
domingo, 25 de outubro de 2009
7ª SALIMP

sábado, 17 de outubro de 2009
SUGESTÕES DE LEITURA
CINCO OBRAS ESSENCIAIS
José Neres
No Maranhão há, apesar das precárias condições de divulgação e de um quase inexistente sistema de distribuição, uma boa quantidade de obras publicadas anualmente. Além da produção de trabalhos de cunho poético ou ficcional, temos também autores que se dedicam às pesquisas e que aquecem nosso combalido mercado editorial com livros que em muito contribuem para a formação intelectual das gerações vindouras e para aplacar a curiosidade intelectual de quem se dedica a garimpar estudos de qualidade nas estantes de sebos e livrarias.
Infelizmente, nem todas as obras recebem o destaque merecido e algumas acabam caindo no ostracismo. Destacamos a seguir cinco livros que foram lançados nos últimos anos e que formam um paideuma indispensável a quem se dedique aos estudos das letras maranhenses. Todas são obras que ainda podem ser encontradas à venda e que em muito podem contribuir para a compreensão de nossas letras.
1. Dicionário Histórico e Geográfico do Maranhão, de César Augusto Marques – na primorosa edição de Jomar Moraes – Na condição de editor, Jomar Moraes poderia simplesmente reeditar o livro, mas o inquieto espírito do pesquisador foi muito além e não só corrigiu alguns detalhes das edições anteriores, como também ampliou verbetes e atualizou dados, aumentando em muito o valor documental da obra.
2. O Senhor Antônio Lobo: A Fogueira da Agonia, de Carlos Gaspar – Antônio Lobo é um dos mais importantes intelectuais maranhenses das primeiras décadas do século XX e um dos principais nomes de nossa produção intelectual em todos os tempos. No entanto, essa importância há muito tempo ao s traduzia em forma de um trabalho de grande monta que resgatasse a polêmica e instigante figura do homem que até hoje é sinônimo da Academia Maranhense de Letras. Carlos Gaspar, em um livro muito bem escrito e fartamente documentado, traz novamente à luz a vida e a obra de um pensador que sempre merece ser lembrado.
3. Memória do Teatro Maranhense, de Aldo Leite – O teatro maranhense há muito tempo carecia de um trabalho que resgatasse um pouco de sua história. O professor, dramaturgo e ator Aldo Leite se encarregou de dar uma substancial ajuda para os amantes das artes cênicas ao reunir em um livro momentos importantes da dramaturgia maranhense e entrevista com alguns dos mais significativos nomes do teatro maranhense contemporâneo. O livro, que além de um texto fluido, apresenta também grande riqueza iconográfica é, sem dúvida, uma obra indispensável para todos aqueles que queiram compreender os meandros de nossa produção teatral.
4. Operários da Saudade: Os Novos Atenienses e a Invenção do Maranhão, de Manoel Martins Barros – Nesse livro, o autor, mesclando rigor histórico com sensibilidade artística, destrinça para os leitores os bastidores de um momento em que os valores literários maranhenses que não saíram da província ficaram eclipsados pelos importantes nomes que fizeram carreira em outros estados. O autor, usando com maestria os títulos dos principais livros da época estudada, esclarece muitas duvidas a respeito de escritores que, apesar de talentosos, ficaram esquecidos até mesmo na própria província de origem.
5. Memórias e Memórias Inacabadas, de Humberto de Campos – Recentemente reeditado pelo Instituto Geia, o livro de memórias do grande cronista maranhense há muito tempo pedia para voltar às mãos dos leitores. Ao contrário do que se pode pensar em um primeiro contato com o título da obra, não se trata de um livro de um homem que olha para si mesmo e se esquece do mundo ao seu redor. Em verdade, o que é uma abordagem bastante crítica e pessoal de uma época, ressaltando importantes traços das pessoas e do modo de viver do final do século XIX e início do século XX.
Muitos outros livros poderiam ser citados como também essenciais para a (re)descoberta das letras e dos valores culturais do Maranhão, contudo, infelizmente algumas importantes obras estão fora de edição e outras não estão disponíveis no mercado. Mas o importante é que, mesmo com as dificuldades encontradas, a cada ano o número de obras destinadas aos estudos da cultura e da literatura maranhenses cresça.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
ANTÔNIO AILTON
PERAMBULANDO PELAS HABITAÇÕES
José Neres
A geração poética de 90 legou à literatura maranhense grandes nomes que agora, quase no final da primeira década do século XXI, começam a amadurecer seus frutos. Claro que nessa caminhada de quase vinte anos alguns escritores se perderam ou desistiram de continuar na luta com as palavras escritas. Outros, no entanto, apesar de alguns tropeços e percalços, continuaram suas jornadas e começaram a solidificar suas obras e tentam eternizar seus nomes no rol dos talentos maranhenses.
Entre os que não desistiram diante dos obstáculos de publicação, divulgação e promoção de seus trabalhos está o poeta e ensaísta Antônio Aílton, um escritor várias vezes laureado em concursos e que publicou “As Habitações do Minotauro” (2000) e “Humanologia do Eterno Empenho: conflito e movimento trágicos em A Travessia do Ródano de Nauro Machado” e que, após conquistar o prêmio Eugênio Coimbra Júnior, promovido pela Fundação de Cultura da Cidade de Recife, publica também “Os Dias Perambulados e outros Tortos Girassóis” (2008).
O fato de dividir-se entre a criação poética e a crítica ensaística, que poderia trazer problemas para uma pessoa com poucos recursos intelectuais e argumentativos, transformou-se, para Antônio Ailton, numa espécie de arma contra as mesmices literárias. Suas constantes leituras transparecem nas páginas de seus textos e imprimem em cada verso uma dicção própria de quem tem total consciência de seu fazer poético e das conseqüências das palavras impressas no papel. Seus versos não perseguem o lirismo fácil e banal, pelo contrário, estão sempre em busca do inusitado e do aparentemente indizível. Seus poemas não claudicam diante dos obstáculos e seguem em marcha, ora mais lenta, ora mais acelerada, rumo a soluções poéticas que vão além das rimas e da metrificação.
Tendo como amarras o ritmo cadenciado imposto por cada situação e a temática a ser desenvolvida, o eu lírico de Antônio Ailton age como um flâneur vagando em busca de algo desconhecido até para ele mesmo. Nos seus livros, o poeta não pretende encontrar soluções mágicas para os inúmeros problemas do mundo, nem mesmo busca entender ou explicar o que se passa no entorno de suas angústias e observações. Contudo, é exatamente desse constante observar da realidade que o poeta, como um voyeur consciente de que pode perder a visão a qualquer instante, retira a matéria bruta que será lapidada em forma de poema.
Tanto em “As Habitações do Minotauro” quanto em “Os Dias Perambulados e Outros Tortos Girassóis”, tudo parece estranho para o leitor, no entanto, cada verso traz também a sensação do dèja vu, não pelas questões intertextuais que permeiam os versos, mas sim pela certeza de que cada poema, cada estrofe e cada verso falam das dúvidas, da realidade e dos anseios do homem em geral. Os textos rápidos não dão tempo para o leitor respirar e o sufocam cada tentativa de tomar fôlego.
Em suma, os poemas de Antônio Ailton não são feitos para serem lidos por quem busque apenas lirismo e formas bem comportadas, mas sim por quem tenha coragem de perambular por um labirinto de sensações e de palavras e de onde, às vezes, a única saída é enfrentar algumas verdades para as quais fechamos os olhos no nosso dia a dia.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
DATA SHOW

José Neres
A cena pode ser facilmente imaginada. Um auditório lotado. Uma plateia sedenta de informações. O(a) palestrante, geralmente muito bem vestido(a), com um cd ou um pen-drive nas mãos, se aproxima do responsável pelo equipamento de informática. Sorri para alguns conhecidos ocupantes das primeiras filas. Acena para outros que estão sentados um pouco mais distante. De repente, uma informação turva todo o semblante do(a) palestrante: a mídia passada por ele não abriu. Seu arquivo eletrônico tão cuidadosamente elaborado durante horas está comprometido. O que fazer?
Algumas pessoas, diante de tal situação, abrem um belo sorriso e enfrentam o púbico usando o carisma, a voz, o verbo e os conhecimentos adquiridos ao longo de muitos momentos de estudo. Outros, por sua vez, empalidecem e não conseguem nem mesmo sair do lugar. A vista fica turva, a boca parece seca e o mundo começa a girarem sua cabeça. Não haverá possibilidade de haver a palestra. Todo o conteúdo está devidamente arquivado naquela mídia que teima em não abrir. Nem os arquivos, nem a memória funcionam. Tudo acabado. A palestra termina mesmo antes de começar.
A cena acima ilustra muito bem a dependência de algumas pessoas com relação à tecnologia. Há alguns anos, os professores aprendiam nos cursos de licenciatura como utilizar recursos didáticos que, na época, eram bastante avançados, como, por exemplo, álbum seriado, cartazes, mimeógrafos e, em casos extremos, gravadores, videocassete e retroprojetor. Nem se falava ainda em tecnologias que hoje são tão comuns, como laptops, sons digitais, internet e data show, recursos que, sem dúvida, revolucionaram as técnicas de ensino-aprendizagem, mas que também trouxeram alguns vícios para as pessoas que começaram a confiar cegamente na tecnologia como forma de substituir o conhecimento humano.
Em alguns casos, o professor/palestrante nem mesmo se preocupa em estudar o assunto, pois tudo estará escrito nos slides, bastando, portanto, apenas ler o que aparece na iluminada tela com suas letrinhas coloridas e suas imagens animadas. Em um simples clique, até mesmo a pessoa menos habilitada no assunto se sente confiante para enfrentar uma plateia.mas o problema é que imprevistos acontecem, , e nem sempre os recursos esperados estão disponíveis. Nesses casos, quem realmente está preparado para os debates não se preocupa com possíveis falhas tecnológicas.
Quando sua utilização não se torna uma forma de esconder desconhecimentos, o data show é uma ferramenta que pode prestar inúmeros bons serviços à educação e às apresentações em geral. Mas se for utilizado como se fosse apenas uma tela para transcrever textos que serão lidos para o público ou alunos – e às vezes lidos muito mal – seu uso estará fatalmente condenado ao fracasso.
Algumas pessoas estão tão dependentes da tecnologia que, no início de algumas exposições e palestras de pessoas tão inseguras, o mestre de cerimônias poderia, no lugar de dizer o nome do convidado anunciar da seguinte maneira: “Senhoras e senhores, com a palavra o data show!”
domingo, 4 de outubro de 2009
O SILÊNCIO DE MERCEDES

terça-feira, 29 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
PROFISSIONAL DE SECRETARIADO
PROFISSIONAL DE SECRETARIADO: ONTEM E HOJE
José Neres
(Professor do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue da FAMA e escritor)
Lindalva Barros
(Professor do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue da FAMA)
No começo da década de 80, os ouvintes das emissoras de rádio eram bombardeados com sucessos musicais de diversos gêneros. Entre as canções mais executadas nas rádios estava uma interpretada pela cantora Julia Graciela, uma argentina que alcançou grande sucesso no Brasil. A letra era bastante simples e chamava atenção pelo refrão que dizia: “Precisa-se de moça, boa aparência pra secretária, tem que ser muito bonita, descontraída e educada.”
O título da canção, “Anúncio de Jornal”, é bastante significativo, pois reproduz com grande grau de exatidão os estereótipos relacionados ao profissional de secretariado até bem pouco tempo. Primeiro temos o fato de o anúncio dirigir-se apenas às mulheres, um claro exemplo de que, na época, essa era uma função exclusivamente feminina, pois eram raros (e discriminados) os homens que se arriscavam a dedicar-se à profissão. Outros fatos que chamam atenção na letra da música são os adjetivos usados como elemento de seleção: bonita/ descontraída/ educada, antecedidos da perífrase verbal “tem que”, como impositivo de uma condição sine qua non para conseguir o emprego. Em momento nenhum é pedida alguma referência relativa à escolaridade, à formação acadêmica ou a qualquer outra capacitação para o trabalho. Outro elemento que aparece no restante da música é a identificação da secretária como amante do patrão e tratada como objeto de desejo sexual, podendo ser descartada quando não há mais interesse por ela.
Era mais ou menos assim, infelizmente, que a secretária era vista pela sociedade. Não havia uma seleção séria para exercer o cargo e um rosto bonito, emoldurado por cabelos bem cuidados e acompanhado de um corpo torneado substituíam o currículo na hora da seleção. Durante muito tempo, ao profissional de secretariado era praticamente vedado o direito de almejar voos mais altos. Seu destino estava praticamente traçado: iria datilografar (depois digitar) textos redigidos pelos chefes, atender ao telefone, servir água e café nas reuniões, redigir as atas e, de preferência, permanecer calado, para não atrapalhar o andamento do serviço.
É bom ressaltar também que, constantemente, o vocábulo secretária era utilizado como sinônimo eufemístico de empregada doméstica ou de prostituta. Essa última acepção da palavra fez muito sucesso na voz do hoje quase esquecido cantor César Sampaio na composição que tem como título “Secretária da Beira do Cais”. Ainda em nosso cancioneiro popular, Amado Batista também canta a música intitulada “Secretária”, na qual reproduz praticamente todos os estereótipos relacionados à profissão, principalmente a ideia de ver a profissional como uma espécie de fetiche de conotação sexual.
E hoje, será que o profissional de secretariado ainda mantém o perfil continua o mesmo de décadas atrás?
Felizmente não! Para começar, a profissão não é mais uma exclusividade feminina, e diversos homens descobriram nas atividades secretariais um novo nicho empregatício. O que antes era visto como algo exótico e propenso às mais variadas formas de discriminação é, agora algo comum.
Com a criação de cursos voltados para secretariado, primeiro em nível técnico-profissionalizante, e depois superior, a profissão começou a ser vista de modo diferente, alcançando um grau maior de respeitabilidade. Hoje, apesar de ainda haver um ranço de preconceito, já não se associa mais o profissional de secretariado tão somente aos aspectos de beleza e de subserviência ao imediato superior. Já é possível notar que a época de Servir cafezinho nas reuniões, de permanecer calado e de datilografar/digitar documentos preocupando-se tão somente com a forma, sem a mínima preocupação com o conteúdo, está ficando para trás.
Do ponto de vista prático, o profissional de secretariado hoje tem (ou deve ter) curso superior, deve saber redigir com elegância e correção, prepara-se para estar sempre atento às inovações tecnológicas, busca conhecer outros idiomas, tem noções de empreendedorismo e não se limita mais a apenas ouvir atentamente as decisões tomadas pelas esferas superiores da administração de seu local de trabalho, mas também apresenta propostas e discute soluções para os problemas apresentados.
Em síntese, pode-se dizer que quem exerce uma função secretarial nos dias de hoje não é um ser passivo nem desligado da realidade, é, sim, alguém que deve ser sentir preparado para gerenciar situações e pessoas. Nos dias atuais, o essencial para o profissional não é mais “ter boa aparência”, ou ser uma pessoa “muito bonita, descontraída ou educada”. O que conta mais é uma formação sólida, um currículo enriquecido com curso nas mais diversas áreas, capacidade de trabalhar em equipe e, principalmente, bastante competência.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
UM ÓTIMO LIVRO
Carinho é algo que não tem explicação. Recebemos e damos carinho todos os dias. Mas alguns são mais marcantes, como o que recebo de Arlete Nogueira e de Nauro Machado todas as vezes que os vejo. E como retribuir carinho? Só com carinho. Como são dois grandes escritores, retribuo cada palavra com outras palavras, analisando suas obras. Já escrevi sobre Nauro algumas vezes - inclusive neste blog - e agora faço um breve e singelo estudo sobre Litania da Velha, a obra magna de Arlete Nogueira. Sei que o texto não está à altura desse livro maravilhoso, mas é o que posso fazer.
ETERNA LITANIA
José Neres
Uma velha mendiga, combalida pela miséria, pelas sevícias do tempo e pelas agruras de uma vida inteira de dores e amarguras, atravessa a cidade em busca da sobrevivência. Um mero pedaço de pão endurecido transforma-se em um banquete diante da fome que a corrói. Uma moeda de qualquer valor é vista como verdadeira fortuna. A mendiga passa quase invisível diante de olhos que teimam em enxergar apenas um lado da realidade. A velha senhora, aos poucos, vai perdendo as forças e percebe que seus últimos instantes se aproximam. Uma chuva torrencial leva para longe os parcos pertences da mulher, suas esperanças, seus sonhos e até sua história.
A cena acima descrita poderia servir de enredo para uma notícia de página de jornal, ou para uma conversa de esquina, quem sabe para ilustrar uma palestra sobre direitos humanos... Mas nas hábeis e poéticas mãos de Arlete Nogueira da Cruz, esse pequeno fragmento de vida ganhou a dimensão de poesia e veio à luz com pertinente título de Litania da Velha, um dos mais interessantes e contundentes exemplos de como engajamento social e lirismo, palavras e imagem podem conviver pacificamente nas páginas de um livro sem a necessidade de o autor cair na mera verborragia sentimental, ou no puro panfletarismo de caráter político. Não! Em Litania da Velha, o que há poesia em seu mais alto grau e um laborioso trato com a linguagem, para tirar de cada vocábulo a seiva poética que permite ao artista dizer muito com poucas palavras.
Utilizando pouco mais de meia centena de estrofes, todas em formato de dísticos bastante longos, Arlete Nogueira consegue, no ritmo de cada verso, reproduzir para o leitor o cansaço que se apodera da protagonista a cada passo dado rumo a seu inexorável destino. A cada ladeira vencida ou a cada esquina dobrada, o peso do viver se multiplica e o corpo da mendiga se verga à certeza de que já lhe é impossível suportar as injustiças do mundo e os inúmeros descasos sociais que espreitam os menos favorecidos em cada esquina e em cada decisão tomada.
Ao longo das páginas, o leitor vai percebendo que, como tudo no poema, a imagem da velha é também uma grande metáfora utilizada pela arguta autora para fazer suas denúncias subliminares. Aos poucos a mendiga e a cidade por onde ela vaga entram em processo de fusão, e, metaforicamente, transformam-se em um amálgama em que o sofrimento de uma se reflete na dor da outra, e a decadência da mulher é o prenúncio do abandono pelo qual passa a cidade.
De um modo bastante singelo, Arlete Nogueira deixa a seus leitores a mensagem de que da mesma forma que uma velha mendiga aparentemente insignificante morre à vista de todos (cidadãos comuns e autoridades), a cidade também está agonizante e ninguém se move para socorrê-la ou para tentar salvá-la do acelerado processo de decomposição física, histórica e moral. Tal mensagem pode ser percebida não apenas pelo elegante jogo de metáforas utilizado pela escritora, mas também pelas ilustrações que acompanham o texto. As fotografias tiradas por Edgar Rocha, Raimundo Guterres e Wílson Marques dialogam com o poema e reforçam as relações entre o desrespeito aos seres humanos e o depauperamento das edificações que guardam também nossa história
Litania da Velha é um livro para ser lido de uma só vez, mas que exige uma pausa em cada final de verso. Uma pausa para reflexão, pois, como em uma eterna litania, a história se repete dia-a-dia e nós não nos damos conta de que caminhamos de cabeça baixa e olhos suplicantes rumo ao nosso próprio fim.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
HAGAMENON DE JESUS
Hagamenon é um poeta/ensaísta que merece todas as homenagens,por isso escrevi este modesto artigo sobre seu livro de Estreia. Não posso deixar de agradecer ao Alberico Carneiro, editor do Guesa Errante, pelo espaço que me tem concedido em seu suplemento. (Clique na imagempara ampliá-la)



