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sexta-feira, 24 de junho de 2011

JORNAL VIRTUAL - EDIÇÃO ESPECIAL

Este número de nosso jornal virtual é inteiramente destinado às festas juninas no Maranhão
Uma boa leitura a todos.
Para baixar o arquivo em PDF, clique AQUI.

O terceiro número do jornal sairá dentro nos últimos dias deste mês de junho. Aguardem


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

NOSSA REALIDADE


A PRESENÇA AUSENTE
José Neres




Por um desses inexplicáveis paradoxos que oscilam entre os mais altos graus de criatividade e o extremo senso de oportunismo, acabamos criando em nosso combalido sistema educacional o fenômeno da presença ausente.

A situação pode ser facilmente comprovada em qualquer uma das inúmeras salas de aula dos diversos níveis de educação. Como há muito tempo a figura do professor não é mais essencial para o andamento das aulas, sendo mesmo, em alguns casos, até considerada dispensável ou obsoleta, outro elemento tomou o lugar de honra nas aulas: a folha de chamada, que também atende pelo nome de lista de freqüência.

Em uma sociedade que cada vez mais evidencia a supremacia da certificação em detrimento da comprovação do saber é natural que haja a proliferação de algumas frases estapafúrdias como as seguintes: “Professor, não poderei vir na próxima aula, mas não se esqueça de botar minha presença.”,“Se eu não vier na próxima semana, vou levar falta?”, “Professora, tenho que ir ao casamento de uma amiga. Não posso perder essa festa, mas eu não posso levar falta, viu?”, “Professor! Não é possível! Como é que eu tenho tanta falta? O senhor tem que passar um trabalho para retirar minhas faltas...”, “Professora, já falei com a direção, a senhora tem que passar umas atividades para justificar minhas ausências, pois ganhei uma viagem num concurso e vou passar um mês viajando com meu namorado... Mas não passe nada muito complexo, pois tenho que aproveitar a viagem com meu Love”.

Como se vê, o único fator de importância nas “justificativas” dadas é a certeza da presença na lista de chamada. A preocupação com a aprendizagem, com os assuntos que serão estudados é praticamente nula, ou seja, não importa o que aconteça na sala de aula, desde que o nome do “estudante” esteja devidamente registrado em uma folha de papel.

Há também os casos em que o aluno está fisicamente presente em todas as aulas, mas, como entidade intelectual e participativa, está tão ausente quanto os que, por algum motivo, não puderam (ou não quiseram) comparecer. Geralmente tal aluno aproveita os horários de aula para por as conversas em dia, paquerar as colegas ou ainda para aprender a usar todos os recursos oferecidos pelo aparelho celular recentemente adquirido. Em suma, ele está presente, mas sua vontade de estudar está ausente (e bem distante!).

Não podem ser esquecidas as intermináveis idas ao banheiro, a incontrolável sede (só de líquidos, nunca de conhecimento) que obriga o aluno a sempre sair da aula, os atrasos constantes na chegada e os intermináveis pedidos para sair mais cedo. No caso das universidades e faculdades, há também aquele tipo de “estudante” que se especializa em deixar seus pertences nas cadeiras e sair para aproveitar o tempo pelos corredores ou no barzinho mais próximo. Mas, na hora da chamada, ele, invariavelmente, está lá, falando alto, para marcar sua presença.

Desse modo, o que se nota é que há muitas pessoas ávidas por um título. Algumas delas se matriculam, ou são matriculadas, na esperança, não de uma aprendizagem sólida ou de uma formação consistente, mas sim com o desejo de que suas ausências não sejam notadas e que ainda por cima sejam premiadas com um certificado que comprove sua presença na estatística dos alunos diplomados.

domingo, 25 de outubro de 2009

7ª SALIMP


LIVROS EM FESTA NO SALÃO

José Neres



O grande poeta Castro Alves dizia em um de seus poemas que “bendito é o que semeia livros, livros à mão cheia e manda o povo pensar...” E ele tinha razão. Semear livros é uma das formas mais eficientes de transformar o árido solo da ignorância em um fértil terreno de cultivo da Palavra e das ideias. Durante muito tempo, investir em livros era atitude de pessoas muito ricas ou de quem tivesse muito tempo a perder. Hoje, felizmente, isso está mudando e investir em cultura deixou de ser um ônus para tornar-se alavanca para o progresso.

Tendo como uma das finalidades o fomento à semeadura da palavra escrita para um povo que não estava acostumado a manusear livros, surgem as chamadas feiras de livros, que, muito mais que um comércio de obras, tornaram-se, aos poucos, ponto de encontro de intelectuais e oportunidade de aparecimento de novos talentos.

O Maranhão, estado conhecido pelo seu apego às questões literárias, ficou, por razões diversas, alheio essa valorosa contribuição cultural que pode ser dada pelas feiras e encontros voltados para a circulação dos livros, nos últimos anos tem despertado para esse nicho que estava esquecido, mas que apresenta boas perspectivas de crescimento. Hoje, já podemos contar com eventos do nível do Festival Geia de Literatura, que reúne anualmente, em São José de Ribamar, milhares de pessoas dispostas a manterem um contato mais próximo com os escritores maranhenses; a Feira do Livro de São Luís, que logo em suas duas primeiras edições se solidificou como um dos grandes eventos literários do País; e a Salimp, o Salão do Livro de Imperatriz, que, em sua sétima edição, deixa bem claro que nada deixa a dever para os demais eventos nacionais.

Organizada pela Academia Imperatrizense de Letras, em parceria com os governos municipal e estadual, a Salimp traz para os cidadãos de Imperatriz e para os visitantes a oportunidade de entrar em contato com escritores de renome nacional e, ao mesmo tempo, tomar conhecimento do que é produzido pelos intelectuais locais. O público teve a oportunidade de ver reunidas, em um mesmo local, personalidades como Nauro Machado, Sebastião Moreira Duarte, Edmilson Sanches, Agostinho Noleto Arlete Nogueira, Arnaldo Monteiro, Weliton Carvalho e Adalberto Franklin, escritores que já têm um a história no campo das letras, ao lado de uma geração mais jovem que começa a escrever seu nome em um possível panteon ainda a ser formado e solidificado, como é o caso de Ariston de França, Allanna Sanches, Ricardo Caval, Phellipe Duarte e outros jovens escritores que lançaram suas obras durante o evento.

Como o papel do Salão é também o de inocular no corpo e na alma dos mais jovens o gosto pela leitura e despertar o interesse pelo livro, os colégios também contribuíram levando estudantes das mais diversas faixas etárias para um passeio pelos corredores repletos de obras, de palavras, e de sonhos. É sempre interessante ver auma filinha de meninos e meninas, devidamente monitorados por seus professores, circulando entres os stands e arregalando os olhos a cada descoberta de um mundo de tinta e de papel. Certamente o contato mais efetivo com os livros, com leitores e com os escritores deixará marcas positivas na cabeça dessas crianças que, em breve, estarão também produzindo seus textos artísticos.

Outro detalhe interessante da 7ª Salimp foi a transmissão ao vivo de palestras e lançamentos de livros pela rede mundial de computadores. Com isso, quem estava impossibilitado de comparecer ao Centro de Convenções de Imperatriz, poderia acompanhar as falas dos palestrantes em qualquer lugar do mundo, o que serviu como elemento essencial para a divulgação do evento além das limitações do espaço.

Então, se semear livros e informações é motivo para bendizer alguém, Imperatriz, seu povo e os organizadores do Salão do Livro estão de parabéns e merecem todos o parabéns, pela valorização da leitura. Esperemos também que a oitava edição seja ainda melhor e com um público ainda mais ávido de informações