sábado, 9 de julho de 2011

ARTIGO

RONALDO COSTA FERNANDES,  POETA DE IMAGENS

Eudson Sousa Menezes

Pesquisador, graduado em História e graduando em Letras

José Neres

Coordenador do projeto O Sistema Literário Maranhense: Hipermídia e Hipertextos



A literatura maranhense vive em constante processo de renovação. Novos poetas, contistas, romancistas e dramaturgos buscam, apesar dos entraves do mercado editorial, manter a tradição do Maranhão como celeiro de grandes homens (e mulheres) de letras. Nessa vereda que procura manter essa tradição, o nome de Ronaldo Costa Fernandes merece destaque no campo da poética maranhense.

Ronaldo Costa Fernandes nasceu em São Luís do Maranhão a 29 de agosto de 1952. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde concluiu também o mestrado em Literatura Hispano–Americana. Doutorou-se pela UnB com a apresentação da tese A ideologia do personagem brasileiro, que foi publicada em livro pela Editora da UnB em 2007. Residiu por nove anos em Caracas, na Venezuela, onde dirigiu o Centro de Estudos Brasileiro da Embaixada do Brasil. Foi também Coordenador da Funarte de Brasília de 1995 a 2003.

A produção literária de desse escritor transita entre romance, conto, poesia e ensaio. Seus dois primeiros romances são “João Rama” de 1979 e “Retratos falados” de 1984. Em 1998, com o romance “O Morto Solidário”,  que foi traduzido e publicado para o espanhol,  recebeu o Prêmio Casa de Las Américas.  Em 1997, lançou o romance ”Concerto para flauta e martelo”, que foi finalista do Prêmio Jabuti de 1998. E em 2005 publicou o romance “O viúvo” e, em 2010, trouxe à tona “Um homem é muito pouco”, seu mais recente romance.. No campo do ensaio, publicou, em 1996, O “Narrador do Romance”, laureado como Prêmio Austregésilo de Athayde, da UBE-RJ.  Como poeta publicou “Estrangeiro” de 1997, “Terratreme” de 1998, “Andarilho” de 2000, “EternoPassageiro”, de 2004 e “A Máquina das Mãos”, de 2009, livro com o qual recebeu o prêmio de Poesia da Academia de Letras em 2010. Como contista, publicou “Manual de Tortura”, 2007.

Mesmo sendo um estudioso de elevada cultura, o escritor não deixa de ser também um “refém” da imaginação. Em seu poema “Imaginações Violadas”, toda tensão entre o racional e o irracional é fermentada pela imaginação. É necessário então externar essa tensão por meio do “pão poético”. Dessa maneira, poeta funde, em seus versos,  ateísmo e religiosidade. Crer na não existência de deus, não é um princípio de religiosidade? Para o eu-lírico há, sim, esse princípio. A imaginação, o “padeiro”, a cada manhã fermenta no poeta essa pulsão entre negar e aceitar a imanência do divino. Então diante da manhã, a filosofia se esvai em migalhas, pois a filosofia não consegue explicar essa tensão entre o racional e o transcendente. Portanto, toda imaginação se tornar um ato transcendente. É isso que intriga o poeta: como as suas “imaginações são violadas” pelo transcendental?

O poeta maranhense Ronaldo Costa Fernandes representa, por meio de seus versos, a tensão maior da pós-modernidade: a descrença nos valores morais. A crítica poética não é apenas sobre a religiosidade, mas é também contra as ideologias totalizantes. No poema Potemkim-Kursk, o eu lírico põe em xeque a eficiência dos modelos sociais baseados na doutrinação ideológica. Não é apenas o socialismo que é posto em descrédito, mas todas as ideologias que pretendam uniformizar as relações humanas, tirando-lhes a vitalidade das mesmas.

O poeta também analisa os sentimentos do eu lírico ante o mundo pós-moderno. A pós-modernidade que tudo relativiza é o lugar de pulsão entre a moral que tudo permite e a religiosidade que põe restrições a ação. É, portanto, através da poesia que o poeta consegue da “forma ao informe”. A poesia, consequentemente, torna-se a catarse do eu lírico a esse estado de tensão entre o racional e o íntimo.

A poesia de Ronaldo Costa Fernandes demonstra claramente que é possível fazer versos que unam plasticidade textual, jogos imagéticos e extrema incursão pela logopeia, ressaltando o dito e suscitando o não-dito. É uma poesia a ser consumida sem pressa, com olhos atentos nos detalhes e nas armadilhas poéticas que espreitam o leitor a cada virar de página.

domingo, 3 de julho de 2011

JORNAL VIRTUAL Nº 3





Caros amigos,
Caras amigas,

Aqui está o terceiro número de nosso Jornal Virtual sobre a literatura maranhense. Neste número temos:
  • Artigos sobre Wilson Martins e Antônio Torres Fróes
  • Perfil literário de Waldemiro Viana
  • Crônica de Iole Cutrim
  • Dica de Leitura
  • Guia de compras de livros de autores maranhenses
  • e muito mais

clique AQUI e confira as matérias

sexta-feira, 24 de junho de 2011

JORNAL VIRTUAL - EDIÇÃO ESPECIAL

Este número de nosso jornal virtual é inteiramente destinado às festas juninas no Maranhão
Uma boa leitura a todos.
Para baixar o arquivo em PDF, clique AQUI.

O terceiro número do jornal sairá dentro nos últimos dias deste mês de junho. Aguardem


terça-feira, 14 de junho de 2011

PARTICIPEM

Há sete anos o Instituto Geia realiza o Festival de Literatura, em São José de Ribamar. Faz parte da programação espaço para as Comunicações onde há a apresentação de monografias. Este ano, o Instituto irá premiar a melhor monografia apresentada durante o Festival. Podem se inscrever trabalhos monográficos já defendidos, além de dissertação de especialização, mestrado ou doutorado nas áreas de Literatura e Ciências Sociais, conforme regulamento que segue abaixo. As inscrições podem ser feitas no site www.geia.org.br ou na sede do Instituto na Av.Colares Moreira,1, q-121, sala 102, Renascença.

REGULAMENTO

O Instituto Geia torna público que promoverá, na VII Edição do Festival Geia de Literatura, o I Prêmio Geia de Monografia nas áreas de Literatura e Ciências Sociais das instituições de ensino superior, públicas e privadas, do Estado do Maranhão.

1.              A inscrição (gratuita) será realizada no período de 01 a 30 de junho de 2011, no horário de 8:00 às 12:00h, e de 14:00 às 18:00h, de segunda a sexta feira, na sede do Instituto Geia.

2.              A inscrição poderá ser individual ou em grupo.
3.              Para participar o candidato deverá:
a.              preencher formulário de inscrição, disponível no site www.geia.org.br;
b.             entregar um resumo do trabalho digitado e impresso em papel A4, fonte Times New Roman, corpo 12, espaço 1,5, obedecendo às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em uma página.
4.              O Instituto Geia selecionará as monografias para apresentação no Festival.
5.              Cada autor apresentará pessoalmente a sua monografia, utilizando os recursos que julgar conveniente e possam ser disponibilizados pelos organizadores do Festival.
6.              A apresentação de cada trabalho obedecerá a um máximo de 40 minutos, dos quais 20 minutos serão dedicados ao diálogo/debate com os participantes;
7.              Comissão Julgadora, composta de 3(três) membros, designada pelo Instituto Geia, escolherá a monografia vencedora do Prêmio.
8.              Ao vencedor será conferido diploma e o Prêmio Geia de Monografia, no valor de R$ 2.000,00 (dois mil).
9.              Os três melhores trabalhos serão publicados no site do Instituto Geia.
10.          A divulgação do resultado e a entrega do prêmio acontecerão no dia 26 de agosto de 2011, em São José de Ribamar, na Praça da Matriz, às 18:00h.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ILHAVIRTUALPONTOCOM

NÚMERO 2


Aqui está o segundo volume de nosso jornal virtual.
Para baixar o arquivo em PDF, clique AQUI
Desejamos uma boa leitura a todos e anunciamos que, a partir do próximo número, o jornalzinho terá oito páginas, com muito mais espaço para crônicas, artigos e outras seções.

AGUARDAMOS SUA COLABORAÇÃO







terça-feira, 24 de maio de 2011

CONCORRA A UM LIVRO








Quem quiser concorrer a um exemplar do livro Tábua de Papel não deve perder essa oportunidade:
Acesse o blog do MARANHARTE, vá ao link relativo ao sorteio e faça sua inscrição
Parabéns ao Flaviano e à Mariane pela iniciativa

segunda-feira, 23 de maio de 2011

UM BELO DISCURSO

Não conheço a professora Amanda Gurgel, mas ela merece todo o nosso respeito, pela coragem, pela argumentação e por mostrar a face negra de nossa educação...
Vale a pena ver e rever o vídeo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

MANUEL DE BARROS

Leiam nosso artigo sobre o grande poeta Manuel de Barros na revista CONHECIMENTO PRÁTICO LÍNGUA PORTUGUESA, nº 29 - nas bancas. Adquiram a revista e tenham contato com a obra de um dos maiores poetas da atualidade.



sábado, 14 de maio de 2011

CONVITE

Um dos mais interessantes e constantes eventos literários terá mais uma edição em nossa Ilha. Vejam o convite e prestigiem...


quinta-feira, 12 de maio de 2011

CARLOS DE LIMA

CARLOS DE LIMA: UM ADEUS HISTÓRICO

José Neres

O Estado do Maranhão, 11 de maio de 2011)

Fonte da imagem: Site da AML
  Logo após o brilho das festividades do dia das mães, a semana começou toldada por uma nuvem opaca que trazia uma péssima notícia: o pesquisador, folclorista, escritor e historiador Carlos Orlando Rodrigues de Lima, mais conhecido no mundo acadêmico e literário como Carlos de Lima, aos noventa e um anos, colocou o ponto final na grande enciclopédia de conhecimento que foi sua própria vida.
Homem visceralmente envolvido com as artes e com a cultura em geral, fino e gentil no trato com seus leitores, amigos e admiradores e, principalmente, consciente do papel do intelectual que atua longe dos holofotes dos grandes centros irradiadores de cultura, Carlos de Lima fez muito mais que viver suas nove décadas, ele aproveitou todos os seus momentos e, durante quase um século de existência, pôs no papel suas ideia, suas pesquisas e sua criatividade, para que as gerações futuras pudessem ter outras fontes de sustentação, além das já tradicionais, na busca da compreensão dos fatos do passado e do entendimento do presente.
            Obstinado pelas pesquisas e pela busca da perfeição, Carlos de Lima tornou-se um dos autores mais produtivos da historiografia maranhense. Em seus livros, os fatos históricos dividem espaço com as interpretações críticas e com as percepções do próprio autor, o que assustou os demais historiadores e levantou inúmeros questionamentos acerca de qual seria o método utilizado para chegar às conclusões advindas de inúmeras leituras e de horas e mais horas de pesquisas a algumas fontes que só mesmo a paciência de um garimpeiro de detalhes iria localizar.
            Possivelmente, o grande legado da passagem de Carlos de Lima pelas veredas da vida sejam seus livros sobre a história do Maranhão. Inicialmente em volume único, com um estilo rápido e sem tempo e espaço para aprofundar os momentos destacados, o livro foi totalmente reformulado, ampliado e depois publicado pela Editora do Instituto Geia, em três volumes, cada um cobrindo um momento específico de nossa história, a saber, Colônia, Monarquia e República. Também merece destaque o livro “Paixão e Morte da Cidade de Alcântara”, que traça um percurso histórico da famosa cidade maranhense.
            As efemérides maranhenses também tinham espaço na vasta produção de Carlos de Lima. Com o intuito de informar e divertir ao mesmo tempo, ele dedicou parte de seus trabalhos a algumas curiosidades que não são valorizadas pela historiografia. Desse modo, em seu livro “Caminhos de São Luís”, o leitor faz uma viagem por ruas, praças e becos da cidade, conhecendo a origem dos nomes e mergulhando em detalhes aparentemente banais, mas que podem contribuir tanto para um bate-papo nos bares e nas esquinas, como também podem oferecer subsídios para o início outras pesquisas acerca da Cidade.
            O apego às pesquisas históricas acabou eclipsando a vertente literária de Carlos de Lima. Ele, contudo, também se dedicou à prosa e aos versos, publicando contos, crônicas e cordéis, nos quais fazia desfilar sua verve crítica e sua criatividade.
            No dia nove de maio de 2011, Carlos de Lima, depois de cumprir com seus deveres de homem de letras, fechou o último tomo de sua vasta biblioteca e passou à, definitivamente, condição de importante capítulo da história do Estado que ele tanto amou e estudou. 

domingo, 1 de maio de 2011

LANÇAMENTO

O ANTOLÓGICO JOSÉ MARIA NASCIMENTO

Na última quinta-feira do mês de abril, em um dos salões do Convento das Mercês, foi lançado o livro Antologia Poética, do poeta maranhense José Maria Nascimento. Se não havia um grande público fazendo fila para adquirir o livro – seria inacreditável se tivesse, pois continuamos dando pouco valor aos nossos autores – pelo menos havia um grupo seleto e dedicado às letras para privilegiar o escritor que, com esse lançamento comemora seus 50 anos de poesia, completados em 2010.
Na plateia, nomes ilustres como José Ewerton Neto (cronista, poeta e prosador), Nauro Machado (poeta e ensaísta), Ceres Costa Fernandes (professora, cronista e ensaísta), José Carlos Sousa e Silva (advogado e escritor), Chagas Val (poeta), Laura Amélia Damous (poetisa), Sebastião Moreira Duarte (professor, ensaísta e crítico literário) e Joaquim Itapary (cronista e pesquisador), além de outras personalidades que acolheram ao pedido do homenageado para o lançamento.
Como sempre, parece que a juventude, principalmente representada por estudantes universitários, continua ausente dos lançamentos que acontecem em nossa cidade. Parece que a literatura não tem o poder de atrair os jovens, que, seguramente têm muitos outros afazeres culturais e não podem perder tempo com essa tal de literatura.
José Maria Nascimento, com suas sete décadas de vida, com cinquenta anos de dedicação à poesia, não precisaria de apresentação. Mas, infelizmente, não é bem assim. Mesmo com tantas páginas publicadas, o escritor ainda passa despercebido da maioria das pessoas que cruzam com ele pelas ruas da cidade e não se dão conta de que passam por um homem que respira, come bebe e sua poesia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

NA PONTA DA LÍNGUA


Disponibilizamos para quem gostar dos estudos sobre os falares maranhenses, nosso pequeno trabalho sobre o vocabulário maranhense. Sabemos que ele ainda está incompleto e pode ser ampliado com novos termos, mesmo assim é sempre um início.


clique AQUI para ler ou baixar o trabalho

domingo, 17 de abril de 2011

BANDEIRA TRIBUZI


TRIBUZI: UM POETA COMPLETO
Antônio José Maciel Soares[1]
José Neres[2]
Fonte da imagem: internet

      Na literatura brasileira, há muitos autores que mereceriam um maior reconhecimento por parte do público e da crítica. São escritores que, apesar do imenso talento, não são devidamente divulgados em todo o território nacional e acabam sendo vistos como talentos apenas regionais, quando em verdade apresentam qualidades suficientes para serem postos em categorias mais elevadas. Entre esses nomes, pode ser citado o de José Tribuzi Pinheiro Gomes, literariamente conhecido como Bandeira Tribuzi.
Tribuzi, escritor, jornalista, orador, professor e poeta maranhense, nascido em 02.02.27 e falecido em 08.09.77, figura entre os maiores nomes da poesia maranhense. ele escreveu “Alguma Existência”, “Rosa da Esperança”, “Safra”, “Sonetos”, “Pele e Osso” e “Íntimo comício”, entre outros.
Ele muito contribuiu para que a poesia maranhense, num tempo em que ainda se cultivava a forma parnasiana, num contexto em que a Semana de 22 não conseguia penetrar, fosse modernizada, contribuindo para novos caminhos no que se refere a padrões estéticos literários, mas  sem a intenção e pretensão de formar escola.
Como muitos poetas, Tribuzi não deixou de retratar também em suas obras a injustiça social, podendo ser visto também como um poeta engajado. Sua imensa capacidade administrativa, levou-o  ao cargo de assessor de governo, com uma militância acima de tudo poética contemplando os menos favorecidos, pois Tribuzi ao chegar de Portugal, onde estudava, ficou chocado com a pobreza em que vivia o povo maranhense e com a injustiça social que havia. Houve um choque cultural pelo contraste entre a realidade dos dois países. O poeta, munido de consistente formação humanística e com uma sensibilidade bastante aguçada, não poderia ficar alheio ao sofrimento do povo, o que fez surgir um poeta gauche, contestador,  político e lírico ao mesmo tempo.
O prazer pela criação literária e seu grande conhecimento de estética fizeram com que Tribuzi criasse vários poemas falando do próprio fazer poético, caracterizando nesse sentido, a metalinguagem, umas das marcas de sua obra, além de sempre demonstrar o grande amor que sentia por São Luís, conforme pode ser visto em diversos de seus poemas.
Em seu livro “Alguma Existência”, percebe-se uma característica peculiar do poeta, a quase total ausência do uso de sinais linguísticos como pontos, vírgulas, etc. Devido a isso, comenta-se um fato pitoresco: um dia o poeta foi comprar um sapato e perguntado sobre sua pontuação o mesmo disse que não usava pontuação.
Bandeira Tribuzi não se atinha apenas ao exterior, à casca do ser humano, preocupava-se também com o interior, retratando a aparência e a essência. Em seu poema “Pele e Osso” o poeta deixou evidente essa característica, o que fez  descartar a acusação que muitos olhe imputaram de ser materialista, demonstrando que, além de se preocupar com o lado social da vida, refletia em suas obras a importância da essência humana.
Na ocasião da morte de Tribuzi, em 1977, José Sarney publicou um longo artigo intitulado “Por quem choram as casuarinas”, no qual cita as inúmeras qualidades do poeta, ressaltando a importância de Tribuzi para a poesia maranhense.  Sarney fala também do homem comprometido com o fato social, do homem sensível, o mesmo cita nunca ter conhecido alguém tão bom, tão avesso ao ódio, um homem sem maldade no coração. Curiosamente, Bandeira Tribuzi nos deixou no dia do aniversário da cidade que tanto amou.


[1] Pesquisador voluntário do Projeto Sistema Literário Maranhense: Hipertexto e hipermídia
[2]Professor universitário.  Coordenador do grupo de pesquisa.

domingo, 10 de abril de 2011

JORNAL VIRTUAL

amigos, está no ar o primeiro número de nosso jornalzinho virtual sobre literatura maranhense. Ele será mensal e aceitamos colaborações em forma de artigo, poema, conto, etc.
basta enviar o material para o e-mail: ilhavirtualpontocom@gmail


quarta-feira, 6 de abril de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

COELHO NETO

COELHO NETO: DA FAMA AO ESQUECIMENTO
(O Estado do Maranhão,  23 de março de 2011)
Jheysse Lima Coelho
José Neres

            Henrique Maximiano Coelho Neto (1864-1934) é um dos mais prolíficos escritores da literatura brasileira. Dono de uma copiosa produção literária, que vai do conto ao romance, passando pela poesia, pelo teatro e por outros gêneros, o intelectual maranhense nascido em Caxias teve seus momentos de glória do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX, quando seu nome era aclamado pelos amantes das letras.
            Ao longo de sua carreira, Coelho Neto galgou todos os degraus da fama e do sucesso. Foi eleito, por voto popular, Príncipe dos Prosadores Brasileiros, tornou-se membro fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras, sendo também o primeiro brasileiro indicado para um Prêmio Nobel de Literatura, além de conquistar o mercado editorial no Brasil e em Portugal, país no qual sua obra teve excelente recepção. Admirado por uma multidão, Coelho Neto teve ainda em vida todas as glórias que poderiam ser destinadas a um homem de letras, mas décadas após a sua morte, teve quase todo o seu trabalho relegado ao ostracismo e acabou ficando mais conhecido na historiografia literária por sua riqueza vocabular e por seus giros sintáticos do que pela arquitetura e pela inventividade de seus textos.
No romance “A Conquista”, publicado em 1899, Coelho Neto abordou, principalmente através das personagens Anselmo e Ruy Vaz, a marginalização que os escritores sofriam naquela época. Além de ser indiscutivelmente uma crítica à sociedade, o romance também não deixa de conter uma curiosidade: será que há ali uma espécie de premonição para o que viria acontecer posteriormente com o até então quase incontestado escritor? Certamente, Coelho Neto não imaginaria que isso poderia acontecer-lhe, logo com ele, que era o autor mais festejado de seu tempo, uma espécie de best-seller da época. Mas o parecia improvável aconteceu e nos dias atuais Coelho Neto é um nome raramente citado nas academias e nem mesmo pronunciado pela maioria dos jovens, que desconhecem a produção literária desse escritor maranhense.
Torna-se muito simplista, porém, afirmar que o autor de “Banzo”, “O Morto” e “A Capital Federal” não seja lido na atualidade apenas por não ser mais um romancista mercadologicamente atrativo, por não estar na lista dos livros mais vendidos, por não ultrapassar a tiragem de milhões de exemplares ou por não ter suas obras transformadas em filmes Hollywoodianos. Claro que todo esse marketing seria válido e até influenciaria na mudança do horizonte de expectativas dos hipotéticos leitores. Entretanto não foi essa a principal causa da marginalização da obra de Coelho Neto.
O pesquisador Eliezer Bezerra, em seu livro sobre o prosador maranhense, denominou esse movimento de rejeição à obra coelhonetiana de onda modernista e comenta que uma campanha de apagamento da importância literária de Coelho Neto foi desenvolvida por algumas pessoas (denominadas pelo ensaísta de pseudomodernistas) incapazes e ambiciosas por glória sem esforço. Historiadores literários como Antônio Soares Amora e Massaud Moisés, por outro lado, apontam como causas principais do esquecimento do autor de “Miragem” a irregularidade de sua obra e os exageros no uso do vernáculo, o que poderia dificultar o acesso das novas gerações aos trabalhos do escritor
O fato é que Coelho Neto tem seus méritos e, assim como todos os demais escritores da época, meu contribuiu para o engrandecimento a nossa história literária. Livros como “A Conquista”, “Turbilhão”, “Rei Negro” e “Sertão” são algumas das obras de Coelho Neto que ainda podem despertar o interesse dos leitores da atualidade, mas, infelizmente raramente são encontrados nos catálogos das editoras e nas prateleiras de livrarias e bibliotecas, o que se torna mais um obstáculo na tentativa diminuir a concepção de que Coelho Neto é um escritor sem importância para a atualidade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

SUGESTÃO DE LEITURA

O leitor que gosta de desafios irá adorar o meis recente livro de Ronaldo Costa Fernandes. O enredo traz uma surpresa em cada página e desnorteia os mais desavisados.

quarta-feira, 9 de março de 2011

ARTIGO NA REVISTA LITTERA


No mais recente número da Revista Littera, do Departamento de Letras daUniversidade Federal do Maranhão, foi publicado um artigo de nossa autoria sobre os contos de Ronaldo Costa Fernandes, um dos mais importantes intelectuais da atualidade.
Clique aqui para ler o artigo
Clique aqui para ler os outros artigos da revista

PRIMEIRO LIVRO

O PRIMEIRO LIVRO
José Neres


            Constantemente somos consultados sobre como publicar o primeiro livro. Quase sempre a pessoa diz que já tem o trabalho pronto e deseja transpor o manuscrito ou o arquivo digital para a forma de livro. Na teoria, essa tarefa parece ser bastante fácil, mas, na prática, aparecerem inúmeros obstáculos que podem adiar ou até mesmo abortar o sonho de tirar o livro do campo da abstração e transformá-lo em um objeto que se divide entre o preço de capa e o valor sentimental.
            Faremos a seguir algumas considerações acerca do assunto. Sem perspectivas alarmistas ou de falsas esperanças, vamos comentar o percurso a ser transcorrido por quem pretende publicar seus trabalhos.
            Depois de ter o livro concluído, revisto e revisado, o passo seguinte é procurar uma editora. Caso uma casa editorial se interesse pelo texto, ou autor não terá mais que se preocupar com questões como diagramação, capa, legalização, impressão e distribuição, pois tudo ficará a cargo de pessoas altamente qualificadas no assunto. Contudo, se o aspirante a escritor decidir apostar em uma publicação independente, deve ficar atento para as seguintes informações:
  1. Todo trabalho intelectual deve ser legalizado, com preservação dos direitos autorais e com número de ISBN. Não é raro encontrar casos em que o autor se preocupa apenas com a impressão gráfica e com o lançamento, deixando de lado os aspectos legais da publicação. Uma consulta à página eletrônica da Biblioteca Nacional será de grande valia para a compreensão desse processo.
  2. Publicar um livro não transformará você em uma celebridade da noite para o dia. Algumas pessoas pensam que, logo após a publicação do primeiro livros, uma multidão irá reconhecê-lo como genial escritor, como a grande revelação das letras. Mas isso possivelmente não acontecerá e são grandes as chances que nem mesmo a família do autor leia o trabalho dele.
  3. Contratar uma gráfica de confiança. Um dos grandes erros do escritor iniciante é o de entregar um serviço dessa importância a pessoas sem experiência no assunto. É sempre bom consultar um colega mais experiente, fazer diversos orçamentos e pedir para ver alguns livros que já tenham sido impressos pela gráfica. Nem sempre um preço elevado está relacionado com boa produção. Nunca é bom contratar o serviço com base apenas nos valores cobrados. Tanto o barato quanto o caro podem ser armadilhas perigosas.
  4. O acúmulo de funções é inevitável. Além de criar sua pretensa obra de arte, o aspirante a escritor terá também que, quase sempre, ser digitador, revisor, patrocinador, supervisor, carregador, distribuidor e/ou vendedor do próprio trabalho. Ainda por cima terá que enfrentar situações em que o comprador do livro duvide da autoria do trabalho e ou que compre o livro com se estivesse dando uma esmola para o autor.
  5. As chances de o primeiro livro ser também o último são muito grandes. Muitos são os casos em que, após um esforço hercúleo para editar o trabalho de estreia, o autor se sinta desmotivado, sem forças ou mesmo sem dinheiro para continuar na carreira de escritor. A falta de reconhecimento e os baixíssimos retornos financeiros são algumas das causas disso.
  6. Haverá mais pessoas pedindo o livro do que querendo comprá-lo ou lê-lo. Essa é outra realidade que desestimula o escritor novato. Somente com muito esforço ele poderá recuperar os recursos investidos na produção do primeiro livro ou pelo menos parte deles.
  7. A satisfação de ver sua obra lida e comentada por alguém é uma das maiores recompensas para o autor. A indescritível alegria de saber que colocou no mundo um trabalho intelectual é algo que transcende a todo e qualquer pensamento de retorno financeiro. É o que realmente pode contrabalançar as dores angústias de trazer ao mundo um frágil livrinho que talvez possa ser importante para outras pessoas além do autor, de sua família e de seu restrito círculo de amizades.

            Mas, apesar de todos esses percalços, vale a pena lutar para transformar um sonho em realidade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CONCURSO LITERÁRIO

 
 
A partir de  1º de fevereiro, estarão abertas as inscrições do CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO.
 
O CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO vai distribuir mais de R$ 2.000,00 em prêmios para as cinco melhores crônicas que serão escolhidas pela Comissão Julgadora.
 
Quem quiser participar, basta acessar o edital do CONCURSO DE CRÔNICAS clicando aqui: http://concursosdecronicas.blogspot.com/2011/01/edital.html
 
As inscrições vão até 30 de junho. Portanto, bastante tempo para se inspirar, rascunhar e escrever uma crônica de, no máximo, duas páginas.
 
Os prêmios serão os seguintes:
 
PRIMEIRO LUGAR: R$ 1.000,00 (mil reais) + certificado + livros
SEGUNDO LUGAR: R$ 500,00 (quinhentos reais) + certificado + livros
TERCEIRO LUGAR: R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais) + certificado + livros
QUARTO LUGAR: R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) + certificado + livros
QUINTO LUGAR: R$ 100,00 (cem reais) + certificado + livros
 
 
Desde já, agradecemos o empenho de nossos patrocinadores, dos colaboradores, dos membros das Comissões Organizadora e Julgadora, dos apoiadores e de todos que estão trabalhando para o sucesso do CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO: www.concursosdecronicas.blogspot.com
 
 
Participe! Divulgue!
 
Atenciosa e gratamente,
 
Vicentônio Silva.

 
 
 
 
 CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO
Mais de R$ 2.000,00 (dois mil reais) em prêmios. Inscrições: feveveiro a junho de 2011.
INSCRIÇÕES GRATUITAS!
  
 
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

HUMBERTO DE CAMPOS

NOVOS CAMPOS PARA HUMBERTO
José Neres


            O sucesso e o reconhecimento público são, às vezes, duas figuras ingratas. Um dia sorriem para alguém e elevam essa pessoa ao auge da glória. No dia seguinte, sem motivo aparente, fecham a cara para o protegido e o relegam ao ostracismo momentâneo ou ao esquecimento total. Quando o sucesso é fruto apenas de um jogo de marketing, o reconhecimento vem de modo quase que imediato, assim com o silêncio tão logo cessem os interesses no artista. Porém, se pelo menos uma ponta de talento for a mola propulsora da carreira, pode até haver momentos de trevas e de silêncio, mas um dia o autor sai da escuridão e volta a ser tema de interesse.
            A vasta produção literária do maranhense Humberto de Campos viveu seus momentos de esplendor, quando ele era considerado um dos escritores mais populares do Brasil, e logo depois foi relegado ao limbo do esquecimento, com raríssimos textos sendo reeditados e com seu nome praticamente banido da literatura brasileira de grande ou médio porte.
            Agora, porém, neste início de século, os ventos parecem soprar favoravelmente para o cronista, memorialista, contista e poeta maranhense. Aos poucos, sua obra, ou pelo menos parte dela, começa a ser revista, reeditada e relida com olhares que vão além da idolatria cega ou do falso intelectualismo de quem entrou em contato apenas a crítica a respeito do autor, sem ter o trabalho de ler os textos produzidos pelo escritor. Ao mesmo tempo, as reedições de alguns livros de Humberto de Campos, umas em escala nacional, outras, infelizmente, restritas ao âmbito local, trazem a oportunidade de os novos leitores entrarem em contato com o estilo límpido e inquietante de um escritor que marcou diversas gerações.
            Nos últimos anos, algumas obras de Humberto de Campos voltaram para as prateleiras das livrarias. É o caso de “Carvalhos e Roseiras – figuras políticas e literárias”, cuja nova edição foi publicada pela Café e Lápis Editora; “A Sombra das Tamareiras – contos orientais”, volume reeditado pela editora Almádena; “As melhores Crônicas de Humberto de Campos”, livro organizado pelo professor Gilberto Araújo e que traz o selo da Global Editora. Também é possível hoje encontrar, em dois volumes, “O Diário Secreto” e, reunidas em um único livro as “Memórias” e as “Memórias Inacabadas”, ambos os títulos publicados pelo Instituto Geia, sob os auspiciosos cuidados do professor, crítico textual e acadêmico Sebastião Moreira Duarte.
            Por outro lado, além das reedições e coletâneas de textos de autoria de H. de C., podem ser encontrados também alguns estudos acerca da obra do poeta e memorialista maranhense. Embora a maioria dos trabalhos gire em torno da relação do autor com a psicografia, como ocorre com “A Psicografia ante os Tribunais – o caso de Humberto de Campos”, de autoria de Miguel Tiponi, e que já chega a sua sétima edição; “Humberto de Campos e Chico Xavier: a mecânica do estilo”, de Elias Barbosa; e do recentemente premiado estudo “Chico Xavier e o Caso Humberto de Campos”, de Félix Alberto Lima.
 Mas também há estudos que abordam outros aspectos da obra do autor de “O Monstro”, como ocorre no livro “A Crônica e seus diferentes estilos em Humberto de Campos”, de Roberta Scheibe, e dos ensaios “Humberto de Campos Vivo” e “Diário de um Enterrado Vivo”, ambos do já citado Sebastião Moreira Duarte e que estão enfeixados nos livros da Coleção Geia de Estudos Maranhenses.
O retorno de Humberto de Campos às discussões literárias, mesmo que ainda tímido, é uma prova de que o talento é uma forma de um autor manter-se vivo mesmo após anos de esquecimento.

sábado, 1 de janeiro de 2011

LIVRO DE SONETOS

Como prometi, aqui está nosso livrinho de sonetos para quem quiser ler. Um feliz 2011 para todos...