quinta-feira, 16 de maio de 2013




PROGRAMAÇÃO
Dia 23.05.2013 (quinta-feira)
             Horário: 8h – CREDENCIAMENTO (Sala de apoio 01)
Local: CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS - CCH/UFMA
8h30 – MESA DE ABERTURA
            Composição: Prof. Dr. Jarbas Couto e Lima– Coordenador PGCult-UFMA
             Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD-DELER-NEPLiCI-UFMA)
             Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
  
Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO MEIRELLES” – CCH
 
10h15 – INTERVALO
10h30 MESA-REDONDA 1 – “Espaço toponímico do Centro Histórico de São Luís: memória e identidade” 
Composição:Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD- NEPLiCI -DELER-UFMA)
Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
Prof. Ms. Gersino dos Santos Martins (PGCult -DEART-UFMA)
12h às 14h30 – INTERVALO
14h30 MESA-REDONDA 2 – “A sustentabilidade ambiental no espaço maranhense”
Composição: Prof. Dr. Antônio Cordeiro Feitosa (DEGEO–NEPLiCI-UFMA)
                                         Profa. Ms. Andreia Marques (PGCult)
Moderador(a):Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
16h15 – INTERVALO

16h30 MESA-REDONDA 3 – “A memória das cidades: seu espaço, sua identidade”
Composição: Profa. Ms. Maria de Lourdes Lauande Lacroix
                                         Profa. Dra. Maria Cândida Seabra (UFMG)
Moderador(a):Profa. Dra. Teresinha de Jesus Baldez e Silva (GELLD-NEPLiCI-DELER-UFMA) 
18h – LANÇAMENTO DE LIVROS 
 
 
 
 
 
Dia 24.05.2013 (sexta-feira)
              Horário: 8h30 – MESA-REDONDA 4 – “Literatura maranhense: múltiplos olhares”
              Composição: Prof. Ms. José Ribamar Neres Costa(FAMA)
                                        Profa. Ms. Janete de Jesus Serra Costa (PGCult-UFMA)
                                        Susane Martins Ribeiro (Graduanda em Letras - FAMA)
              Local: AUDITÓRIO “A” - “MÁRIO MEIRELLES” – CCH
10h15 – INTERVALO
10h30 MESA-REDONDA 5 – “Aspectos da literatura maranhense”
Composição: Prof. Dr. José Dino Costa Cavalcante (GELLD-DELER-UFMA)
                          Profa. Ms. Dinacy Mendonça Correia (UEMA)
                          Profª.Esp.Samara Santos Araújo
                          Paloma Veras Pereira (Graduanda em Letras-UFMA)
                       
12h às 14h30 – INTERVALO
14h30 MESA-REDONDA 6 -“O espaço na literatura brasileira: memórias em prosa e poesia”
Composição: Flaviano Menezes da Costa (GELLD-PGCult)
                          Adeilson Marques (GELLD-PGCult) 
                          Narjara Mendes da Silva (GELLD-PGCult)
Moderador(a):Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa (GELLD-PGCult-DELER-UFMA)
16h15 – INTERVALO
16h30 CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO: “CIDADE E MEMÓRIA: aproximação à poética de Ferreira Gullar”
            Conferencista: Prof. Dr. Samarone Marinho (Pós-Doutorando pela USP em Geografia Humana)
18h – ENTREGA DE CERTIFICADOS 
9h-CONFERÊNCIA DE ABERTURA - “Léxico Toponímico: documentação, memória e cultura”
Conferencista: Dra. Maria Cândida Seabra (UFMG)

domingo, 21 de abril de 2013

DA ARTE DE PERDER LIVROS



DA ARTE DE PERDER LIVROS
José Neres
          

         
            A regra é bem lógica e simples. Quer perder livros? Basta dedicar-se a não muito salutar tarefa de emprestá-los.
            Um livro, qualquer que seja ele, é tão importante que é capaz de mudar completamente até mesmo a noção de tempo e de espaço. Não! Não estou falando aqui do poder dos livros de levar os leitores para outros tempos ou a paragens alcançáveis apenas pela imaginação. Fala de algo mais real e mais facilmente comprovável.
É o seguinte: quando alguém precisa de um livro, raramente se dirige a uma livraria para comprá-lo. É mais fácil e cômodo pedi-lo emprestado a um incauto qualquer de boa fé. É esse o momento de fazer o teste que passo a descrever a partir  desta linha. Basta o dono do livro dizer que só ele sabe onde está o referido título, que mora longe e que só estará em casa a partir das dez ou onze horas da noite. Pronto. Como em um passe de mágica, relógio, convenções sociais e distâncias perdem a importância. Na hora marcada, por mais incômoda que seja; no endereço dado, por pior que seja o acesso a ele, o pedinte estará ali, com um sorriso no rosto, pedindo desculpas pelos inconvenientes, mas deixando bem claro que consultar aquela obra é questão de vida ou de morte. A visita costuma ser rápida, raramente o cidadão aceita passar da soleira da porta, tal é sua pressa.
A segunda parte do teste vem dias, semanas ou meses mais tarde. Uma vez feita a tão urgente consulta, a residência do dono do livro se torna extremamente distante; aquela pessoa que outrora se dispôs a ir a qualquer hora pegar a obra, de repente, não mais que de repente, como diria Vinícius de Moraes, percebe que não deve incomodar as pessoas altas horas da noite, domingos ou feriados tão simplesmente para entregar um mero livro; o número do telefone do proprietário do livro, que foi usado incessantes vezes para lembrar o título exato do volume, como que por encanto, desaparece da agenda do agora tão ocupado pedinte... E o tempo vai passando...
A terceira e última parte do teste vem em um encontro fortuito, quase acidental entre as duas partes. Geralmente, quem está com o livro não toca no delicado assunto e, quando instado a falar sobre uma possível devolução, alega falta de tempo, muito serviço, problemas de locomoção para lugares distantes e conclui dizendo que em breve, assim que sobrar um tempinho, fará uma visita com mais calma, para entregar o precioso objeto, etc, etc, etc.
Pronto. O teste está completo. Os livros, principalmente os emprestados têm o poder de relativizar aos extremos as noções de tempo, de espaço e de prioridade.
            O problema desse tipo de comprovação é que ela pode sair muito cara para quem decide investir em uma formação mais letrada. A cada experiência, alguns livros preciosamente raros participam de uma espécie de êxodo bibliográfico sem volta às estantes de origem. Além do valor pecuniário perdido, o amante das palavras escritas percebe aos poucos que os clarões das estantes mostram bem mais que uma hemorragia de celulose, escancarando aos olhos do pobre coitado a perda de anos e mais anos de busca  incessante a exemplares raros que  aos amados lares nunca mais retornarão. 
            É... esse é o tipo de arte que precisa ser combatida, antes que transforme benfeitores da palavra em seres egoístas especializados na arte de esconder a sete chaves seus pequenos tesouros de papel
Publicado originalmente em O Estado do Maranhão
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segunda-feira, 15 de abril de 2013


A vida é sempre uma arte que deve ser reinventada a cada movimento de respiração. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

JETHER, UM ADEUS


JETHER, UM ADEUS

 Passei o final de semana trabalhando, ministrando aula em um curso de pós-graduação. Fiquei praticamente dois dias sem contato muito demorado com a internet, com os amigos virtuais e com o mundo sem fronteiras. Hoje, às cinco da madrugada, hora em que geralmente estou acordado, escuto o barulho da moto do entregador de jornal e o característico ruído de algo arremessado no terraço. Pego o periódico e sou surpreendido com a notícia do covarde e brutal assassinato do poeta, bancário, ex-vizinho e sempre amigável Jether Joran Coelho Martins.
Conheci-o na metade da década de noventa do século passado. Primeiro pelas páginas de seu livro Poesia Revolucionária, que eu havia comprado quase  por acaso. Depois pessoalmente, quando, em uma dessas voltas do destino, descobrir que o autor do livro morava no mesmo prédio que eu, no apartamento logo abaixo. Daí em diante gastamos muito de nosso tempo em conversa sobre poesia, arte , música e uma de suas paixões: a cidade Vargem Grande, terra à qual dedicou um longo trabalho de abordagem histórica em uma abordagem  bem pessoal.
Depois que me mudei tive poucos encontros com ele. Recentemente no reencontramos por acaso em um supermercado. Descobri que novamente éramos vizinhos e sempre tentávamos marcar um momento para conversar sobre literatura e arte em geral. Nunca conseguimos realizar esse feito. A última vez que o vi foi na Feira do Livro. Conversamos durante um bom tempo e ele disse que me mandaria seu novo livro para uma apreciação. Nunca enviou e, lamentavelmente não mais o enviará, pois alguém resolveu pôr fim a uma vida que ainda teria muito a oferecer a sua família, a seus amigos e às letras em geral.
                Nossa cidade está ficando cada dia mais violenta... Nós, a cada dia nos sentimos mais inseguros, seja em casa, seja nas ruas ou em qualquer outro lugar. Os gritos de socorro das vítimas e de seus familiares parecem não ecoar nos ouvidos das autoridades. Os homicídios, os assaltos e os demais tipos de violências já respiram ares de banalidade. E, entre as banalidades com que são tratadas as ocorrências e as boçalidades dos marginais. Vamos tentando sobreviver em nossa selva de azulejos e pedras de cantaria.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Escrevi este texto logo após a morte de Josué Montello. Peguei alguns dos vários livros do grande escritor e fiz uma pequena homenagem a esse grande homem de letras.

A TÍTULO DE HOMENAGEM 
José Neres 


    Era para ser uma tarde comum, como outra tarde qualquer, mas quando a noite desceu sobre Alcântara, sobre o Largo do Desterro e sobre o Cais da Sagração, e os bentivis começavam a procurar um beiral para descansar, uma notícia deixou a cidade duas vezes perdida: Josué Montello, a cabeça de ouro da vida literária maranhense, acabara de receber sua última convidada. 
     Naquele momento, a morte deixava de ser apenas uma sombra na parede e levava o criador de mil imagens para uma viagem fantástica por um labirinto de espelhos, deixando entre seus conterrâneos, além de mais de uma centena e meia de obras, um camarote vazio e uma escola de saudade. 
      Naquela hora, como se estivéssemos no silêncio de uma confissão, tudo muda na cidade: a lanterna vermelha perde o brilho, a estante giratória pára, o fio da meada se perde, o caminho da fonte se fecha e os longos diários recebem o ponto final. Josué deixa de estar entre nós. Sua indesejada aposentadoria definitivamente chega para levá-lo para junto dos tesouros de Dom José, para viver mil aventuras com Calunga, ou para, através do olho mágico da eternidade, quem sabe na próxima noite de natal, ou numa noite de papel picado, ver Glorinha, com seu rosto de menina, recitando os versos do anel que tu me deste ou brincando com os bichinhos do circo. 
     Montello, que ainda na casa dos quarenta, já dominava Cervantes e o moinho de vento, já mostrava para seu povo a beleza clássica de Ricardo Palma, Antônio Nobre, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Gonçalves Dias e Stendhal, entre outros, sempre alinhando uma palavra depois da outra, aos quase noventa anos, com as janelas fechadas, mas com a alma aberta para o infinito, põe um ponto final em sua vasta obra , que não é miragem, nem peso de papel, mas sim arte, vida, amor e dedicação. 
       Então, naquele triste 15 de março de 2006, ao som dos tambores, sem precisar de um baile de despedida, Josué Montello subiu os degraus do paraíso e, em uma viagem sem regresso, sob luz da estrela morta, os anjos em aleluia foram mostrar para a pedra viva das letras maranhenses seu apartamento no céu, com uma bela varanda sobre o silêncio, de onde, enquanto o tempo não passa, ele para sempre será lembrado. 
O Estado do Maranhão, 26 de março de 2006. 

CONTO COM T

Para  distrair um pouco nossos leitores de seus afazeres cotidianos, postamos aqui mais um conto todo iniciado com a mesma letra. Desta vez é a letra T que serviu de foco. 

Tempo 
José Neres

Teresa Telles tinha tudo. Tinha títulos, tratores, terras, tantas transações terceirizadas... Todavia, terrivelmente tímida, Teresa torturava-se, temia terminar totalmente traumatizada, transtornada. 
Tio Túlio Telles, tentava tranqüilizá-la: 
-Tranqüiliza-te, tens tanto tempo, Teresa! 
Teresa, tresloucada: 
- Tenho tudo, tio, todavia tô tão triste! Tudo tentei, tantas terapias... Trintona, tio! Tô trintona! Tenho tempo!?! 
- Tens... Temos, tesão... 
Tio Túlio Telles, trêmulo, tocou-lhe, tirou-lhe tudo... 
Túmida, trôpega, tensa, trêmula, Teresa topou tudo. 
Transaram, transaram, transaram... 
Trauma terminado, Teresa teoriza: 
- Tenho tudo: tenho terrenos, tratores, tantas transações terceirizadas, tio Túlio, transas transcendentais, tempo, tempo, tempo...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ILHAVIRTUAL 18

Informativo Ilhavirtual18

Para baixar em PDF, clique aqui


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ILHAVIRTUAL 17

21 de janeiro de 2013, dia do centenário de falecimento do escritor Aluísio Azevedo. Dia também de trazer à luz o décimo sétimo número do Ilhavirtualpontocom, com alguma novidades gráficas e interesse e sempre pelo resgate e fortalecimento de nossa literatura. Se você quiser baixar a edição em PDF, clique aqui. 

Nesta edicão:

  • Textos sobre Aluísio Azevedo
  • Lançamento de Destino Cruzado, de Dorinha Marinho
  • Música de Alexandra Nícolas
  • Poesia de Firmino Freitas
  • Retrospectiva do ano literário de 2012


Estamos agora também com uma página no Facebook. Esperamos sua visita.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

LIVRO DIGITAL

Nosso livro digital LOUSA RABISCADA - Artigos Reunidos acaba de ser disponibilizado na internet. Boa leitura para todos os interessados em mais este trabalho nosso.

Para baixar em PDF, clique aqui

domingo, 30 de dezembro de 2012

RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2012



LITERATURA PELO RETROVISOR DE 2012

José Neres

Quando chega um final de ano, é hora de olhar para trás e ver o que ficou de bom e o que pode melhorar para o ano seguinte. No âmbito literário, se 2012 não foi um ano de grandes surpresas, ele também não pode ser acusado de causar decepções.
O ano praticamente começou e terminou em clima de homenagens. De um lado eram comemorados os 400 ano de fundação da capital maranhense, com direito a lançamentos e relançamentos de livros, saraus literários, encenações de peças teatrais (originais ou adaptadas de outros textos literários) e muitos outros eventos que valorizaram o aniversário de São Luís. Do outro lado, em uma louvável iniciativa da Academia Brasileira de Letras, o ano de 2012 foi também dedicado ao bicentenário do jornalista, publicista e escritor João Francisco Lisboa.
Grande parte do cenário literário do ano foi ocupada pelo genial autor do Jornal de Tímon, que teve sua obra comentada, debatida, estudada e revisitada por diversos intelectuais, como, por exemplo, Jomar Moraes, Antônio Martins de Araújo e Sálvio Dino. Em eventos sempre com bom público, a AML trouxe de volta às prateleiras o livro “Notícias acerca da vida e da obra de João Francisco Lisboa”, de autoria de Antônio Henriques Leal e, na mesma data, além de inaugurar uma placa alusiva ao escritor, também, em parceria com a Editora do Senado, também relançou o volume “O Tímon Maranhense”, de Arnaldo Niskier e, para fechar as homenagens, foram entregues a diversas personalidades a medalha do bicentenário de João Francisco Lisboa.
O ano acadêmico foi de perdas e de ganhos, como sempre acontece. Houve o falecimento do jornalista Neiva Moreira, mas também a posse de Antônio Carlos Lima e de Natalino Salgado, bem como a eleição do Luiz Phellipe Andrés, além de diversos eventos.
No decorrer do ano, outras iniciativas merecem destaque. É o caso do Café Literário, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado, sob o comando da escritora Ceres Costa Fernandes. Aos poucos, o público, formado principalmente por escritores, estudantes, professores e pesquisadores, foi se acostumando a, na última terça-feira de cada mês, ouvir os relatos de alguém voltado para as letras. Nomes como Joaquim Haickel, Zelinda Lima, Joila Moraes, Hidelberto Barbosa Filho, Nauro Machado, Inaldo Lisboa e Ubiratan Teixeira, entre outros, abrilhantaram o evento, que começou tímido em suas primeiras edições, mas que agora está solidificado no calendário cultural do Estado.
Outro projeto que também merece ser lembrado é o Papoético, idealizado e levado à prática pelo professor e poeta Paulo Melo Souza. Além de conversas informais sobre artes em geral, palestras e lançamentos de livros, ainda houve a realização do 1º Festival Papoético de Poesia, que teve como grande vencedor o poeta Rodrigo Pereira, com o poema “Ante o espelho”. O evento movimentou as noites de quinta-feira na cidade.
O Instituto Geia continuo na sua missão de levar a literatura às pessoas, seja por meio do já tradicional Festival de Literatura que acontece em São José de Ribamar e que, em 2012, contou com a participação especial da historiadora Mary del Priori, seja com o lançamento e relançamento de livros essenciais para a identidade do povo maranhense, como foi o caso, nesse de O pecado da Gula (Zelinda Lima), A Ilha e o Tempo (Luiz Tavares) e Teatro Escolhido de Fernando Moreira (organizado por Ubiratan Teixeira).
Há de se destacar também o grandioso prêmio recebido pelo crítico e ensaísta Ricardo Leão, que conquistou um dos mais importantes prêmios concedidos pela Academia Brasileira de Letras. Premiados em outros eventos tivemos também José Ewerton Neto e Ferreira Gullar.
Foram muitos os lançamentos de livros realizados durante 2012. Alguns tiveram concorridas sessões de autógrafo, outros ficaram apenas nos círculos de amizade dos autores. Mas o futuro irá lembrar-se da qualidade dos textos e não da quantidade de pessoas presentes ao evento. Vale destacar então alguns livros.

 Memória dos Porcos (Ronaldo Costa Fernandes) o ótimo livro de poemas que leva o leitor a refletir sobre cada página, sobre cada verso.
 O Perdedor de Tempo (Dyl Pires) – Os poemas mostram um amadurecimento temático da poética desse grande escritor e ator maranhense.
 Contos, Crônicas Poemas e outras Palavras (Joaquim Haickel) - Uma mistura de diversos gêneros em um único livro. Bons textos e boa produção gráfica.
Poema da Diferença (Sonia Almeida) – Neste livro a autora mostra uma nova faceta de sua produção literária o jogo metafórico que une o concreto e o abstrato da nossa passagem pelo mundo
Província – O Pó dos Pósteros (de Nauro Machado) – Reunião de diversos artigos de Nauro Machado, todos escritos em um estilo fluido e envolvente.
O Rio (de Arlete Nogueira) – O novo livro de Arlete Nogueira comprova que ela é uma das maiores escritoras de nossas letras.
Pérolas ao tempo (de Rosemary Rêgo) – Menos introspectivo que o anterior, o livro traz uma escritora mais madura e consciente do fazer poético.
Marcas Indeléveis (de Ahtange Ferreira) – Usando o receituário do best-seller, a estreante escritora traz a luta de uma mulher por dias melhores.
Tear (de Quincas Vilaneto) – Excelente livro de poemas. Mistura metalinguagem e visão particular dos ambientes retratado.
A Poesia sou Eu (obra completa de Luís Augusto Cassas em 2 volumes) – essencial para quem deseja mergulhar na produção desse poeta. Além dos livros, traz uma fortuna crítica que auxiliará leitores e pesquisadores da obra de Cassas.
Entre Viana e Viena (Lourival Serejo) – Ótimo livro de crônicas. Nesse livro, Serejo mostra que há múltiplas formas de retratar um evento que às vezes parece ter importância apenas para o cronista, mas que pode abarcar a todos.
Bastidores (Ubiratan Teixeira) – Livro que traz um pouco da movimentação teatral do Maranhão nas últimas décadas.
Ana do Maranhão (Lenita Estrela de Sá) – Relançado trinta anos depois. Esse livro é um marco no teatro maranhense.
Teatro Escolhido de Fernando Moreira – O Instituto Geia e o escritor Ubiratan Teixeira fizeram um grande serviço à literatura trazendo á luz esse importante volume com a obra de um escritor hoje esquecido

 algo que também deve louvado é a fundação ou fortalecimento de academia de letras municipais, como a Paçoluminense, a de Caxias, A Sambentuense, a Imperatrizense e tantas outras que vêm se fortalecendo ano após ano. Com isso, esperamos, haverá uma maior divulgação de valores locais e de suas obras.
Alguns eventos, como o Salão de Livros de Imperatriz (Salimp) e A Feira de Livro de São Luís, ganharam similares, como é o caso o do Salão do Livro de Coelho Neto e das diversas pequenas feiras de livro que foram realizadas durante o ano. E a Capital maranhense ganhou também uma livraria de bom porte em um de seus shoppings, além da livraria Resistência Cultural, que vem ganhando espaço aos poucos. Um avanço para uma cidade que viu diversas livrarias fechando as portas nos últimos anos
Outra iniciativa interessante foi a de alguns escritores de optarem pela publicação de seus livros de forma alternativa, principalmente na internet, como fizeram o professor João de Deus Vieira Barros, que publicou A Bala na Garganta de forma digital e a maranhense radicada na Alemanha Helena Frenzel, que publicou a coletânea 15 Contos Mais na internet, com a participação dos maranhenses José Neres e Marcos Fábio Belo Matos. Além de blogs voltados para as letras, como é o caso do Maranharte, administrado pelo pesquisador Flaviano Menezes.
 Algumas escolas contribuíram para a divulgação da literatura maranhense, convidando escritores e estudiosos das letras para encontros e palestras. Isso foi um marco significativo neste 2012 e certamente terá reflexos em um futuro bem próximo
O principal problema para a literatura maranhense ainda é a falta de divulgação e de forma de escoamento da produção para outros lugares. O livro lançado aqui raramente alcança um público além das linhas divisórias do Estado. As divulgações digitais estão quebrando um pouco essas barreiras, mas ainda falta muito a ser feito. Outro obstáculo é a falta de uma crítica mais atuante no campo das letras. Um livro é publicado e na semana seguinte cai no esquecimento, pois falta um debate mais efetivo acerca do que é produzido aqui. Sem contar que as livraria vem desaparecendo em uma velocidade impressionante.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A POESIA DE MARIANA LUZ

OS MURMÚRIOS DE MARIANA
Por José Neres 


            Não é de hoje que as letras maranhenses se ressentem da quase total ausência de uma crítica literária consistente e da falta de um resgate historiográfico dos inúmeros valores que abrilhantam ou abrilhantaram as letras de um estado que já mereceu grandiosos elogios por causa da  produção intelectual de seus inúmeros talentos literários.
            Mesmo hoje, em pleno século XXI, com toda a tecnologia de que dispomos, com os relativos progressos nos métodos de pesquisa e com o hipotético interesse em divulgar as artes e a cultura em geral, o Maranhão ainda se encontra bastante atrasado no que diz respeito à divulgação e aos estudos de suas letras. Não obstante os esforços, às vezes hercúleos, às vezes quixotescos, de alguns pesquisadores como Jomar Moraes, Clóvis Ramos, Carlos Cunha, Rossini Correa e alguns poucos outros, as pesquisas literárias com abordagens mais críticas ainda engatinham em uma terra onde o que não faltam são nomes, obras e temas a serem pesquisados.
            O resultado disso tudo é o quase total esquecimento de alguns autores que muito contribuíram para a formação e para a evolução literária de nossa terra. São inúmeros os nomes esquecidos que clamam por alguém com tempo, conhecimento e disposição para resgatá-los do limbo do ostracismo.
            Um desses escritores que merecem maior atenção por parte dos leitores e da crítica é Mariana Luz, poetisa “de feição simbolista”, como muito bem lembrou certa vez Clóvis Ramos, e que buscava “a arte pura em seus poemas”, como escreveu José de Jesus Moraes Rego, em um dos raros estudos sobre a escritora, mas que também deixou suas contribuições nos campos da prosa e do teatro.
Fonte da imagem:
 http://alvoradanoticias.blogspot.com.br/2011/12/itapecuruenses-notaveis-professora.html
            De toda a não muito vasta obra de Mariana Luz, chegou até nós – principalmente por causa da modesta, mas importante edição de 1990, impressa pelo Sioge –  o pequeno livro de poemas intitulado Murmúrios, uma obra composta por apenas 22 poemas, em sua maioria sonetos.
            Mesmo tentado negar sua condição de poetisa de versos tristes em dois textos dedicados ao poeta Leslie Tavares, em um dos quais chega a afirmar que “para mim tudo é belo e sorridente”, o estro poético da escritora desdiz suas palavras. Basta lembrar que vocábulos como dor, sofrimento, lágrima e cadáver são bastante recorrentes ao longo de seus versos. Poucos são os poemas do livro que não apresentam em sua composição pelo menos uma das palavras supracitadas. Mesmo quando o título aparentemente remete a algo alegre, como é o caso dos poemas “Amanhecer” e “Risos”, o desfecho leva o leitor a uma reflexão sobre a triste condição humana.
            O sofrimento é um dos motes mais contemplados pela autora de Murmúrios. A escritora deixa bem claro em seus versos que só “viveu e sabe dar valor à vida / quem palmilhou a estrada dolorida.” No decorrer do livro, o leitor é facilmente levado a crer na teoria de que bons versos são tirados do sofrimento. Mas fica também a idéia de que a essência do sofrer pode ser disfarçada sob a máscara de uma aparente alegria.
            Em vários momentos, a poética de Mariana Luz remete a uma conexão intertextual com os versos do paraibano Augusto dos Anjos, nem tanto pelo vocabulário carregado de termos científicos, mas, principalmente pelas mensagens recheadas de reflexões sobre a vida e a morte, bem como pelas descrições de cadáveres. Um bom exemplo disso é o soneto dedicado à “Gracinha junto ao féretro de sua mãe”.
            Mariana Luz tem ainda muito a dizer a seus leitores. Uma edição crítica de sua obra seria boa oportunidade de a nova geração conhecer a poesia de uma mulher que, mesmo sem inovações técnicas, soube trabalhar a palavra de forma singular e que soube iluminar nossas letras com a luz e com a  força de seus versos.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

LENITA ESTRELA DE SÁ


ANA JANSEN: MITO, PERSONAGEM E 
MULHER
José Neres


Fonte da imagem: Capa do livro (divulgação)
Três décadas depois de estrear no mundo do teatro como autora, a contista, poetisa e teatróloga Lenita Estrela de Sá trouxe de volta às prateleiras de nossas cada vez mais escassas livrarias e também às modernas lojas virtuais a terceira edição de seu mais conhecido livro: “Ana do Maranhão”.
Mas o que tem de especial esse livro para que ele resistisse a trinta anos fora das estantes, mas sempre vivo nos olhos e no imaginário dos leitores? Para começar, Trata-se de uma obra que, de uma só vez pode servir para desmistificar duas ideias que fazem parte do senso comum e que nem sempre podem ser comprovadas literariamente. A primeira de que as obras da juventude dos autores são meros ensaios para uma produção mais madura. No caso de “Ana do Maranhão”, de Lenita Estrela de Sá, fica patente que a escritora já demostrava maturidade artística desde sua juventude e de suas primeiras incursões pelas letras. Segundo: o livro também põe em cheque a ideia de que não é possível fazer boa literatura a partir de uma personagem histórica.
      Na peça, a escritora retoma a mítica e lendária figura de Ana Joaquina Jansen Pereira, mulher forte e determinada que entrou para a historiografia oficial como Ana Jansen e para o imaginário popular como Nhá Jança, Nhá Jansen ou Donana Jansen. A emblemática figura de Ana Jansen serviu de mote para diversos estudos como os de Jerônimo de Viveiros e Jomar Moraes ou, mais recentemente, para capítulos de trabalhos de pesquisadores como Henrique Borralho e Luiz Tavares, servindo também para alimentar a  literatura, como no caso do livro “Quem tem medo de Ana Jansen”, de Wílson Marques, ou mesmo o até hoje controverso Ana Jansen, de Ribeiro.
Fonte da imagem: www.estreladesa.com.br
      Mas a Ana Jansen de Lenita Estrela não tem o interesse apenas de resgatar uma figura histórico-lendária, ela humaniza quem é visto como monstro pela maioria das pessoas. A Ana Jansen do livro está tão preocupada com as articulações política quanto com o bolo de macaxeira que está sendo preparado para a família. Ela não aceita as normas vigentes da época de que “Mulher nasceu para parir” e de que “política não é assunto para moça”. Ela tem plena consciência de não deixar de ser mulher por não aceitar ser dominada pela sociedade falocrática da época.
      Recorrendo à técnica do jogo de planos como mudança de cenários e da mescla de seres históricos com criações ficcionais, a autora faz suas personagens avançarem ou recuarem no tempo, compondo uma tessitura que leva a quem lê o livro ou assiste à peça sentir as tramas que eram articuladas nos diversos recintos da cidade.
      As poucas páginas do livro, eivadas de rápidos diálogos que mesclam acurada pesquisa histórica sobre a personagem e o poder criador de alguém que domina a técnica teatral, levam leitor a conhecer um pouco de um polêmico momento histórico do Maranhão e ao mesmo tempo divertir-se com as peripécias perpetradas pelas personagens na defesa de seus interesses.
      As escolhas lexicais e temáticas de Lenita Estrela de Sá não poderiam ser melhores. De forma elegante e coerente, ele humaniza uma personagem de quem muitos sentiam (e sentem) verdadeiro pavor e mostra que, por trás de uma personagem ou de um mito pode haver uma pessoa comum, com todas as qualidades e defeitos que podem levar alguém a perpetuar-se no tempo ou cair no limbo do esquecimento.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ARTIGO NA REVISTA LÍNGUA PORTUGUESA


Caros amigos, no número atual da Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa (que está nas bancas), publicamos o seguinte artigo que agora disponibilizo para vocês. Vale a pena adquirir a revista para ler também os outros estudos, que estão muito bons.


MUTAÇÕES VOCABULARES

José Neres[1]

            Em uma época quem que mutação é um tema constante nos quadrinhos, nas tevês e nos cinemas, inundando o imaginário de jovens e adultos com a ilusão de poderes além dos limites humanos, a maioria das pessoas, no afã de acompanhar as milionárias produções cinematográficas, esquece-se de que todos nós, diariamente, passamos por pequenas mutações no corpo, no vestuário, nos tratamentos cotidianos e, principalmente, na linguagem.
            Uma língua é um elemento vivo que também evolui e que se transforma a cada minuto. Palavras e expressões que marcam uma geração podem facilmente ser esquecidas na década seguinte. Algumas pessoas se espantam com a velocidade com que o idioma assimila alguns vocábulos e com sua tendência a descartar elementos linguísticos que, à primeira vista, pareciam eternos e imunes às mudanças.
            Mesmo que cause estranheza, essa evolução da língua é parte da eterna necessidade de renovação a que todos estão irremediavelmente atados. Não se trata, portanto, de dizer que uma língua está sendo destruída por seus falantes atuais ou que as “pessoas de antigamente” tinham mais cuidado com o vernáculo, ou, pior ainda, de preconizar que “os jovens estão matando o idioma” cada vez que falam. O que há, na verdade, é uma adequação da linguagem a uma época é às situações impostas pelo próprio cotidiano.
            No entanto, mesmo as pessoas que tentam não recender um ranço de passadismo se veem vez ou outra espantadas com a mutação de algumas palavras que circulam com desenvoltura no vocabulário atual. Em alguns casos, o significado da palavra mutante em nada lembra a essência do estágio anterior da língua. Dessa forma, as mutações vocabulares citadas a seguir podem causar estranheza a quem não observe com cuidado as falas que ecoam nas ruas, nos shoppings e até nas escolas, mas já são bastante familiares aos ouvidos de todos nós.
            O conhecidíssimo ato de NAMORAR de forma descompromissada teve diversas modificações e hoje pode ser encontrado na forma de FICAR, de PEGAR, de PASSAR O SAL e até mesmo de um estranhíssimo ESPOCAR, que suscitam frases interessantes como: “Estou espocando uma mina de tua rua” ou “Já passei o sal em tua prima”. Tudo muito romântico!
            Acompanhando esse ritmo moderno, o namorado e namorada, que outrora eram apresesentados à familiares e amigos como sendo apenas mais um amigo ou amiga mais querido/a, hoje assumem a forma de NAMÔS, FICANTES ou PEGUETES, e quando o rapaz se vê em uma situação indecisa entre o namoro é um compromisso mais sério passa a ser identificado pelo círculo de amizade como o NAMORIDO da garota.
            As adolescentes compartilham suas preocupações, anseios e segredos com sua BFF (Best Friend Forever), ou seja, com sua melhor amiga e não dizem mais que algo é bastante popular ou que faz sucesso, mas sim que TÁ BOMBANDO. O que torna um diálogo entre jovens, ou melhor, entre TEENS quase indecifrável para quem não tenha conhecimento dessa codificação linguística.
            O sempre educado DESCULPE-ME está praticamente fora de uso e em seu lugar surge o enigmático FOI MAL, quase sempre dito de modo vago e com uma entonação arrastada que se prolonga no vazio do tempo.
            Outra palavra que vem perdendo terreno no dia a dia é OBRIGADO, que, depois de décadas e mais décadas brigando para ter sua forma feminina usada de acordo com a norma culta, agora se vê definitivamente sufocada pelo sisudo VALEU.
            Alguns profissionais vem substituindo os tradicionais SIM SENHOR, SIM SENHORA e POIS NÃO pela expressão NA HORA, dita de forma efusiva, deixando bem claro que a clientela será atendida com rapidamente.
            Estruturas solidificadas como TCHAU, ATÉ LOGO, ESTOU INDO e VOU-ME EMBORA praticamente fundiram-se em uma forma extremamente contraditória e direta. Um simples, rápido e sintético FUI resolve todos os problemas sem precisar de explicações ou das convencionais despedidas.
            Atualmente, poucos são os que convidam os amigos para um ANIVERSÁRIO, pois é mais prático convidá-los para o NÍVER, de preferência com poucas pessoas, para evitar gastos desnecessários e com uma vela em forma de interrogação, para preservar a discrição sobre a idade do dono da festa.
            Alguns pequenos cacoetes da fala não se contentaram com as visíveis mutações, mas também se acasalaram e trouxeram à luz o famigerado TIPO ASSIM, que nada acrescenta à praticidade discursiva, mas que serve para enfeitar o vazio conteudístico de tanta gente que adora falar, mas que pouco tem a dizer.
            A relação é longa poderia se estender por páginas e mais páginas, pois em uma era de comunicação instantânea em que primos viram plimos (ou pliminhos) na internet, mutações como V6 (vocês), 4ever (do inglês forever/para sempre), ctz (com certeza), qq (qualquer), vlw (valeu) começam a fazer parte do cotidiano dos falantes da língua e tendem a evoluir para outras formas ainda mais cifradas. Resta então a cada pessoa aprender a conviver com esses mutantes de maneira harmônica ou então viver em um quase isolamento linguístico.
            Mesmo com algumas pessoas revoltadas com essas mudanças, não adianta abrir guerra contra essas mutações, elas fazem parte da evolução da língua e, com o passar do tempo, umas desaparecerão, algumas poderão se integrar definitivamente à língua e outras sofrerão novas mutações, fazendo com que as pessoas de hoje considerem muito estranho o vocabulário usado em um futuro muito próximo.


[1] Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília. Professor da Faculdade Atenas Maranhense – FAMA. E-mail: joseneres@globo.com

domingo, 30 de setembro de 2012

ilhavirtual 16

Chega às suas mãos (ou à tela de seu computador, a 16ª edição do Ilhavirtualpontocom.
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FESTA DAS LETRAS


ESCOLAS EM DEFESA DAS LETRAS
José Neres

                Muitos se perguntam o que fazer para que os jovens gostem da chamada cultura letrada (poesia, romance, contos, peças teatrais...). As respostas são muitas. E todas elas passam pelas mesmas variáveis: incentivo da família e da escola. Se a família não apoiar o interesse do aluno pela leitura, todo o trabalho da escola vai por água abaixo. Caso a escola também não tenha projetos que levem os estudantes a procurarem as obras literárias, o esforço de alguns pais também não surtirá tanto efeito.
                Nos últimos anos, uma iniciativa que vem dando certo, pelo menos em parte, é a implantação de pesquisas sobre autores (clássicos e/ou contemporâneos) e  culminância das pesquisas com suas apresentações na própria escola ou em espaços públicos. Devidamente atrelada à estrutura curricular da escola, essas ideias, que quase sempre nascem de iniciativas particulares de professores de língua e literatura, quando encontram apoio do corpo diretivo, têm grande chance de se tornarem sucesso. Mas há casos e mais casos em que o professor (ou a professora) se vê ilhado pelo desinteresse das autoridades escolares e a atividade, que poderia ter um alcance muito grande, ficar restrito às quatro paredes da sala de aula.
                Nos últimos meses, assisti a três eventos dessa natureza e que foram além dos limites da escola. Vou me deter mais no último, por se o mais recente. Em abril, fui à Escola Ciências e fui brindado com um belo espetáculo. Alunos de diversas séries falavam sobre escritores da terra. Jomar Moraes, Joaquim Itapary e Ronaldo Costa Fernandes eram alguns dos homenageados. Professores, alunos, coordenação e direção pareciam irmanados no desejo de fazer um evento de qualidade. E conseguiram.
                Em setembro foi a vez do colégio O Bom Pastor, cujos alunos, em uma parte de manhã dedicada às letras, homenagearam alguns escritores contemporâneos como, por exemplo, Bioque Mesito, Marcos Fábio Belo Matos e José Ewerton Neto. Os alunos, comandados pela professora Priscilla Robertha comentaram, discutiram e recitaram trechos dos autores estudados. Tudo com capricho e muita dedicação.
                Nesses dois eventos, participei como convidado e homenageado, o que me encheu de felicidade e da esperança de que, em um futuro próximo essas crianças, adolescentes e pré-adolescentes se tornem leitores e produtores de nossas letras.
                No penúltimo dia de setembro, participei, na condição de pai, da apresentação da VIII Noite Literária, promovida pelo colégio Cenaza, no Teatro João do Vale. Em uma noite de festa para as letras, para a poesia e, principalmente de homenagem às mulheres escritoras, os alunos trouxeram ao palco nomes como Maria Firmina dos Reis, Cecília Meireles, Cora Coralina e Clarice Lispector, além de incursões por outros gêneros que foram dramatizados.
                Os naturais momentos de nervosismo que antecedem os eventos públicos foram aos poucos substituídos pela confiança de um dever cumprido. Os jovens, muitos deles tendo sua primeira experiência no palco vinham ansiosos, não apenas de uma boa apresentação mas também de mostrarem para pais, parentes, colegas e amigos que têm capacidade de enfrentar um desafio dessa envergadura. A cada cena representada, sentia-se o ar de alívio nas expressões dos alunos e também o brilho de satisfação no rosto dos pais, além da certeza do dever cumprido que se estampava no semblante dos membro do corpo diretivo da escola e dos professores presentes.
                As pequenas falhas podem (e devem ser perdoadas) já que ninguém ali era profissional do teatro. Mesmo assim há de se destacar pelo menos três belos momentos: 1) a bela atuação da aluna que fez o papel da cartomante na peça baseada em A Hora da Estrela – ela, de forma brilhante, demonstrou talento e poder de improvisação diante da plateia; 2) O humor negro do rapaz que reproduziu de forma muito competente o vídeo da freira humorista, muito visto na internet – ele soube tralhar muito bem a voz e as pausas necessárias ao andamento do texto; 3) a excelente montagem da vida de Cora Coralina, que faz a junção entre os aspectos biográficos da escritora goiana com partes de suas composições poéticas.
                No final das apresentações, o professor Tarcísio, o mentor do projeto, consciente de que havia inoculado em alguns alunos o gosto pela leitura e pelas pesquisas literárias, pôde respirar aliviado: aquela tarefa estava cumprida e o amor pelas letras mais uma vez se transformava em realização profissional. Fim de festa, mas não de luta em prol das letras.