Caros amigos,
Chegamos ao 12º número de nosso Ilhavirtualpontocom. Desta vez temos:
- Em perfil literário de Laura Amélia Damous, por Arlete Souza Menezes
- Entrevista com Claunísio Amorim, por Ricardo Miranda Filho
- Poesia de Ricardo Miranda Filho
- Cronica de José Luís Carvalho dos Santos
- Chamada para colaboração no Projeto Gonçalves Dias
Você pode baixar o informativo em PDF clicando aqui, ou lê-lo abaixo...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
CAFÉ LITERÁRIO
O projeto Café Literário é uma excelente iniciativa da professora e escritora Ceres Costa Fernandes. Na última terça-feira de cada mês, poetas, prosadores, críticos e pesquisadores em geral se reúnem no Centro Cultural Odylo Costya, filho para uma conversa sobre arte, literatura ou outro assunto de interesse cultural. No dia 24 de abril, convidado especial é Hildeberto Barbosa Filho, que é "Professor, Poeta e Critico literário. Autor de inúmeros livros na área da literatura, envolvendo poesia, ensaios, críticas e jornais literários. Membro da Academia Paraibana e Letras e da Academia Paraibana de Filosofia. Possui doutorado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (2000), Mestrado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1987), graduação em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1983), graduação em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (1978). Atualmente é professor titular da Universidade Federal da Paraíba." (fonte: Lattes)
Na ocasião, o crítico literário falará sobre a obra de Nauro Machado.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
CRÔNICA DE CERES COSTA FERNANDES
A pedido da professora e escritora Ceres Costa Fernandes, reproduzimo aqui sua crônica FOGO OU PARANOIA, publicada em O Estado do Maranhão em 15 de abril de 2012.
FOGO OU PARANÓIA 2
Ceres
Costa Fernandes
O Estado do Maranhão, 15 de abril de 2012
Não sei bem quando a paranoia de morrer
queimada em um grande incêndio começou. Mas, com certeza, foi há bastante
tempo. A paúra já estava em ação, quando minha filha mais velha, esportista
tricampeã do Colégio Dom Bosco,
esforçada e valente, acumulava luxações e dores lombares e decidimos apelar a
um famoso quiroprático visitante, venerável senhor, que atendia em casa de família
amiga. Isso, seja dito, após tentarmos
os protocolos normais da medicina.
Durante a sessão de desentorta, sem mais o
quê, repentinamente, o profissional dirige um olhar ao fundo dos meus olhos e
declara, sentenciosamente: A senhora tem mais de quatro mil anos! Indignei-me, mulher nenhuma aceita uma
sentença tão desfavorável sobre sua idade, ainda mais que, na época, eu ainda
era jovem. Ele, sentindo o meu desconforto, explicou. Isso se deve ao fato de
que a senhora já reencarnou muitas vezes. Campainhas soaram nos meus ouvidos,
vai ver que meu medo de fogo vem de vidas passadas! Apresso-me em perguntar: em
alguma vida passada morri queimada?
Preparo-me para a resposta. Quem sabe eu teria sido Joana d’Arc ou uma das
bruxas de Salém Ou, talvez, matrona romana, tenha torrado no incêndio de Roma
imputado a Nero, ou mesmo no grande incêndio de Londres, o do século 17 – nem pensar em aceitar reencarnar em papéis insignificantes
na história da humanidade. Ele me diz, Não sei, não tenho acesso a esse tipo de
informação. Murchei. Fiquei sem saber, mas desconfio que andei metida, sim, em
algum incêndio em uma das minhas reencarnações.
Se não, como explicar que, em todos os
ambientes que adentro pela primeira vez, vou logo observando os aparatos contra
incêndios: se há chuveirinhos no teto, extintores à mão, janelas prontas para
um pulo, onde se situam as portas corta-fogo, as saídas de emergência, etc. E.
ai, meu Deus, me preocupam ainda os tapetes e o excesso de cortinas; se o piso
é de lajota ou de madeira...
Os
hotéis, esses aí, especialmente os europeus, os antigos, tão pequenos e
graciosos, com escadas forradas de tapetes, paredes de tecido e piso encarpetado,
me deliciam e me assustam. Estive em mais de um em que os corredores pareciam
túneis de tecido. Nesses – além das providências já mencionadas –, não fico
acima do quinto andar e, isso, só após conferir a quantidade de lençóis do
quarto e me certificar se o comprimento deles – feita uma “teresa” –, dá para
escapar pela janela dos fundos;
Que
me desculpem os felizes desavisados não atingidos por essa fobia, mas os meus
companheiros de infortúnio me entendem e darão razão.
Em vista do que foi dito, vou
confessar-lhes o que muitas vezes me ocupa a mente em suas horas vadias (as
tais da insônia nas madrugadas ou as da prisão em engarrafamentos): o
crescimento vertical de São Luís. Faz pouco tempo, tínhamos apenas três edifícios
na cidade antiga: o João Goulart, o Caiçara e o Edifício BEM. Agora, na cidade
nova, o que se vê são muralhas de prédios. Com a liberação do gabarito – o céu
é o limite – temos prédios de quinze
andares, sem contar os andares com salão de festas, garagens, academias e outros
mimos. Espero que todos esses estejam equipados com tudo o que há de mais
moderno em prevenção de incêndios, quem sabe até heliportos.
Tentando fugir dos assaltos, nutro pretensões
de me mudar de casa para um apartamento, a contragosto de toda a família, seja
dito. Seguindo a minha paranoia e para
não sair da frigideira e cair no fogo – sem trocadilhos –, decidi me informar
sobre as condições do nosso valente Corpo de Bombeiros. Não quero assustar
ninguém, mas creio que a briosa guarnição não está suficientemente equipada
para o atendimento desse crescimento vertiginoso de edifícios. Segundo colhi, as
nossas escadas Magirus (duas) alcançam somente 30 e 36 metros, a altura de um
edifício de mais ou menos sete andares, menos os andares extras de festas,
garagens, jogos. Parece haver seis carros em ação. Em um incêndio que devastou uma loja
de 1,99, na COHAB, soube que a mangueira não funcionou.
E os hidrantes? Dizem que há 80. Alguém sabe
onde se encontram? Aqui, no Olho d’Água, nunca vi nenhum. Soube que há alguns
no aeroporto do Tirirical. No Centro Histórico, conheço vários, não sei se
ainda funcionam. Outro problema é que lá acontecem muitos dias sem água,
digamos assim.
Feitas as contas, acho que um apartamento
até o quinto andar, com hidrante perto, janelas com sacadas grandes, rua larga
de trânsito fácil (!) para o acesso dos carros de bombeiros, vai bem. Mesmo com esses requisitos, pretendo levar para lá escadas
de corda, ganchos de ferro e outros equipamentos que tais. Talvez até um
parapente...Aceito sugestões.
ceresfernandes@superig.com.br
sexta-feira, 6 de abril de 2012
ILHAVIRTUALPONTOCOM 11
Chegamos ao décimo primeiro número de nosso informativo sobre as letras maranhenses. Neste volume temos textos sobre Coelho Neto e Baial Ramos, além da poesia de Xavier de Carvalho. Clique aqui para ler ou baixar o informativo em PDF
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eva Chatel, uma prosadora
A PROSA CRÍTICA E REFLEXIVA
DE EVA CHATEL
José Neres
(Professor de Literatura. Coordenador
do projeto Sistema Literário Maranhense.)

Para que
serve a literatura? Para ensinar? Para divertir? Para eternizar ideologias? Para trazer à realidade as
mirabolantes histórias que povoam o fértil imaginário de um escritor? Ou, quem
sabe, como forma de ganhar dinheiro sentado diante de uma folha de papel ou da
tela de um computador? Contudo, diante
da sensação de ser levado pelas aventuras de um romance, de ser embalado pelo
ritmo cadenciado de um poema ou de vivenciar a essência humana nos diálogos de
uma peça teatral, o questionamento sobre a utilidade da literatura se torna uma
discussão sem muita importância.

E é
isso o que acontece quando se chega à última linha de um dos contos de “Substantivo Próprio” ou ao final de um dos dezoito capítulos da novela “De Volta”, ambos de autoria de Eva Maria
Nunes Chatel, experiente professora de língua e literatura que resolveu brindar
seus alunos, colegas, admiradores e leitores com sua prosa bem articulada e
cheia de densidade crítica e psicológica.
Em Substantivo Próprio, que traz como
subtítulo “Fábulas Humanas”, a autora
optou pela narrativa curta, centrada em breves contos nos quais as mazelas
humanas são tratadas de forma lírica e contundente ao mesmo tempo. As histórias
aparentemente banais e que podem ser vivenciadas cada rua de uma cidade
qualquer podem até parecer simples à primeira vista. Contudo essa aura de
cotidiano é sempre quebrada com reflexões que saem do senso comum e alcançam as
profundezas da alma humana, sem deixar de lado a preocupação com o bem-estar
social, econômico, físico e moral das pessoas.
Em
cada conto, no total de catorze, Eva Chatel associa os acontecimentos narrados
às características inerentes a um animal. Nessas verdadeiras fábulas humanas,
uma mulher trabalhadeira como Josefa, que é humilhada por sua condição
profissional e social, pode decidir continuar sendo considerada apenas uma peça
na engrenagem da exploração pecuniária ou estudar com o intuito de sair da
miséria econômica e, principalmente, conseguir ser respeitada como ser humano
que é. Sua teimosia é metaforicamente comparada à de uma jumenta, que “é
teimosa, mas sabe dar coices certeiros” (p. 35). Anastácia, em outro conto, mãe
de diversas crianças, percebe que sua prole pode seguir o mesmo destino dos
filhotes dos porcos, ou seja, podem ser destinados ao abate. Da mesma forma,
seres humanos como Alberto, Damião, Margarida, Marcelo, Oliveira e todas as
outras personagens parecem fadados ao fracasso, há, contudo, nos contos um fio tênue de
esperança, que pode vir em forma de educação ou de esforço próprio. Porém, de
modo geral, as personagens da prosa de Eva Chatel são sempre seres que
“suportam dores, calúnias e desprezo até a última de suas mortes, a qual não
causa piedade em quase ninguém” (p. 80).
Os
contos têm como título o nome dos protagonistas e contam com ilustrações feitas
pela própria autora. Todavia, embora os nomes individualizem as personagens, o
que se percebe é que uma possível troca de nomes não alteraria a situação de
nenhum desses elementos marginalizados pela sociedade. Mesmo com nome, todos
eles não passam de seres anônimos levados por uma enxurrada de desilusões
pessoais e de falta de políticas públicas que lhes tragam alento.
Na
novela “De Volta”, apesar da
previsibilidade do desfecho, o leitor se vê preso em um emaranhado de temas que
se multiplicam formando uma rede de discussões acerca da própria essência
humana e de suas inúmeras ramificações. Utilizando-se do fato de a
protagonista, uma senhora octogenária, estar em estado de coma, Eva Chatel
aproveita-se dessa imobilidade corpórea para demonstrar como o ser humano é
muito mais que um corpo, muito mais que matéria. Livre das amarras das
limitações físicas, a narradora vai flanando por ambientes e situações
aparentemente corriqueiras, mas que, quando vistas sob outro prisma, ganham
densidade e podem servir de base para inúmeras reflexões acerca do homem, seus
sentimentos, seus defeitos e virtudes.
Um
bom exemplo disso está no capítulo intitulado Das Necessidades, em que o olhar penetrante da narradora percorre
lugares diversos e nota que “muitas pessoas necessitam de apetrechos materiais
para se sentirem completas. O planeta poderá até não mais existir em função do
acúmulo de poluição, mas ninguém aceita se desvencilhar de nenhum detalhe
material que o coloque em vantagem em relação aos outros seres humanos” (p.
31). De forma lírica, mas sem perder de foco as mazelas que atravancam os
caminhos do povo, a escritora mostra que as necessidades vão além do que é
realmente podendo servir com algemas para quem coloca a matéria acima de tudo.
Se a
cada capítulo do livro o leitor nem sempre pode esperar uma surpresa ou uma
reviravolta, é certo que ele encontrará matéria suficiente para mudar o modo de
pensar sobre os detalhes aparentemente irrelevantes do cotidiano ou pelo menos
para refletir a própria existência humana, pois a narrativa, como comenta o professor
Dino Cavalcante na última capa do livro, “expõe, através de um jogo discursivo
bem elaborado, as vísceras de uma sociedade cada vez mais individualista, mas
materialista, mas capitalista, mas (sobretudo) cada vez mais carente de
sentimentos humanos”.
Com
esses dois livros, Eva Maria Nunes Chatel, quase que sem querer, contribui para
a resposta das questões levantadas no início deste artigo. Para que serve a
literatura? Talvez para fazer o ser humano sentir-se cada vez mais Humano. E
isso não pode ser considerado pouca coisa.
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