhos do circo.
Montello, que ainda na casa dos quarenta, já dominava Cervantes e o moinho de vento, já mostrava para seu povo a beleza clássica de Ricardo Palma, Antônio Nobre, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Gonçalves Dias e Stendhal, entre outros, sempre alinhando uma palavra depois da outra, aos quase noventa anos, com as janelas fechadas, mas com a alma aberta para o infinito, põe um ponto final em sua vasta obra , que não é miragem, nem peso de papel, mas sim arte, vida, amor e dedicação.
Então, naquele triste 15 de março de 2006, ao som dos tambores, sem precisar de um baile de despedida, Josué Montello subiu os degraus do paraíso e, em uma viagem sem regresso, sob luz da estrela morta, os anjos em aleluia foram mostrar para a pedra viva das letras maranhenses seu apartamento no céu, com uma bela varanda sobre o silêncio, de onde, enquanto o tempo não passa, ele para sempre será lembrado.
O Estado do Maranhão, 26 de março de 2006.
CONTO COM T
Para distrair um pouco nossos leitores de seus afazeres cotidianos, postamos aqui mais um conto todo iniciado com a mesma letra. Desta vez é a letra T que serviu de foco.
Tempo
José Neres
Teresa Telles tinha tudo. Tinha títulos, tratores, terras, tantas transações terceirizadas... Todavia, terrivelmente tímida, Teresa torturava-se, temia terminar totalmente traumatizada, transtornada.
Tio Túlio Telles, tentava tranqüilizá-la:
-Tranqüiliza-te, tens tanto tempo, Teresa!
Teresa, tresloucada:
- Tenho tudo, tio, todavia tô tão triste! Tudo tentei, tantas terapias... Trintona, tio! Tô trintona! Tenho tempo!?!
- Tens... Temos, tesão...
Tio Túlio Telles, trêmulo, tocou-lhe, tirou-lhe tudo...
Túmida, trôpega, tensa, trêmula, Teresa topou tudo.
Transaram, transaram, transaram...
Trauma terminado, Teresa teoriza:
- Tenho tudo: tenho terrenos, tratores, tantas transações terceirizadas, tio Túlio, transas transcendentais, tempo, tempo, tempo...
Tempo
José Neres
Teresa Telles tinha tudo. Tinha títulos, tratores, terras, tantas transações terceirizadas... Todavia, terrivelmente tímida, Teresa torturava-se, temia terminar totalmente traumatizada, transtornada.
Tio Túlio Telles, tentava tranqüilizá-la:
-Tranqüiliza-te, tens tanto tempo, Teresa!
Teresa, tresloucada:
- Tenho tudo, tio, todavia tô tão triste! Tudo tentei, tantas terapias... Trintona, tio! Tô trintona! Tenho tempo!?!
- Tens... Temos, tesão...
Tio Túlio Telles, trêmulo, tocou-lhe, tirou-lhe tudo...
Túmida, trôpega, tensa, trêmula, Teresa topou tudo.
Transaram, transaram, transaram...
Trauma terminado, Teresa teoriza:
- Tenho tudo: tenho terrenos, tratores, tantas transações terceirizadas, tio Túlio, transas transcendentais, tempo, tempo, tempo...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
ILHAVIRTUAL 17
21 de janeiro de 2013, dia do centenário de falecimento do escritor Aluísio Azevedo. Dia também de trazer à luz o décimo sétimo número do Ilhavirtualpontocom, com alguma novidades gráficas e interesse e sempre pelo resgate e fortalecimento de nossa literatura. Se você quiser baixar a edição em PDF, clique aqui.
Nesta edicão:
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Nesta edicão:
- Textos sobre Aluísio Azevedo
- Lançamento de Destino Cruzado, de Dorinha Marinho
- Música de Alexandra Nícolas
- Poesia de Firmino Freitas
- Retrospectiva do ano literário de 2012
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terça-feira, 1 de janeiro de 2013
LIVRO DIGITAL
Nosso livro digital LOUSA RABISCADA - Artigos Reunidos acaba de ser disponibilizado na internet. Boa leitura para todos os interessados em mais este trabalho nosso.
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