domingo, 28 de junho de 2009

LEITURA E CINEMA










LER O LIVRO OU ASSISTIR AO FILME?

José Neres

A cena é mais ou menos a seguinte: o professor chega à sala de aula e recomenda (ou exige) a leitura de determinada obra literária. Os alunos, assombrados como se estivessem vendo um fantasma, começam a tentar dissuadir o mestre daquela tarefa insana. Uns alegam falta de tempo para ler. Outros, mesmo ainda desconhecendo o conteúdo do livro, dizem que a obra é muito chata. Todos trazem à tona a interminável crise econômica: “Livro é muito caro...” O professor, impassível e já acostumado com tais atitudes, mantém-se firme e determinado. Para acabar com a polêmica, o professor usa da frase mágica: “O livro vai cair na prova”.

Nada mais a fazer. O jeito é ler o maldito livro. Alguém sussurra lá no fundo da sala a frase salvadora: “Vou ver se já tem esse livro em DVD”. Alívio geral. Após o término das aulas, um bando invade a locadora mais próxima e, com o título do livro escrito na palma da mão ou em um papelzinho amassado, passa em revista prateleira por prateleira. Alguns alunos, menos dispostos a perder tempo, preferem logo abordar o atendente e fazer-lhe a pergunta: “tem o filme TAL”. Caso a resposta seja positiva, a sensação de alivio é imediata e os sorrisos brotam, desenhando em cada rosto um inegável ar de contentamento. Contudo, quando é um não que vem como resposta, é o ar de desespero que se apodera dos pobres infelizes.

Mas imaginemos apenas o caso em que a obra literária já tenha sido vertida para o cinema... De posse do DVD, o aluno (ou o grupo) sente-se vitorioso e muitíssimo inteligente. Está garantida a economia de tempo e de dinheiro. Para que gastar horas e horas diante de algumas páginas de um livro, tendo que forçar os neurônios e ainda recorrer aos dicionários, se em alguns minutos diante da televisão é possível ficar conhecendo toda a história contada pelo autor? Para que gastar dezenas de reais na compra de um livro que será lido, quando muito, apenas uma vez, se, com alguns poucos reais, é possível locar o filme? O problema está resolvido. Resta comprar a pipoca, os refrigerantes, reunir os amigos e, em uma sessão bastante divertida, conhecer o conteúdo de um livro e, depois, ganhar a liberdade para fazer o que quiser com a ilusão do dever cumprido.

É exatamente nessa sensação “do dever cumprido” que está um dos grandes equívocos e um dos grandes perigos dessa aparente facilidade de entrar em contato com textos literários sem recorrer à leitura dos livros. É preciso lembrar sempre que cinema e literatura não são termos sinônimos e, por melhor que seja um filme baseado em um texto literário, ele jamais conseguirá captar toda a inefável essência do texto escrito.

Como o trabalho literário trata geralmente a palavra de modo multifacético e impregna cada linha de um caráter plurissignificativo, deixa margens para diversas leituras e para múltiplas interpretações. Quando alguém leva para casa um filme baseado em um livro, estará entrando em contato não com o enredo original, mas sim com uma adaptação feita por alguém que leu o livro e que fez a chamada tradução intersemiótica, deixando, de forma consciente ou não, suas impressões e sua forma de ler o texto na versão levada para as telas.

Em prol de um dinamismo próprio do cinema, o diretor/roteirista procura o melhor meio de (re)contar a história e, para isso, em muitos casos, tem que alterar a obra original de forma bastante significativa. Claro que há filmes que tentam (e , às vezes, conseguem pelo menos em parte) manter certa fidelidade com relação à obra que lhe deu origem, mas mesmo assim, por se tratarem de duas linguagem distintas e que empregam métodos e dinâmicas diferentes, o trabalho audiovisual ainda não é capaz de substituir a contento a leitura do texto impresso.

Desse modo, os estudantes que acreditam que assistir a um filme baseado em um livro substitui a leitura da obra escrita estão equivocados. Mas não são poucos os alunos que, infelizmente, preferem viver apenas no irreal mundo dos enganos que parecem verdade.

domingo, 14 de junho de 2009

CINEMA MARANHENSE


ENTRE O RISO E O PRANTO

José Neres

A produção cinematográfica maranhense em média e longa metragem é, além de pequena, pouco divulgada. Por isso não deixa de chamar a atenção quando um jovem e talentoso cineasta como Cícero Filho consegue ter seus trabalhos divulgados além dos restritos círculos dos amantes da sétima arte e atinge outras camadas sociais com obras que não estejam ligadas à poderosa e praticamente imbatível indústria do entretenimento de massa.

Em um artigo publicado em O Estado do Maranhão, Joaquim Haickel, um de nossos premiados intelectuais voltados para as artes cinematográficas, rende-se, mas sem deixar de lado o rigor crítico, ao hoje bastante conhecido, visto e até pirateado “Ai, que vida!”, uma interessante comédia ambientada no eixo Piauí-Maranhão. O filme proporciona boas gargalhadas a quem se deixa levar pelas ironias do roteirista-diretor, pelas hilariantes caretas do prefeito e pela interpretação leve e até mesmo ingênua dos atores, que, mesmo dentro de um evidente amadorismo, esforçaram-se por fazer um trabalho que primasse pela qualidade possível dentro dos limitados recursos humanos e financeiros que ficam evidenciados na produção.

Mas a intenção de “Ai, que Vida!” vai além do riso fácil. Quem prestar atenção aos diálogos perceberá o tom crítico que permeia grande parte do filme. Na tela há um verdadeiro desfile de tipos humanos que não são apenas elementos de ficção, mas sim figuras encontráveis em qualquer noticiário ou mesmo em um rápido passar de olhos nas periferias de nossas cidades.

O sucesso da comédia alavancou a busca por outras produções do mesmo autor. Não é difícil, agora, no comércio informal, encontrar cópias de “Entre o Amor a Razão”, uma história capaz de levar as pessoas mais sensíveis às lágrimas e/ou a um profundo sentimento de revolta por causa das injustiças sociais descritas em aproximadamente uma hora e meia de projeção.

A miséria é a personagem invisível que permeia todo o filme. Ao lado de breves sopros de esperança, temos um vendaval de situações adversas a açoitar uma família unida pelo amor, mas irremediavelmente atolada em um charco de lama que sufoca quem tenta dele escapar. As sucessões de cenas trágicas deixam o espectador atormentado e sem esperança de um final feliz que lembre a velha história do “e foram felizes para sempre”.

Mesmo com o evidente intuito de levar as pessoas à catarse, Cícero Filho não deixa de lado seu tom irônico e os diálogos que destilam críticas sociais. Fica evidente no decorrer do filme que o que arrasta Cláudia, Elizeu e suas crianças para os pontos mais degradantes da existência humana não é apenas a óbvia constatação da pobreza econômica de uma região, mas também a falta de vontade política em resolver ou pelo menos amenizar os problemas de um povo sofrido. Possivelmente, uma das razões do sucesso de Cícero Filho é sua capacidade de dar, em suas produções, um pouco de voz a um povo que tanto sofre na mudez de uma dor que sufoca até mesmo os menores soluços de angústia.

Filmes como “Ai, que Vida!” e “Entre o Amor a Razão” servem para que as pessoas possam ver uma realidade que nos é tão familiar, mas para a qual não titubeamos em fechar os olhos ou virar o rosto. Pelo menos, no cinema ou na tela da TV, entre uma gargalhada e uma lágrima escorrendo pela face, não fechamos os olhos para essas tristes verdades.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

OCUPADO

Como ando meio ocupado, não estou alimentando o blog com a mesma frequência. Em breve, porém, voltarei a postar novos textos. Por enquanto, deixo a meus poucos, mas importantes leitores, essa canção dos Paralamas do Sucesso, que reflete muito bem meu momento atual.

CAPITÃO DA INDÚSTRIA

Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

Eu acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar


Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que passa
E polui o ar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas

domingo, 24 de maio de 2009

BIOQUE MESITO


Com este artigo, iniciaremos uma série sobre os poetas maranhenses contemporâneos. Esperamos que um dia falar sobre literatura seja algo comum em nossa mídia. Mas enquanto isso não acontece, vamos tentando fazer a nossa parte.


POETAS DE HOJE: BIOQUE MESITO

José Neres

Quando Fábio Henrique Gomes Brito resolveu separar e depois juntar letras finais de seu nome de batismo, veio à luz o pseudônimo de Bioque Mesito, o autor de A inconstante Órbita dos Extremos (2001) e A Anticópia dos Placebos Existenciais (2008), ambas obras premiadas em concursos literários.

Mais preocupado mais com a essência poética do que com a mera forma do poema, Mesito transita livremente entre os versos soltos e a experiências com a linguagem e com as formas. Em muitos casos, o poeta utiliza-se de recursos gráficos e das associações entre imagens e palavras para transmitir suas ideias, suas críticas e suas impressões sobre o mundo. Isso pode causar estranheza a quem esteja acostumado tão somente com poemas rimados e metrificados com o rigor.

Como pode ser visto desde a escolha das palavras que dão nome aos livros, o interesse do poeta não é fazer poemas narrativos nem de críticas sociais explícitas a cada verso, embora o tom crítico seja visível em muitos momentos dos livros. O interesse maior da poesia de Bioque Mesito é a inquirição do humano, sem se preocupar, porém, em trazer respostas prontas, acabadas e definitivas. Na leitura dos poemas, é possível perceber-se que o eterno questionar(-se) a respeito do mundo ocupa um espaço significativo no estro do poeta. O aparente tom de confissão que permeia grande parte dos textos nem sempre está relacionado ao homem que escreve os poemas, mas, sem dúvida, está se dirigindo ao Homem, visto como entidade universal.

É possível identificar na poética de Bioque Mesito um olhar sempre atento às mais diversas realidades que circundam o ser humano. Como um flâneur a vagar pela inconsistente certeza das dúvidas, o eu lírico dos poemas afia seu olhar em direção ao infinito e ali vislumbra o vazio de seres anônimos que, ao mesmo tempo, podem ser ninguém ou cada um de nós.

A insatisfação é outro ponto a ser destacado nos poemas do jovem escritor. Ao longo das páginas, o leitor entra em contato com um sentimento de descontentamento com relação a tudo que gira na órbita de um nada que se considera digno de reconhecimento. Dessa forma, uma sensação de que o mundo está desconsertado, tão evidente em Camões, Drummond e em outros poetas de grande nível, volta remodelada nas palavras de um homem/poeta que demonstra estar insatisfeito até mesmo com a própria insatisfação, como se pode ser visto nos versos finais do livro de estréia de Bioque Mesito, quando traduz como queria que seu último poema fosse: “suave como borboletas/ no cio/ metade eterno por todo tempo/ metade eterno por insatisfeito.”

A obra de Bioque Mesito não exige uma leitura atenta e livre de preconceitos relativos à forma, às temáticas e às construções nem sempre comuns. As palavras espacializadas à Maiakovski podem até espantar um leitor pouco afeito aos versos menos tradicionais, contudo, em uma leitura mais atenta, ninguém poderá negar o belo trabalho que o poeta faz com a linguagem, em busca da essência humana que só a arte é capaz de traduzir.


domingo, 10 de maio de 2009

NOSSA LÍNGUA...

PALAVRAS MUTANTES

José Neres

Em uma época quem que mutantes invadem as telas das tevês e dos cinemas e inundam o imaginário de jovens e adultos com a ilusão de poderes além dos limites humanos, a maioria das pessoas, no afã de acompanhar as milionárias produções cinematográficas, esquece-se de que todos nós passamos por pequenas mutações no corpo, no vestuário, nos tratamentos cotidianos e, principalmente, na linguagem.

Uma língua é um elemento vivo que também evolui e que se transforma a cada minuto. Palavras e expressões que marcam uma geração podem facilmente ser esquecidas na década seguinte. Algumas pessoas se espantam com a velocidade com que o idioma assimila alguns vocábulos e com sua tendência a descartar elementos linguísticos que, à primeira vista, pareciam eternos e imunes às mudanças.

Mesmo que cause estranheza, essa evolução da língua é parte da eterna necessidade de renovação a que todos estão irremediavelmente atados. Não se trata, portanto, de dizer que uma língua está sendo destruída por seus falantes atuais ou que as “pessoas de antigamente” tinham mais cuidado com o vernáculo, ou, pior ainda, de preconizar que “os jovens estão matando o idioma” cada vez que falam. O que há, na verdade, é uma adequação da linguagem a uma época é às situações impostas pelo próprio cotidiano.

No entanto, mesmo as pessoas que tentam não recender um ranço de passadismo se veem vez ou outra espantadas com a mutação de algumas palavras que circulam com desenvoltura no vocabulário atual. Em alguns casos, o significado da palavra mutante em nada lembra a essência do estágio anterior da língua. Dessa forma, as mutantes citadas a seguir podem causar estranheza a quem não observe com cuidado as falas que ecoam nas ruas, nos shoppings e até nas escolas, mas já são bastante familiares aos ouvidos de todos nós.

O conhecidíssimo ato de NAMORAR de forma descompromissada teve diversas modificações e hoje pode ser encontrado na forma de FICAR, de PEGAR, de PASSAR O SAL e até mesmo de um estranhíssimo ESPOCAR, que suscitam frases interessantes como: “Estou espocando uma mina de tua rua” ou “Já passei o sal em tua prima”. Tudo muito romântico!

O sempre educado DESCULPE-ME está praticamente fora de uso e em seu lugar surge o enigmático FOI MAL, quase sempre dito de modo vago e com uma entonação arrastada que se prolonga no vazio do tempo.

Outra palavra que vem perdendo terreno no dia-a-dia é OBRIGADO, que, depois de décadas e mais décadas brigando para ter sua forma feminina usada de acordo com a norma culta, agora se vê definitivamente sufocada pelo sisudo VALEU.

Estruturas solidificadas como TCHAU, ATÉ LOGO, ESTOU INDO e VOU-ME EMBORA praticamente fundiram-se em uma forma extremamente contraditória e direta. Um simples, rápido e sintético FUI resolve todos os problemas sem precisar de explicações ou das convencionais despedidas.

Atualmente, poucos são os que convidam os amigos para um ANIVERSÁRIO, pois é mais prático convidá-los para o NÍVER, de preferência com poucas pessoas, para evitar gastos desnecessários e com uma vela em forma de interrogação, para preservar a discrição sobre a idade do dono da festa.

Alguns pequenos cacoetes da fala não se contentaram com as visíveis mutações, mas também se acasalaram e trouxeram à luz o famigerado TIPO ASSIM, que nada acrescenta à praticidade discursiva, mas que serve para enfeitar o vazio conteudístico de tanta gente que adora falar, mas que pouco tem a dizer.

A relação poderia se estender por páginas e mais páginas, pois em uma era de comunicação instantânea em que primos viram plimos (ou pliminhos) na internet, mutações como V6 (vocês), 4ever (do inglês forever/para sempre), ctz (com certeza) e qq (qualquer) começam a fazer parte do cotidiano dos falantes da língua e tendem a evoluir para outras formas ainda mais cifradas. Resta então a cada pessoa aprender a conviver com esses mutantes de maneira harmônica ou então viver em um quase isolamento lingüístico.

Um detalhe: não adiante abrir guerra contra os mutantes. Eles geralmente são bastante fortes e têm o poder de fazer parecer que tudo está como sempre esteve. Aparentemente, nada muda dentro da mudança eterna.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

LEITURA LEITURA E LEITURA


LEITURA COM CASTIGO

José Neres



É, infelizmente, uma constante em algumas escolas, quando um aluno, ou mesmo uma turma inteira, não se comporta de acordo com os ditames da instituição, que professores, coordenadores e até mesmo membros do corpo diretivo imponham uma penalidade a quem não esteja encaixado nas normas pré-estabelecidas.


As sanções são as mais variadas e vão desde advertências verbais até a expulsão sumária, passando por outras medidas corriqueiras, como exclusão do aluno da sala de aula, suspensão por determinado período ou até, por mais absurdo que pareça, castigos físicos. Contudo uma das punições mais corriqueiras e aparentemente sem grandes proporções é a que mais chama a atenção, por sua discutível aplicabilidade como método educativo: obrigar o educando a ler um livro ou a escrever uma redação como forma de castigo.


Ora, um dos papéis dos educadores, em todos os níveis de ensino e fomentar nos alunos a ideia de que ler é uma espécie de passaporte para a independência intelectual. Quando alguém é alfabetizado e consegue sair do simples decifrar de palavras para alcançar a dimensão do entendimento global dos textos e da realidade circundante, adquire uma poderosa ferramenta capaz de fazer da pessoa um cidadão mais cônscio de seus direitos e deveres. A produção escrita, por sua vez se transforma em um excelente mecanismo de divulgação das próprias ideias, seja para um grupo restrito, como na produção de cartas e pequenos documentos, seja para um público mais amplo, como ocorre nos escritos de cunho científico ou artístico ou ainda na divulgação de textos via internet.


Mas, impondo a leitura e a escrita com forma de castigo, qual a mensagem subliminar que a instituição escolar passa para seus educando? Agindo dessa forma, qual o incentivo que a escola deixa para o estudante que passa a ver nas palavras escritas um grande inimigo e não um aliado que irá acompanhá-lo ao longo de toda uma vida? Quantos alunos se sentirão inteiramente à vontade com um livro nas mãos enquanto as imagens de castigos antigos e recentes ainda fazem parte de suas mais traumáticas lembranças?


A escola, bem como a família e a sociedade em geral, têm a obrigação de fazer o possível e até o impossível para transformar meros frequentadores de aulas em leitores proficientes e capazes. Não pode ser negado ao educando o direito de caminhar com as próprias pernas e de seguir pelas tortuosas estradas da vida guiado pelo mapa das palavras escritas, com caminhos iluminados pelo farol do conhecimento adquirido após anos de estudos sistemáticos e pavimentados ao prazer das leituras escolhidas pelo próprio indivíduo, quando a passagem pelas salas de aula tiver se tornado uma doce lembrança dos bons tempos de aprendizado.


A leitura e a escrita devem virar fonte de aprendizagem e de prazer. Cada página deve ser devorada com a ânsia de saber o que virá a seguir. Casa palavra escrita deve trazer a essência de quem muito transpirou para transformar ideia, conhecimento e emoções em palavras que traduzam o que o autor sente ou sentiu. Claro que o papel da escola não é o de transformar todos em grandes escritores, mas nada impede que ela ofereça a todos os instrumentos necessários para o aluno pelo menos sonhar com isso.


No entanto, enquanto perdurar a concepção arcaica de que é possível castigar um aluno pondo a sua frente um livro para ser lido ou uma folha de papel em branco da qual sairá um texto, a educação com finalidade qualitativa e não apenas quantitativa estará sempre prejudicada e todos nós sairemos dessa árdua batalha pelo sucesso educacional como grandes perdedores.

domingo, 19 de abril de 2009

O DESEJADO




O desejado

José Neres


A meu amigo

e grande ator

Júlio César


A obsessão de um fazendeiro em encontrar um boi encantado e as consequências que podem advir de uma série de atos insanos servem de mote para a peça teatral O DESEJADO, que esteve em cartaz em nossa cidade neste fim de semana.

Com texto, muito bem adaptado, da obra do piauiense Francisco Pereira da Silva e uma direção segura e competente do conhecido ator César Boaes, a peça bafeja ares das grandes tragédias gregas e levanta questões que vão muito além de uma leitura superficial. O diretor e os atores foram felizes na simplicidade do cenário – uma boa amostra de que talento e criatividade podem suplantar possíveis dificuldades financeiras – e demonstraram segurança nas falas, com pouquíssimos momentos de vacilo, contudo, mesmo nesses raros momentos em que o texto pareceu engasgado na garganta ou na memória, todos souberam se portar com grande maestria.

Quem separou um espaço na agenda neste fim de semana para ir ao teatro certamente não se arrependeu e, sem dúvida, se divertiu e se emocionou bastante com a saga do patriarca que destroi bens e família em busca de uma quimera em forma de um temível boi bravo.

Para completar o espetáculo, a leveza da representação e as sutilezas cênicas foram trabalhadas de forma séria e lírica ao mesmo tempo, sem perder o foco do texto original e mesclando com equilíbrio os momentos trágicos e os cômicos.

Finalmente, como é bom ver pessoas de todas as idades no teatro em um finalzinho de domingo! Como é bom ver crianças, jovens, adultos e idosos lado a lado aplaudindo com as mãos e com o coração nossos talentosos atores e nosso inspirado diretor.

Aplauso a todos. Ao público pela escolha... e aos artistas, por oferecerem aos presentes um espetáculo de qualidade. Aplausos, aplausos, aplausos...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

MESTRE ANTÔNIO VIEIRA


VIEIRA: UMA VOZ, UM SILÊNCIO
José Neres



Fim de tarde. O Centro Histórico de São Luís começa a mudar de feição. Aos poucos, saem de cena os apressados homens de negócio e começam a desfilar pelas estreitas calçadas pessoas que aproveitam os últimos raios de sol para por a conversa em dia, sem preocupação com o correr dos ponteiros do relógio ou com as incertezas do amanhã. Nessa pequena multidão de amantes do por-de-sol do Centro Histórico há homens comuns, mulheres comuns, estudantes, poetas, desocupados e tantas outras pessoas. Mas um frequentador daquele ambiente de pura nostalgia poética chamava a atenção: um homem magro, negro, firme e singelo como sua própria história de vida carregava rumo à Banca do Dácio seu sorriso, seus “causos”, sua música e sua poesia. Seu nome era – e será para sempre – Antônio Vieira...

Mas não era apenas mais um Antônio ou mais um Vieira cercado de gente em uma praça que respira lembranças “dores e saudades”, era, sim, o Mestre Antônio Vieira, um homem que soube transformar palavras simples em versos carregados de poesia e de musicalidade. Talvez nem todos os transeuntes e freqüentadores habituais da Praia Grande tenham aproveitado a presença daquele homem que guardava em sua memória quase nove décadas de experiência, de alegrias e de atribulações, mas que geralmente guardava para si os momentos difíceis, para dividir com os amigos, companheiros ou meramente conhecidos a lucidez de seu sorriso tímido e generoso.

Como todo bom artista popular, Antônio Vieira tirava do cotidiano, de sua própria vivência de mundo e de situações aparentemente banais o motivo para suas composições. Como uma espécie de Midas pouco interessado em ouro, mas ávido de acordes e de musicalidade, o compositor maranhense transformava em versos, sons e ritmo aquilo que para pessoas comuns podia ser apenas mais um acontecimento. Desse modo, uma garota de cabelos crespos que manda alisá-los para depois pô-los no rolo se transformou no antológico “Na cabecinha da Dora”, uma receita caseira para melhorar o ânimo e ao mesmo tempo perfumar o corpo aparece na forma de “Banho Cheiroso” e os conselhos para um amigo que andava triste sem saber o que fazer da vida se metamorfosearam no conhecidíssimo “Tem quem queira”, a mais conhecida das músicas do saudoso Mestre.

Ao longo de aproximadamente setenta anos de vida artística, Vieira compôs mais de trezentas músicas, escreveu um livro de contos, cantou em parceria com diversos grandes nomes da MPB e da MPM, foi homenageado e reverenciado por inúmeras personalidades, mas, em sua simplicidade de homem do povo, não tentava esconder os percalços por que passou até ter seu nome projetado nos palcos do Brasil.

Pode-se ler, ouvir ou cantar a obra de Antônio Vieira por simples diversão ou para assimilar um pouco da espirituosidade de um homem que não teve vergonha de dizer que cometeu muitos erros, como pode ser visto em “A Pedra Rolou”, na qual, em tom confessional, ele declara: “eu também rolei no tempo / e ele muito me ensinou / o mundo rola no espaço / e também muito melhorou / e eu fui rolando com ele / e ele me desarestou”. Em outra música, como máximo de sua simplicidade vestida com a túnica da picardia, desejava transformar-se em uma cocada para adoçar a boca de “mulatas e loiras / morenas e negras”.

Hoje aquela cadeirinha da Banca do Dácio está vazia. O velho poeta já não conta seus infinitos “causos”. Quem pôde aproveitar alguns momentos da companhia do Mestre há de guardar na lembrança para sempre aquele sorriso meigo e aquela imagem de quem tanto demonstrou amor pela música e por sua terra natal. A pedra rolou, o tempo passou, Mestre Antônio Vieira Morreu, mas sua música ficou. Ficou nos Cds, na TV, em nossos ouvidos e até no silêncio da despedida.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

UM ARTIGO SOBRE MEU TRABALHO


É sempre bom tratar com pessoas inteligentes e estudiosas. Recentemente, a convite de minha estimada colega e amiga Honorina Carneiro, fui ministrar um curso de História Literária. Chegando ao local, deparei-me com algumas pessoas com quem havia perdido o contato e com outras com as quais o contato se iniciaria naquele exato momento. nesse último grupo estava a professora Iole Cutrim, que, como deve acontecer com todos os profissionais que se prezam, estava inscrita no curso para aprimorar seus conhecimentos.

Boa leitora e dona de um um bom cabedal de leitura, Iole colaborou ativamente com cada momento da disciplina e, ao final, quando foi pedido o último trabalho, resolveu escrever sobre minha modesta criação literária. repoduzo aqui, com todos os agradecimentos possível o texto de Iole Cutrim, um bom exemplo de sagacidade e acuidade leitora.


ACERTANDO AS CONTAS
Iole Cutrim Costa
(Professora da Rede Estadual de Ensino/Pós-Graduanda em Língua portuguesa e Literatura Brasileira pelo IESF)



Todas as vezes que temos necessidade de expor nossa opinião sobre qualquer assunto temos muitas dificuldades, mas quando vamos falar do que gostamos de verdade somos exagerados e nem um pouco modestos.Por isso falar de um escritor de que gosto na atualidade me faz ficar inundada de emoção, resolvi então desenvolver o meu trabalho em cinco tópicos:

Nunca tinha vivido uma experiência tão inusitada como esta de ser aluna de um escritor, por isso quando ele pediu que fizéssemos um trabalho para fechar a disciplina resolvi falar sobre ele, um Homem/Escritor ou um Escritor/Homem,é difícil separar um do outro, assim como é difícil fazer uma única análise de suas obras. Em 50 pequenas traições, por exemplo ele usa o humor para tratar das questões que envolvem os relacionamentos, por isso o leitor tem emoções diversas ao ler as abordagens feitas por ele,sem contar que a brevidade dos textos possibilita uma leitura agradável.


Então o que falar do estilo do meu agora escritor predileto: acho que ele é intenso quando escreve crônicas, poesias ou simplesmente retoma temas abordados ao longo dos anos na literatura, ou ainda dizer que dos Restos de Vidas Perdidas, dos Epigramas de Artur, com pitadas de 50 Pequenas traições, ou ainda relatos de um Montello: o Benjamim da Academia”,são textos e pretextos que traduzem a essência de um escritor Maranhense que deixa sua marca nos anais da literatura e prende a atenção daqueles que tem a sorte de ler seus escritos.


Realmente estou impressionada com acabei de ler, Os Epigramas de Artur e me veio à mente o seguinte pensamento: é uma obra Dinoneriana ou Neresdiniana,adorei os comentários dos Epigramas, preciso agora ler Estratégias para Matar um Leitor em Formação, com certeza em mim terá o efeito contrário.


Espero que em um futuro próximo a arte de escrever seja valorizada e que um escritor seja reconhecido em vida, afinal escrever não é nada fácil,ainda mais quando se desnuda os sentimentos ocultos e somos desmascarados,pois dentro de cada um de nós existem desejos que teimamos esconder-se. O livro Restos de Vidas Perdidas não poderia ter outro nome pois o autor ironicamente antes de cada crônica noticiada, escreve fragmentos de leis, salmos e dizeres que deveriam sair do papel e postos em prática. Os temas lidos no sumário nos dão a falsa idéia de que leremos algo singelo,entretanto, quando folheamos o Álbum de Recortes e desamarramos Os Laços de Família temos sede de Um Acerto de Contas, sem arrependimentos, sentimos o Inebriante Cheiro de Cola, que esconde o bom moço, Entre Paredes, da loucura, que deixa A marca de um beijos como a Vingança de uma Crônica de um futuro anunciado.

domingo, 5 de abril de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

UM ADEUS

O ÚLTIMO ATO
José Neres




A vida é uma grande peça de teatro com múltiplas personagens, cenários infinitos e um texto às vezes longo, às vezes curto, mas sempre cheio de surpresas. Porém, por melhor e mais cheio de peripécias que seja o enredo, ele sempre assume contornos de tragédia nas cenas finais. Ou pelo menos de um drama sempre esperado, mas, sempre que possível, protelado.


Não. Não estou escrevendo sobre teatro, mas sim sobre um homem que trazia o teatro no coração. Escrevo sobre uma pessoa que durante sua não muito longa vida representou diversos papéis, sempre com a devida competência. Quase sempre era professor, mas também era excelente cozinheiro, talentoso ator, competente diretor teatral e, principalmente, um amigo sempre bem humorado e cheio de frases de efeito e de palavras que alegravam a todos.


No dia dezenove de março, nosso amigo Antônio José Moscoso Maia terminou a última cena do último ato de sua vida. Foram tantos atos, tantas cenas, tantos momentos em tantos cenários que nem mesmo ele seria capaz de lembrar-se de todos eles.


Moscoso era uma pessoa tão especial que mesmo na ausência estava presente. Inúmeras vezes ele não pôde comparecer a algum evento. Contudo, nós, seus amigos de todas as horas, nos divertíamos contando ou recontando muitos de seus casos, quase sempre hilariantes. Mas havia a certeza de que horas depois ele também estaria gargalhando conosco. Hoje essa certeza acabou.
Seus chistes, suas tiradas, suas brincadeiras e seu jeitão estabanado, seus indefectíveis

suspensórios e, infelizmente, suas constantes baforadas de cigarro eram suas características mais comentadas. No entanto, ele era bem mais que esses meros detalhes. Era um ser humano capaz de sofrer com o sofrimento dos amigos e incapaz de dividir as próprias dores, para não preocupar quem estivesse a seu lado.


Moscoso era um homem gentil vestido com uma invisível capa de sisudez que só enganava quem não tinha coragem de se aproximar para aproveitar o bom-humor que emanava de suas incontáveis histórias.


E tais histórias agora serão recontadas por nós que ainda estamos atuando em nossas peças individuais. E elas irão ecoar ainda por muitos e muitos anos em nossas conversas, em nossas lembranças.


Nesta última cena, quando o som cavo da terra ecoa na lápide e quando o silêncio só é quebrado pelos soluços de saudade, não há risos nem palmas, há sim, saudade, muitas saudades, infinitas saudades!

quarta-feira, 18 de março de 2009

PEQUENA CRÔNICA


AULA...
José Neres


A todos os meus colegas professores e
aos dois ou três seres estranhos que teimam em aprender
.




A aula começa. Toca um celular. Uma revista da Avon passa de mão em mão. As conversas são postas em dia. Um rapazinho conecta o fone de ouvido a seu mp4 e relaxa ao som de sua música preferida. Tudo é tão importante! Tudo é tão mais importante que o assunto da aula!... Tudo é tão mais importante que o conhecimento!... Diante da turma apática para o saber, o professor, num monólogo sem interlocutores derrama seu tão suado conhecimento para dois ou três seres estranhos que teimam em aprender.

Já foi feita a chamada? Olhos seguem atentamente os ponteiros do relógio. Uma mensagem é enviada para o namorado. Vou sair mais cedo. Vem me buscar. Te amo. Para prazer do mestre, as duas ou três figuras estranhas fazem algumas perguntas pertinentes ao assunto. Algumas questões são bem inteligentes, outras nem tanto, mas pelo menos servem para tirar do ar aquele ranço de monólogo.

O ônibus vai passar... A chamada ainda não foi feita... Acho que minha namorada já está lá embaixo me esperando... O pobre professor, com o olhar perdido, busca o brilho do entendimento nos olhos dos alunos, mas só encontra o opaco cinza da indiferença. Olha para o relógio e vê que o tempo passou. Olha para a turma e sente que seu tempo passou. Olha para o mundo e vê que os tempos mudaram...

Fim de horário. Metade da turma já está longe. A outra metade se prepara para não utilizar aquilo que não quis aprender. Todos nadam contra a correnteza do saber, buscando como tábua de salvação um diploma inflado com a certeza do nada ser.

Amanhã teremos outra aula...

domingo, 15 de março de 2009

UMA ENTREVISTA

Poucos minutos atrás, eu estava apagando alguns arquivos antigos do computador, quando encontrei uma entrevista cujas perguntas me foram enviadas por e-mail por alunos de uma das muitas escolas de nossa Capital. Os alunos, educadamente, pediram-me que respondesse às questões, de preferência no mesmo dia, mas não disseram qual a escola em que estudavam. Também apenas se identificaram com o primeiro nome. Ao abrir a caixa de mansagem, às 22:00 horas, deparei-me com as perguntas e, como era caso de "extrema urgência", respondi na mesma hora. Nunca mais entraram em contato para comunicar qual foi o resultado da atividade, mas pelo menos enviaram um outro e-mail agradecendo.


Como disse no início, eu ia apagar a esntrevista da memória do computador... Mas resolvi postá-la aqui para eum tiver paciência para lê-la.




1-Você nasceu em qual cidade?

Nasci na cidade de São José de Ribamar, no dia 17 de fevereiro de 1970. Com alguns dias de vida, fui levado para Brasília e, depois, para Goiás, onde praticamente fui criado, na cidade de Luziânia, bem próxima a Brasília.

2-Quando você se descobriu poeta?

Para ser sincero, eu nunca me descobri Poeta, nem mesmo me considero poeta, mas sim apenas alguém que vez ou outra tenta fazer alguns versinhos. Mas tenho uma excelente relação com a poesia, ela me ajuda a entender o mundo, ou pelo menos tentar.

3-Você tem livros lançados? Quais são?

Tenho oito livros publicados. O nono sairá no dia 10 de outubro na II Feira do Livro de São Luís. Os títulos são (1) “Negra Rosa & Outros Poemas”, que é o primeiro e que tem duas edições esgotadas; (2) “A Mulher de Potifar”, reunião de duas peças teatrais de minha autoria; (3) “Versos de Desamor”, um pequeno livro que trazem poemas sobre desilusões; (4) “Estratégias para Matar um Leitor em Formação”, livro de caráter mais pedagógico que discute o papel da escola na formação de leitores; (5) “Restos de Vidas Perdidas”, um conjunto de contos que mostram a crua realidade das pessoas; (6) “50 Pequenas Traições”, contos bem cursos sobre adultérios em todos os sentidos. Além desses seis individuais, há mais dois me parceria com o escritor e amigo Dino Cavalcante, a saber: (7) Os Epigramas de Artur, um estudo sobre a poesia de Artur Azevedo; e “O Discurso e as Idéias”, coletânea de estudos sobre literatura e linguagem em geral.
Participo também de umas nove antologias fora do estado, escrevi aproximadamente uns 100 (cem) artigos para jornais e revistas
O nono livro a ser lançado se chama “Montello: o Benjamim da Academia”, um estudo sobre os bastidores da eleição de Josué Montello para a Academia Brasileira de Letras, em 1954.

4-Você já participou de festival de poesia. Se sim, obteve êxito ?

Nos moldes desses que temos no Maranhão, o Poemará, nunca participei, por ser tímido e por não concordar com o tipo de proposta que é apresentada. Mas já participei de Concurso e fui premiado no Rio de Janeiro (editora Litteris), no Rio Grande do Sul (Instituto da Poesia Internacional), Aqui no Maranhão (Prêmio Odylo Costa Filho, de contos) e novamente no Rio de Janeiro (Academia Brasileira de Letras)



5-Você se classifica um poeta contemporâneo(em sua forma de escrever)

Como disse antes, não me considero poeta. Mas quando escrevo poemas não sigo muito as normas da contemporaneidade. Ainda gosto dos versos metrificados, dos sonetos, dos Hai-cais e das estruturas mais tradicionais. Porém, quando escrevo contos, sigo a linha contemporânea, seguindo o estilo de Rubem Fonseca, Dalton Trevisan e Marcelo Rubem Paiva.



6-Qual o poeta maranhense o inspirou?

Gosto de ler todos os poetas, não só os maranhenses. Mas não tenho como negar a importância da obra de Ferreira Gullar em minha formação intelectual. Li tudo o que ele escreveu. Outros nomes a quem sempre recorro são José Chagas (paraibano que adotou o Maranhão), Bandeira Tribuzi e Nauro Machado.



7- A escola de poetas maranhenses esta com uma (safra) boa?

O Maranhão, atualmente, não tem uma “escola de poetas”, mas a safra de novos escritores é boa. Temos sempre novos nomes surgindo e alguns sobreviverão pelo talento nato e pelas releituras que fazem das obras de diversos escritores. Bons exemplos disso são Rosemary Rego, Antônio Ailton, Ricardo Leão, Bioque Mesito e outros...

8-São Luis ainda é a “Atenas brasileira”?

Não. Isso é coisa de um passado nostálgico e nem teria mais sentido hoje. O mundo e diferente, bastante globalizado, sem espaço para essa denominação.

quinta-feira, 5 de março de 2009

MULHER MODERNA DESEJA



Minha homenagem a todas as mulheres




MULHER MODERNA DESEJA...


José Neres


Neste mês de março, quando se comemora uma data especialmente dedicada à Mulher – talvez uma forma de esconder os séculos e mais séculos de opressão, de desrespeito e de preconceito para com o sexo feminino – ela, a Mulher, sem deixar de cuidar da família, sem descuidar da aparência nem do intelecto, e sem abdicar de sua sensibilidade e de sua atenção aos mínimos detalhes do mundo que a circunda, pode finalmente expor seus anseios e desejos.
Desse modo, a mulher moderna deseja:
1. Um companheiro de mãos firmes e fortes, que faça uso de sua força não para torturas e espancamentos, mas sim para ajudar nas tarefas do lar e, nos momentos mais íntimos, transformar a força em suaves carícias.

2. Pernas fortes e delineadas, não para mera satisfação visual dos homens, mas como forma de sustentar-se nas longas jornadas de mãe, esposa e profissional, que muitas vezes exigem horas e mais horas de árduo trabalho, de luta incessante por um futuro melhor.
3. Uma educação de qualidade, que sirva como passaporte para a independência intelectual, profissional e financeira, para não precisar depender do dinheiro do companheiro que, em muitos casos, só aparece à custa de muita humilhação.

4. Amigos e amigas sinceros que saibam ouvir queixas, consolar em momentos de tristeza, oferecer o ombro e enxugar lágrimas, mas que também saibam sorrir, dar uma amistosa bronca quando necessário e dizer verdades que só podem ser ditas a quem se ama.
5. Sucesso profissional, não como boba competição com os homens, mas como afirmação de que competência não distingue raça, credo, idade, nem sexo.

6. Felicidade. Mas não a felicidade egoísta que visa apenas ao bem próprio, mas que fica alheia ao bem comum. A Mulher moderna sabe que a felicidade não é totalmente aproveitada se o que impera é a certeza de que todos a seu redor sofrem.

7. Harmonia familiar, pois os problemas familiares são grandes entraves na busca de uma vida tranquila e feliz. Nenhuma mulher se sentirá totalmente feliz sabendo que seus entres queridos sofrem ou que não estão bem.
8. Fim da violência em todos os níveis. Há a consciência de que as guerras, os conflitos urbanos e as inúmeras torturas domésticas são cânceres sociais que corroem a vida de todos e só trazem dores e sofrimentos a todos, homens e mulheres, indistintamente.

9. Um futuro melhor e mais digno. Todos sabem que os momentos são efêmeros e que a alegria de hoje pode ser a lágrima de amanhã, por isso a Mulher consciente de sua condição de cidadã do mundo pensa também no uso responsável do meio ambiente, na preservação dos espaços comuns e planeja um mundo cada vez melhor. Hoje somos nós que ocupamos este espaço, amanhã ele será de nossos filhos. E todos querem o melhor para sua prole, hoje e sempre.

Mas, acima de tudo, nessa nova era, a Mulher moderna não só deseja, como também exige de toda a sociedade algo primordial: respeito. Respeito em todos os sentidos e de todos os modos, pois, sem o mínimo de respeito não vale a pena sacrificar-se tanto pelo bem de toda a humanidade.