quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

CONTO DE FIM DE ANO


FELIZ ANO NOVO
(José Neres)

- Ei rapaz, você por aqui!?! Quanto tempo!!!
- Pois é, voltei.
- Que tem feito da vida?
- O de sempre. Trabalhando como um burro de carga.
- Mas as últimas informações que tive suas eram muito boas. Estava morando na Europa, com um alto cargo em uma multinacional...
- É verdade, mas acabei de voltar. Vou gerenciar a filial da empresa aqui.
- Caramba, que maravilha! Fico feliz por você... Mas me conta, e como vai a vida sentimental?
- Na mesma de sempre. Depois da separação, ainda procuro a pessoa que preencherá meu coração.
- Entendo.
-E você? Soube que se casou e que tem dois filhos...
- Nossa, como você sabe disso? Estava tão longe daqui...
- Rapaz, você nem imagina o que se é capaz de saber com essa tal de internet. Vez ou outra faço uma visitinha virtual a meus amigos. Mas cadê sua esposa, seus filhos? Quero conhecê-los.
- Isso é fácil. Estão bem ali no restaurante. Imagina que só voltei ao carro para pegar a carteira e tive a sorte de encontrar você. Nunca esperava...

(...)

- Marisa, esse é meu grande amigo Marcello. Um amigo que não vejo faz muito tempo...
- Prazer, senhora. A senhora é realmente muito bonita. O Serginho falou muito bem da senhora. Esse deve ser o Pedrinho e essa mocinha linda deve ser a Sandrinha.
- Isso mesmo, são meus dois filhinhos amados. Mas querido, convide seu amigo para sentar. Vamos esperar a queima de fogos. Esse ponto aqui é o melhor de todos.
- Não se i se ele tem algum compromisso. Tem Marcello? Tem algum encontro marcado? Se não tiver, pode ficar conosco...
- Como eu disse, acabei de chegar e ainda não refiz os laços. Você é o primeiro conhecido que encontro e...
- Então está decidido. Vamos pedir champanhe para comemorar esse reencontro.
- Um brinde a sua família!
- Um brinde ao ano novo!
- Um brinde ao nosso reencontro!

(...)

- Foi uma bela passagem de ano. Obrigado a vocês. Nossa as crianças estão caindo de sono... Acho que é hora de eu deixar vocês voltarem para casa. Depois os convido para um jantar, mas dessa vez eu pago...
- Que nada! Rachamos a conta...
- Marisa, foi um prazer conhecer a felizarda que fisgou o Serginho...
- Prazer foi todo meu... Por falar nisso, Marcello, onde você deixou seu carro?
- lá no início da avenida. Rodei bastante atrás de uma vaga. Mas parece que todo mundo resolveu vir para cá hoje...
- Querido, não vamos deixar esse rapaz tão simpático andar tudo isso. Faça o seguinte. Leve-o até o carro dele, que nós esperamos aqui...
- Você é que manda, querida.
- Tchau, Marisa, foi um prazer. Quando as crianças acordarem, dê um beijo em cada um por mim.
- Ok. Feliz Ano Novo.
- Volto já já, querida...

(...)

- Bela família a sua. Parabéns.
- Tive sorte...
- Mereceu. Sempre foi um homem admirável... Ah, ali está meu carro. Pode me deixar aqui mesmo... Volte rápido, sua mulher e seus filhos estão esperando...
- Ainda temos alguns minutos. Quero aproveitá-los a seu lado...
- Serginho...
- Marcello...
- Um beijo... como nos velhos tempo...
- Como nos velhos tempos...

(...)

- Tchau... Feliz Ano Novo...
- Já tem o endereço do hotel onde estou morando... Espero você. Tchau...
- Pode deixar... Feliz Ano Novo...
- Tenho certeza que será um ano especial....

Fonte da imagem: INTERNET



A MENTIRA II

Como uma mentira jamais vem sozinha, coloco aqui agora outro soneto sobre o mesmo tema. Embora não goste de escrever poemas, acho bastante divertido escrever soneto. Serve para matar o tempo, ou para fingir que não morremos a cada minuto.

domingo, 26 de dezembro de 2010

GULLAR GULLAR

Ferreira Gullar - Fonte: Internet
Nos próximos dias, entraremos em um novo ano,  este blog passará também por algumas reformulações estéticas. Mas por enquanto isso, vamos seguindo com a estrutura de 2010. O texto a seguir foi publicado em O Estado do Maranhão desta Semana e trata sobre o trabalho de dois grandes poetas. Boa leitura!




GULLAR NO OLHAR DE QUIROGA
José Neres


Marcus V. Quiroga - imagem: Site do Antônio Miranda
            Há diversas maneiras de homenagear um escritor do porte de Ferreira Gullar. Essa homenagem pode vir em forma de leitura de seus textos em prosa ou em verso; de estudo aprofundado de sua biobibliografia; de análise crítica de seus inúmeros textos; ou da absorção de seu estilo para a confecção de novos textos que, em alguns momentos, podem até (con)fundir-se com a poética do grande escritor maranhense.
            Professor com doutorado em Literatura, pesquisador experiente, poeta detentor de diversos prêmios literários, membro da Academia Carioca de Letras e do PEN Clube do Brasil, Marcus Vinicius Quiroga não esconde de ninguém que é um grande admirador da obra do autor do Poema Sujo e, como forma de imortalizar essa admiração, mergulhou durante anos na vida, na obra e no estilo de Gullar, o que resultou, entre outros trabalhos, no livro “Gullar Gullar”, recentemente publicado.
            O livro é o que alguns teóricos chamam de obra-pastiche e não pode ser creditado apenas à admiração de um escritor por outro, mas sim como fruto de inúmeras horas de estudo e de dedicação. O livro de Quiroga é tecnicamente um pastiche, na melhor acepção da palavra, podendo ser colocado lado a lado com outras obras que também prestam homenagem estilística a grandes escritores das letras nacionais, como é o caso de “Em Liberdade”, de Silviano Santiago, que retoma o modo de escrever de Graciliano Ramos; e “Capitu: Memórias Póstumas”, de Domício Proença Filho, que faz uma imitação artístico-estilística da prosa de Machado de Assis.
            Pastichar não é uma tarefa fácil e não pode ser confundida com uma mera imitação do estilo de alguém. Trata-se de uma arte que exige extremo domínio técnico e teórico de um estudioso com relação à produção intelectual do autor que será homenageado. Marcus Vinícius Quiroga consegue em seu livro passar para o leitor o sabor e o prazer de ler Gullar com a certeza de que os versos não foram produzidos pelas mãos ou pela cabeça do escritor maranhense.
            Praticamente todos os ingredientes que tornam a poesia de Gullar única dentro do universo literário mundial são resgatados por Quiroga em seu minucioso trabalho. A ênfase na natureza morta, a fragmentação dos versos, as críticas sociais, as sinestesias e a dicção marcante do autor de Dentro da Noite Veloz encontram-se muito bem representadas no livro. Em alguns momentos, o leitor desavisado pode até pensar que está a ler um texto da lavra de Gullar, tal o grau de semelhança estilística e vocabular urdido pelo escritor carioca durante a confecção dos versos.
            Contudo o livro “Gullar Gullar” não pode ser lido apenas como um pastiche, pois há nele também vários momentos em que Quiroga deixa suas marcas de pesquisador da obra do poeta maranhense e faz enlaces com dados biográficos de Gullar, o que pode proporcionar ao leitor momentos bastante interessantes de cruzamento do que vem a ser texto gullariano relido por Marcus Quiroga e do que pode ser a marca quiroguiana dentro das estruturas poéticas de Gullar. Mas de qualquer maneira, o amante da boa poesia sairá satisfeito com o resultado final da tessitura poética engendrada pelo poeta-pesquisador.
            Gullar Gullar não é um livro feito apenas para quem admira o trabalho do grande poeta maranhense e deseja saber algo mais sobre sua produção, mas sim é um trabalho artisticamente bem construído e que pode tanto servir como leitura lúdica, para quem deseja apenas mergulhar nas águas nem sempre límpidas e cálidas da Poesia, podendo também dar bons frutos para quem resolva lançar um olhar pragmático sobre as páginas do livro, em busca de verdades que podem se esconder por trás de cada verso.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM CONTO DE NATAL


FONTE DA IMAGEM: internet


UM CONTO DE NATAL
José Neres

Noite Feliz, noite feliz
Hó Senhor, Deus do amor
Pobrezinho nasceu em Belém (x2)
Eis na lapa Jesus, nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus

         Ele ainda se lembrava do sabor do caríssimo champanhe Francês com que brindaram o último Natal. O ano anterior fora maravilhoso. Farto. Perfeito. Em alguns segundos, ele recordou o ar de felicidade da esposa, quando abriu o embrulho e se deparou com o colar cravejado de brilhantes. Esboçou um breve sorriso ao trazer à memória a cara de susto da filha que, dentro da caixa que continha o desejado celular de última geração, encontrou também um envelope com as passagens para a Europa. O filho do meio estava radiante com a quantidade de jogos eletrônicos que recebera. Nem ligou para as roupas caríssimas que estavam nos outros pacotes... O caçula brincava com os inúmeros brinquedos. Todos estavam felizes naquela noite. Cada filho se isolou em seu quarto, enquanto a esposa compensava com gemidos o presente recebido.
         Mas, meses depois, uma crise desceu sobre a empresa. As dívidas se acumulavam e os credores protestavam por fax, e-mail, telefone e, pior, por intermédio de oficiais de justiça...
         A filha teve de voltar mais cedo da viagem. O celular caríssimo já estava fora de moda e já não tinha um plano ilimitado, mas sim créditos mensais, de preferência com bônus. Os jogos e brinquedos foram deixados de lado. O colar acabou, juntamente com outras jóias recebidas em outras datas festivas, penhorado na Caixa Econômica Federal...

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.
Então é Natal, o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez.
E Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, o amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

         A Voz da cantora Simone inundava o carro. Os presentes deste ano eram bem mais modestos: Um passeio pelo shopping, um lanche em um fast food, uma sessão de cinema e brincadeiras no parquinho eletrônico. Essa a festa possível.
         No banco de trás, a filha, emburrada por não receber um novo celular, olhava a monótona paisagem. Os garotos, como sempre, brigavam. O casal seguia calado. Só a voz da Simone reinava ali.
         Após o lanche, chegou a vez do passeio pelas lojas superlotadas. Pela primeira vez a esposa disse uma frase tão comum aos pobres mortais: “estou só olhando...”
         Não havia mais ingresso para o filme que queriam. O que foi bom, pois sobraria mais dinheiro para os jogos. Depois comprariam um DVD no camelô, era mais barato e mais prático.
         Começaram os joguinhos no parque. A princípio, tudo estava sem graça. Depois, cada ponto se convertia em brilhos no olhar. O brilho evoluiu para abraços e os gritos de vitória envolviam não só a família, como também os demais frequentadores do parquinho. Todos os problemas se esvaneciam diante da cumplicidade de múltiplos olhares.
         Na volta para casa. A Simone vinha muda. Não precisavam mais dela. As conversas animadas preenchiam aquelas cinco vidas.
         Em casa, brindaram com refrigerante e, à meia-noite, trocaram sorrisos e abraços. Os filhos estavam felizes. Nunca esperavam que naquele Natal ganhariam um Pai de presente.
         No quarto, a sós, marido e mulher se despiram das máscaras e, nus, se presentearam com a essência do amor verdadeiro. Nesse Natal, ele aprendeu que gemidos de prazer são bem melhores que gemidos de gratidão.
         O veneno comprado no dia anterior acabava de perder sua utilidade.
        

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DE OLHO NA EDUCAÇÃO

DOIS PENSADORES DA EDUCAÇÃO
 
José Neres

 (O Estado do Maranhão, 18/12/2010)


            Aprender é algo bom e essencial para o ser humano. Aprendemos a todo momentos, com os próprios erros/acertos e com as experiências alheias. Aprendemos com a natureza, no contato com o próximo, com o passado e com as inovações do presente. O mundo é uma grande sala de aula com portas e janelas abertas para quem quiser aprender, com inúmeros professores que ministram suas aulas em tempos de bonança ou mesmo em momentos a extremas adversidades.
            No meio desses inúmeros professores que contribuem para o progresso da educação em todos os seus níveis e potencialidades, alguns de destacam não apenas por seu comprometimento com o fazer pedagógico, mas também por defenderem ideias que vão além do senso comum e que apontam para novos horizontes no âmbito da aprendizagem. Entre esses exemplos de profissionais que vão além da atividade em sala de aula, podemos destacar Maria Cândida Moraes e Luiz Síveres.
            Tida por intelectuais do mundo inteiro como uma das mais importantes estudiosas da complexidade e da transciplinaridade, além de ser apontada como uma das pioneiras nos pesquisas sobre a ecologia dos saberes e sobre as estratégias do “sentipensar”, Cândida Moraes defende em suas teorias e aplica em suas práticas educativas o princípio de que “é importante aprender a viver/conviver com as diferenças”. Seus livros “O Paradigma Educacional Emergente” e “Educar na Biologia do Amor e da Solidariedade” já atingiram diversas edições e se tornaram leitura obrigatória para quem deseja imiscuir-se pelas veredas das modernas pesquisas educacionais.
Defensora da ideia de que um educador não deve limitar-se à mera transmissão do conhecimento essencial à sua disciplina, a professora da Universidade Católica de Brasília defende a tese de que quem está envolvido com a educação deve preocupar-se também em desenvolver uma “escuta sensível”, capaz de ouvir o silencioso pedido de ajuda de quem muitas vezes não tem voz nem forças para gritar por socorro. Certa de que a educação tem um papel essencial nas relações entre o homem e o planeta, Maria Cândida Moraes diz que é “necessário desenvolver competências e habilidades que nos ajudem a enfrentar os desafios da globalidade, da complexidade da vida e da sustentabilidade ecológica”.
Autor, coautor ou organizador de diversos livros, o filósofo e educador Luiz Síveres parte do princípio de que ética é muito mais que uma palavra ou um conceito abstrato, sendo, sim, uma forma de agir respeitando as diferenças e interagindo com o próximo. Usando um interessante jogo de palavras, o professor comenta que nos dias atuais, “a ética precisa de uma nova ótica”. Amparando-se em pensadores diversos como Hegel, Marx, Kant, Levinas, Habermas, Buber e Morin, Síveres tira lições de todos eles e constroi seu próprio percurso epistemológico, que pode ser uma estrada, uma vereda, um rio ou um mar, pois o conhecimento, “assim como a água, está sempre em movimento e conectado em uma grande e infindável rede.”
Geralmente empregando metáforas, Luiz Síveres preocupa-se também com os rumos da educação, em todos os níveis. Em todos os seus trabalhos, principalmente em seus dois livros mais conhecidos, “A Dimensão Humana no Processo Educacional” e “Universidade: Torre ou sino”, o educador gaúcho utiliza-se de alegorias para expor suas ideias sobre educação e deixar claro que, nos estudos em geral, o papel de um professor é fazer o possível para levar o alunado à reflexão e ao desenvolvimento do senso crítico.
            Muito mais que pesquisadores reconhecidos mundialmente ou professores de grande conhecimento e imenso tino didático/pedagógico, esses dois pensadores da educação transmitem a seus alunos e/ou leitores a noção de que, no percurso que compreende o ensino e a aprendizagem o que realmente importa não é a aspereza da casca ou a dureza dos caroços, mas sim o sabor da seiva que emana do maravilhoso fruto chamado conhecimento.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Prêmio IV Centenário de São Luís

Conforme prometemos na última postagem, a partir desta semana o blog terá mais atualizações. Começamos com uma ótima notícia que é o concurso do IV Centenário da Cidade de São Luís, promovido pelo Instituto Geia. Caso queira obter mais informações, você deve acessar o site do Instituto e ler atentamente o edital. Boa sorte a todos os concorrentes!

Site do Instituto Geia                         Regulamento do Concurso

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

NOVA PÁGINA

Agora você poderá também ler nosso texto no Recanto das Letras. Esperamos uma visitinha sua.
Para ver a página, clique aqui.

OBS: Semana próxima, este blog voltará a ser atualizado regularmente

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

UM BOM LIVRO

QUANDO FERRO VIRA POESIA
José Neres


            Por razões mais sociais que intelectuais, literárias ou de talento, o número de homens que publicam nas letras maranhenses ainda é maior que o de mulheres que expõem ao público seus versos, romances, contos ou peças.  Mesmo assim, há uma boa quantidade de mulheres brindando os leitores com suas obras e mostrando que a competência no manejo com as palavras escritas não faz diferença de gênero, condição financeira ou grau de escolaridade.
            Nomes como Arlete Nogueira da Cruz, Lúcia Santos, Geane Fiddan, Rosemary Rêgo, Lenita Estrela de Sá, Hélia Lima, Sonia Almeida, Ceres Costa Fernandes, Dorinha Barros, Raimunda Frazão, Zelinda Lima, Mundinha Araújo e Aurora da Graça, entre tantas outras, ou têm seus espaços consolidados ou em vias de solidificação na história literária maranhense, que ainda carece de estudos mais aprofundados a respeito de seus autores, não apenas com relação à produção intelectual das mulheres, mas sim em todos os âmbitos.
            Aos nomes acima citados, podemos acrescentar o de Ana Luiza Almeida Ferro, escritora que se divide entre as argumentações técnicas dos estudos jurídicos e as sutilezas metafóricas da poesia. De sua atuação no campo da magistratura resultaram alguns livros teóricos como “Escusas absolutórias no Direito Penal”, “O crime de falso testemunho ou a falsa perícia” e “Interpretação constitucional: a teoria procedimentalista de John Hurt Ely”, entre outros trabalhos muito apreciados pelos profissionais da área do Direito.
            Mas como nem tudo pode ser definido pelo olhar técnico do estudo das leis, Ana Luiza Almeida Ferro  também se dedica à tessitura poética, tendo recebido algumas honrarias em concursos literários, além de comentários elogiosos de estudiosos voltados para as letras. Em parceria com seu genitor, o pesquisador, poeta e prosador Wilson Pires Ferro, publicou o livro “Versos e Anversos”. Depois, sozinha, e sem estardalhaço, trouxe à luz, em 2008, o livro “Quando”, uma coletânea de poemas que foram amadurecidos ao longo de anos e mais anos de trabalho com as metáforas que compõem a obra.
            O livro tem pouco mais de 80 páginas e é composto por 37 poemas, que abarcam  desde a metalinguagem até as questões sociais do dia a dia, passando por experimentalismo gráficos e espacializações de palavras (que lembram a vanguarda concretista) e por incursões metafísicas, como solidão, amores, desesperança e a dor/alegria do existir. Alguém que lesse apressadamente o livro poderia argumentar que essa variedade de temáticas e de técnicas utilizadas traz seus reflexos na qualidade, na forma e na recepção dos poemas, principalmente pela falta de unidade temática entre os textos do livro. Contudo, um olhar mais atento ao volume, a começar pelo título e pelas datas dos poemas, mostra que o que o leitor tem em mãos não é um conjunto planejado, mas sim o apanhar de diversos momentos que foram paralisados e fixados na folha do papel ou na tela do computador.
            O “Quando” que dá nome ao volume é bem mais que o título do nono dos 37 poemas do livro, é, principalmente um prolongamento temporal que não se fixa no presente, no passado ou no futuro, mas sim que tenta enlaçar o contínuo e o descontínuo temporal de diversas experiências em um todo que não encontra em si mesmo uma unidade. O quando é o agora, é o ontem, mas também é o amanhã. Mas o quando também pode ser o sempre ou o nunca, dependendo do “indelével oscilar / previsível variar / vida pendular”, como diz um dos poemas.
            A sensação da fluidez do tempo, da alegria, da dor e da própria vida é uma constante no livro de Ana Luiza Almeida Ferro. Porém, não é por dar ênfase a esse movimento pendular de idas e vindas que ele deixa de observar o cotidiano de nossa realidade social, com se dá, por exemplo, em “Inocência perdida”, “Pixote” e “É carnaval”, poemas que dissecam alguns aspectos sociais visíveis em qualquer grande centro, mas que, de tão repetitivos, tornaram-se invisíveis aos olhos da sociedade em geral.
            “Quando” é um livro para ser lido com calma, sem compromisso com as teorias literárias, mas sem fechar os olhos para as metáforas que afloram a cada página.

domingo, 7 de novembro de 2010

Lançamento de Tábua de Papel

LANÇAMENTO DE LIVRO

Quem reservou um tempinho de seu sábado (06.11.2010) para passar pelo Sindicato dos Bancários do Maranhão, ou decidiu dedicar todo o dia a participar dos debates e palestras sobre a literatura maranhense, não se arrependeu. Os presentes puderam ver e ouvir os autores da coletânea de estudos intitulada Tábua de Papel e, sem dúvida, conheceram um pouco mais das letras e da cultura de nosso Estado.
Na plateia, além de estudantes e professores de diversas instituições de ensino, estavam também alguns nome de destaque das letras maranhenses, com destaque para o contista e editor Wilson Martins (que chegou de Imperatriz e passou direto para o evento), o poeta e ensaísta Hagamenon de Jesus, o professor Theotônio Fonseca, o poeta Elys Melo (que acabava de chegar de Balsas, mas esqueceu o cansaço para prestigiar o evento), a professora Regysane Botelho, de passagem por sua terra natal, a romancista Dorinha Barros  a professora Kátia França e o contista Bruno Tomé, que em breve lançará outro livro.
Mesmo com a concorrência da prova do Enem, o público foi o esperado para um evento de letras.
Ao final dos trabalhos, ou autores distribuiram autógrafos e confraternizaram com os presentes, em mais um grandioso lançamento da Café & Lápis Editora.
A seguir, o leitor poderá conferi alguma fotos do evento.
Nosso muito obrigado a todos os que ajudaram na realização de mais esse lançamento.  (clique nas fotos para ampliá-las)






sexta-feira, 5 de novembro de 2010

HORA DO VESTIBULAR


VESTIBULAR E ESTRESSE
José Neres 

Fonte: internet
            Não há como negar que um dos momentos mais estressantes na vida de um estudante é aquele que antecede a prova do vestibular. A contagem regressiva aumenta o grau de ansiedade e as cobranças da família, da sociedade, das instituições de ensino e do próprio candidato. As dúvidas se multiplicam a cada hora, transformando o dia de prova em um fardo insuportável.
            O assunto é estudado por profissionais de diversas áreas do conhecimento humano. Educadores, psicólogos, médicos, nutricionistas e tantos outros estudiosos se debruçam sobre o tema procurando entender o que se passa na cabeça e no corpo do vestibulando nos dias que antecedem a prova que decidirá sobre o futuro do candidato a uma vaga nas universidades.
            Em sua tese de doutoramento, defendida na Unicamp, em 2007, a pesquisadora Maria Cândida Carvalho, a partir de análise da saliva de pré-vestibulandos, chega à conclusão de que os índices de estresse nesses estudantes aumentam nos meses que antecedem as provas. Ao estudar alunos de cursos preparatórios e concludentes do ensino médio, a médica Célia Regina da Silva Rocha, em sua tese defendida em 2010, na Universidade Estadual de Campinas, comenta os distúrbios do sono, a compulsão alimentar e a depressão de que são acometidos os estudantes nos momentos que se aproximam da data dos exames.
            Nessa época, os alunos acabam acreditando que cada minuto desperdiçado pode ser o diferencial para a aprovação ou não no concurso. Então alguns deles acabam entregando-se a uma verdadeira maratona de estudos que vão além dos horários escolares e dos próprios limites físicos. A esse tempo extra de estudo, professor e psicólogo Afonso Celso Tanus Galvão, amparado por diversos teóricos, chama de estudo deliberado e alerta para o fato de que tal atitude pode levar à fadiga e a outros problemas de ordem motivacional.
            É nesse momento que os familiares e as pessoas mais próximas ao vestibulando podem dar sua contribuição, que nem É sempre positiva. Pais que comparam o desempenho escolar dos filhos com os outros irmãos mais velhos, com vizinhos ou com parentes próximos, geralmente levam o estudante, que já está em estado de estresse por causa de inúmeras cobranças do dia a dia, a um estado de desespero, que pode culminar em atitudes agressivas ou em retraimentos como forma de defesa.
            Da mesma forma, mercenarizar uma possível aprovação com promessas de gratificações nem sempre é uma boa estratégia motivacional, pois, de todas as recompensas, a que mais interessa ao vestibulando é ver seu nome na lista de aprovados, e isso é algo que pais não podem prometer... Mas podem e devem criar condições para que isso aconteça.
            Outro fator importante a ser lembrado que os seres humanos têm reações diferentes diante de um mesmo estímulo. Dessa forma, quando se aproxima o vestibular, alguns estudantes ficam  aparentemente tranquilos, outros, no entanto, vivem momentos de extremo desconforto emocional e não são raros os casos em que usam agressões verbais ou até mesmo físicas contras as pessoas mais próximas como válvula de escape contra a situação adversa por que estão passando.
            Não é tarefa fácil para pais, parentes e amigos próximos a convivência com alguém, jovem ou adulto, que esteja vivendo o estresse dos momentos que antecedem a prova do vestibular. Colocar-se no lugar do vestibulando e tentar entender que aquele momento é especial para ele, mantendo a distância exata para ajudar sem invadir o espaço físico e mental reservado à ritualização dos estudos pode ser uma forma de ajudar. Mas a aprovação é o único remédio que põe fim a esse sofrimento momentâneo e incômodo.

sábado, 30 de outubro de 2010

LANÇAMENTO... LANÇAMENTO... LANÇAMENTO...




TÍTULO: TÁBUA DE PAPEL
NÚMERO DE PÁGINAS: 200
ORGANIZADOR: JOSÉ NERES

DATA DO LANÇAMENTO: 06 DE NOVEMBRO DE 2010
LOCAL: SINDICATO DOS BANCÁRIOS - RUA DO SOL - SÃO LUÍS - MARANHÃO


veja aqui o que você encontrará no livro



PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

INSCRIÇÕES
• Livraria Athenas (Rua do Sol – Centro);
• Livraria Prazer de Ler (CCH – UFMA);
• Faculdade Athenas Maranhense (Xerox de Letras - Sr.ª Rosária).
Valor (ÚNICO):
R$ 20,00 (Certificado – 10h + Livro Coletânea)

LOCAL: Sindicato dos Bancários - Rua do Sol - São Luís - MA

INFORMAÇÕES:
Tel: (98) 3082-8871 (Germa na ou Claunísio)
E-mail: cafelapis.editora@gmail.com

PROGRAMAÇÃO:
08:15 h - Credenciamento

09:00 h – Abertura

09:20 h - 11:00 h - Mesa 1: Literatura e formação da identidade de um povo
Antonia Nilda Alves Cruz
Maria das Neves Oliveira e Silva Azevedo
Núbia Costa Bastos
Dinacy Mendonça Corrêa

11:10 h – 12:00 h – Palestra: Artur Azevedo e a comédia no Brasil
Dino Cavalcante

14:00 h - 15:40 h - Mesa 2: Literatura Maranhense: do clássico ao contemporâneo
Flaviano Menezes da Costa
Joaquim de Oliveira Gomes
Natércia Moraes Garrido
Rosely Maria Ribeiro Néri Saldanha

15:50 h - 16:50 h - Conferência de encerramento: Gullar: de São Luís para o mundo
Prof. José Neres

17:00 h - Lançamento Coletânea “Tábua de Papel: estudos de Literatura Maranhense”
Entrega de certificados e livros
Coquetel de Encerramento

sábado, 23 de outubro de 2010

Meu Primeiro Livro

Este foi meu primeiro livro, publicado em 1999, depois com algumas reedições. Gosto muito dele. Hoje um exemplar desse livro é muito raro de ser encontrado.. Ele também pode ser encontrado no site do Governo Federal - domínio público.


sábado, 16 de outubro de 2010

PROFISSÃO DE RISCO


O DO(C)ENTE
José Neres

            Nas últimas semanas, a mídia tem divulgado notícias acerca de situações destemperadas protagonizadas por profissionais da educação, principalmente por professores. As cenas mostram professores aos gritos diante dos alunos, mestres agredindo colegas de serviço, ou a classe inteira, e situações de conflitos que chegam até mesmo ao contato físico.
fonte da imagem: internet
            O que estará acontecendo com o corpo docente de nossas escolas? Será que os professores estão demonstrando despreparo para lidar com as situações novas que se apresentam a cada momento e para as quais não foram instruídos no período de formação? Ou será que são apenas fatos isolados explorados pela imprensa com o objetivo de vender notícias sensacionalistas?
            Seria preciso um estudo bastante sério e aprofundado para chegar-se à raiz do problema e vislumbrar-se uma tentativa de solução, mas um olhar mais atencioso sobre as notícias e conversas informais com professores, alunos, pais e corpo administrativo das escolas já são suficientes para visualizar o quadro negro que se descortina não só nas salas de aula, mas também nas demais dependências das instituições escolares e até em seus arredores.
            Há muito tempo o professor não é mais o profissional invejado pelo saber e nem respeitado por ocupar uma posição de destaque no panorama social. Na verdade, passou muito rapidamente da condição de detentor de altos conhecimentos que deveriam ser transmitidos a uma turma desejosa de aprender para a de administrador de conflitos e de bagunças dentro e fora das salas de aula. Em alguns casos, o mestre tem de negociar com os demais envolvidos no processo ensino-aprendizagem para que consiga terminar o horário com o mínimo possível de desgaste emocional.
            Com o surgimento de tecnologias avançadas, a comunidade passou a esperar – e a cobrar – do profissional da educação não mais uma competência intelectual e o desejável domínio do assunto a ser ministrado, mas sim as qualidades de um animador de auditório. Não é rara a cena em que um professor de profundo conhecimento e bastante imbuído no desejo de ensina tem de ouvir de alunos, coordenadores e dirigentes da escola que sua aula não está agradando por ser chata e sem uso dos recursos audiovisuais e/ou de uma metodologia que fizesse o aluno sentir-se motivado a aprender. Mesmo que a instituição não ofereça a menor condição logística para que o docente transforme sua aula em um show, ele é insistentemente cobrado e avaliado negativamente por essa aparente deficiência pedagógica.
            Quando, por outro lado, o professor mostra-se dinâmico, atualizado e leva recursos diversos para implementar suas atividades, ele corre o risco de ser visto pelos próprios colegas como alguém que está inflacionando o mercado; pelo corpo diretivo, como um professor modernoso, que não tem domínio de turma e que se mistura muito com os discentes. Pode ser ainda taxado pelos alunos como o professor bonzinho que não dá aula e depois quer cobrar a matéria na prova, e pelos pais como o enrolão que disfarça a falta de conhecimento com brincadeirinhas inúteis que tomam todo o tempo da aula.
            Além disso tudo, ainda há a transformação da sala de aula em campo de batalha, não apenas com conflitos verbais, mas também com agressões físicas por causa de descontentamentos diversos, principalmente pela insatisfação de pais e alunos por notas. O estresse virou parte do uniforme dos professores em todos os níveis de ensino.
            De modo muito rápido, o professor se viu destituído de sua autoridade e percebeu que a antiga condição de sujeito-suposto-saber está deteriorada. Ele não é visto mais como o profissional essencial para o desenvolvimento da nação. Não é mais o modelo a ser seguido pelos jovens. É visto com desconfiança na hora de comprar um produto a prazo e é apontado como exemplo cabal de que estudo a nada leva: “coitado, estudou tanto e não tem nada!”
            Acuando diante de uma realidade que não lhe é favorável, o professor olha para um lado e para o outro. Percebe que está cercado de dívidas, frustrações, trabalhos para corrigir, cobranças acadêmicas e de outros inúmeros problemas. Ferido, doente, ele solta um urro de desespero, um grito de socorro que soa como uma ameaça a toda a comunidade. No lugar de receber auxílio e de ser tratado com dignidade, ele tem seu grito gravado por um aluno, que coloca o vídeo na internet. O protesto do professor virou piada mundial!