segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CAOS NO TRÂNSITO


ARMADURAS MODERNAS
José Neres


Aproveite e veja também o desenho animado que é citado no texto






 
            Ao folhear livros de História ou ao assistir a filmes sobre a Idade Média e sobre as arenas romanas, é possível que perceber que os homens que iam para as batalhas costumavam resguardar os corpos da melhor maneira possível. Armaduras, elmos, escudos, protetores de tórax e todos os apetrechos possíveis para proteger-se dos impactos com os adversários eram utilizados pelos guerreiros. A intenção maior era evitar que durante os combates os ferimentos causados pelas refregas ceifassem a vida dos lutadores. Ao mesmo tempo, toda essa proteção, juntamente com os equipamentos de ataques, era usada também para causar danos aos adversários.
            Hoje, muitos séculos após as Cruzadas e as batalhas pela vida e pela honra nas arenas, o homem continua na busca de algo que possa evitar seus ferimentos, mesmo que seja a custa de sérias lesões ou até mesmo da vida de outras pessoas. As armaduras tradicionais foram abandonadas e agora fazem parte do acervo de museus ou servem como parte da indumentária de filmes de época. Em seu lugar, apareceu algo bem mais moderno que teria como principal utilidade ajudar no deslocamento de pessoas e de cargas, mas que pode servir ao mesmo tempo como instrumento de defesa e de ataque, podendo evitar que o guerreiro contemporâneo tenha seu corpo estraçalhado, mas que pode inutilizar parcial ou permanentemente alguma pessoa desavisada que tenha o azar ou a imprudência de cruzar com o proprietário dessa armadura moderna em um momento de desatenção, imperícia ou de arrogância.  Essa nova arma de combate utilizada tanto por pessoas sérias e responsáveis quanto por boçais que não dão o maior valor à vida alheia é chamada veículo motorizado, podendo atender por diversos nomes: moto, carro, caminhão, ônibus...
            Os noticiários mais recentes não deixam dúvida de que a cada dia que passa o homem vem utilizando-se do carro como uma armadura protetora e como instrumento de combate em uma guerra urbana em que quase todos saem derrotados ou pelo menos lamentando a perda de um ente querido.
            Ao entrar em um carro, o cidadão comum parece ser tomando pela síndrome do Sr. Weeler, personagem criado por Walt Disney e representado pelo Pateta, que, ao ligar seu automóvel assume a postura de um monstro do trânsito, desrespeitando faixas, sinais e todas as regras da civilidade. Porém ao se ver novamente na condição de pedrestre, reclama da falta de educação dos demais condutores.
            Ao volante de um carro possante, o bom garoto do bairro pode ser convertido em um demônio irresponsável que faz zig-zag, entra pela contramão, vocifera contra quem cumpre a lei. O pai de família, ao ligar o carro, às vezes se transforma em um lunático que acredita ser sua pressa maior que a dos demais e põe em risco não somente a segurança de sua família, mas também a de todos os que estão a sua volta. O homem pequenino que mal consegue sustentar o peso do próprio corpo, quando está sentado diante da direção de seu carro sente-se como um gigante de músculos de aço capaz de tirar de sua frente todos aqueles que atravancam seu caminho. A delicada mulher, de sorriso encantador de modos educados, ao soltar o freio de mão e entrar no fluxo das avenidas, ou mesmo antes disso, sente-se senhora de todos os poderes do mundo e crê que pode ganhar tempo e encurtar distâncias à custa do pavor inoculado nos olho dos pedestres e dos demais condutores. Isso sem falar nas pessoas que jamais apresentaram uma capa de civilidade e aproveitam o carro para dar vazão a seus instintos criminosos.
            Os mortais gladiadores modernos vestem a armadura de metal revestida com a blindagem da impunidade ou pelo menos usam o capacete da intolerância e do descaso e fazem de cada rua uma arena, com corpos espalhados no asfalto ou na areia. Quando têm suas armaduras amassadas, confiscadas ou destruídas, compram uma nova e continuam matando sob o manto protetor das frágeis leis.

sábado, 31 de dezembro de 2011

ILHAVIRTUALPONTOCOM Nº 8

Amigos e amigas,

No apagar das luzes deste ano de 2011, disponibilizamos mais um exemplar do noso informativo ILHAVIRTUALPONTOCOM, para lê-lo em PDF, clique AQUI






domingo, 18 de dezembro de 2011


LER PELO PRAZER DE LER
José Neres
(O Estado do Maranhão, 18/12/2011)


Fonte da imagem: internet
            Ler é a chave para a aquisição de todo o conhecimento humano acumulado desde tempos imemoriais. Claro que além da leitura há diversas outras forma de aprender, no entanto ela é capaz de facilitar todo esse processo e de tornar menos tortuosos caminhos que nem sempre gostaríamos de trilhar.
            Mesmo em um momento histórico de constantes incertezas e de fluidez de relações e de costumes, o conhecimento não técnico e a experiência leitora parece estar perdendo terreno para atividades que tragam um retorno pecuniário, de preferência a curto ou, no máximo, a médio prazo. Dessa forma, foi gestada a ideia de que ler é perder tempo e que a nada leva.
            Ironicamente, em uma sociedade que valoriza a velocidade e a multiplicidade de eventos concomitantes, as ferramentas tecnologicamente mais avançadas exigem que o usuário tenha que ler, ler e ler. Porém esse tipo de leitura que busca informações, dados e meios de agilizar o tempo de resposta e de otimizar os processos de produção está inserido mais no âmbito da mecanização das relações que na saborosa busca do saber sem compromisso com os utilitarismos da vida contemporânea.
            Assim como os alimentos consumidos no dia a dia servem para nutrir nosso organismo, fornecendo-nos energia para as lides cotidianas, a leitura pode ser metaforicamente vista como uma das fontes de energia que manterá viva em cada ser humano a chama do desejo de aprender e de compartilhar experiências com o mundo que nos rodeia, fazendo com que nosso cérebro tenha seu estoque de informações constantemente renovado.
            Mas ler não é apenas correr os olhos por uma folha de papel ou pela tela de um computador. Ler vai muito além do ato mecânico de decodificar, palavras, frases e parágrafos. Há quem acredite também que a qualidade da leitura esteja diretamente relacionada com a quantidade de páginas lidas em determinado intervalo de tempo. Na verdade, o processo de aproveitamento do que foi lido nem sempre obedece à lógica preconizada pela matemática. Então, dessa forma, alguém pode ler pouco e ter um excelente aproveitamento das páginas lidas. Por outro lado, uma pessoa que tenha devorado com os olhos quilômetros de páginas talvez não tenha retido informações suficientes para dizer que realmente leu algo.
            No meio de uma selva oscura em que a quantidade tem se tornado bem mais requisitada que a qualidade, o prazer de ler parecer ter ficado também em segundo plano. Lê-se para uma prova. Lê-se para buscar uma informação urgente. Lê-se para lutar por uma promoção no emprego, para montar um aparelho eletrônico, para descobrir onde mora alguém... Todos os tipos de leitura são válidos e merecem os devidos aplausos. Mas a modalidade de leitura mais interessante é aquela descompromissada, livre de obrigações, sem interesse de produzir uma resenha ou de conquistar uma nota...
            Em pé, deitado, sentado ou mesmo andando, o mais eficiente tipo de leitura é aquele que se transforma em prazer a cada linha devorada e que é capaz de levar o leitor a sair de sua realidade e conhecer novos ambientes, nova idéias e a conviver o inesperado, com o inefável de novas descobertas. Quando a leitura se torna uma fonte de prazer constante e inesgotável, a pessoa descobre que ler pela simples vontade de ler é uma forma de viver.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SOBRE A FEIRA DO LIVRO


REPENSANDO A FEIRA
José Neres


         Com bastante atraso, a população ludovicense teve neste fim de ano mais uma edição da Feira do Livro. Com fraca (ou quase inexistente) decoração, sem a presença de grandes nomes da literatura nacional, a quinta edição da FELIS tem tudo para ser considerada a menos organizada e, talvez, a menos movimentada. A desculpa da greve dos policiais e a consequente insegurança da população para sair de casa não parece ser a mais plausível, já que os bares da capital continuavam lotados, com ou sem a presença de policiais nas ruas...
         O evento em si, nos primeiros momentos, contou apenas com a propaganda boca-a-boca entre as pessoas que vivem nos meios literários e algumas pessoas que passavam pela Praça Maria Aragão e viam os operários montando as tendas. Por sinal, até a hora da abertura do evento, nem todos os ambientes estavam prontos causando constrangimento aos visitantes, que tinha que tomar todo cuidado com os materiais soltos e que poderiam trazer perigo aos transeuntes.
         De modo geral, a V Feira do Livro teve acertos e erros. Dentre os acertos está a escolha dos homenageados (Aldo Leite, João do Vale, Sonia Almeida e Mário Meirelles) pessoas ligadas à arte, com um patrono (José Chagas) que merece todas as homenagens. No entanto o que novamente se viu é que essas homenagens praticamente se limitaram a algumas imagens e a nomes dados aos locais do evento. Seria bom que houvesse também mais palestras e circuitos de discussão sobre a obra dos homenageados, além de exposição de seus trabalhos, o que, infelizmente, não aconteceu.
         A comissão organizadora, ao distribuir os espaços deveria preocupar-se também com o conforto acústico dos palestrantes, visitantes e demais convidados, pois o que se viu foi uma disputa desleal entre escritores no espaço de lançamento de livros ou no Café Literário e os sons externos, que variavam ente o burburinho comum dos transeuntes, músicas e outras apresentações paralelas. Também não ficaram claros os critérios de distribuição dos ambientes climatizados. De um lado, havia espaços lotados, com pessoas se abanando com livros, jornais e revistas, e do outro, salas vazias devidamente climatizadas...
         O público, que andou sumido no início, reapareceu nos três primeiros dias, mas o interesse maior não parecia ser assistir às palestras, aos lançamentos de livros ou conhecer as novidades literárias. Muitos foram apenas para atualizarem seus perfis nos sites de relacionamento. Isso pode ser constatado pelo grande número de pessoas empunhando máquinas digitais e pelas poucas sacolinhas recheadas de livros. Para melhorar o volume de vendas, algumas promoções eram feitas, inclusive com o sorteio de um computador portátil e uma cesta de livros, além do adiamento do encerramento oficial do espaço destinado à comercialização dos, que ficará aberto até o dia 06, quando será inaugurada a Árvore de Natal, com a presença o Papai Noel – talvez só ele mesmo para trazer de presente um pouco de esperança para nossa gente!
         Os debates foram de bom nível, com palestrantes que se dispuseram a compartilhar um pouco de seus conhecimentos, de suas angústias e de suas experiências com o mundo das letras. Infelizmente o público andava meio arredio e quase sempre o palestrante falava para os próprio familiares ou para amigos que prestigiavam sua performance. Mas quem se aventurou a entrar em um dos espaços de lançamento de livro, palestra ou relato de experiência não se arrependeu e, certamente, aprendeu bastante naqueles minutos de interação cultural.
         Outro lado bom da história é ver crianças e jovens circulando entre livros. Se não compravam, pelo menos tinham contato direto com alguns escritores ou, no mínimo, se divertiam com o ambiente festivo do evento. Todos nós estamos torcendo para que no próximo ano todos os comentários sejam positivos ou então que as falhas, que sempre hão de existir, sejam suplantadas pela imensa quantidade de acentos. São Luís e sua população merecem esses momentos em que as artes em geral sejam o centro da atenção da cidade.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ILHA VIRTUAL NÚMERO 7

Caros amigos e amigas,

A partir deste momento está online o sétimo número do informativo Ilhavitualpontocom.com artigos sobre Ubitaran Teixeira, José Ewerton Neto e outros textos que sempre ilustram nossas letras.
Para acessar o informativo, clique AQUI


Boa leitura a todos

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Feira do Livro

Hoje começa a nossa V Feira do LIvro de São Luís, um evento que já se tornou especial para todos os que são apaixonados pelas letras em geral, Esperamos que ela seja bem melhor que a do ano passado e que tenha menos contratempos.
Para começar, creio que a Comissão Organizadora já acertou na escolha do patrono. José Chagas, sem dúvida, merece todas as homenagens, mas ainda creio que deveria haver mais palestras, mesas-redondas e outras apresentações que discutissem o trabalho de Chagas e dos demais homenageados.
Vamos torcer pra que esse evento seja repleto de bons momentos.
A seguir, apresento a vocês alguns convites de livros que serão lançados na Feira.




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

WELITON CARVALHO


A Geometria do Lúdico
José Neres


            Dizem que no Maranhão todo mundo se considera, pelo menos em alguns momentos, poeta. Anualmente, inúmeras obras são escritas e diversas delas conseguem sair da gaveta e alçam à condição de livro impresso. São poucas, porém, as que conseguem atingir os status de trabalho de boa ou pelo menos razoável qualidade literária. Há casos em que apenas o autor e seus familiares conseguem ver alguma tessitura poética naquelas páginas encadernadas...
            Há casos, contudo, em que o autor realmente merece ser chamado de poeta e consegue transpor para o papel suas ideias, seus sentimentos e suas impressões sobre o mundo em forma de versos bem elaborados e com boas soluções artísticas, fazendo com que o leitor mais exigente perceba que naquela página não há apenas um amontoado de palavras, mas sim um caminho sedimentado para as emoções poéticas.
            Entre esses escritores que costumam sair da mera construção em série de poemas e conseguem atingir a esfera da poesia está Weliton Carvalho, autor de “Travessia sem Fim”, “Descobrimento do Explícito”, “Sustos do Silêncio”, “Tempo em Conserva” e “Geometria o Lúdico”, um alentado volume com mais de 600 páginas e que reúne, além dos três últimos livros acima citados, trazendo ainda outros trabalhos até então inéditos: “A Poesia Sorrindo”, “Sinfonia da Solidão” e “Escandalosa e Lírica”.
            Dono de excelente dicção poética, Weliton Carvalho é capaz de transitar com a mesma desenvoltura por temas diversos como engajamento social, erotismo, lirismo e metalinguagem, por exemplo. No entanto, essa diversidade de temas não faz com que o poeta pareça superficial em suas abordagens, pois o trabalho poético-linguístico por ele perpetrado vai além de forçar as palavras em um contexto frasal. Weliton Carvalho em seus versos procura sempre conter a verbosidade sem comprometer a construção das imagens poéticas e sem apelar para construções esdrúxulas que apenas sirvam para chamar chocar o leitor, mas sem conteúdo aproveitável.
            Por trazer um apanhado geral da produção do autor em poesia até 2008, “Geometria do Lúdico” (Sotaque Norte: 670 páginas) é o livro mais recomendado para quem deseje entrar em contato com o conjunto da obra de Weliton Carvalho. Nesse livro, o leitor poderá encontrar desde os versos de caráter mais social de alguns poemas até a explosão de sensualidade e erotismo de um livro inteiro dedicado à relação física-amorosa-carnal entre dos seres que ora se mistura, ora se separam, mas que sempre se completam.
            Mas o ponto alto do livro é “Poesia Sorrindo”, obra na qual o poeta maranhense pasticha e ao mesmo tempo presta grande homenagem a Mário Quintana. Em dezenas de versos sintéticos, Carvalho cria flashes da realidade interior e/ou exterior do ser humano, discutindo de forma bem humorada situações aparentemente comuns, mas que poderiam passar despercebidas por olhos menos atentos. Em versos curtos e carregados de ironia e de suavidade, o poeta trabalha o cotidiano. O celular, por exemplo, hoje um amigo inseparável de muitas pessoas, é redefinido como sendo “um chato de algibeira” (p. 331). Atento a tudo o que o rodeia, no poema Pequena Tragédia, o poeta chama a atenção para algo que se repete dia após dia: “O professor recitando Gonçalves Dias/ e os alunos preocupados com a provinha de literatura” (p. 347). Às vezes, o tom de provocação norteia o poema, como ocorre em Fogo Amigo: “Os homens não reparariam na celulite não fossem tuas amigas” (p. 362).
            De modo geral, se o livro “Geometria do Lúdico” pode até assustar os pseudo-leitores pelo número de páginas, porém bastará o verdadeiro amante da boa poesia correr os olhos pelas primeiras páginas ou mesmo abrir o livro em qualquer poema para se sentir acolhido pela essência dos versos de um homem que realmente pode ser chamado de poeta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PAPO POÉTICO

Nesta semana, o projeto PAPO POÉTICO será uma palestra sobre os movimentos literários e os planos editoriais, em São Luís, no século 20, com o jornalista e escritor Herbert de Jesus Santos, na sexta-feira, 28 / 10 / 2011, às 19 horas. 

Relançamento dos seus seis livros mais recentes e que foram publicados na década de 2000: Antes que Derramem a Lua Cheia (de crônicas), São Luís em PreAmar: Ainda Assim, há um Azul! (poemas), Peru na Missa do Galo (Contos de Natal), A Segunda Chance de Eurides (novela), Serventia e os Outros da Patota (contos) e Ofício de São Luís: Bernardo Coelho de Almeida (Coração em Verso e Prosa).

Clique aqui e leia nosso texto sobre Herbert de Jesus Santos

local: RUA DE SÃO JOÃO (ESQUINA COM RUA DOS AFOGADOS, ONDE TEM UM SEMÁFORO), 389 – A, ALTOS DO BANCO BOMSUCESSO, ENTRADA PELA RUA DE SÃO JOÃO. Lá funciona um barzinho; som de primeira. Papos sobre arte e cultura. Espaço para leituras de poesia, contos e performances.