terça-feira, 29 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

PROFISSIONAL DE SECRETARIADO


PROFISSIONAL DE SECRETARIADO: ONTEM E HOJE

José Neres

(Professor do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue da FAMA e escritor)

Lindalva Barros

(Professor do Curso de Secretariado Executivo Bilíngue da FAMA)




No começo da década de 80, os ouvintes das emissoras de rádio eram bombardeados com sucessos musicais de diversos gêneros. Entre as canções mais executadas nas rádios estava uma interpretada pela cantora Julia Graciela, uma argentina que alcançou grande sucesso no Brasil. A letra era bastante simples e chamava atenção pelo refrão que dizia: “Precisa-se de moça, boa aparência pra secretária, tem que ser muito bonita, descontraída e educada.”

O título da canção, “Anúncio de Jornal”, é bastante significativo, pois reproduz com grande grau de exatidão os estereótipos relacionados ao profissional de secretariado até bem pouco tempo. Primeiro temos o fato de o anúncio dirigir-se apenas às mulheres, um claro exemplo de que, na época, essa era uma função exclusivamente feminina, pois eram raros (e discriminados) os homens que se arriscavam a dedicar-se à profissão. Outros fatos que chamam atenção na letra da música são os adjetivos usados como elemento de seleção: bonita/ descontraída/ educada, antecedidos da perífrase verbal “tem que”, como impositivo de uma condição sine qua non para conseguir o emprego. Em momento nenhum é pedida alguma referência relativa à escolaridade, à formação acadêmica ou a qualquer outra capacitação para o trabalho. Outro elemento que aparece no restante da música é a identificação da secretária como amante do patrão e tratada como objeto de desejo sexual, podendo ser descartada quando não há mais interesse por ela.

Era mais ou menos assim, infelizmente, que a secretária era vista pela sociedade. Não havia uma seleção séria para exercer o cargo e um rosto bonito, emoldurado por cabelos bem cuidados e acompanhado de um corpo torneado substituíam o currículo na hora da seleção. Durante muito tempo, ao profissional de secretariado era praticamente vedado o direito de almejar voos mais altos. Seu destino estava praticamente traçado: iria datilografar (depois digitar) textos redigidos pelos chefes, atender ao telefone, servir água e café nas reuniões, redigir as atas e, de preferência, permanecer calado, para não atrapalhar o andamento do serviço.

É bom ressaltar também que, constantemente, o vocábulo secretária era utilizado como sinônimo eufemístico de empregada doméstica ou de prostituta. Essa última acepção da palavra fez muito sucesso na voz do hoje quase esquecido cantor César Sampaio na composição que tem como título “Secretária da Beira do Cais”. Ainda em nosso cancioneiro popular, Amado Batista também canta a música intitulada “Secretária”, na qual reproduz praticamente todos os estereótipos relacionados à profissão, principalmente a ideia de ver a profissional como uma espécie de fetiche de conotação sexual.

E hoje, será que o profissional de secretariado ainda mantém o perfil continua o mesmo de décadas atrás?

Felizmente não! Para começar, a profissão não é mais uma exclusividade feminina, e diversos homens descobriram nas atividades secretariais um novo nicho empregatício. O que antes era visto como algo exótico e propenso às mais variadas formas de discriminação é, agora algo comum.

Com a criação de cursos voltados para secretariado, primeiro em nível técnico-profissionalizante, e depois superior, a profissão começou a ser vista de modo diferente, alcançando um grau maior de respeitabilidade. Hoje, apesar de ainda haver um ranço de preconceito, já não se associa mais o profissional de secretariado tão somente aos aspectos de beleza e de subserviência ao imediato superior. Já é possível notar que a época de Servir cafezinho nas reuniões, de permanecer calado e de datilografar/digitar documentos preocupando-se tão somente com a forma, sem a mínima preocupação com o conteúdo, está ficando para trás.

Do ponto de vista prático, o profissional de secretariado hoje tem (ou deve ter) curso superior, deve saber redigir com elegância e correção, prepara-se para estar sempre atento às inovações tecnológicas, busca conhecer outros idiomas, tem noções de empreendedorismo e não se limita mais a apenas ouvir atentamente as decisões tomadas pelas esferas superiores da administração de seu local de trabalho, mas também apresenta propostas e discute soluções para os problemas apresentados.

Em síntese, pode-se dizer que quem exerce uma função secretarial nos dias de hoje não é um ser passivo nem desligado da realidade, é, sim, alguém que deve ser sentir preparado para gerenciar situações e pessoas. Nos dias atuais, o essencial para o profissional não é mais “ter boa aparência”, ou ser uma pessoa “muito bonita, descontraída ou educada”. O que conta mais é uma formação sólida, um currículo enriquecido com curso nas mais diversas áreas, capacidade de trabalhar em equipe e, principalmente, bastante competência.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

UM ÓTIMO LIVRO



Carinho é algo que não tem explicação. Recebemos e damos carinho todos os dias. Mas alguns são mais marcantes, como o que recebo de Arlete Nogueira e de Nauro Machado todas as vezes que os vejo. E como retribuir carinho? Só com carinho. Como são dois grandes escritores, retribuo cada palavra com outras palavras, analisando suas obras. Já escrevi sobre Nauro algumas vezes - inclusive neste blog - e agora faço um breve e singelo estudo sobre Litania da Velha, a obra magna de Arlete Nogueira. Sei que o texto não está à altura desse livro maravilhoso, mas é o que posso fazer.




ETERNA LITANIA

José Neres

Uma velha mendiga, combalida pela miséria, pelas sevícias do tempo e pelas agruras de uma vida inteira de dores e amarguras, atravessa a cidade em busca da sobrevivência. Um mero pedaço de pão endurecido transforma-se em um banquete diante da fome que a corrói. Uma moeda de qualquer valor é vista como verdadeira fortuna. A mendiga passa quase invisível diante de olhos que teimam em enxergar apenas um lado da realidade. A velha senhora, aos poucos, vai perdendo as forças e percebe que seus últimos instantes se aproximam. Uma chuva torrencial leva para longe os parcos pertences da mulher, suas esperanças, seus sonhos e até sua história.

A cena acima descrita poderia servir de enredo para uma notícia de página de jornal, ou para uma conversa de esquina, quem sabe para ilustrar uma palestra sobre direitos humanos... Mas nas hábeis e poéticas mãos de Arlete Nogueira da Cruz, esse pequeno fragmento de vida ganhou a dimensão de poesia e veio à luz com pertinente título de Litania da Velha, um dos mais interessantes e contundentes exemplos de como engajamento social e lirismo, palavras e imagem podem conviver pacificamente nas páginas de um livro sem a necessidade de o autor cair na mera verborragia sentimental, ou no puro panfletarismo de caráter político. Não! Em Litania da Velha, o que há poesia em seu mais alto grau e um laborioso trato com a linguagem, para tirar de cada vocábulo a seiva poética que permite ao artista dizer muito com poucas palavras.

Utilizando pouco mais de meia centena de estrofes, todas em formato de dísticos bastante longos, Arlete Nogueira consegue, no ritmo de cada verso, reproduzir para o leitor o cansaço que se apodera da protagonista a cada passo dado rumo a seu inexorável destino. A cada ladeira vencida ou a cada esquina dobrada, o peso do viver se multiplica e o corpo da mendiga se verga à certeza de que já lhe é impossível suportar as injustiças do mundo e os inúmeros descasos sociais que espreitam os menos favorecidos em cada esquina e em cada decisão tomada.

Ao longo das páginas, o leitor vai percebendo que, como tudo no poema, a imagem da velha é também uma grande metáfora utilizada pela arguta autora para fazer suas denúncias subliminares. Aos poucos a mendiga e a cidade por onde ela vaga entram em processo de fusão, e, metaforicamente, transformam-se em um amálgama em que o sofrimento de uma se reflete na dor da outra, e a decadência da mulher é o prenúncio do abandono pelo qual passa a cidade.

De um modo bastante singelo, Arlete Nogueira deixa a seus leitores a mensagem de que da mesma forma que uma velha mendiga aparentemente insignificante morre à vista de todos (cidadãos comuns e autoridades), a cidade também está agonizante e ninguém se move para socorrê-la ou para tentar salvá-la do acelerado processo de decomposição física, histórica e moral. Tal mensagem pode ser percebida não apenas pelo elegante jogo de metáforas utilizado pela escritora, mas também pelas ilustrações que acompanham o texto. As fotografias tiradas por Edgar Rocha, Raimundo Guterres e Wílson Marques dialogam com o poema e reforçam as relações entre o desrespeito aos seres humanos e o depauperamento das edificações que guardam também nossa história

Litania da Velha é um livro para ser lido de uma só vez, mas que exige uma pausa em cada final de verso. Uma pausa para reflexão, pois, como em uma eterna litania, a história se repete dia-a-dia e nós não nos damos conta de que caminhamos de cabeça baixa e olhos suplicantes rumo ao nosso próprio fim.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

INÍCIO DE SEMANA


Nada como começar a semana com poesia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

HAGAMENON DE JESUS

Hagamenon é um poeta/ensaísta que merece todas as homenagens,por isso escrevi este modesto artigo sobre seu livro de Estreia. Não posso deixar de agradecer ao Alberico Carneiro, editor do Guesa Errante, pelo espaço que me tem concedido em seu suplemento. (Clique na imagempara ampliá-la)

ARTIGO


O Estado do Maranhão, 04 de julho de 2009. (clique na imagempara ampliar)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

EMPRESTE-ME UM LIVRO...

Escrevi este texto há uns dois ou três anos, mas ele continua atual. Basta observar a realidade.


DA ARTE DE PERDER LIVROS

José Neres

A regra é bem lógica e simples. Quer perder livros? Basta dedicar-se a não muito salutar tarefa de emprestá-los.

Um livro, qualquer que seja ele, é tão importante que é capaz de mudar completamente até mesmo a noção de tempo e de espaço. Não! Não estou falando aqui do poder dos livros de levar os leitores para outros tempos ou a paragens alcançáveis apenas pela imaginação. Fala de algo mais real e mais facilmente comprovável.

É o seguinte: quando alguém precisa de um livro, raramente se dirige a uma livraria para comprá-lo. É mais fácil e cômodo pedi-lo emprestado a um incauto qualquer de boa fé. É esse o momento de fazer o teste que passo a descrever a partir desta linha. Basta o dono do livro dizer que só ele sabe onde está o referido título, que mora longe e que só estará em casa a partir das dez ou onze horas da noite. Pronto. Como em um passe de mágica, relógio, convenções sociais e distâncias perdem a importância. Na hora marcada, por mais incômoda que seja; no endereço dado, por pior que seja o acesso a ele, o pedinte estará ali, com um sorriso no rosto, pedindo desculpas pelos inconvenientes, mas deixando bem claro que consultar aquela obra é questão de vida ou de morte. A visita costuma ser rápida, raramente o cidadão aceita passar da soleira da porta, tal é sua pressa.

A segunda parte do teste vem dias, semanas ou meses mais tarde. Uma vez feita a tão urgente consulta, a residência do dono do livro se torna extremamente distante; aquela pessoa que outrora se dispôs a ir a qualquer hora pegar a obra, de repente, não mais que de repente, como diria Vinícius de Moraes, percebe que não deve incomodar as pessoas altas horas da noite, domingos ou feriados tão simplesmente para entregar um mero livro; o número do telefone do proprietário do livro, que foi usado incessantes vezes para lembrar o título exato do volume, como que por encanto, desaparece da agenda do agora tão ocupado pedinte... E o tempo vai passando...

A terceira e última parte do teste vem em um encontro fortuito, quase acidental entre as duas partes. Geralmente, quem está com o livro não toca no delicado assunto e, quando instado a falar sobre uma possível devolução, alega falta de tempo, muito serviço, problemas de locomoção para lugares distantes e conclui dizendo que em breve, assim que sobrar um tempinho, fará uma visita com mais calma, para entregar o precioso objeto, etc, etc, etc.

Pronto. O teste está completo. Os livros, principalmente os emprestados têm o poder de relativizar aos extremos as noções de tempo, de espaço e de prioridade.

O problema desse tipo de comprovação é que ela pode sair muito cara para quem decide investir em uma formação mais letrada. A cada experiência, alguns livros preciosamente raros participam de uma espécie de êxodo bibliográfico sem volta às estantes de origem. Além do valor pecuniário perdido, o amante das palavras escritas percebe aos poucos que os clarões das estantes mostram bem mais que uma hemorragia de celulose, escancarando aos olhos do pobre coitado a perda de anos e mais anos de busca incessante a exemplares raros que aos amados lares nunca mais retornarão.

É... esse é o tipo de arte que precisa ser combatida, antes que transforme benfeitores da palavra em seres egoístas especializados na arte de esconder a sete chaves seus pequenos tesouros de papel.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Carlos Cunha


O GARIMPEIRO DE TALENTOS

José Neres

No Maranhão, ano após ano, dezenas de pessoas encantadas com os laivos poéticos que possuem (ou que julgam possuir) juntam suas economias e, por falta de acesso às grandes editoras, custeiam o sonho da publicação de um livro. A obra quase sempre circula apenas entre familiares e amigos do autor e, em pouco tempo, transforma-se em um monte de volumes esquecidos em um cômodo qualquer da casa.

A dificuldade de divulgar os livros publicados e a indiferença dos escassos leitores são dois dos obstáculos com os quais os escritores devem conviver quando decidem publicar seus primeiros trabalhos. A divulgação na mídia geralmente é mínima e a concorrência do lançamento de livros com outros tipos de diversão é, sem dúvida, desproporcional. Somando-se a isso, temos também a ausência de uma rede de distribuição dos livros, o que acaba transformando o autor em um dublê de autor e vendedor das obras. Além de todos esses entraves, ainda há em nossa terra a falta de uma crítica especializada que se debruce sobre as obras dos autores estreantes. Assim sendo, o livro nem bem é publicado e já se transformou em algo de um passado distante.

Nas últimas décadas, alguns intelectuais decidiram dedicar parte de seu tempo para estudar os valores literários que se dispunham a expor seus trabalhos ao público. Alguns livros conseguiram uma boa projeção, como é o caso de “A Poesia Maranhense do Século XX”, do piauiense Assis Brasil. Outros esforços acabaram caindo no esquecimento e hoje são raramente encontrados até mesmo para pesquisa, como é o caso de “A Atual Poesia do Maranhão”, de Arlete Nogueira e de alguns livros de Clóvis Ramos. Mas quem realmente deve ser visto como grande garimpeiro de talentos nascedouros foi Carlos Cunha.

Além professor, folclorista, poeta, acadêmico e pesquisador Carlos, Cunha foi um incansável defensor das letras maranhenses. Ao longo de décadas, ele se prontificou a estudar criticamente as obras que eram publicadas. Autores que começam a caminhada rumo ao mundo das letras não ficavam no esquecimento e tinham seus trabalhos esmiuçados pelo olhar sempre atento do velho mestre. Desse modo, no livro “As Lâmpadas do Sol”, (de 1980), já é possível encontrar estudos sobre Luís Augusto Cassas, Raimundo Fontenele, Roberto Kenard, Wanda Crisitina e Déo Silva, autores que somente alguns anos depois iriam ter seus nomes projetados para além dos limites da Ilha.

Atento a tudo o que acontecia no campo das letras maranhenses, Carlos Cunha, no mesmo livro, também estudava nomes como Bernardo Almeida, Ferreira Gullar, Bandeira Tribuzi, José Maria Nascimento, Nauro Machado, Oswaldino Marques, Nascimento Moraes Filho, Lucy Teixeira e José Sarney, autores que já eram reconhecidos na época. Em outro livro, intitulado “No Porão da Eternidade” (de 1982), que não é totalmente voltado para a literatura, pois aborda personalidades também de outras áreas, o arguto crítico faz um passeio pela obra indianista de Gonçalves Dias; lembra o passamento de Erasmo Dias e analisa “Canção das Horas Úmidas”, o primeiro livro de poema de Arlete Nogueira da Cruz.

Anos antes, em 1974, o pesquisador maranhense já havia sido aclamado por seu importante trabalho “Poesia Maranhense Hoje/50 anos de poesia”, uma importante antologia de resgate dos poetas de nossa terra. Tais livros hoje são verdadeiras raridades, mas também são fontes para qualquer pessoa que se disponha a estudar a literatura maranhense.

Hoje, alguns anos após a morte do professor/poeta, sabemos que nem tudo o que foi garimpado por ele era ouro de verdade. Mas ele cumpriu com o seu dever de buscar pepitas de ouro onde outros só enxergavam um vazio literário.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

UM AUTOR MARANHENSE

WALDEMIRO VIANA
José Neres
(Professor e Escritor)


Quem não acompanha de perto a produção intelectual dos autores contemporâneos costuma imaginar que nossa literatura vive apenas de um passado glorioso. Quando tais pessoas se referem aos romancistas de nossa terra, costumam citar apenas os clássicos canonizados pelo tempo: Aluísio Azevedo, Coelho Neto, Graça Aranha e, quando muito, chegam a falar em João Mohana, José Louzeiro, José Sarney e Josué Montello. Esses pseudo-conhecedores das letras maranhenses certamente desconhecem alguns prosadores de grande talento que estão publicando, como é o caso de José Ewerton Neto, Ronaldo Costa Fernandes, Bento Moreira Lima, Arlete Nogueira, José de Ribamar Reis e alguns outros que se dedicam à difícil arte da narrativa longa.

Além dos romancistas acima citados, pode – e deve – ser lembrado também o nome de Waldemiro Viana, um dos mais talentosos escritores maranhenses do último quartel do século XX e do início deste novo milênio. Filho do ilustre intelectual Fernando Viana, Waldemiro herdou do pai muito mais que o sobrenome, herdou também o grande talento para trabalhar com as palavras e transformá-las em obra de arte.

Depois de brindar o público com os volteios picarescos do hoje cada vez mais raro “A questionável amoralidade de Apolônio Proeza”, o escritor trouxe à luz seu livro mais lido e mais comentado: “Graúna em Roça de Arroz”, um romance que merece todos os adjetivos elogiosos que já recebeu por parte da crítica. Não há como ler o livro sem se sentir dentro do turbilhão que envolve a vida de Marcolino e Celeste, os dois protagonistas da obra. A cada página, o leitor vai percebendo que as personagens mergulham em um abismo tramado pelo próprio destino e que dali não podem sair sem as sequelas e lacerações que marcarão para sempre seus corpos e suas almas. Capítulo a capítulo, o autor demonstra dominar a técnica narrativa e consegue prender seu público em um labirinto de surpresas capaz de despertar as mais diversas emoções.

As pessoas comuns são o assunto preferido do romancista maranhense. Ele não pretende, em suas obras, mostrar pessoas dotadas de poderes ou características que fujam à compreensão. É da simplicidade do cotidiano que ele retira o mote para suas produções, como pode muito bem ser atestado no bem-humorado “O Mau Samaritano”, obra que permite ser lida de um só fôlego por horas ininterruptas. Partindo de um fato inusitado, porém banal em nosso dia-a-dia, Waldemiro Viana consegue encaixar um bom número de interessantes episódios aparentemente isolados, mas que encontram ressonância no tronco principal da narrativa. Aos pouco, o que era um simples diálogo entre dois desconhecidos ganha dramaticidade e, oscilante entre o humor e perspectiva de uma tragédia, ganha novos e inesperados contornos.

Saindo do âmbito da narrativa, o escritor ludovicense, em seu mais recente livro, “Passarela do Centenário e Outros Perfis”, também prova que é um talentoso poeta. Em 47 sonetos, ele traça um pequeno retrato de seus confrades da Academia Maranhense de Letras e de outras personalidades. O livro pode ser visto com um pequeno álbum, no qual cada poema é um cromo colado na página com a perspicácia de um olhar sempre observador.

Enfim, entre poemas, romances e, certamente, muitos inéditos na gaveta, Waldemiro Viana é um desses homens que dignificam as terras maranhenses com o brilho de suas obras.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

UMA CHARGE


Recebi de minha dileta amiga Elaine Casale esta charge que demonstra muito bem as mudanças em nosso sistema educação e no familiar nas últimas décadas. Creio que a imagem não precisa de comentários.