terça-feira, 13 de maio de 2014

José Chagas

LETRAS VIVAS: JOSÉ CHAGAS

José Neres


            As letras maranhenses contam com alguns monumentos literários que poderiam ser mais divulgados e que têm qualidades literárias suficientes para serem admirados em qualquer lugar do Brasil ou mesmo do exterior. Infelizmente, a falta de uma divulgação mais efetiva, de uma distribuição profissional das obras aqui editadas e de uma crítica especializada que leia e comente os livros com base em critérios mais teóricos que emocionais faz com que talentosos nomes que poderiam ser destacados nacionalmente acabem ficando restritos às nossas terras ou que não sejam conhecidos nem mesmo no rincão natal.

            Escritores como João Mohana, Bandeira Tribuzi, Ribamar Galiza, Fernando Moreira, Arlete Nogueira da Cruz, Aurora da Graça, Luís Augusto Cassas, José Ewerton Neto, Nauro Machado e Waldomiro Viana entre outros, poderiam ter seus trabalhos comercializados em âmbito nacional por grandes editoras, com suas produções sendo discutidas em escolas e academias, mostrando ao mundo valores que às vezes são esquecidos. Outro nome que mereceria um espaço maior para seus trabalhos é o poeta e cronista José Chagas, um dos mais talentosos e inventivos escritores da metade para o final do século XX e início do XXI.

            Nascido na Paraíba, mas radicado no Maranhão desde tenras datas, José Francisco das Chagas, ou mais simplesmente José Chagas, é o tipo de escritor que encanta e desorienta o leitor das primeiras às últimas páginas de seus livros. Mestre na arte de transformar meras palavras em obras de arte, o Poeta consegue transformar aparentes banalidades em versos de grande intensidade poética e carregados de metáforas que estão a serviço não apenas de uma estrutura formal, mas sim de um conteúdo que se desenvolve ao longo das páginas de seus diversos livros.

            José Chagas emprega em seus poemas as mais diversas formas literárias, desde os versos minuciosamente metrificados até aqueles em que a criatividade cede lugar à rigidez estrutural. Não importando a técnica utilizada, os poemas do autor de Os Telhados trazem sempre um apurado senso estético e uma criticidade que vai além daquilo que pode ser esperado em poemas que nem sempre buscam destrinçar a carga social de um povo ou de uma época.

            Muitos são os temas desenvolvidos por Chagas em seus versos, entre eles estão os relativos à infância, ao tempo, à cidade que o adotou como filho, à memória e às mazelas sociais que assolam o mundo. Diante de um quadro em que simples sussurros poderiam não surtir os efeitos desejados, o poeta solta a voz em versos altissonantes que muitas vezes fundem lamentos a gritos de revolta. O poeta parece ter consciência de que seus versos não são palavras soltas ao vento e que se perderão nos desvãos do tempo e da memória curta de um povo acostumado a ser violentado em seus direitos e permanecer calado diante das atrocidades de que é vítima. Na obra de José Chagas, as palavras são flores, mas também são armas.

            O silêncio social não faz parte do estro literário desse poeta e cronista que devotou grande parte de sua vida a observar e registrar os flashes de um cotidiano mutante. Seja em prosa, seja em versos, a literatura chaguiana é essencialmente voltada para o ser humano, buscando despertar nos leitores o interesse pelas coisas e pelos fatos mínimos, todavia vitais para as relações do homem com ele mesmo, com os outros e com os demais elementos de seu entorno. O grande interesse do Poeta não está no visível das mudanças circundantes, mas sim no inefável daquilo que parece banal para muitos e que passa despercebido diante dos olhos de quem não consegue enxergar  além das aparências.

            De certa forma, os poemas e as crônicas de José Chagas funcionam como uma espécie de lupa para ampliar detalhes e deixar mais visível um mundo que muitos fazem questão de não ver, mas que jamais deveria ser esquecido, pois é nele que vivemos e é dele que advêm todas as nossas dores, alegrias e angústia. E o mundo, filtrado pelo olhar e pelas palavras de um Poeta do nível de José Chagas, pode ser aterrorizantemente belo...   

(O Estado do Maranhão, 11 de maio de 2014)

sábado, 15 de março de 2014

UMA VAGA PARA ALUÍSIO

            José Neres
(Professor de Literatura)

Imagem retirada da reportagem da Mirante sobre o assunto

             Vários amigos me interpelaram sobre o que eu acho do fato de estarem transformando o
Casarão onde morou Aluísio Azevedo em um estacionamento rotativo. Fico triste, mas não surpreso...
Imagem retirada da reportagem da Mirante sobre o assunto
            É visível o descaso com que foi tratada nossa cidade ao longo dos anos. Vejamos: Os bustos dos escritores foram  e hoje se encontram recolhidos no Museu, sem previsão de volta; a escadaria da rua Humberto de Campos transformou-se em um mictório público; as fontes  são quase propriedade  particular de pedintes e/ou desocupados; nossas praias hoje são receptáculos de dejetos e de esgoto a céu aberto; a Praça Valdelino Cécio foi transformada em um reduto de uso e comercialização de drogas; o busto de Odorico Mendes foi roubado e possivelmente derretido para ter seu material vendido em um ferro-velho qualquer; as ruas são feudos de inescrupulosos guardadores de carro;  o calçamento da cidade é uma grande armadilha para transeuntes de qualquer idade; os casarões históricos estão entregues à própria sorte e às intempéries da natureza; nossas livrarias fecham as portas por falta de consumidores para um produto tido como luxo chamado livro; os becos são lugares perfeitos para assaltos e estupros, etc, etc, etc.
            Dessa forma jamais acreditei que o casarão de Aluísio fosse escapar a essa insanidade que ajuda destruir o que passamos séculos para conquistar. E tudo isso aconteceu e acontece bem diante de nossos olhos...
            Em qualquer lugar do mundo dito civilizado aquela casa seria um museu, um centro cultural, onde a memória e a obra de um dos maiores escritores do Brasil seriam preservadas, apreciadas e estudadas, mas isso não acontece e possivelmente nunca acontecerá.
Chegamos finalmente ao tempo em que o progresso atropela o passado e em que ter uma vaga para estacionar o carro é muito mais importante que conhecer um pouco de nós mesmos de nosso passado.

O pior é que em breve tudo isso será esquecido e nós mesmos, que hoje estamos tão revoltados com esse fato, sorridentes, pagaremos para deixar nosso veículo lá, pois para muita gente, um risco no carro dói muito mais que um arranhão na história.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

ILHAVIRTUALPONTOCOM NÚMERO 21

Chegamos a este fim de ano com a volta do nosso Ilhavirtualpontocom, desta vez com entrevista com o poeta Carvalho Junior, comentários sobre o CD Palavra Acesa de José Chagas e sobre o livro Baratão 66, além da poesia de Francinete Braga Santos. Desejamos boa leitura a todos.

Quem quiser baixar ou ler em PDF, clique aqui

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

RAIMUNDO CORREIA: POESIA COMPLETA

RAIMUNDO CORREIA: POESIA COMPLETA
José Neres
(Professor
de Literatura)

            Raimundo Correia (1859–1911) parece ser um daqueles cultuados escritores que têm o nome lembrado em diversas obras de cunho crítico e/ou didático, que se eternizaram pelo talento e pela reprodução sistemática de dois ou três textos, mas que não conseguem transformar essa admiração em leitura atenta de sua obra.
            Em praticamente todos os livros didáticos utilizados pelos alunos do ensino médio há sempre alguns parágrafos situando o poeta maranhense entre os três mais importantes escritores do Parnasianismo brasileiro, ao lado de Olavo Bilac e Alberto de Oliveira. Geralmente há também nesses compêndios um esboço biobibliográfico do poeta, seguido da transcrição de alguns seus sonetos mais populares – quase sempre Mal Secreto, As Pombas ou A Cavalgada –, mas essas informações básicas nem sempre são suficientes para estimular nos estudantes a leitura de outras produções de Raimundo Correia.
            Mesmo que alguém se interessasse pela produção poética do autor de Primeiros Sonhos, teria dificuldades de encontrar no mercado livros que trouxessem mais textos desse poeta. E mesmo em uma busca na internet, os admiradores do escritor esbarrariam na repetição dos textos disponíveis para leitura, cerca de duas dúzias de poemas, quase sempre os sonetos mais conhecidos. Essa recorrência aos mesmos títulos pode levar alguém a pensar que Raimundo Correia fosse um escritor de poucas obras e de talento limitado, o que não é verdade.
            Recentemente, no entanto – pouco mais de um século depois da morte do poeta maranhense – chegou às livrarias um livro que tenta trazer de volta para o público leitor os poemas desse escritor que foi efusivamente elogiado por críticos do porte de Manuel Bandeira e João Ribeiro. Trata-se de “Raimundo Correia: Poesia Completa” (Café e Lápis Editora, 2012, 358 páginas), um livro que oferece ao leitor a oportunidade de entrar em contato com 325 poemas de Correia, trazendo também notas explicativas que podem ajudar a compreender alguns textos.
            Para aproximar ainda mais o leitor do sonetista parnasiano, Claunísio Amorim, responsável pela editoração, organização e revisão, além de escrever a apresentação do livro, não se limitou a reproduzir as centenas de poemas produzidos por Raimundo Correia, mas sim de também transcrever as apresentações e prefácios presentes nas primeiras edições das obras reunidas nesse volume.
            Uma das grandes qualidades de um trabalho como a edição de obra completa de um poeta é a oportunidade de entrar-se em contato diretamente com a produção do escritor, e não apenas com textos esparsos. Desse modo, o leitor pode chegar a algumas conclusões às quais não chegaria se ficasse apenas na leitura dos teóricos ou dos poemas soltos.
Uma das ideias solidificadas sobre Raimundo Correia e que pode ser questionada em uma leitura mais atenta de seus poemas é a que se refere ao negativismo que supostamente atravessa toda a sua obra. Embora fique evidente que o estilo do autor seja carregado de certa dose de pessimismo, pode-se notar também que, em variados momentos, ele despejava em seus versos um humor ácido, como, por exemplo, no poema “Ideia Entomológica”, no qual um pseudo-poeta, ao levar a mão à cabeça, no lugar de tirar idéia para um poema, só consegue encontrar um piolho; ou ainda no soneto “A Uma Cantora”, no qual o eu lírico se vê gravemente ferido pela voz de alguém que se diz cantora.
            Os versos de Raimundo Correia são bastante plásticos e, apesar de ficarem presos às formas parnasianas, trazem algumas imagens que mesclam densidade filosófica e crítica social, como ocorre no belíssimo poema intitulado “Diálogos”, no qual a terra, o trigo, a pedra e o ferro são personificados e não perdoam o homem pelas atrocidades cometidas ao longo dos tempos.

            Poesia Completa de Raimundo Correia é um livro para ser lido não apenas pelos apaixonados pelos versos do autor, mas também por aqueles que acreditam que toda a obra do poeta parnasiano se resume a apenas meia dúzia de poemas bem elaborados. Ele é muito mais que isso. É um dos maiores poetas que o Brasil já teve. E hoje, mais de um século após seu passamento, Raimundo Correia ainda demonstra ter muito a dizer em seu universo poético.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

WANDA CRISTINA

José Neres


           
Fonte da imagem: Internet
Na década de 80 do século passado, o professor e crítico literário Carlos Cunha, em seu livro Lâmpadas do Sol, escreveu que Wanda Cristina era uma escritora de raras qualidades artísticas e dona de uma imaginação que ia além do senso comum. Provavelmente, na época, muitas pessoas devem ter creditado essas observações à bondade de um crítico que, além de sempre haver lutado pela divulgação de novos talentos, tinha relações parentais com a escritora. No entanto, quem acompanhou ou acompanha a produção literária maranhense sabe que Carlos Cunha estava certo em sua apreciação.
            Cerca de uma década e meia após sua estreia em livro, quando não pairava mais nenhuma desconfiança sobre seu talento poético, Wanda Cristina volta a ser lembrada por outro grande crítico. Ela foi selecionada por Assis Brasil como uma das representantes da poesia maranhense do século XX. O romancista e crítico piauiense destaca a inventividade, o domínio da linguagem e o uso de formas poéticas diversificadas por parte da escritora, que tem cinco de seus poemas destacados na antologia.
            Em sua obra, Wanda Cristina não espera que o leitor abra o livro para entrar em contato com a poesia e com as metáforas. Logo na capa, ela já costuma fazer um trabalho de escolha lexical que leva o leitor a perceber que escolher um título não se trata de um mero artifício verbal, mas sim de um recurso poético que pode ser bem empregado por quem sabe que os jogos poéticos não se limitam à confecção dos versos e à busca desenfreada pelas rimas. Desse modo surgiram títulos como “Uma Cédula de Amor no meu Salário”, “Engraxam-se Sorrisos” e “Rede de Arame”.
            Embora seja mais conhecida por seus textos em verso, Wanda Cristina não se prendeu a apenas um gênero ou a uma forma. Ela, ao longo de sua trajetória literária, já se dedicou à prosa, ao texto teatral, à composição de letras de músicas, à pesquisa folclórica e a outros gêneros, além de dedicar-se ao magistério. Essas múltiplas atividades talvez tenham eclipsado um pouco o brilho da poetisa que, possivelmente ainda deve ter muitos textos inéditos esperando a oportunidade de virem à luz.
            As temáticas e estruturas trabalhadas pela autora de “Geofagia Ruminante no Sótão da Preamar” são variadas e vão desde situações cotidianas até incursões pela experiência concretista, com especial atenção aos aspectos sociais da realidade. Em diversos momentos de sua obra, Wanda Cristina deixa transparecer seu descontentamento com a as injustiças sociais e com os (des)rumos que o mundo vem tomando e que quase sempre não estão de acordo com o que seria desejável. Atenta aos elementos circundantes, a escritora colhe do dia a dia a matéria para seu trabalho com a palavra. Um acidente de trânsito, uma discussão banal, um cigarro, uma árvore... Tudo pode servir de tema para a poética dessa escritora que busca no cotidiano e dentro da essência das pessoas a matéria-prima que, após um burilamento com a linguagem, se transforma em Poesia.
            Em alguns de seus poemas, Wanda Cristina consegue amalgamar o tom de revolta com a consistência de um apurado trabalho de construção poética. É o caso do pequeno, mas contundente Aliteração, no qual, em apenas dez versos, a antiga concepção político-ideologia do Pão e Circo é mostrada e desnudada como força coercitiva da alienação do povo. Trata-se de um poema que ao mesmo tempo encanta o leitor pela bela construção e o faz pensar na forma como somos manipulados ao longo dos tempos.
            Adepta dos jogos de palavras, mas sem decair no mero experimentalismo fonético, e do engajamento literário, contudo sem recorrer ao panfletarismo militante, Wanda Cristina é o tipo de escritora que deve ser lida com calma, apreciando-se todas as nuances e matizes que fazem de cada um de seus textos uma pequena obra de arte.

            

quinta-feira, 16 de maio de 2013




PROGRAMAÇÃO
Dia 23.05.2013 (quinta-feira)
             Horário: 8h – CREDENCIAMENTO (Sala de apoio 01)
Local: CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS - CCH/UFMA
8h30 – MESA DE ABERTURA
            Composição: Prof. Dr. Jarbas Couto e Lima– Coordenador PGCult-UFMA
             Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD-DELER-NEPLiCI-UFMA)
             Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
  
Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO MEIRELLES” – CCH
 
10h15 – INTERVALO
10h30 MESA-REDONDA 1 – “Espaço toponímico do Centro Histórico de São Luís: memória e identidade” 
Composição:Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD- NEPLiCI -DELER-UFMA)
Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Prof. Ms. Gersino dos Santos Martins (PGCult -DEART-UFMA)
12h às 14h30 – INTERVALO
14h30 MESA-REDONDA 2 – “A sustentabilidade ambiental no espaço maranhense”
Composição: Prof. Dr. Antônio Cordeiro Feitosa (DEGEO–NEPLiCI-UFMA)
                                         Profa. Ms. Andreia Marques (PGCult)
Moderador(a):Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
16h15 – INTERVALO

16h30 MESA-REDONDA 3 – “A memória das cidades: seu espaço, sua identidade”
Composição: Profa. Ms. Maria de Lourdes Lauande Lacroix
                                         Profa. Dra. Maria Cândida Seabra (UFMG)
Moderador(a):Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD-NEPLiCI-DELER-UFMA) 
18h – LANÇAMENTO DE LIVROS 
 
 
 
 
 
Dia 24.05.2013 (sexta-feira)
              Horário: 8h30 – MESA-REDONDA 4 – “Literatura maranhense: múltiplos olhares”
              Composição: Prof. Ms. José Ribamar Neres Costa(FAMA)
                                        Profa. Ms. Janete de Jesus Serra Costa (PGCult-UFMA)
                                        Susane Martins Ribeiro (Graduanda em Letras - FAMA)
              Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO MEIRELLES” – CCH
10h15 – INTERVALO
10h30 MESA-REDONDA 5 – “Aspectos da literatura maranhense”
Composição: Prof. Dr. José Dino Costa Cavalcante (GELLD-DELER-UFMA)
                          Profa. Ms. Dinacy Mendonça Correia (UEMA)
                          Profª.Esp.Samara Santos Araújo
                          Paloma Veras Pereira (Graduanda em Letras-UFMA)
                       
12h às 14h30 – INTERVALO
14h30 MESA-REDONDA 6 -“O espaço na literatura brasileira: memórias em prosa e poesia”
Composição: Flaviano Menezes da Costa (GELLD-PGCult)
                          Adeilson Marques (GELLD-PGCult) 
                          Narjara Mendes da Silva (GELLD-PGCult)
Moderador(a):Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
16h15 – INTERVALO
16h30 CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO: “CIDADE E MEMÓRIA: aproximação à poética de Ferreira Gullar”
            Conferencista: Prof. Dr. Samarone Marinho (Pós-Doutorando pela USP em Geografia Humana)
18h – ENTREGA DE CERTIFICADOS 
9h-CONFERÊNCIA DE ABERTURA - “Léxico Toponímico: documentação, memória e cultura”
Conferencista: Dra. Maria Cândida Seabra (UFMG)

domingo, 21 de abril de 2013

DA ARTE DE PERDER LIVROS



DA ARTE DE PERDER LIVROS
José Neres
          

         
            A regra é bem lógica e simples. Quer perder livros? Basta dedicar-se a não muito salutar tarefa de emprestá-los.
            Um livro, qualquer que seja ele, é tão importante que é capaz de mudar completamente até mesmo a noção de tempo e de espaço. Não! Não estou falando aqui do poder dos livros de levar os leitores para outros tempos ou a paragens alcançáveis apenas pela imaginação. Fala de algo mais real e mais facilmente comprovável.
É o seguinte: quando alguém precisa de um livro, raramente se dirige a uma livraria para comprá-lo. É mais fácil e cômodo pedi-lo emprestado a um incauto qualquer de boa fé. É esse o momento de fazer o teste que passo a descrever a partir  desta linha. Basta o dono do livro dizer que só ele sabe onde está o referido título, que mora longe e que só estará em casa a partir das dez ou onze horas da noite. Pronto. Como em um passe de mágica, relógio, convenções sociais e distâncias perdem a importância. Na hora marcada, por mais incômoda que seja; no endereço dado, por pior que seja o acesso a ele, o pedinte estará ali, com um sorriso no rosto, pedindo desculpas pelos inconvenientes, mas deixando bem claro que consultar aquela obra é questão de vida ou de morte. A visita costuma ser rápida, raramente o cidadão aceita passar da soleira da porta, tal é sua pressa.
A segunda parte do teste vem dias, semanas ou meses mais tarde. Uma vez feita a tão urgente consulta, a residência do dono do livro se torna extremamente distante; aquela pessoa que outrora se dispôs a ir a qualquer hora pegar a obra, de repente, não mais que de repente, como diria Vinícius de Moraes, percebe que não deve incomodar as pessoas altas horas da noite, domingos ou feriados tão simplesmente para entregar um mero livro; o número do telefone do proprietário do livro, que foi usado incessantes vezes para lembrar o título exato do volume, como que por encanto, desaparece da agenda do agora tão ocupado pedinte... E o tempo vai passando...
A terceira e última parte do teste vem em um encontro fortuito, quase acidental entre as duas partes. Geralmente, quem está com o livro não toca no delicado assunto e, quando instado a falar sobre uma possível devolução, alega falta de tempo, muito serviço, problemas de locomoção para lugares distantes e conclui dizendo que em breve, assim que sobrar um tempinho, fará uma visita com mais calma, para entregar o precioso objeto, etc, etc, etc.
Pronto. O teste está completo. Os livros, principalmente os emprestados têm o poder de relativizar aos extremos as noções de tempo, de espaço e de prioridade.
            O problema desse tipo de comprovação é que ela pode sair muito cara para quem decide investir em uma formação mais letrada. A cada experiência, alguns livros preciosamente raros participam de uma espécie de êxodo bibliográfico sem volta às estantes de origem. Além do valor pecuniário perdido, o amante das palavras escritas percebe aos poucos que os clarões das estantes mostram bem mais que uma hemorragia de celulose, escancarando aos olhos do pobre coitado a perda de anos e mais anos de busca  incessante a exemplares raros que  aos amados lares nunca mais retornarão. 
            É... esse é o tipo de arte que precisa ser combatida, antes que transforme benfeitores da palavra em seres egoístas especializados na arte de esconder a sete chaves seus pequenos tesouros de papel
Publicado originalmente em O Estado do Maranhão
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segunda-feira, 15 de abril de 2013


A vida é sempre uma arte que deve ser reinventada a cada movimento de respiração. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

JETHER, UM ADEUS


JETHER, UM ADEUS

 Passei o final de semana trabalhando, ministrando aula em um curso de pós-graduação. Fiquei praticamente dois dias sem contato muito demorado com a internet, com os amigos virtuais e com o mundo sem fronteiras. Hoje, às cinco da madrugada, hora em que geralmente estou acordado, escuto o barulho da moto do entregador de jornal e o característico ruído de algo arremessado no terraço. Pego o periódico e sou surpreendido com a notícia do covarde e brutal assassinato do poeta, bancário, ex-vizinho e sempre amigável Jether Joran Coelho Martins.
Conheci-o na metade da década de noventa do século passado. Primeiro pelas páginas de seu livro Poesia Revolucionária, que eu havia comprado quase  por acaso. Depois pessoalmente, quando, em uma dessas voltas do destino, descobrir que o autor do livro morava no mesmo prédio que eu, no apartamento logo abaixo. Daí em diante gastamos muito de nosso tempo em conversa sobre poesia, arte , música e uma de suas paixões: a cidade Vargem Grande, terra à qual dedicou um longo trabalho de abordagem histórica em uma abordagem  bem pessoal.
Depois que me mudei tive poucos encontros com ele. Recentemente no reencontramos por acaso em um supermercado. Descobri que novamente éramos vizinhos e sempre tentávamos marcar um momento para conversar sobre literatura e arte em geral. Nunca conseguimos realizar esse feito. A última vez que o vi foi na Feira do Livro. Conversamos durante um bom tempo e ele disse que me mandaria seu novo livro para uma apreciação. Nunca enviou e, lamentavelmente não mais o enviará, pois alguém resolveu pôr fim a uma vida que ainda teria muito a oferecer a sua família, a seus amigos e às letras em geral.
                Nossa cidade está ficando cada dia mais violenta... Nós, a cada dia nos sentimos mais inseguros, seja em casa, seja nas ruas ou em qualquer outro lugar. Os gritos de socorro das vítimas e de seus familiares parecem não ecoar nos ouvidos das autoridades. Os homicídios, os assaltos e os demais tipos de violências já respiram ares de banalidade. E, entre as banalidades com que são tratadas as ocorrências e as boçalidades dos marginais. Vamos tentando sobreviver em nossa selva de azulejos e pedras de cantaria.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Escrevi este texto logo após a morte de Josué Montello. Peguei alguns dos vários livros do grande escritor e fiz uma pequena homenagem a esse grande homem de letras.

A TÍTULO DE HOMENAGEM 
José Neres 


    Era para ser uma tarde comum, como outra tarde qualquer, mas quando a noite desceu sobre Alcântara, sobre o Largo do Desterro e sobre o Cais da Sagração, e os bentivis começavam a procurar um beiral para descansar, uma notícia deixou a cidade duas vezes perdida: Josué Montello, a cabeça de ouro da vida literária maranhense, acabara de receber sua última convidada. 
     Naquele momento, a morte deixava de ser apenas uma sombra na parede e levava o criador de mil imagens para uma viagem fantástica por um labirinto de espelhos, deixando entre seus conterrâneos, além de mais de uma centena e meia de obras, um camarote vazio e uma escola de saudade. 
      Naquela hora, como se estivéssemos no silêncio de uma confissão, tudo muda na cidade: a lanterna vermelha perde o brilho, a estante giratória pára, o fio da meada se perde, o caminho da fonte se fecha e os longos diários recebem o ponto final. Josué deixa de estar entre nós. Sua indesejada aposentadoria definitivamente chega para levá-lo para junto dos tesouros de Dom José, para viver mil aventuras com Calunga, ou para, através do olho mágico da eternidade, quem sabe na próxima noite de natal, ou numa noite de papel picado, ver Glorinha, com seu rosto de menina, recitando os versos do anel que tu me deste ou brincando com os bichinhos do circo. 
     Montello, que ainda na casa dos quarenta, já dominava Cervantes e o moinho de vento, já mostrava para seu povo a beleza clássica de Ricardo Palma, Antônio Nobre, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Gonçalves Dias e Stendhal, entre outros, sempre alinhando uma palavra depois da outra, aos quase noventa anos, com as janelas fechadas, mas com a alma aberta para o infinito, põe um ponto final em sua vasta obra , que não é miragem, nem peso de papel, mas sim arte, vida, amor e dedicação. 
       Então, naquele triste 15 de março de 2006, ao som dos tambores, sem precisar de um baile de despedida, Josué Montello subiu os degraus do paraíso e, em uma viagem sem regresso, sob luz da estrela morta, os anjos em aleluia foram mostrar para a pedra viva das letras maranhenses seu apartamento no céu, com uma bela varanda sobre o silêncio, de onde, enquanto o tempo não passa, ele para sempre será lembrado. 
O Estado do Maranhão, 26 de março de 2006. 

CONTO COM T

Para  distrair um pouco nossos leitores de seus afazeres cotidianos, postamos aqui mais um conto todo iniciado com a mesma letra. Desta vez é a letra T que serviu de foco. 

Tempo 
José Neres

Teresa Telles tinha tudo. Tinha títulos, tratores, terras, tantas transações terceirizadas... Todavia, terrivelmente tímida, Teresa torturava-se, temia terminar totalmente traumatizada, transtornada. 
Tio Túlio Telles, tentava tranqüilizá-la: 
-Tranqüiliza-te, tens tanto tempo, Teresa! 
Teresa, tresloucada: 
- Tenho tudo, tio, todavia tô tão triste! Tudo tentei, tantas terapias... Trintona, tio! Tô trintona! Tenho tempo!?! 
- Tens... Temos, tesão... 
Tio Túlio Telles, trêmulo, tocou-lhe, tirou-lhe tudo... 
Túmida, trôpega, tensa, trêmula, Teresa topou tudo. 
Transaram, transaram, transaram... 
Trauma terminado, Teresa teoriza: 
- Tenho tudo: tenho terrenos, tratores, tantas transações terceirizadas, tio Túlio, transas transcendentais, tempo, tempo, tempo...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ILHAVIRTUAL 18

Informativo Ilhavirtual18

Para baixar em PDF, clique aqui


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ILHAVIRTUAL 17

21 de janeiro de 2013, dia do centenário de falecimento do escritor Aluísio Azevedo. Dia também de trazer à luz o décimo sétimo número do Ilhavirtualpontocom, com alguma novidades gráficas e interesse e sempre pelo resgate e fortalecimento de nossa literatura. Se você quiser baixar a edição em PDF, clique aqui. 

Nesta edicão:

  • Textos sobre Aluísio Azevedo
  • Lançamento de Destino Cruzado, de Dorinha Marinho
  • Música de Alexandra Nícolas
  • Poesia de Firmino Freitas
  • Retrospectiva do ano literário de 2012


Estamos agora também com uma página no Facebook. Esperamos sua visita.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

LIVRO DIGITAL

Nosso livro digital LOUSA RABISCADA - Artigos Reunidos acaba de ser disponibilizado na internet. Boa leitura para todos os interessados em mais este trabalho nosso.

Para baixar em PDF, clique aqui

domingo, 30 de dezembro de 2012

RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2012



LITERATURA PELO RETROVISOR DE 2012

José Neres

Quando chega um final de ano, é hora de olhar para trás e ver o que ficou de bom e o que pode melhorar para o ano seguinte. No âmbito literário, se 2012 não foi um ano de grandes surpresas, ele também não pode ser acusado de causar decepções.
O ano praticamente começou e terminou em clima de homenagens. De um lado eram comemorados os 400 ano de fundação da capital maranhense, com direito a lançamentos e relançamentos de livros, saraus literários, encenações de peças teatrais (originais ou adaptadas de outros textos literários) e muitos outros eventos que valorizaram o aniversário de São Luís. Do outro lado, em uma louvável iniciativa da Academia Brasileira de Letras, o ano de 2012 foi também dedicado ao bicentenário do jornalista, publicista e escritor João Francisco Lisboa.
Grande parte do cenário literário do ano foi ocupada pelo genial autor do Jornal de Tímon, que teve sua obra comentada, debatida, estudada e revisitada por diversos intelectuais, como, por exemplo, Jomar Moraes, Antônio Martins de Araújo e Sálvio Dino. Em eventos sempre com bom público, a AML trouxe de volta às prateleiras o livro “Notícias acerca da vida e da obra de João Francisco Lisboa”, de autoria de Antônio Henriques Leal e, na mesma data, além de inaugurar uma placa alusiva ao escritor, também, em parceria com a Editora do Senado, também relançou o volume “O Tímon Maranhense”, de Arnaldo Niskier e, para fechar as homenagens, foram entregues a diversas personalidades a medalha do bicentenário de João Francisco Lisboa.
O ano acadêmico foi de perdas e de ganhos, como sempre acontece. Houve o falecimento do jornalista Neiva Moreira, mas também a posse de Antônio Carlos Lima e de Natalino Salgado, bem como a eleição do Luiz Phellipe Andrés, além de diversos eventos.
No decorrer do ano, outras iniciativas merecem destaque. É o caso do Café Literário, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado, sob o comando da escritora Ceres Costa Fernandes. Aos poucos, o público, formado principalmente por escritores, estudantes, professores e pesquisadores, foi se acostumando a, na última terça-feira de cada mês, ouvir os relatos de alguém voltado para as letras. Nomes como Joaquim Haickel, Zelinda Lima, Joila Moraes, Hidelberto Barbosa Filho, Nauro Machado, Inaldo Lisboa e Ubiratan Teixeira, entre outros, abrilhantaram o evento, que começou tímido em suas primeiras edições, mas que agora está solidificado no calendário cultural do Estado.
Outro projeto que também merece ser lembrado é o Papoético, idealizado e levado à prática pelo professor e poeta Paulo Melo Souza. Além de conversas informais sobre artes em geral, palestras e lançamentos de livros, ainda houve a realização do 1º Festival Papoético de Poesia, que teve como grande vencedor o poeta Rodrigo Pereira, com o poema “Ante o espelho”. O evento movimentou as noites de quinta-feira na cidade.
O Instituto Geia continuo na sua missão de levar a literatura às pessoas, seja por meio do já tradicional Festival de Literatura que acontece em São José de Ribamar e que, em 2012, contou com a participação especial da historiadora Mary del Priori, seja com o lançamento e relançamento de livros essenciais para a identidade do povo maranhense, como foi o caso, nesse de O pecado da Gula (Zelinda Lima), A Ilha e o Tempo (Luiz Tavares) e Teatro Escolhido de Fernando Moreira (organizado por Ubiratan Teixeira).
Há de se destacar também o grandioso prêmio recebido pelo crítico e ensaísta Ricardo Leão, que conquistou um dos mais importantes prêmios concedidos pela Academia Brasileira de Letras. Premiados em outros eventos tivemos também José Ewerton Neto e Ferreira Gullar.
Foram muitos os lançamentos de livros realizados durante 2012. Alguns tiveram concorridas sessões de autógrafo, outros ficaram apenas nos círculos de amizade dos autores. Mas o futuro irá lembrar-se da qualidade dos textos e não da quantidade de pessoas presentes ao evento. Vale destacar então alguns livros.

 Memória dos Porcos (Ronaldo Costa Fernandes) o ótimo livro de poemas que leva o leitor a refletir sobre cada página, sobre cada verso.
 O Perdedor de Tempo (Dyl Pires) – Os poemas mostram um amadurecimento temático da poética desse grande escritor e ator maranhense.
 Contos, Crônicas Poemas e outras Palavras (Joaquim Haickel) - Uma mistura de diversos gêneros em um único livro. Bons textos e boa produção gráfica.
Poema da Diferença (Sonia Almeida) – Neste livro a autora mostra uma nova faceta de sua produção literária o jogo metafórico que une o concreto e o abstrato da nossa passagem pelo mundo
Província – O Pó dos Pósteros (de Nauro Machado) – Reunião de diversos artigos de Nauro Machado, todos escritos em um estilo fluido e envolvente.
O Rio (de Arlete Nogueira) – O novo livro de Arlete Nogueira comprova que ela é uma das maiores escritoras de nossas letras.
Pérolas ao tempo (de Rosemary Rêgo) – Menos introspectivo que o anterior, o livro traz uma escritora mais madura e consciente do fazer poético.
Marcas Indeléveis (de Ahtange Ferreira) – Usando o receituário do best-seller, a estreante escritora traz a luta de uma mulher por dias melhores.
Tear (de Quincas Vilaneto) – Excelente livro de poemas. Mistura metalinguagem e visão particular dos ambientes retratado.
A Poesia sou Eu (obra completa de Luís Augusto Cassas em 2 volumes) – essencial para quem deseja mergulhar na produção desse poeta. Além dos livros, traz uma fortuna crítica que auxiliará leitores e pesquisadores da obra de Cassas.
Entre Viana e Viena (Lourival Serejo) – Ótimo livro de crônicas. Nesse livro, Serejo mostra que há múltiplas formas de retratar um evento que às vezes parece ter importância apenas para o cronista, mas que pode abarcar a todos.
Bastidores (Ubiratan Teixeira) – Livro que traz um pouco da movimentação teatral do Maranhão nas últimas décadas.
Ana do Maranhão (Lenita Estrela de Sá) – Relançado trinta anos depois. Esse livro é um marco no teatro maranhense.
Teatro Escolhido de Fernando Moreira – O Instituto Geia e o escritor Ubiratan Teixeira fizeram um grande serviço à literatura trazendo á luz esse importante volume com a obra de um escritor hoje esquecido

 algo que também deve louvado é a fundação ou fortalecimento de academia de letras municipais, como a Paçoluminense, a de Caxias, A Sambentuense, a Imperatrizense e tantas outras que vêm se fortalecendo ano após ano. Com isso, esperamos, haverá uma maior divulgação de valores locais e de suas obras.
Alguns eventos, como o Salão de Livros de Imperatriz (Salimp) e A Feira de Livro de São Luís, ganharam similares, como é o caso o do Salão do Livro de Coelho Neto e das diversas pequenas feiras de livro que foram realizadas durante o ano. E a Capital maranhense ganhou também uma livraria de bom porte em um de seus shoppings, além da livraria Resistência Cultural, que vem ganhando espaço aos poucos. Um avanço para uma cidade que viu diversas livrarias fechando as portas nos últimos anos
Outra iniciativa interessante foi a de alguns escritores de optarem pela publicação de seus livros de forma alternativa, principalmente na internet, como fizeram o professor João de Deus Vieira Barros, que publicou A Bala na Garganta de forma digital e a maranhense radicada na Alemanha Helena Frenzel, que publicou a coletânea 15 Contos Mais na internet, com a participação dos maranhenses José Neres e Marcos Fábio Belo Matos. Além de blogs voltados para as letras, como é o caso do Maranharte, administrado pelo pesquisador Flaviano Menezes.
 Algumas escolas contribuíram para a divulgação da literatura maranhense, convidando escritores e estudiosos das letras para encontros e palestras. Isso foi um marco significativo neste 2012 e certamente terá reflexos em um futuro bem próximo
O principal problema para a literatura maranhense ainda é a falta de divulgação e de forma de escoamento da produção para outros lugares. O livro lançado aqui raramente alcança um público além das linhas divisórias do Estado. As divulgações digitais estão quebrando um pouco essas barreiras, mas ainda falta muito a ser feito. Outro obstáculo é a falta de uma crítica mais atuante no campo das letras. Um livro é publicado e na semana seguinte cai no esquecimento, pois falta um debate mais efetivo acerca do que é produzido aqui. Sem contar que as livraria vem desaparecendo em uma velocidade impressionante.