Caros amigos/leitores
Chegamos ao décimo quinto número de nosso informativo virtual. Neste número você terá:
1) Entrevista com o professor e escritor Marcos Fábio Belo Matos
2) Sonetos de Abmael Lopes
3) Homenagem a Antônio Martins de Araújo
4) Poesia de Rosemary Rêgo
5) Artigo de José Neres
Para baixar o informativo em PDF, clique aqui
ou o visualize aqui
terça-feira, 24 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
ILHAVIRTUALPONTOCOM 14
Amigs, disponibilizamos para vocês o 14ª número do ILHAVIRTUALPONTOCOM, com novo aspecto gráfico e sempre muitos textos sobre nossa literatura. Neste número:
- Flaviano Menezes comenta o lançamento da nov edicão de O Guesa
- Irving Selassié traça um perfil biográfico de José Viana
- Entrevista com a poetisa Anna Elizandra
- Poema de Artur Azevedo
- Poesia de Dyl Pires
- Flaviano Menezes comenta o lançamento da nov edicão de O Guesa
- Irving Selassié traça um perfil biográfico de José Viana
- Entrevista com a poetisa Anna Elizandra
- Poema de Artur Azevedo
- Poesia de Dyl Pires
sábado, 16 de junho de 2012
CURSO COM LUÍZA LOBO
MINICURSO DE ÉPICA NA
LITERATURA BRASILEIRA
(TRANSCRITO DO SITE DA AML)
Pela professora Doutora Luiza Lobo, docente de pós-graduação na faculdade de Letras da UFRJ; da Academia Brasileira de Filosofia; correspondente da Academia Maranhense de Letras.
De 18 a 21 de junho de 2012, das 17:00 às 20:00 horas. Inscrições na Secretaria da Academia: Rua da Paz, n°84 – Centro. Certificados a quem tiver 75% de comparecimento. Taxa de inscrição, R$20,00.
EMENTA: dirigido ao público em geral, e especialmente a alunos do curso de Letras. Objetivo examinar os mais importantes escritores da Literatura Brasileira que escreveram epopeias, tais como Domingos Gonçalves de Magalhães. Será proposta uma comparação entre o Indianismo de Sousândrade os poemas épicos O Guesa, de Sousândrade e Os timbiras, de Gonçalves dias. Com base no conceito de Emil Staiger de que o épico existe como gênero ou como uma característica geral presente também noutros gêneros, será discutido o romance Iracema de José de Alencar, visando a definir da importância da épica cristã romântica neste autor assim como no poema O Guesa
EMENTA: dirigido ao público em geral, e especialmente a alunos do curso de Letras. Objetivo examinar os mais importantes escritores da Literatura Brasileira que escreveram epopeias, tais como Domingos Gonçalves de Magalhães. Será proposta uma comparação entre o Indianismo de Sousândrade os poemas épicos O Guesa, de Sousândrade e Os timbiras, de Gonçalves dias. Com base no conceito de Emil Staiger de que o épico existe como gênero ou como uma característica geral presente também noutros gêneros, será discutido o romance Iracema de José de Alencar, visando a definir da importância da épica cristã romântica neste autor assim como no poema O Guesa
sexta-feira, 1 de junho de 2012
ilhavirtual 13
Está em suas mãos o 13º número do Ilhavirtualpontocom, os seguintes destaques:
- Resultado do I Concurso Papoético de Poesia
- Entrevista com Wilson Martins
- A Faca e o Rio
- Poema de Gonçalves Dias
- Convocação para Projeto Gonçalves Dias
- Curso na Academia Maranhense de Letras
Você pode baixar ou ler em PDF o informativo clicando AQUI, ou expandindo a imagem abaixo.
Boa leitura
- Resultado do I Concurso Papoético de Poesia
- Entrevista com Wilson Martins
- A Faca e o Rio
- Poema de Gonçalves Dias
- Convocação para Projeto Gonçalves Dias
- Curso na Academia Maranhense de Letras
Você pode baixar ou ler em PDF o informativo clicando AQUI, ou expandindo a imagem abaixo.
Boa leitura
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
CANTANDO NA CHUVA
Durante uma semana, postaremos pequenos poemas ilustrados sobre literatura, música, cinema...
Para começar bem a semana, este poeminha sobre um dos filmes mais bonitos de todos os tempos...
Amanhã teremos outra postagem...
Para começar bem a semana, este poeminha sobre um dos filmes mais bonitos de todos os tempos...
Amanhã teremos outra postagem...
sexta-feira, 11 de maio de 2012
EXPOSIÇÃO: VISITEM
local: Hotel Mar e Sol (em São José de Ribamar)
data: de 12 a 15 de maio de 2012
Artista: Val Prazeres
Venham conhecer o talento dessa artista que leva para a tela e para a alma das pessoas ramalhetes de flores e pétalas de alegria...
terça-feira, 1 de maio de 2012
SONIA ALMEIDA
SONIA ALMEIDA: A ALEGÓRICA PENUMBRA DA PALAVRA
José Neres
Jornal Pequeno - Suplemento Guesa
Novembro de 2011
E é dentro dessa atmosfera de limite entre o sonho e a realidade, entre o concreto e o abstrato que se situa o poeta, o ser que tenta tirar das palavras o fluido vital para tentar inocular nas demais pessoas tanto as belezas da vida quanto as agruras e os sofrimentos dos demais seres que nem sempre estão preparados para conviver com o universo das metáforas. O poeta nem sempre tem consciência de que, ao pôr os signos no papel ou na tela de um computador, pode alterar para sempre a percepção de mundo de todos os que virão ler ou ouvir aqueles versos. Por isso as palavras são, além de fonte de prazer é uma ameaça constante ao poder constituído e forma de transgressão das possibilidades apenas racionais.
É a palavra que me faz querer.
Hoje escolho a primeira: viagem.
Vou várias vezes. Vestida de palavras sou agora, de forma incontrolável, esse balão que some nas nuves.
Nua de mim mesma, desapareço para me encontrar.
Anos depois da estreia, ao publicar Penumbra, livro que foi recebido com grande entusiasmo por Josué Montello, a poetisa, em pleno domínio da linguagem poética, deixava claro que escrever é uma forma de usufruir uma liberdade que ultrapassa os limites corpóreos e alcança a dimensão do inefável. No primeiro poema do livro, o eu lírico diz:
Coloco a palavra na asa do poema
e faço o que mais quero:
vou na asa das palavras,
voo na alma do verso
e, sempre, que preciso,
futuro nas (a)venturas do signo.
Mas essa relação da palavra com a libertada não se limita ao poema de abertura do livro. Ela permeia o livro, atravessando todo o trabalho como se fosse uma linha invisível a ligar versos e idéias. No poema Libertação, a recorrência de um dístico marca o ritmo dessa interação entre o uso das palavras e o desejo de liberdade.
Lá vem a palavra
Arrastando mais uma liberdade.
Consciente de que o ato de escrever é fruto não só da imaginação, mas também de intensas leituras de autores modelares que são absorvidos ao longo dos anos de contato com os livros, Sonia Almeida faz uma grande homenagem àqueles que sedimentaram seu caminho rumo a uma formação letrada. Desse modo, o poema R(d)eferência é muito mais do que um amontoado de nomes de escritores de títulos de livros, torna-se uma espécie de guia de leitura para quem também deseje mergulhar na mais genuínas águas literárias.
Em Palavra Cadente, livro prefaciado por Lygia Bojunga Nunes, a escritora continua envolvida com a metalinguagem, porém de forma mais contida. Contudo a relação com a palavra continua como um imperativo dos versos. Metaforizando a imagem da lua como reflexo do próprio ser humano que se metamorfoseia ao longo de seus ciclos e, em suas constantes mudanças, interfere na própria natureza, a autora trabalha constante jogos de palavras, com alterações sutis na forma que demandam imensas alterações no significados das palavras. Na leitura de diversos poemas, pesquisadora da Língua não consegue se esconder por trás da poetisa. Uma voz sempre alerta às questões vernaculares aproveita-se da poesia para trabalhar tanto a essência metafórica dos versos quanto as relações semânticas que se alteram com breves permutas de fonemas, como no poema abaixo.
A estrela esclarece
quem vem de encontro,
quem vem ao encontro,
de encontro a mim.
a estrela esclarece
quem vem ao encanto,
vindo contra mim;
quem vem de encontro,
quem vem ao encontro,
quem vem ao encanto,
quem vem contra mim.
A palavra esclarece.
Em outros poemas a relação palavra-vida toma ares de essência vital para a existência do Ser. Não se entrega ao leitor/ouvinte apenas os versos impressos em uma página. Entrega-se um pouco de quem pôs nas palavras o transpor das emoções para o papel, como pode ser visto em um dos últimos poemas do livro.
E eu me entrego no verso
quando o meu verso lhe entrego,
porque a palavra é feita dessa vida
mas o que eu faço é uma vida de palavra.
(...)
Porque se eu quiser morrer,
o meu desejo é feito de palavra.
Se eu quiser viver, basta querer
E a palavra faz.
Em Há Fogo no Jogo, os elementos lúdicos do início do livro são aos poucos substituídos por vigorosas imagens que podem até mesmo confundir o leitor menos atento. O trabalho com a linguagem novamente deixa entrever, pelas frestas dos versos, a professora de Língua Portuguesa em constante trabalho com as armadilhas do idioma. As figuras de linguagem se multiplicam nas páginas e convidam a uma reflexão mais apurada. O leitor tem que ler os versos e também concentrar-se nos aparentes vazios textuais, afinal:
O silêncio é o calar, mas nem sempre o não-dizer.
Da mesma forma que a cinza pode estar quente,
o gelo pode queimar.
Sonia Almeida trabalha em todos os seus livros uma grande alegoria do Ser ou pelo menos da busca do Ser. E essa busca passa não apenas pelo sentir, mas também pelo dizer, pelo pôr no papel as alegrias e angústias do dia a dia. Na obra dessa autora, o crepitar do fogo e das chamas não se perde, ele ilumina palavra cadentes e tira da penumbra o vazio da existência humana.
Para Sonia Almeida, a palavra e o poeta estão imbricados e formam um todo que pode até se esfacelar, mas que não se perde. Como ela mesma declara:
Sob a tutela da palavra,
O poeta se livra.
Sob a condição da palavra
O poeta se escraviza...
Sob o jugo do verso, o poeta se faz.
Sob a servidão do verbo, o poeta é.
OBRAS DA AUTORA
Produção individual
· Alegoria (prosa poética, 1992)
· Tribuzi, Bandeira Poética de São Luís (ensaio, 1996)
· Penumbra (poemas, 1998, com segunda edição em 2003)
· Palavra Cadente (poemas, 2001)
· Aula de Redação: uma viagem transdisciplinar (ensaio didático, 2004)
· Há fogo no jogo (poemas, 2005)
· Escrita no ensino superior: a singularidade em monografias, dissertações e teses (ensaio acadêmico, 2011)
Produção em coautoria
· Linguagem
· Ler para aprender
· Anotações sobre linguagem
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Ilhavirtualpontocom nº 12
Caros amigos,
Chegamos ao 12º número de nosso Ilhavirtualpontocom. Desta vez temos:
- Em perfil literário de Laura Amélia Damous, por Arlete Souza Menezes
- Entrevista com Claunísio Amorim, por Ricardo Miranda Filho
- Poesia de Ricardo Miranda Filho
- Cronica de José Luís Carvalho dos Santos
- Chamada para colaboração no Projeto Gonçalves Dias
Você pode baixar o informativo em PDF clicando aqui, ou lê-lo abaixo...
Chegamos ao 12º número de nosso Ilhavirtualpontocom. Desta vez temos:
- Em perfil literário de Laura Amélia Damous, por Arlete Souza Menezes
- Entrevista com Claunísio Amorim, por Ricardo Miranda Filho
- Poesia de Ricardo Miranda Filho
- Cronica de José Luís Carvalho dos Santos
- Chamada para colaboração no Projeto Gonçalves Dias
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sexta-feira, 20 de abril de 2012
CAFÉ LITERÁRIO
O projeto Café Literário é uma excelente iniciativa da professora e escritora Ceres Costa Fernandes. Na última terça-feira de cada mês, poetas, prosadores, críticos e pesquisadores em geral se reúnem no Centro Cultural Odylo Costya, filho para uma conversa sobre arte, literatura ou outro assunto de interesse cultural. No dia 24 de abril, convidado especial é Hildeberto Barbosa Filho, que é "Professor, Poeta e Critico literário. Autor de inúmeros livros na área da literatura, envolvendo poesia, ensaios, críticas e jornais literários. Membro da Academia Paraibana e Letras e da Academia Paraibana de Filosofia. Possui doutorado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2000), Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1987), graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1983), graduação em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (1978). Atualmente é professor titular da Universidade Federal da Paraíba." (fonte: Lattes)
Na ocasião, o crítico literário falará sobre a obra de Nauro Machado.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
CRÔNICA DE CERES COSTA FERNANDES
A pedido da professora e escritora Ceres Costa Fernandes, reproduzimo aqui sua crônica FOGO OU PARANOIA, publicada em O Estado do Maranhão em 15 de abril de 2012.
FOGO OU PARANÓIA 2
Ceres
Costa Fernandes
O Estado do Maranhão, 15 de abril de 2012
Não sei bem quando a paranoia de morrer
queimada em um grande incêndio começou. Mas, com certeza, foi há bastante
tempo. A paúra já estava em ação, quando minha filha mais velha, esportista
tricampeã do Colégio Dom Bosco,
esforçada e valente, acumulava luxações e dores lombares e decidimos apelar a
um famoso quiroprático visitante, venerável senhor, que atendia em casa de família
amiga. Isso, seja dito, após tentarmos
os protocolos normais da medicina.
Durante a sessão de desentorta, sem mais o
quê, repentinamente, o profissional dirige um olhar ao fundo dos meus olhos e
declara, sentenciosamente: A senhora tem mais de quatro mil anos! Indignei-me, mulher nenhuma aceita uma
sentença tão desfavorável sobre sua idade, ainda mais que, na época, eu ainda
era jovem. Ele, sentindo o meu desconforto, explicou. Isso se deve ao fato de
que a senhora já reencarnou muitas vezes. Campainhas soaram nos meus ouvidos,
vai ver que meu medo de fogo vem de vidas passadas! Apresso-me em perguntar: em
alguma vida passada morri queimada?
Preparo-me para a resposta. Quem sabe eu teria sido Joana d’Arc ou uma das
bruxas de Salém Ou, talvez, matrona romana, tenha torrado no incêndio de Roma
imputado a Nero, ou mesmo no grande incêndio de Londres, o do século 17 – nem pensar em aceitar reencarnar em papéis insignificantes
na história da humanidade. Ele me diz, Não sei, não tenho acesso a esse tipo de
informação. Murchei. Fiquei sem saber, mas desconfio que andei metida, sim, em
algum incêndio em uma das minhas reencarnações.
Se não, como explicar que, em todos os
ambientes que adentro pela primeira vez, vou logo observando os aparatos contra
incêndios: se há chuveirinhos no teto, extintores à mão, janelas prontas para
um pulo, onde se situam as portas corta-fogo, as saídas de emergência, etc. E.
ai, meu Deus, me preocupam ainda os tapetes e o excesso de cortinas; se o piso
é de lajota ou de madeira...
Os
hotéis, esses aí, especialmente os europeus, os antigos, tão pequenos e
graciosos, com escadas forradas de tapetes, paredes de tecido e piso encarpetado,
me deliciam e me assustam. Estive em mais de um em que os corredores pareciam
túneis de tecido. Nesses – além das providências já mencionadas –, não fico
acima do quinto andar e, isso, só após conferir a quantidade de lençóis do
quarto e me certificar se o comprimento deles – feita uma “teresa” –, dá para
escapar pela janela dos fundos;
Que
me desculpem os felizes desavisados não atingidos por essa fobia, mas os meus
companheiros de infortúnio me entendem e darão razão.
Em vista do que foi dito, vou
confessar-lhes o que muitas vezes me ocupa a mente em suas horas vadias (as
tais da insônia nas madrugadas ou as da prisão em engarrafamentos): o
crescimento vertical de São Luís. Faz pouco tempo, tínhamos apenas três edifícios
na cidade antiga: o João Goulart, o Caiçara e o Edifício BEM. Agora, na cidade
nova, o que se vê são muralhas de prédios. Com a liberação do gabarito – o céu
é o limite – temos prédios de quinze
andares, sem contar os andares com salão de festas, garagens, academias e outros
mimos. Espero que todos esses estejam equipados com tudo o que há de mais
moderno em prevenção de incêndios, quem sabe até heliportos.
Tentando fugir dos assaltos, nutro pretensões
de me mudar de casa para um apartamento, a contragosto de toda a família, seja
dito. Seguindo a minha paranoia e para
não sair da frigideira e cair no fogo – sem trocadilhos –, decidi me informar
sobre as condições do nosso valente Corpo de Bombeiros. Não quero assustar
ninguém, mas creio que a briosa guarnição não está suficientemente equipada
para o atendimento desse crescimento vertiginoso de edifícios. Segundo colhi, as
nossas escadas Magirus (duas) alcançam somente 30 e 36 metros, a altura de um
edifício de mais ou menos sete andares, menos os andares extras de festas,
garagens, jogos. Parece haver seis carros em ação. Em um incêndio que devastou uma loja
de 1,99, na COHAB, soube que a mangueira não funcionou.
E os hidrantes? Dizem que há 80. Alguém sabe
onde se encontram? Aqui, no Olho d’Água, nunca vi nenhum. Soube que há alguns
no aeroporto do Tirirical. No Centro Histórico, conheço vários, não sei se
ainda funcionam. Outro problema é que lá acontecem muitos dias sem água,
digamos assim.
Feitas as contas, acho que um apartamento
até o quinto andar, com hidrante perto, janelas com sacadas grandes, rua larga
de trânsito fácil (!) para o acesso dos carros de bombeiros, vai bem. Mesmo com esses requisitos, pretendo levar para lá escadas
de corda, ganchos de ferro e outros equipamentos que tais. Talvez até um
parapente...Aceito sugestões.
ceresfernandes@superig.com.br
sexta-feira, 6 de abril de 2012
ILHAVIRTUALPONTOCOM 11
Chegamos ao décimo primeiro número de nosso informativo sobre as letras maranhenses. Neste volume temos textos sobre Coelho Neto e Baial Ramos, além da poesia de Xavier de Carvalho. Clique aqui para ler ou baixar o informativo em PDF
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eva Chatel, uma prosadora
A PROSA CRÍTICA E REFLEXIVA
DE EVA CHATEL
José Neres
(Professor de Literatura. Coordenador
do projeto Sistema Literário Maranhense.)
Uma
das grandes angústias de quem se dedica às letras é a pergunta tantas vezes
revisitada sobre a utilidade da arte literária. Muitas pessoas imediatistas
querem que a literatura tenha obrigatoriamente uma utilidade prática no dia a
dia; outras consideram que o ato de ler não deva ser visto unicamente como uma
tarefa que busque um fim fora de si mesmo, mas admitem que a literatura e a
leitura em geral são essenciais para a formação do ser humano. Há também quem
defenda a ideia de que a literatura seja apenas um suporte para a manutenção
das ideologias dominantes, de perpetuação no poder de elemento e instituições
que usam as letras como forma de eternizarem-se como figuras hipoteticamente
importantes. Também existe quem acredite ser a literatura um importante
instrumento de libertação coletiva ou individual, servindo a palavra escrita
como fonte de reflexão sobre os acontecimentos norteadores do destino da
humanidade.
Para que
serve a literatura? Para ensinar? Para divertir? Para eternizar ideologias? Para trazer à realidade as
mirabolantes histórias que povoam o fértil imaginário de um escritor? Ou, quem
sabe, como forma de ganhar dinheiro sentado diante de uma folha de papel ou da
tela de um computador? Contudo, diante
da sensação de ser levado pelas aventuras de um romance, de ser embalado pelo
ritmo cadenciado de um poema ou de vivenciar a essência humana nos diálogos de
uma peça teatral, o questionamento sobre a utilidade da literatura se torna uma
discussão sem muita importância.
Durante
o ato de leitura, a pessoa mergulha não apenas nas denotações e conotações
expressas pelas palavras, mas sim em um processo de conhecimento do próximo e
de autoconhecimento. Ninguém que leu com atenção um bom livro sai das páginas
do texto da mesma forma que entrou. Sai transformado, mas crítico, mais atento
e muito mais humano.
E é
isso o que acontece quando se chega à última linha de um dos contos de “Substantivo Próprio” ou ao final de um dos dezoito capítulos da novela “De Volta”, ambos de autoria de Eva Maria
Nunes Chatel, experiente professora de língua e literatura que resolveu brindar
seus alunos, colegas, admiradores e leitores com sua prosa bem articulada e
cheia de densidade crítica e psicológica.
Em Substantivo Próprio, que traz como
subtítulo “Fábulas Humanas”, a autora
optou pela narrativa curta, centrada em breves contos nos quais as mazelas
humanas são tratadas de forma lírica e contundente ao mesmo tempo. As histórias
aparentemente banais e que podem ser vivenciadas cada rua de uma cidade
qualquer podem até parecer simples à primeira vista. Contudo essa aura de
cotidiano é sempre quebrada com reflexões que saem do senso comum e alcançam as
profundezas da alma humana, sem deixar de lado a preocupação com o bem-estar
social, econômico, físico e moral das pessoas.
Em
cada conto, no total de catorze, Eva Chatel associa os acontecimentos narrados
às características inerentes a um animal. Nessas verdadeiras fábulas humanas,
uma mulher trabalhadeira como Josefa, que é humilhada por sua condição
profissional e social, pode decidir continuar sendo considerada apenas uma peça
na engrenagem da exploração pecuniária ou estudar com o intuito de sair da
miséria econômica e, principalmente, conseguir ser respeitada como ser humano
que é. Sua teimosia é metaforicamente comparada à de uma jumenta, que “é
teimosa, mas sabe dar coices certeiros” (p. 35). Anastácia, em outro conto, mãe
de diversas crianças, percebe que sua prole pode seguir o mesmo destino dos
filhotes dos porcos, ou seja, podem ser destinados ao abate. Da mesma forma,
seres humanos como Alberto, Damião, Margarida, Marcelo, Oliveira e todas as
outras personagens parecem fadados ao fracasso, há, contudo, nos contos um fio tênue de
esperança, que pode vir em forma de educação ou de esforço próprio. Porém, de
modo geral, as personagens da prosa de Eva Chatel são sempre seres que
“suportam dores, calúnias e desprezo até a última de suas mortes, a qual não
causa piedade em quase ninguém” (p. 80).
Os
contos têm como título o nome dos protagonistas e contam com ilustrações feitas
pela própria autora. Todavia, embora os nomes individualizem as personagens, o
que se percebe é que uma possível troca de nomes não alteraria a situação de
nenhum desses elementos marginalizados pela sociedade. Mesmo com nome, todos
eles não passam de seres anônimos levados por uma enxurrada de desilusões
pessoais e de falta de políticas públicas que lhes tragam alento.
Na
novela “De Volta”, apesar da
previsibilidade do desfecho, o leitor se vê preso em um emaranhado de temas que
se multiplicam formando uma rede de discussões acerca da própria essência
humana e de suas inúmeras ramificações. Utilizando-se do fato de a
protagonista, uma senhora octogenária, estar em estado de coma, Eva Chatel
aproveita-se dessa imobilidade corpórea para demonstrar como o ser humano é
muito mais que um corpo, muito mais que matéria. Livre das amarras das
limitações físicas, a narradora vai flanando por ambientes e situações
aparentemente corriqueiras, mas que, quando vistas sob outro prisma, ganham
densidade e podem servir de base para inúmeras reflexões acerca do homem, seus
sentimentos, seus defeitos e virtudes.
Um
bom exemplo disso está no capítulo intitulado Das Necessidades, em que o olhar penetrante da narradora percorre
lugares diversos e nota que “muitas pessoas necessitam de apetrechos materiais
para se sentirem completas. O planeta poderá até não mais existir em função do
acúmulo de poluição, mas ninguém aceita se desvencilhar de nenhum detalhe
material que o coloque em vantagem em relação aos outros seres humanos” (p.
31). De forma lírica, mas sem perder de foco as mazelas que atravancam os
caminhos do povo, a escritora mostra que as necessidades vão além do que é
realmente podendo servir com algemas para quem coloca a matéria acima de tudo.
Se a
cada capítulo do livro o leitor nem sempre pode esperar uma surpresa ou uma
reviravolta, é certo que ele encontrará matéria suficiente para mudar o modo de
pensar sobre os detalhes aparentemente irrelevantes do cotidiano ou pelo menos
para refletir a própria existência humana, pois a narrativa, como comenta o professor
Dino Cavalcante na última capa do livro, “expõe, através de um jogo discursivo
bem elaborado, as vísceras de uma sociedade cada vez mais individualista, mas
materialista, mas capitalista, mas (sobretudo) cada vez mais carente de
sentimentos humanos”.
Com
esses dois livros, Eva Maria Nunes Chatel, quase que sem querer, contribui para
a resposta das questões levantadas no início deste artigo. Para que serve a
literatura? Talvez para fazer o ser humano sentir-se cada vez mais Humano. E
isso não pode ser considerado pouca coisa.
segunda-feira, 5 de março de 2012
ILHAVIRTUAL NÚMERO 10
Clique AQUI e veja a versão em PDF do décimo volume do Ilhavirtualpontocom com edital de concursos literários, perfil literário de Lúcia Santos e fragmento de romance de Coelho Neto
Boa leitura
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Ilhavirtual9
Apresentamos nosso nono número do informativo literário Ilhavirtualpontocom. Para baixá-lo em PDF, clique aqui ou leia-o logo abaixo.
Neste número, há comentários sobre a música de Ary Otello, a prosa de Maria Firmina dos Reis, os conos de Bruno Tomé, além de uma poema de Rafaela Cristina Rocha sobre as mazelas de São Luís. Boa leitura a todos
Neste número, há comentários sobre a música de Ary Otello, a prosa de Maria Firmina dos Reis, os conos de Bruno Tomé, além de uma poema de Rafaela Cristina Rocha sobre as mazelas de São Luís. Boa leitura a todos
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
PAPOÉTICO
UM PAPO ÉTICO E POÉTICO
José Neres
| Paulo Melo Sousa: fonte a imagem: internet |
As
pessoas, em sua maioria, tendem a esperar que todas as ações saiam da
iniciativa dos poderes constituídos. Com nem sempre há o interesse político de
fazer algo pelo povo, essas pessoas acomodadas acabam paradas no tempo, na vã
expectativa de que, em uma canetada oficial, todos os problemas sejam
resolvidos. Como a mão que segura a caneta quase nunca faz o que a grande massa
quer, todos ficam a ver navios, lanchas, trens, ônibus... lotados de
incertezas.
No
entanto, outras pessoas percebem que para fazer algo nem sempre a subvenção
pública é essencial ou imperativa e, com coragem, senso de oportunidade e
muita, muita criatividade, conseguem dar vida nova ao que a maioria já julgava
morto ou pelo menos em coma. Nesse segundo grupo, pode-se inserir o nome do
poeta Paulo Melo Sousa, que, com uma visão de homem inteiramente voltado para a
cultura, idealizou e pôs em prática o projeto Papoético, que acontece
normalmente uma vez por semana.
Recitais,
lançamentos de livros, exibição de filmes, discussões filosóficas e exposição
de ideias são algumas das muitas atividades que fazem desse projeto algo
singular em nossa capital. Para começar, Paulo Melo Sousa encontrou um local
que junta praticidade, música e poesia em poucos metros quadrados: O
bar/sebo/livraria do Chiquinho, na Rua de São João. Logo na chegada, o
visitante se encanta com a decoração que o fará voltar no tempo e com a
acolhida do dono que vem abrir a porta e dar as boas vindas. Após subir as
escadas, um mundo de livros, discos de vinil e de imagens, espera quem deseja
alguns minutos mergulhado nem um rio de cultura e de diversão.
Utilizando
o e-mail e as informações boca a boca como principais formas de divulgação, o
mentor do projeto consegue arregimentar as pessoas que frequentam o local. Nem sempre
o público é grande, mas sem dúvida é sempre bastante atento às discussões
levantadas no evento e dali podem surgir novas ideias e assuntos que irão além
do senso comum e das discussões televisivas sobre as moças bonitas e os galãs
fabricados pela mídia. A conversa ali costuma girar em outras esferas mais
elevadas...
Nos encontros
semanais, o público pode entrar em contato com o que é produzido nas artes
contemporâneas maranhenses e brasileiras e ainda poderá encontrar com algumas pessoas
que têm participação ativa na construção da cultura contemporânea. Na última
quinta (16.02), o professor e cientista político Flávio Reis recepcionou
dezenas de pessoas que foram prestigiar o lançamento do livro Guerrilhas, uma
coletânea de artigos escritos na última década e que mantêm seu grau de
atualidade por conta das temáticas escolhidas e da forma de abordar os assuntos
Quem for ao
Papoético não irá se arrepender e perceberá logo que uma boa ideia pode ser
levada à prática mesmo sem o apoio logístico das autoridades. E quem ganha com
isso são os amantes das artes, que ganharam um elegante espaço para um papo que
é sempre poético, mas sem perder o senso ético.
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