Lembranças
Guardo com muito carinho uma cópia da monografia de conclusão do Curso de Letras de autoria de Silvia Amélia Franklin da Costa Morais, defendida em 2004 na Faculdade Atenas Maranhense, e orientado pela professora Elaine Raulino.
O trabalho intitulado A MULHER DE POTIFAR: UMA LEITURA DIALÓGICA foi a primeira e, que eu saiba, única monografia sobre meu trabalho literário.
Lembro-me que Silvia Amélia muito penou, pois havia muitas pessoas tentando dissuadi-la. Para tais pessoas, não valia a pena dispender tanto esforço para falar de um autor desconhecido. Sílvia Amélia lutou contra essa maré de pessimismo e, mesmo vindo de uma família de notáveis homens de letras, continuou firme na ideia de fazer o TCC sobre meu livro.
Lembro esse episódio para lembrar que os escritores novatos tendem a encontrar todas as portas fechadas. Tanto as portas dos meios de comunicação quanto a da cabeça de diversas pessoas que acreditam que o estudante não pode inovar nem buscar outras obras ou autores para estudar. Parece que só os clássicos têm espaço nos bancos escolares e das universidades.
Não concordo com isso. Acredito que há espaço suficiente para colocar lado a lado o clássico e o moderno e que quando alguém se propõe a escrever e publicar um livro, esse alguém não quer apenas ganhar dinheiro com a obra (o que seria uma ilusão maior ainda), mas sim ser lido e, se possível comentado.
Há muitos jovens escritores que ficaram felizes apenas em saber que uma pessoa, fora dos círculos de amizade ou do grupo familiar, leu aquele trabalho tão suado, vindo à luz à custa de tantos sacrifícios.

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