segunda-feira, 7 de novembro de 2011

WELITON CARVALHO


A Geometria do Lúdico
José Neres


            Dizem que no Maranhão todo mundo se considera, pelo menos em alguns momentos, poeta. Anualmente, inúmeras obras são escritas e diversas delas conseguem sair da gaveta e alçam à condição de livro impresso. São poucas, porém, as que conseguem atingir os status de trabalho de boa ou pelo menos razoável qualidade literária. Há casos em que apenas o autor e seus familiares conseguem ver alguma tessitura poética naquelas páginas encadernadas...
            Há casos, contudo, em que o autor realmente merece ser chamado de poeta e consegue transpor para o papel suas ideias, seus sentimentos e suas impressões sobre o mundo em forma de versos bem elaborados e com boas soluções artísticas, fazendo com que o leitor mais exigente perceba que naquela página não há apenas um amontoado de palavras, mas sim um caminho sedimentado para as emoções poéticas.
            Entre esses escritores que costumam sair da mera construção em série de poemas e conseguem atingir a esfera da poesia está Weliton Carvalho, autor de “Travessia sem Fim”, “Descobrimento do Explícito”, “Sustos do Silêncio”, “Tempo em Conserva” e “Geometria o Lúdico”, um alentado volume com mais de 600 páginas e que reúne, além dos três últimos livros acima citados, trazendo ainda outros trabalhos até então inéditos: “A Poesia Sorrindo”, “Sinfonia da Solidão” e “Escandalosa e Lírica”.
            Dono de excelente dicção poética, Weliton Carvalho é capaz de transitar com a mesma desenvoltura por temas diversos como engajamento social, erotismo, lirismo e metalinguagem, por exemplo. No entanto, essa diversidade de temas não faz com que o poeta pareça superficial em suas abordagens, pois o trabalho poético-linguístico por ele perpetrado vai além de forçar as palavras em um contexto frasal. Weliton Carvalho em seus versos procura sempre conter a verbosidade sem comprometer a construção das imagens poéticas e sem apelar para construções esdrúxulas que apenas sirvam para chamar chocar o leitor, mas sem conteúdo aproveitável.
            Por trazer um apanhado geral da produção do autor em poesia até 2008, “Geometria do Lúdico” (Sotaque Norte: 670 páginas) é o livro mais recomendado para quem deseje entrar em contato com o conjunto da obra de Weliton Carvalho. Nesse livro, o leitor poderá encontrar desde os versos de caráter mais social de alguns poemas até a explosão de sensualidade e erotismo de um livro inteiro dedicado à relação física-amorosa-carnal entre dos seres que ora se mistura, ora se separam, mas que sempre se completam.
            Mas o ponto alto do livro é “Poesia Sorrindo”, obra na qual o poeta maranhense pasticha e ao mesmo tempo presta grande homenagem a Mário Quintana. Em dezenas de versos sintéticos, Carvalho cria flashes da realidade interior e/ou exterior do ser humano, discutindo de forma bem humorada situações aparentemente comuns, mas que poderiam passar despercebidas por olhos menos atentos. Em versos curtos e carregados de ironia e de suavidade, o poeta trabalha o cotidiano. O celular, por exemplo, hoje um amigo inseparável de muitas pessoas, é redefinido como sendo “um chato de algibeira” (p. 331). Atento a tudo o que o rodeia, no poema Pequena Tragédia, o poeta chama a atenção para algo que se repete dia após dia: “O professor recitando Gonçalves Dias/ e os alunos preocupados com a provinha de literatura” (p. 347). Às vezes, o tom de provocação norteia o poema, como ocorre em Fogo Amigo: “Os homens não reparariam na celulite não fossem tuas amigas” (p. 362).
            De modo geral, se o livro “Geometria do Lúdico” pode até assustar os pseudo-leitores pelo número de páginas, porém bastará o verdadeiro amante da boa poesia correr os olhos pelas primeiras páginas ou mesmo abrir o livro em qualquer poema para se sentir acolhido pela essência dos versos de um homem que realmente pode ser chamado de poeta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PAPO POÉTICO

Nesta semana, o projeto PAPO POÉTICO será uma palestra sobre os movimentos literários e os planos editoriais, em São Luís, no século 20, com o jornalista e escritor Herbert de Jesus Santos, na sexta-feira, 28 / 10 / 2011, às 19 horas. 

Relançamento dos seus seis livros mais recentes e que foram publicados na década de 2000: Antes que Derramem a Lua Cheia (de crônicas), São Luís em PreAmar: Ainda Assim, há um Azul! (poemas), Peru na Missa do Galo (Contos de Natal), A Segunda Chance de Eurides (novela), Serventia e os Outros da Patota (contos) e Ofício de São Luís: Bernardo Coelho de Almeida (Coração em Verso e Prosa).

Clique aqui e leia nosso texto sobre Herbert de Jesus Santos

local: RUA DE SÃO JOÃO (ESQUINA COM RUA DOS AFOGADOS, ONDE TEM UM SEMÁFORO), 389 – A, ALTOS DO BANCO BOMSUCESSO, ENTRADA PELA RUA DE SÃO JOÃO. Lá funciona um barzinho; som de primeira. Papos sobre arte e cultura. Espaço para leituras de poesia, contos e performances.

sábado, 22 de outubro de 2011

ILHAVIRTUAPONTOCOM NÚMERO 6

Meus amigos e amigas,
Depois de algum tempo afastado (mas ninguém percebeu) estou de volta ao blog e trago o sexto número de nosso informativo ILHAVIRTUALPONTOCOM, que pode ser lido aqui mesmo no blog ou pode ter sua versão baixada em PDF. 
Para baixar o jornal, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

UM POEMINHA E SÓ.....

Nesta tarde/noite linda de chuva, nada melhor do que um poema para mostrar que, com sol ou chuva, o importante é viver e buscar um nexo em tudo...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

NOVO LIVRO DE SÔNIA ALMEIDA

Professores, alunos e pesquisadores em geral em breve terão às mãos uma nova fonte de pesquisa. Trata-se do novo livro da professora e imortal da Academia Maranhense de Letras Sonia Almeida. O livro, que é fruto da tese de doutorado da autora, discute a escrita no nível superior, mostrando suas singularidades em um novo olhar.
Vale a pena conferir mais esse trabalho desta sempre ativa professora e escritora.

UBIRATAN TEIXEIRA

UBIRATAN TEIXEIRA EM SEU 
DIÁRIO DE CAMPO
José Neres


            Em seus oitenta anos de vida, Ubiratan Teixeira tem sido admirado como fecundo cronista, talentoso prosador, excelente crítico e notável teatrólogo. Todas essas características podem ser atestadas pelos diversos prêmios recebidos ao longo de uma vitoriosa trejetória de luta com as palavras escritas e, principalmente, pela leitura de sua vasta produção intelectual, que vai desde textos curtos para jornais até bem elaboradas obras de ficção, passando também por um livro voltado para o público infanto-juvenil e pelo essencialíssimo Dicionário de Teatro.

            Mas além de todos esses predicados acima mencionados,Ubiratan Teixeira deve ser visto também com importante testemunha dos principais acontecimentos culturais ocorridos no Maranhão desde a segunda metade do século XX até este início de século XX. Mas ele não se limitou a ser mais uma testemunha da história a guardar os episódios nas retinas e na memória. Ele tomou a decisão de compartilhar esse momentos com seus seus inúmeros leitores. Com isso, o conjunto de crônicas e artigos de UT pode servir de base para pesquisas ou para uma leitura mais aprofundada dos diversos momentos culturais cobertos pelo autor em seus textos semanais.

            Como o texto de jornal parece já nascer com data marcada para morrer, e o periódico que hoje está cheio de novidades será amanhã utilizado para inúmeros outros fins, que quase nunca têm relação com a leitura, a solução encontrada pelos cronistas para dar perenidade a seus textos é enfeixá-los em forma de livro. Foi isso que fez Ubiratan Teixeira, que reuniu 80 de suas crônicas/ensaios em um livro significativamente intitulado “Diário de Campo”  (Ética Editora, 2010).

            Teatro, exposições, artes plásticas, música, literatura e todo um universo cultural que gira em torno de São Luís e do Maranhão como um todo, mas que quase sempre é relegado a um segundo plano no olhar das autoridades e das pessoas em geral, contituem o epicentro dessa obra em que Ubiratan Teixeira mostra que ser testemunha da História não é sinônimo de ser passivo. Em cada página, o leitor entra em contato com importantes momentos de nossa cultura, com eventos que hoje são apenas lembranças (ou nem isso mais) na combalida memória de um povo que fecha os olhos para seus valores,  com nomes essenciais para o desenvolvimento das artes nas terras de Gonçalves Dias.

            Em 252 páginas de um livro que pode ser lido de um só fôlego ou saboreado aos poucos, sem preocupação com a ordem dos textos, o experiente cronista “passeia” pelo mundo das artes e conduz o leitor pelas encruzilhadas nem sempre bem iluminadas de nossa cultura. Dono de um estilo característico, que mescla um tom coloquial com boa dose de crítica e um olhar arguto sobre situações praticamente invisíveis para quem não está envolvido com o quase sempre desprezado mundo das artes, Ubiratan Teixeira não se omite de deixar suas impressões acerca dos fatos retratados, e isso dá um sabor especial aos textos, que deixam de ser meras observações e podem ser lidos como fragmentos de pensamentos de um dos mais privilegiados observadores de eventos que quase sempre são vistos apenas em sua superfície.

            “Diário de Campo” é um livro leve e denso ao mesmo tempo. Leve pela linguagem, pelo estilo do autor, que sabe pesar muito bem em cada crônica/ensaio bom humor e a acidez de um olhar crítico. Denso por tratar de temas que exigem reflexão a cada parágrafo e por deixar evidente que um assunto tão importante quanto a cultura quase sempre e deixado de lado em um Estado que deveria valorizar mais quem produz ou investe em arte.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

UM GUANICÊ DE IMAGENS

Durante uma semana, os amantes da Sétima Artes poderão deliciar-se com mais uma edição do Festival Guanicê de Cinema.  Veja abaixo a programação e não perca mais esse grande evento


PROGRAMAÇÃO GERAL

Dia 03 de outubro de 2011 - Auditório Central (UFMA):
18h30 – Cerimônia de Abertura: Banda ‘’Infinity Jazz Band’’
19h00 – Palavra dos promotores, patrocinadores e colaboradores.
19h30 – Exibição do Longa Metragem: Quebrando o Tabu
21h30 - Atração Folclórica

Dia 04 de outubro de 2011 - Auditório Central (UFMA):
08h30 – Mostra Guarnicezinho animada.
10h00 – Mostra Filme Longa Metragem Nacional (O Veneno Está Na Mesa) - Sílvio Tendler
12h00 – Cine Música.
14h00 – Competitiva de Vídeos Bloco 1
16h00 – Competitiva de Filmes 35mm Média e Curta Metragem.
18h00 – Cine arte.
19h00 – Competitiva de Filmes 35mm Longa Metragem.
21h30 – Atração Folclórica. 

Auditório Rosa Mochel (Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho):
09h00 -14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 1
15h00 -14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 2

Dia 05 de outubro de 2011  - Auditório Central (UFMA):
08h30 – Mostra Guarnicezinho animada.
10h00 – Mostra Filme Longa Metragem Nacional - (Utopia Barbárie), de Sílvio Tendler
12h00 – Cine Música.
14h00 – Competitiva de Vídeos -  Bloco 2
16h00 – Competitiva de Filmes 35mm Média e Curta Metragem - Bloco 2
18h00 – Cine arte.
19h00 – Competitiva de Filmes 35mm Longa Metragem.
21h30 – Atração Folclórica.

Auditório Rosa Mochel (Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho):
09h – 14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 3
15h – 14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 4

Dia 06 de outubro de 2011 - Auditório Central (UFMA):
08h30 – Mostra Guarnicezinho animada.
10h00 – Mostra Lume Filmes – (A Garota da Fábrica de Fósforos / TULITIKKUTEHTAAN TYTTÖ ), de Aki Kauriusmaki.
12h00 – Cine Música
14h00 – Competitiva de Vídeos - Bloco 3
16h00 – Competitiva de Filmes 35mm Média e Curta Metragem – Bloco 3.
18h00 – Competitiva de Vídeo Clipes
19h00 – Mostra de Filmes 35mm Longa Metragem (Glauber, O Filme – Labirinto do Brasil), de Sílvio Tendler .
21h30 – Atração Folclórica.

Auditório Rosa Mochel (Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho):
09h – 14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 5
15h – 14º Troféu para o Concurso Mostra Refestança (Prêmio Nego Chico) – Bloco 6

Dia 07 de outubro de 2011
08h30 – Mostra Guarnicezinho animada.
10h00 – Mostra Lume Filmes – (ERASERHEAD), de David Lynch.
12h00 – Cine Música.
18h30 – Cerimônia de Encerramento.
19h00 – Palavras dos promotores, patrocinadores, parceiros, colaboradores e apoiadores.
19h30 – Premiação.
21h30 – Atração Folclórica.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

JORNAL VIRTUAL Nº 5

Caríssimos amigo,

Aqui está o quinto número do ILHAVIRTUALPONTOCOM, nosso informativo destinado a promover e divulgar a literatura maranhense. 
Continuamos a aceitar colaborações em forma de artigos, resenhas, contos, crônicas, poemas, etc.
Uma boa leitura para todos


Para baixar o jornal em PDF, clique AQUI








quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Lançamento de livro

Recebemos por e-mail este comunicado do poeta Paulo Melo Sousa e aproveitamos para convidar a todos para mais uma edição do Papo Poético

Dia 15 de setembro de 2011, quinta-feira, às 20 horas, lançamento do Livro “A SINA DO ESPANTALHO”, de autoria do poeta Oton Cardoso. Na ocasião, será apresentado o vídeo “POR QUE CHORA O RIO ANIL”, de autoria de Sílvio Rayol.

Haverá recital de poesia e gravação de vídeo sobre o lançamento.

                                     
                        O livro “A Sina do Espantalho”, de autoria de Oton Cardoso, é um livro de poesias que tem como tema de fundo o drama vivido por um artista que, por ter alterado sua obra, após inscrevê-la em um concurso, vê-se impedido de participar do certame, não podendo sequer deixar seu quadro (O Espantalho) ao lado da exposição, somente para que pudesse ser apreciado.

“POR QUE CHORA O RIO ANIL”

                        O vídeo “Por Que Chora o Rio Anil”, de autoria de Sílvio Rayol, é uma produção de baixa resolução, documentário, realizado com captação de imagens, incluindo sons diretos e depoimento, com texto adaptado da poesia “Rio Anil”, de autoria do poeta Oton Cardoso, além de trilha sonora original.

 
1 - APRESENTAÇÃODA POESIA: “RIO ANIL” – Pela atriz Heidy Ataídes
3 – APRESENTAÇÃO DA POESIA: “OS ARTISTAS” – Pela atriz Letycia Oliveira
4 – APRESENTAÇÃO DA POESIA: “POBRES CHOUPANAS DE PALHA” –Pela atriz Heidy Ataídes
5 – APRESENTAÇÃO DA POESIA: “O PRAZER” – Pela atriz Letycia Oliveira
6 - APRESENTAÇÃO DA POESIA: “A MORTE DE UM POETA” – Pela atriz Heidy Ataídes
7 – APRESENTAÇÃO DA POESIA: “O ESPANTALHO” – Pela atriz Letycia Oliveira.
8 – APRESENTAÇÃO DA POESIA: “FRIDA KAHLO” – Pelas atrizes Heidy e Letycia.
Completamos no dia 25 de agosto 9 (nove) meses de debates (desde 25 de novembro de 2010), no Sebo do Chiquinho.  RUA DE SÃO JOÃO (ESQUINA COM RUA DOS AFOGADOS, ONDE TEM UM SEMÁFORO), 389 – A, ALTOS DO BANCO BOMSUCESSO, ENTRADA PELA RUA DE SÃO JOÃO. Lá funciona um barzinho com som de primeira. Papos sobre arte e cultura. Espaço para leituras de poesia, contos e performances.

sábado, 3 de setembro de 2011

RIO ANIL - II FEIRA DO LIVRO

Os amantes da literatura têm mais uma chance de conviver com os livros. Trata-se da II Feira do Livro que já está em andamento no Rio Anil Shopping, no Turu.
Nos standes, o visitante poderá entrar em contato com milheres de títulos em preços bastante variados, podendo adquirir exemplares de várias editoras e ainda por cima conhecer alguns autores maranhenses que sempre circulam pelo local.
Leia abaixo o texto de divulgação elaborado pelos organizaores do evento

Neste mês de aniversário, a cidade de São Luís ganha de presente uma programação cultural especial para comemorar os seus 399 anos de fundação. A Associação de Livreiros do Estado do Maranhão promoverá a 2ª Feira do Livro no Shopping Rio Anil (Turu) de 01 a 18 de setembro. São 15 estandes e mais de 20 mil títulos de 54 editoras. A feira será aberta nesta quinta, às 10hs, na Galeria de Eventos do Rio Anil Shopping, no espaço de acesso às lojas pelo estacionamento coberto.

A programação cultural e artística da 2ª Feira do Livro no Shopping Rio Anil: “Comunidade Lendo, São Luís Crescendo”, terá sorteios diários de livros, CDs e DVDs para o público de todas as idades, lançamentos literários, tardes/noites de autógrafos com autores maranhenses e convidados, teatro infantis que estimula o hábito da leitura nas crianças e adolescentes. O público poderá manusear e adquirir os livros de ficção, não-ficção, literários e técnico-científicos de todas as áreas do conhecimento.
A irmã Maria da Glória, da Associação dos Livreiros do Estado do Maranhão, destaca a importância da feira para resgatar, valorizar e estimular a tradição literária local. “Queremos recuperar essa valiosa tradição de São Luís, Athenas Maranhense. Terra abençoada pela produção de conhecimentos literários e pensamentos iluminados de várias gerações de escritores”, disse Maria da Glória. O livreiro Milton Lira também enfatizou o compromisso da Feira com a formação de novos leitores.

“Por meio da realização desta 2º Feira do Livro no Shopping, a Associação dos Livreiros do Maranhão e o Rio Anil estimulam o hábito da leitura no público de todas as idades. A feira é estratégica para incentivar crianças, jovens e adultos lerem”, disse Lima. As 15 livrarias participantes são Paulinas, Saci-Pererê, Paulus, Vozes, Banca dos Concursos, Distelma, Socorro, Nobel, Mundo de Sofia, Prazer de Ler, CPAD, DML, Federação Espírita (Femar), Perfomance e Tambores. Participe e leve a família.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

QUINTA - DIA DE PAPO POÉTICO

PAPO POÉTICO é um interessante projeto que busca levar ao público interessado em arte momentos de boa música, debates sobre filosofia, arte, literatura... Além de ser a oportunidade de pessoas com interesses em comum trocarem ideias acerca de seus temas preferidos.


Nesta quinta-feira, 1º de setembro, às 19h30, no Papoético, Bate Papo
 sobre Sebo Cultural, uma ideia, com: Joãozinho Ribeiro (compositor,
 produtor cultural, poeta)

 Vale a pena conferir...

Os encontros acontecem no Sebo do Chiquinho 
(CHICO DISCOS).  
 RUA DE SÃO JOÃO (ESQUINA COM RUA DOS AFOGADOS, ONDE TEM UM SEMÁFORO), 389 – A, ALTOS DO BANCO BOMSUCESSO, ENTRADA PELA RUA DE SÃO JOÃO.

domingo, 28 de agosto de 2011

LANÇAMENTO DE LIVRO

Em breve, estudantes, professores e pesquisadores da linguagem terão acesso a mais uma importante obra de altíssimo nível. Trata-se do livro  Português Falado e Escrito: O ENEM em Questão, de autoria da professora Kátia Cilene Ferreira França. O livro é fruto de sua dissertação de mestrado e traz importantes discussões acerca do Exame Nacional do Ensino Médio.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

CAFÉ LITERÁRIO

Vejam abaixo o convite para o café Literário que será reaalizado no dia 30 de agosto. Esperamos você por lá!

 

domingo, 21 de agosto de 2011

SEMANA MONTELLIANA

Participem da Semana Montelliana


domingo, 14 de agosto de 2011

CONTO: DIA DOS PAIS


Continuando a série de contos sobre datas especiais (infelizmente, por falta de tempo, não pude postar alguns, que virão ano próximo). Apresento a vocês nossocnto sobre o dia dos pais.

DIA DOS PAIS
 José Neres


                A notícia de que era pai veio com a mesma intensidade de um chute nos testículos. Ele jamais havia imaginado que aquela transa meio torta no muro do cemitério teria consequências tão drásticas. E ela nem era tão gostosa assim! Mas acidentes acontecem...
                A criança agora estava com sete anos. O exame de DNA era totalmente dispensável. Bastava olhar o garoto e ver as inúmeras semelhanças. Qualquer foto do pai com a mesma idade poderia ser confundida com a do filho que agora lhe era apresentado. Não tinha como não assumir a paternidade. A mãe da criança não pedia dinheiro, nem casa, nem nada. Apenas o nome dele no registro de nascimento. E uma visita vez ou outra. Era uma espécie de presente dado ao menino que sempre pedia para conhecer o pai.
                O encontro entre os três se deu em um shopping movimentado. Um pai, uma mãe, um filho... nenhuma família. Cumprimentou o garoto com um sorriso amável. O mesmo que ele oferecia a seus clientes na hora de fechar um negócio. Nada mais... Para a mãe, o olhar foi um pouco mais demorado. Ele estava bonita. Ganhou corpo e agora despertava um desejo carnal do qual não se lembrava e ter tido naquela fatídica noite. Aquele decote generoso e as pernas torneadas em nada lembravam aquela criatura esmilinguida que trincava os dentes para não gritar durante o prazer compartilhado naquela noite de São João.
                As diversas redes sociais de que ele participava foram decisivas no acompanhamento da vida do pai da criança. Ela sabia que ele estava noivo. Que o casamento seria dentro de alguns meses. Que a noiva era bonitona, rica e metida a modelo fotográfico... Tudo o que um perfil falso inserido na lista de amizades virtuais poderia mostrar. Ela estava bem informada. Ele ignorava até mesmo o nome dela. O menino levava o primeiro nome dele.
                Uma solução era reconhecer a criança. A noiva deveria entender tudo. Ela sabia que ele nunca fora santo. A outra solução era arrumar um jeito de limpar o próprio passado. Na semana seguinte seria o dia dos pais. Uma excelente oportunidade de pôr seus planos em prática. Tudo limpo. Tudo feito de modo rápido. A criança não tinha culpa do descuido dos dois.
                Uma desculpa qualquer e estava livre para passar parte do domingo dos pais com o filho. Na cabeça, o plano engrenava com maior convicção, não deixando que o pai aproveitasse o lanche, o sorvete, o parquinho. Olhava o menino e via os problemas do futuro. Via os recibos, as notas fiscais, as listas de livros... Não via felicidade. Só problemas.
                Mas o garoto era esperto, conversador, cheio de histórias para contar. Não parava de falar. O pai a nada ouvia, mas o menino se entusiasmava com a inédita figura paterna a seu lado. A felicidade inundava seus olhos. Era hora de voltar. O plano já tomava ares de solução imediata para todos os problemas. Hora e voltar. No carro, o menino insistia em ir no banco de trás. Argumentava com o pai usando os argumentos aprendidos na escola sobre regras de trânsito. Mas a vontade de ver o mundo pelo para-brisa foi mais forte. Para que cinto? Homem que é homem tem que andar livre... O menino sorriu. O pai era um herói que de nada tinha medo.
                Beijou a testa do filho. Duas lágrimas rolaram pela face. Colocou o cinto e segurança em si mesmo. Deu partida no carro e viu a sua frente a reta estrada que lhe traria algumas complicações, mas que o conduziria à liberdade. Um homem tinha que andar sempre livre. Acelerou o carro. Tinha um compromisso inadiável com algum dos postes que beiravam a estrada da vida.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

NOSSA LÍNGUA...

LÍNGUA MATERNA: UMA FERRAMENTA PROFISSIONAL
José Neres
(O Estado do Maranhão, 02 de agosto de 2011)

            O mercado de trabalho está a cada dia mais exigente e competivivo. Os aspirantes a uma vaga em uma empresa não têm mais o diploma como único diferencial, precisam de aperfeiçoamento constante, de cursos de atualização e do domínio das novas tecnologias. Quem já conseguiu um emprego também não pode descuidar-se da própria formação, investindo constantemente na aquisição de novos saberes e na ampliação do domínio de seus conhecimentos profissionais. 
            Contudo, no meio de toda essa luta pela sobrevivência e/ou por cargos e salários mais elevados, um dos instrumentos mais importantes no sucesso profissional vem sendo esquecido ou pelo menos relegado a um segundo plano: o estudo da língua materna. No nosso caso, o da Língua Portuguesa.
            Não é preciso, porém, que todos se tornem experts nos mecanismos do idioma, nem que dominem cada uma das nomenclaturas gramaticais para que consigam um cargo ou uma promoção. Mas é essencial que o profissional ou aspirante à vida profissional tenha certa desenvoltura na expressão oral e escrita, ou seja, que saiba falar dentro de um nível aceitável da linguagem oral e que consiga desenvolver, em uma folha de papel ou na tela do computador, um raciocínio lógico e bem articulado.
            Durante todo o processo seletivo e ao longo da vida profissional, o uso adequado da língua materna é tão importante quanto a roupa e a quantidade de títulos que são postos no currículo. Mas, infelizmente, há quem esteja mais preocupado com a aparência física, acreditando que ela é o verdadeiro passaporte para o pleno desenvolvimento da carreira.
 Saber concordar as palavras, utilizar corretamente pronomes, verbos, substantivos, conjuções, preposições e demais classes de palavras, sem apelar para a ostentação vernacular, pode se tornar um diferencial em um mercado a cada dia mais voltado para a comunicação interna e externa. Saber escrever de forma fluente, evitando os desvios gramaticais mais constrangedores e conseguir expressar-se de modo claro, objetivo e elegante são qualidades valorizadas tanto nos órgãos públicos quanto nas empresas privadas.
Mas como desenvolver essas qualidades? Como usar a lingua materna a nosso favor no mundo profissional? As respostas são várias, mas costumam passar todas pelos mesmos caminhos:  estudo regular intensivo e  leitura de bons textos.
Mesmo as pessoas que têm facilidade na expressão escrita e na oral precisam estar em constante prática de estudo, para que os conteúdos aprendidos não se diluam com a falta de uso e também para que as novidades linguísticas sejam internalizadas. Não se trata apenas de fazer cursos e mais cursos a fim de acumular certificados, mas sim de constante atualização com interesse maior na aprendizagem e na expansão do conhecimento. O contato com textos bem escritos é  também primordial para o aumento do vocabulário e para obtenção de estruturas sintáticas menos usuais, porém utilizáveis no dia a dia.
Durante toda a formação escola, da educação básica ao ensino superior, deve sempre haver espaço para a valorização da língua materna. O profissional deve sair de uma instituição de ensino não apenas com um diploma e com os conhecimentos técnicos, mas também com possibilidade de desenvolver suas ideias oralmento e/ou por escrito. Por isso causa estranheza que algumas instituções de ensino superior venham retirando as disciplinas relacionadas à Língua Portuguesa de suas estruturas curriculares. Não se sabe se isso ocorre por economia ou por simples desprezo pelo estudo da Língua. Mas de qualquer forma é algo nocivo à formação daqueles que são considerados o futuro de um País.
Negar aos futuros profissionais a possibilidade de desenvolver, de forma sistemática, a expressão oral e escrita pelo estudo da língua materna é negar-lhes também uma importante  ferramenta que pode ser decisiva para o desenvolvimento da carreira. E, quando se trata de Educação, o essencial nunca pode ser negado. O futuro cobrará essa dívida.

sábado, 30 de julho de 2011

JORNAL VIRTUAL Nº 4

Final de mês e estamos de volta com nosso jornal Virtual sobre a Literatura Maranhense.
Esperamos que vocês gostem dos textos.





Para baixar o jornal em PDF, clique AQUI

domingo, 24 de julho de 2011

REEDIÇÃO DAS ESTRATÉGIAS


 Depois de um longo período fora das prateleiras das livrarias, temos uma nova edição do livro ESTRATÉGIAS PARA MATAR UM LEITOR EM FORMAÇÃO
O livro pode ser adquirido tanto da forma física quanto em formato e-book.


A obra é recomendada para profissionais da educação, alunos de Letras e Pedagogia, administradores escolares, pesquisadores e todos aqueles que se interessem pela educação.

Para comprar o livro ou visualizar suas páginas iniciais, dê uma passadinha no site da livraria virtual clicando AQUI.

sábado, 23 de julho de 2011

NOSSAS CIDADES

CIDADES ENCADERNADAS

José Neres
(O Estado do Maranhão)


            Em uma de suas mais conhecidas frases, o romancista russo Liev Tolstoi diz que se alguém quer ser universal deve começar pintando a própria aldeia. Embora inúmeras vezes reproduzido, esse pensamento não foi levado muito a sério por gerações seguidas, que acreditavam que ser universal era ser cosmopolita, era conhecer os pontos mais badalados do mundo, ter um passaporte com diversos carimbos e rechear um álbum com fotos tiradas nos mais variados pontos turísticos.
            Com relação aos estudos históricos, durante muito tempo, alguns pesquisadores também pensaram que ser universal era mergulhar nos estudos totalmente afastados dos acontecimentos regionais e  dar um tom de impessoalidade aos trabalhos. No entanto, nas últimas décadas, isso está mudando e os historiadores começaram a ver que suas próprias regiões podem servir como fonte de pesquisa, que o passado de um povo não se resume apenas aos grandes feitos heróicos, às batalhas e às administrações muito bem ou muito mal conduzidas.
No caso do Maranhão, ultimamente, temos assistido a uma série de lançamentos de obras que tentam resgatar a história de cada cidade. São livros que servirão como fonte de pesquisa para as gerações futuras. E não são apenas as pessoas com curso superior em História que despertaram para a importância do resgate do passado e da fixação do presente, mesmo com um olhar muitas vezes subjetivo, nas páginas impressas de um livro.
Na capital maranhense, livros que buscam resgatar a história e as efemérides da cidade disputam espaço com foto-reportagens que, geralmente associadas a textos de cunho poético, mostram os encantos da Ilha em cores vivas, eternizando momentos no jogo de luz e sombra captado pelo olha sensível dos fotógrafos. No primeiro caso temos, como exemplos, o livro “Guia de São Luís”, de Jomar Moraes, obra indispensável para quem deseja aprofundar-se nos segredos e mistérios da cidade. Temos também “Caminhos de São Luís”, de Carlos de Lima, que traz curiosidades sobre os nomes de ruas e praças da Capital. Os livros “São Luís: Luz di Versos”, de Brawny Meireles; “São Luís, 1908 – 2008, A cidade no Tempo”, livro no qual Albani Ramos faz um paralelo comparativo de cem anos de mudanças na Cidade, cruzando olhares com as fotografias tiradas um século antes por Gaudêncio Cunha; e “São Luís: Alma e História”, também de Albani Ramos, com textos de Sebastião Moreira Duarte.
Imperatriz conta também com um bom acervo sobre sua história. Adalberto Franklin, além de reeditar clássicos como “O Sertão” de Carlota Carvalho, publicou alguns livros importantes para a compreensão da evolução histórica da Cidade, como é o caso de “Apontamentos e fontes para a História Econômica de Imperatriz” e “Breve História de Imperatriz”. Outro livro de vital importância é a “Enciclopédia de Imperatriz”, de Edmilson Sanches, uma fonte inesgotável de consulta e de pesquisa.
Mas não são apenas São Luís e Imperatriz que se veem retratadas em livros. Diversas outras cidades são homenageadas com estudos de bom porte e de boa qualidade. Eis aqui alguns títulos que retratam cidades maranhenses: “São José de Ribamar: a Cidade, o Santo e sua Gente”, (de José Ribamar Sousa dos Reis). “São José de Ribamar: a Lenda” (por Antônio Miranda, em quadrinhos). “São Bento dos Peris: água e vida”, (de Álvaro Melo); “Grajaú: um estudo de sua história” (de Márcio Coutinho); “História de Barreirinhas: Portal dos Lençóis Maranhenses”, (de Baial Ramos). “Pastos Bons: Tempo e Memória” (de Celso Barros Coelho); “De  Miritiba a Humberto de Campos: Trajetória Histórica” (de Dulcinéia Espíndola). “São João Batista, suas lutas, conquistas e vitórias (de Luiz Raimundo Costa Figueiredo); “Bacabal: cenas de um capítulo passado” (de Zé Lopes); “Morros: história e memória de um povo” (de Rogério Rocha)  “Um Passeio pela História de Arari”. (de João Francisco Batalha), “A Viana dos meus avós e a que vivi” (de Rogéryo do Maranhão),  “Terra Querida” e “Viana, te amarei por toda a vida”, (José Soeiro).
Não são apenas esses livros. Felizmente há muito mais, que nem sempre chegam ao conhecimento de quem não conhece pessoalmente as muitas cidades do Maranhão. Aos poucos, os pesquisadores maranhenses vão dando um tempero regional à universalidade histórica da própria terra.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

E NO TEATRO...

LAMPIÃO E SEUS AMORES
José Neres
Fotos: Lindalva Barros

                Fica no ar sempre uma dúvida sobre o que seria necessário para se produzir um espetáculo teatral de qualidade. Algumas pessoas apostam em cenários exuberantes, cheios de recursos psicodélicos; há quem acredite que ter no elenco um ator de renome seja o suficiente; para outras pessoas, o mais importante é ter à mão um bom texto. E há tantas outras ideias que vagam de cabeça em cabeça sobre esse assunto ...
                Mas quem foi nesta terça-feira (12.07.2011) – acredito que o mesmo deva ter acontecido na quarta-feira – ao Teatro João do Vale percebeu que o ator, diretor e produtor cultural César Boaes, os integrantes do Grupo Alegria e Arte do Cidadão e seus  colaboradores optaram por uma fórmula muito mais simples, porém não menos eficaz: uma mistura de simplicidade, técnica, boa música, vozes afinadas, talento, bom texto e esforço coletivo.
                Luzes apagadas. Respirações ofegantes. Tensão. Expectativa de todos os lados. No palco, ainda com as cortinas fechadas, os atores tomavam suas posições tantas vezes ensaiadas. Na plateia, pessoas que decidiram deixar de lado tantos afazeres cotidianos e foram, sedentas, em busca de um pouco de diversão. Homens, mulheres, crianças, adolescentes. Pessoas anônimas e pessoas reconhecidas publicamente, como Ubiratan Teixeira, Joaquim Itapary, Márcio Vasconcelos e tantos outros. Todas irmanadas na expectativa do evento. Antes que a cortina subisse, uma voz preencheu o ambiente. Era a cantora Gerlene Ribeiro acompanhada do músicos e pelo Coral Viva Voz. As conversas e os celulares, num instante, perderam a importância, e a música imperou no ambiente.
                Sobe a cortina. Aos poucos, o enredo vai de desenrolando. O texto de Francisco Pereira da Silva, devidamente adaptado à situação e ao contexto sócio-cultural, vai revelando para o público um outro Virgulino Ferreira, um outro Lampião. Júlio César Fernandes, no papel do temível cangaceiro, e Ana Eva Martins, representado a espalhafatosa Raimunda Borborema, dominam o palco e hipnotizam o público. Não demora muito para que os cacos implantados no texto comecem a tirar boas gargalhadas da plateia. Na cena seguinte, Cleonice França, no papel da outra Raimunda, com seu jeito doce e meigo, começa a dividir a atenção do público. Vez ou outra os risos desaparecem, em respeito à bela e afinada voz de Gerlene Ribeiro, em suas inserções musicais.
                As pessoas mais atentas devem ter percebido que a simplicidade do cenário era um complemento estratégico para a simplicidade do texto e do enredo. O diretor, de modo muito inteligente, usou o recurso da simbologia e conseguiu que os atores transformassem arcos em cavalos, caminhos, asas, grades de prisão, canoa, etc. Prova de que a criatividade pode superar os apertados orçamentos e levar a imaginação do público a ver o invisível e a se envolver com o drama de cada personagem.
                Chega o fim da peça. Que não foi simultâneo com o fim do espetáculo. Pois o público, satisfeito com o que viu, ouviu e sentiu, se levantou e aplaudiu de pé por vários minutos. Atores, músicos, diretor, demais colaboradores e a plateia exibiam sorrisos de contentamento.
                Realmente, não existe uma receita para fazer um bom espetáculo, mas Boaes e todos os seus colaboradores mostraram para centenas de pessoas que o talento e aq boa vontade fazem parte da fórmula. Todos estão de parabéns.


 FICHA TÉCNICA
Diretor: César Boaes
Texto: Francisco Pereira da Silva
Título Original: O Trágico destino de duas Raimundas ou Os dois amores de Lampião antes de Maria Bonita e só agora revelados.
Elenco: Ana Eva Martins (Raimunda Borborema); Cleonice França (Raimunda Jovita); Júlio César Fernandes (Lampião); Jeremias Ribeiro (Navalhada); J. R. Alves (Coronel Piranhas); Éder Cruz Luna (Padre Cícero); Celso Antônio (apresentador); Suzete Martins (Mulher 1/Diodora); Lívia Oliveira (Mulher 2); Sergiane Moraes (Maria Bonita); Nelzi Avelar (Mulher 3); Domingas Santos (muher 4)
Coral Viva Voz
Regente do Coral: Ronaldo Ribeiro
Cantoras Convidadas: Gerlene Ribeiro (terça-feira) e Vanessa Furtado (quarta-feira)
Iluminação: Oscar Castro
Músico convidado: Walter Rodrigo

OBS: Os atores e demais envolvidos na peça são funcionários do Viva Cidadão.

terça-feira, 12 de julho de 2011

PARA QUEM GOSTA DE SE APROPRIAR DE IDEIAS ALHEIAS...

A TRISTE PRÁTICA DO PLÁGIO
José Neres
(O Estado do Maranhão, 12 de julho de 2011)

Fonte da imagem: internet (sem plágio)
               Preguiça?  Deficiência intelectual? Busca de facilidades? Certeza de impunidade? Ingenuidade? Falta de orientação? Ou um atávico pendor para a prática de furtos generalizados em todos os graus? Não se sabe ao certo a gênese ou o DNA dos inúmeros plágios que infestam os trabalhos (?) acadêmicos em nossas universidades e faculdades.
               É preciso sempre lembrar que plágio escolar/acadêmico não é novidade. Ele vem desde o tempo em que os estudantes copiavam páginas e mais páginas de livros, revistas, enciclopédias e alegavam que o resultado daquela bricolagem era um trabalho digno de nota. Mas pelo menos podia-se dizer que, durante o ato de transcrever o texto, o aluno acabava assimilando parte do conteúdo e, dessa forma, havia algum tipo de aprendizagem.
Hoje, no entanto, com as inúmeras facilidades oferecidas pelo mundo virtual, os atos de localizar, selecionar, copiar e colar tornaram-se tarefas praticamente automáticas, que, em muitos casos, dispensam a leitura integral do texto. Em alguns cliques, uma pesquisa que levaria dias, semanas ou até mesmo meses, se solidifica em forma de texto. Há casos em que o plagiador faz uma montagem tão esmerada que é capaz de enganar até mesmo os mais atentos leitores. A maioria, porém, tudo que consegue fazer é  um Frankstein, no qual as partes não se encaixam. De qualquer modo, bem ou mal feito, esse tipo de texto não passa de plágio, de apropriação indébita de ideias, palavras e de trabalhos alheios.
As notícias de que alguns desses infratores foram pegos e, às vezes, desmoralizados acabam por alertar os plagiadores mais atentos, que, temerosos de que seus “trabalhos” sejam rastreados por ferramentas e programas específicos, tentam ludibriar os examinadores com substituição de palavras por sinônimos ou com inversão dos termos de algumas orações. Dessa forma, se o professor não ler com atenção o texto e se confiar tão somente nos recursos eletrônicos para a detecção de plágios, acabará chancelando com notas, às vezes, altíssimas a incompetência e a preguiça do “estudante”.
                O professor, quase sempre um semianalfabeto nas lides com os instrumentos tecnológicos, e, às vezes, também um emérito plagiador, é até capaz de ficar feliz com as notas obtidas por determinados alunos. Inocentemente, ele pode até pensar que a educação está melhorando, que aqueles estudantes estão assimilando melhor os conteúdos ensinados. Em outros casos, o mestre até percebe a enganação, mas, ou por não ter provas ou para não se indispor com os plagiadores, acaba compactuando com a situação.
                Contraditoriamente, nos casos em que o plágio é detectado e o(s) culpado(s) são chamados para uma conversa (quase sempre reservada), o que se vê não é uma atitude de vergonha por haver cometido um crime, nem o constrangimento de ter(em) sido pego(s) em uma situação delituosa, legal e moralmente condenável. O que se vê quase sempre são atos de revolta contra quem descobriu a fraude. A inversão de valores dos plagiadores chega ao extremo de deixar a impressão de que o crime não é apropriar-se do trabalho alheio, mas sim descobrir que isso foi feito. Diante das provas, o ódio geralmente é mais forte que a vergonha.
                Para piorar a situação, ainda há os casos de quem vende trabalhos prontos, quase sempre uma montagem grosseira de diversos textos. Quando na redação são detectadas as fontes, quase sempre o comprador, que se julgava esperto por adquirir um trabalho especialmente feito para aquela situação, descobre foi vítima de outros elementos ainda mais espertos, que jamais perderiam seu tempo fazendo pesquisas sérias para quem não sabe o que significa seriedade.
                Realmente não é possível saber de onde vem a motivação para plagiar. Mas não é tão difícil prever seus resultados: profissionais desqualificados que, possivelmente, diante de uma situação desafiadora, não terão capacidade de resolver nem mesmo os problemas mais simples. Trabalhos podem até ser comprados ou copiados, mas a competência é uma exclusividade de quem estuda.