sábado, 10 de julho de 2010

MÚSICA



Ouvindo Clayber Rocha


José Neres


Confesso o que é evidente. Sou um completo analfabeto no que diz respeito à prática musical. Não sei tocar um instrumento. Minha voz é desafinada e evito até mesmo bater palmas em aniversários de crianças com medo de que meu descompasso rítmico atrapalhe a evolução das palmas alheias. Mas ser analfabeto musical não é sinônimo de ter surdez melódica. Pelo contrário. Considero-me até bastante exigente com o que ouço. Não faço de meus pobres ouvidos um repositório de lixo mercadológico disfarçado de música.
            Assim, com a um analfabeto das letras não lhe pode ser negado o direito de opinar sobre a beleza de um poema, de uma narrativa ou mesmo de comentar sobre o enredo de uma peça teatral, reservo-me o direito de apreciar a magnífica  voz de um Emílio Santiago, o tom altissonante de uma Mercedes Sosa, a potência vocação de um Tim Maia, a magistral rouquidão de um Louis Armstrong, a simplicidade melódica de um Paulo Diniz, a energia de uma Alcione ou a sonora percussão de um Papete ou de um Hermeto Paschoal.
            Também não posso deixar de admirar a capacidade musical de Clayber Rocha, esse jovem músico que dedilha o violão com a alma e que tira das cordas todos os ritmos possíveis e imagináveis. Não se trata, porém, apenas de uma pessoa com técnica e inspiração, Clayber também possui a capacidade de reunir em um mesmo CD um repertório de primeira linha e de intenso bom gosto.
            Em sua nova obra, Clayber Rocha não se contenta em tocar e também solta a voz, cantando em francês, português, espanhol e inglês, o que ocorre apenas esporadicamente nos outros álbuns lançados anteriormente. Mas ele não deixa de lado sua marca mais conhecida: o talento com o violão. Às vezes, passa a impressão de que há dezenas de outros instrumentos compondo o cenário musical composto pelo intérprete, mas, para quem tem talento, uma voz e um violão tomam a dimensão de uma verdadeira orquestra.
            Neste momento, escrevo ouvindo a interpretação de “Love me tender”, música que foi imortalizada na voz de Elvis Presley e que ganha um toque especial com o artista maranhense. Volto um pouco e me impressiono a virtuosa artística demonstrada em Carinhoso. Finalizo com as empolgantes notas de Yo Camelo, de Adriah Esteves, uma canção que faz bem a qualquer ouvido.
            Como disse antes, sou um analfabeto musical, mas não sou surdo e gosto do que tem qualidade. Talvez o único defeito do CD seja que ele tenha uma curta duração e que na hora que começa a empolgar, acaba. Mas vale a pena.

   Contato com o músico: clayberrochaok@hotmail.com
Músicas do CD

1.      Je L’aime à Mourir
2.      Carinhoso
3.      Corcovado
4.      Pequena bailarina
5.      Love me tender
6.      Introduction / Asturias
7.      Aquarela do Brasil
8.      Ponteio
9.      Yo Camelo
10.  Mediterranean Sundace


sábado, 3 de julho de 2010

REVISTA LITTERA

Acaba de ser lançada a edição digital da Revista Littera, do Curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão, com textos de diversos autores. Convido a todos a uma visita nas páginas da revista, para prestigiar o trabalho de nossos pesquisadores.
Clique AQUI e vá para a página da revista.

sábado, 26 de junho de 2010

BALADA LITERÁRIA


Música. Poesia. Teatros. Performances e muita arte em todos os sentidos. Assim foi a Balada Literária promovida pelos alunos de Letras da Faculdade Atenas Maranhense, na última quinta-feira (24.06.2010) no teatro da Faculdade.
Com uma programação bem escolhida e organizada de modo a não cansar a plateia com repetições de estilo, os alunos se desdobraram e conseguiram um belíssimo efeito estético, com direito a momentos de improviso e o nervosismo natural de quem se encontra no meio de um palco, com dezenas de olhos focados em um único ponto.
Todos deram o máximo de si para o espetáculo. Todos estão de parabéns. O público, sempre escasso em eventos de natureza artística não-comercial, certamente, se deliciou com cada um dos textos apresentados e se divertiu com as inteligentes tiradas de humor que pincelaram o evento. Mas, sem dúvida, o momento mais marcante da noite foi quando a aluna Simone Pinheiro, fez uma belíssima interpretação em libras do poema “Magia”, de autoria de Perla Alvez, também aluna da instituição. Simone e todos os organizadores da Balada Literária provaram que a Poesia não conhece limitações, porque ela mesma é sem limites.
Todos têm talento e bastava uma oportunidade para mostrar de que cada pessoa é capaz. O evento foi uma excelente chance de todos conhecerem o talento dos alunos e companheiros.
  Feliz com a plasticidade do evento, a plateia guardará esses bons momentos e aguardará a segunda edição da Balada.

terça-feira, 22 de junho de 2010

NOVO LIVRO GRATIS EM PDF

Caros leitores,

Disponibilizo para vocês meu livro inédito O ÚLTIMO DESEJO DE CATIRINA. Espero que todos os que se dispuserem a ler esse trabalho tenham bons momentos de entretenimento e de reflexão.

Um abraço a todos e Boa Leitura

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CÉREBROS PROSTITUÍDOS, MÃOS DE ALUGUEL
José Neres


            De um lado da mesa de negociação está uma pessoa inteligente, bem formada, com bom nível intelectual, e, pelo menos em teoria, com necessidades econômicas e, na prática, com evidente carência ética e moral. Do outro lado, está alguém que frequentou as aulas, mas que, ou por deficiência intelectual, ou por falta de habilidade, não aprendeu o suficiente para ter competência de elaborar suas próprias atividades acadêmicas, sejam elas trabalhos corriqueiros de meio de curso, artigos científicos, monografias, dissertações ou teses.
            Quanto custa uma monografia? Quanto custa uma dissertação? Por quanto será que sai um trabalho? Qual o preço pago por uma certificação? Para quem realmente estudou e se prepara para levar uma vida profissional pautada pela ética e pela busca da competência, essas perguntas parecem sem sentido. No entanto, se o objetivo é apenas ter um diploma na gaveta, se é tão somente entrar para estatísticas oficiais, sem preocupação com o que poderia ser assimilado na sala de aula e levado para a vida profissional, tais perguntas são tão corriqueiras quanto querer saber o preço de um cigarro ou de um quilo de carne.
            A prostituição intelectual é tão grande e tão visível e despudorada que não sente vergonha em se oferecer em páginas de jornais, murais de universidades, faculdades, escolas, cursos de pós-graduação e congêneres. Às vezes, uma tênue sombra de pudor faz com que os aproveitadores da incompetência alheia disfarcem seus negócios com pomposos nomes como apoio à pesquisa acadêmica ou serviço de digitação, o que acaba virando estigma negativo para quem realmente faz apenas a digitação de trabalhos, sem envolver-se em fraudes.
            Não são raros os casos em que os “elaboradores de trabalhos” apenas recorrem às páginas da internet, fazem uma coleta de trabalhos com a temática pretendida, fazem uma colcha de retalhos com textos variados e vendem para os incautos e preguiçosos compradores como se aquilo fosse um texto original, tecido pelas hábeis mãos do incansável “trabalhador” da palavra. Outros, temerosos de que o texto seja verificado em um dos programas eletrônicos que farejam plágio, preferem copiar de livros e/ou de trabalhos defendidos em universidades de outros estados.
            O aluno, por sua vez, chega mesmo a levar os “originais” para que seu orientador leia, faça suas correções e sugira modificações a fim de tornar o trabalho encomendado mais pessoal. O professor, às vezes por comodismo ou inexperiência,  às vezes fazendo-se de bobo por não ter provas cabais de que seu orientado está pagando pelo trabalho, fecha os olhos, finge que tudo está ótimo e aprova o trabalho.
            Algumas empresas mais organizadas oferecem, além do texto revisado e encadernado, treinamento para que o cliente se saia bem na defesa pública do trabalho. No dia da apresentação, como se um voz do além iluminasse a cabeça daquele graduando, ele demonstra todo o seu conhecimento perante o publico presente e, em alguns casos, ainda comemora com a família a vitória de tantas horas de esforço.
            De quem é a culpa? Aparentemente todos são culpados. Instituições, docentes, discentes... Pois só há quem venda trabalhos, porque também há quem os compre. E, na falta de competência, pode parecer um bom negócio pagar pela competência alheia, mesmo que não se possa reclamar em caso de ser enganado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

LUTO NAS LETRAS PORTUGUESAS

MORRE O ESCRITOR PORTUGUÊS JOSÉ SARAMAGO

A sexta-feira, 18 de junho de 2010 amanheceu de luto> Saramago escreveu o capitulo final de sua saga, e a literatura de língua portuguesa perdeu  um de seus grandes escritores. 
Escritor polêmico e dono de um estilo sui generis, Saramago foi o único escritor de língua portuguesa, até agora, a receber o Prêmio Nobel de Literatura.
Agora, seus longos parágrafos, seus períodos gigantescos e suas vírgulas surpreendentes  recebem a pausa final e deixam seus
Entre seus livros mais importantes, temos:

  • Ensaio sobre a Cegueira
  • Ensaio sobre a Lucidez
  • Todos os nomes
  • Evangelho segundo Jesus Cristo
  • Jangada de Pedra
  • O ano da morte de Riocardo Reis

sábado, 5 de junho de 2010

NOVO LIVRO DE WALDEMIRO VIANA

A TARA SOB A TOGA
José Neres


            Criar uma obra literária a partir de um acontecimento histórico é sempre uma tarefa que exige muito cuidado por parte do escritor, que pode deixar o livro com ranço de puro historicismo sem valor estético ou descaracterizar totalmente o fato que serviu de base para a narrativa e fugir completamente do enredo original, criando uma versão quase que totalmente desvinculada do modelo adotado.
            Por outro lado há também os interesses do público leitor. Algumas pessoas querem transformar Literatura em registro fidedigno da História e não se conformam com as liberdades criativas do ficcionista que, livre das amarras da cientificidade, não tem compromisso com a verdade, precisando apenas manter uma coerência interna para com os episódios apresentados. Há quem pegue um romance, não para se deleitar com o valor artístico da obra, mas sim para apontar possíveis falhas históricas do autor. Mas também há pessoas que se sentem lesadas quando a narrativa literária fica muito colada aos acontecimentos já conhecidos e de domínio público. Tais leitores geralmente alegam que o papel do escritor é oferecer um outro olhar dos fatos, e não apenas reproduzir fontes documentais com roupagem literária.
            Buscar um equilíbrio entre a força criativa da ficção e o respeito a um roteiro já traçado pela veracidade dos fatos, entre o estilo individual e as expectativas dos leitores não é uma tarefa fácil. Mas foi o que conseguiu o escritor maranhense Waldemiro Viana, em seu mais recente romance “A Tara e a Toga”, que traz de volta às letras o conhecido crime cometido pelo desembargador Pontes Visgueiros contra sua amante Mariquinhas.
            O livro, além de presentear o leitor com uma narrativa ágil e envolvente, traz também belíssimas ilustrações assinadas pelo artista Jesus Santos, que, com seu talento já tantas vezes reconhecido, conseguiu captar a essência da narrativa e traduzir em traços e cores os momentos capitais do romance.
            Possivelmente usando como fonte de pesquisa o livro “O caso Pontes Visgueiro: um erro judiciário”, de Evaristo de Moraes e outras obras sobre o famoso caso, Waldemiro Viana reconstrói o cenário da época do crime, imiscui personagens à trama, reconstitui diálogos que poderiam ter acontecido, arquiteta situações que costuram o romance e tempera tudo com boas doses de sarcasmo, erotismo e de suspense. E ainda aproveita para homenagear alguns amigos e confrades que aparecem sutilmente em alguns momentos na trama.
            Algumas cenas do romance são antológicas, como, por exemplo, o momento em que, cego de paixão, o desembargador vai ao Largo dos Remédios e lá encontra sua amada nos braços de outro. A fúria toma conta do velho magistrado que, vendo-se traído, toma satisfações de sua protegida e desce aos mais baixos degraus da escala humana, vivendo, em um curtíssimo intervalo de tempo, sensações que vão do ódio profundo à vergonha de ver a própria família a presenciar seu vexame, passando também pela humilhação de ter sua vida íntima exposta em público, pelo desespero de conviver com a impotência física e moral e, ao mesmo tempo pela certeza da dependência dos vícios e dos prazeres carnais proporcionados pela infiel amante. A cena final do livro também é carregada de ironia e de uma pitada de bom humor, sem perder o foco da narrativa.
            Outra cena muito importante e que terá significativo valor para o desfecho da obra é a da estada de Pontes Visgueiro no Piauí. Os episódios se encaixam de modo perfeito e divertem o leitor com o canhestro casal que se forma a partir de um encontro fortuito. O contraste entre a decadência física do desembargador e suas atitudes de incorrigível conquistador demonstra a habilidade do romancista em oscilar entre o trágico e o cômico com a mesma destreza.
            Muito mais que narrar uma história tantas vezes contata e recontada e que já faz parte do conhecimento público, Waldemiro Viana aproveitou as quase duas centenas e meia de páginas do livro para traçar um perfil psicológico das duas personagens centrais. No entanto, o desembargador é o que recebe maior atenção na construção da personalidade. Sua figura caricata desperta no leitor um misto de pena e riso. O ridículo, em várias passagens da obra, serve como contraponto do drama existencial vivido por um homem dividido entre a sisudez da toga e as alegrias de poder realizar suas taras, não importando o preço a ser pago no balanço final.
            Com mais esse livro, Waldemiro Viana presta um importante serviço aos admiradores de sua obra, da boa literatura e  até mesmo àquelas pessoas que querem apenas divertir-se com as efemérides de nossa História.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Artigo


TRAGÉDIA NOSSA DE CADA DIA


José Neres



Eu não queria matar aquele homem. Juro que não queria! Tudo aconteceu de maneira tão rápida que só depois de um tempo foi que percebi o que havia acontecido. Mas uma coisa é certa: eu não queria matar ninguém. Sou uma vítima também.
Era um feriado. Desses que todo mundo aproveita para enforcar mais um dia de serviço, anulando os dias úteis para aproveitar e descansar ou cair na bebedeira. E foi essa tal de bebedeira que me levou a cometer um crime que jamais aconteceria, se o maldito álcool não tivesse sido consumido de maneira tão irresponsável.
Meu companheiro jamais saía sem mim. Silenciosa e discreta, eu sempre o acompanhava em todos os eventos. Desde uma simples festinha até um jogo de futebol, lá estava eu fielmente a seu lado, grudada em seu corpo a protegê-los dos muitos inimigos que ele acumulava com seu jeito truculento de ser. Comigo, ele sempre se sentia protegido, mais forte, mas homem. Invulnerável.
Eram raras as vezes em que ele me deixava no carro, descansando, sem ter nada o que fazer. Mas ele bebia muito e arrumava  muita confusão. Chegava mesmo a ser violento, super violento. Lembro-me de que por diversas vezes o tirei de brigas, servindo de escudo para que ele saísse ileso. Era até engraçado o medo que nós impúnhamos nas pessoas. Voltávamos para o carro e eu ficava a seu lado, quietinha, só ouvindo suas gargalhadas. Em casa, ele me levava para a cama, beijava-me várias vezes e dormia a meu lado, roncando alto, bem alto.
Dizem que antes de me conhecer ele era tranqüilo, incapaz mesmo de levantar a voz para alguém. Um verdadeiro lerdo. Muitas vezes era humilhado pelos valentões da rua ou da escola. Seus poucos amigos me culpavam pela brusca transformação. A família dele me detestava e fazia de tudo para nos separar. Mas não tinha jeito. Ele não sabia mais viver sem mim. Virei uma espécie de anjo da guarda para ele. Não nos separávamos nunca. Comigo por perto, ele deixava de ser um fracote e virava um homem respeitado, temido.
Naquele feriado fomos a uma festa. Como sempre eu estava ao lado dele. Dançamos bastante. Algumas vezes quase caí. Mas ele era cuidadoso comigo e me deixava sempre próxima a seu corpo. Se alguém tocava inadvertidamente em mim, ele me protegia, assim como eu o protegia na hora das confusões. Pequena e discreta, não incomodo ninguém, não sou de barulho e quase sempre passo despercebida nos lugares que frequentamos. Nasci para servir.
Pois bem, depois de beber e de dançar muito, ele foi aconselhado por conhecidos a voltar para casa e dormir. No começo, protestou, mas estava um tanto quanto cansado e decidiu seguir os conselhos. Morto de bêbado, pegou o carro e saiu cantando os pneus. O som alto e os constantes ziguezagues chamavam a atenção dos transeuntes. Eu estava quietinha ao lado dele. De repente, um forte barulho inundou a noite. Ele bateu na traseira de um carro. Depois de um palavrão, ele abriu a porta e foi tomar satisfação com o outro motorista. Um bate-boca terminou em agressão. Embora menor, o outro condutor estava sóbrio e era mais forte. Com o rosto sangrando e os lábios trêmulos, ele voltou para o carro e me puxou de modo agressivo.
Foi tudo muito rápido. Eu não queria fazer aquilo. Foi horrível. Disparei três vezes. O rapaz, a quem nunca havia visto antes, soltou um grito e caiu morto. Uma multidão furiosa se aproximava. Não entendi nada. Fui jogada no chão e só ouvi o barulho do motor que arrancava. Meu amigo parece ter esquecido a bebedeira e fugiu em disparada.
Eu não queria matar aquele homem. Juro que não queria! Uma coisa é certa: eu não queria matar ninguém. Sou apenas uma pistola que caiu nas mãos de um bêbado louco. Peço perdão à família daquele pobre que perdeu a vida de modo tão estúpido. Perdão!

.

domingo, 23 de maio de 2010

CANDIDO ALBERTO GOMES

UM SOCIÓLOGO EM LUTA PELA EDUCAÇÃO
José Neres
fonte: O Estado do Maranhão, 23 de maio de 2010

            Um dos grandes problemas da educação é a falta de divulgação do nome dos grandes vultos que contribuem para o desenvolvimento dos estudos educacionais em nosso país. Em uma sociedade em que para alguém ser reconhecido precisa estar evidenciado pelos meios de comunicação de massa, as pessoas que se destacam pelo uso do intelecto e pela produção e pela divulgação de ideias passam despercebidas até mesmo por quem tem interesse por assuntos intelectuais.
            Recentemente, tivemos em nossa cidade a presença do gramático e filólogo Evanildo Bechara, do lingüista Sirio Possenti e do professores Jacira da Silva Câmara e Afonso Celso Galvão, dois dos mais importantes pesquisadores da educação na atualidade. Mas, infelizmente, a passagem desses intelectuais por São Luís ficou no esquecimento e ficou apenas na lembrança de alguns poucos privilegiados que tiveram a oportunidade de entrar em contato com esses pensadores que tanto contribuíram e ainda contribuirão para o fortalecimento das pessoas interessadas na cultura acadêmica.
            No período compreendido entre 16 e  22 de maio, a capital maranhense foi honrada com a presença do professor, sociólogo e pesquisador Candido Alberto Gomes, autor de diversos livros e de mais de uma centena e meia de artigos sobre sociologia da educação e sobre o sistema educacional brasileiro.             Graduado em Sociologia pela Universidade do Estado da Guanabara, mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro e doutor em Educação pela Universidade da Califórnia, Candido Gomes não se contentou apenas em ter títulos para ascender na carreira docente. Ele mergulhou no mundo das pesquisas sociais e, preocupado com o processo ensino-aprendizagem, divulgou o resultado de suas investigações em mais de uma centena e meia de artigos científicos e em dezenas de livros, merecendo, por suas atividades de docência e de pesquisas, diversos prêmios, como por exemplo, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito Educativo (pela Presidência da República), Diploma de reconhecimento aos serviços prestados (prêmio oferecido pelo Conselho de Educação do Distrito Federal) e Diploma de Mérito funcional (oferecido pelo Senado Federal).
            Autor de livros como “O Ensino Médio no Brasil”, “Educação em novas perspectivas sociológicas” e “O jovem e o desafio do trabalho”, entre tantos outros, Candido Gomes não é um pesquisar alheio à realidade circundante, muito pelo contrário, está sempre atento às transformações do dia a dia e tira delas a matéria bruta que será depois decantada e refinada em estudos sérios que depois se transforma em livros, artigos, palestras e cursos ministrado em diversos países do mundo.
            Dono de amplo conhecimento em Educação, Sociologia e Filosofia, o professor da Universidade Católica de Brasília, não se reduz ao tecnicismo das ciências que domina, mas sim tem a capacidade de relacionar conceitos científicos com a própria realidade e inclusive com obras literárias, como “O Ateneu”, de Raul Pompéia, e “Os Tambores de São Luís”, de Josué Montello”, e outros livros que servem de base ilustrativa para muitas de suas preleções em sala de aula e em suas palestras. O professor também consegue utilizar com maestria a sétima arte em prol dos assuntos trabalhados, conseguindo aplicar a teoria à pratica, sem sair do foco educacional.
            Consciente de seu papel de observador e estudioso da realidade, Candido Gomes ainda encontra tempo para concentrar em pesquisas voltadas para a educação brasileira e analisar fatores como violência na escola, política, gestão e economia da educação, sem contar também seus trabalhos como consultor da UNESCO e  a cátedra de educação, juventude e sociedade. Em suma, o professor Candido Alberto Gomes, que brindou São Luís com seus conhecimentos é um incansável sociólogo que luta em prol da educação.
x

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SOBRE LIVROS E ESCRITORES

Quem escreve, ouve...
José Neres
(O Estado do Maranhão, 06/05/2010)

            Toda  pessoa que se dedica à árdua tarefa de escrever, vez ou outra, se vê às voltas com algumas frases que, dependendo do estado e do nível de sensibilidade do escritor, pode levá-lo a uma explosão de ira, de riso ou até mesmo de lágrimas.
            As situações descritas a seguir, parecem inventadas, mas, infelizmente, são ditas por aí com uma frequência assustadora e, o pior, com impressionante ar de naturalidade.
            Para começar, temos uma cena que poderia acontecer em qualquer lugar onde houvesse um escritor e um hipotético leitor. Alguém comenta (ou aponta) dizendo que o fulano que se aproxima é o autor do livro Tal. A pessoa insinua um sorriso e, atabalhoadamente, tenta dar mostrar de conhecer os trabalhos do autor, que, muitas vezes constrangido, nem sempre encontra ânimo para dizer que o livro comentado com tanta euforia não é seu.
            Também não é incomum que o poeta, romancista, contista ou teatrólogo, ao encontrar alguém que leu parte de suas obras expresse sua admiração com uma das frases mais cruéis que alguém poderia dizer: “Nossa! O livro é seu mesmo? Foi você que escreveu?” O escritor fica sem saber se aquilo foi um elogio pela qualidade da obra ou se foi um questionamento sobre sua capacidade de escrever algo que prestasse. Na dúvida, prefere agradecer com um sorriso amarelo estampado nos olhos da incredulidade.
            Outra frase muito corriqueira aos ouvidos do escritor é: “Como eu faço para ganhar um livro seu?”, ou as variações: “E quando é que você vai me dar um livro?”, “Cadê meu livro?”, “Estou esperando meu livro! Não esquece!”, “Eu queria tanto ler o teu livro, mas ainda não ganhei nenhum.” Poucas são as pessoas que se lembram de perguntar onde o livro está à venda ou quanto custa o livro. Isso talvez aconteça porque a maioria das pessoas ignore que toda produção cultural tenha um custo e que não são raras as vezes em que o próprio autor é o financiador do projeto e que possivelmente tenha acalentado o sonho de um dia recuperar pelo menos parte dos recursos gastos, já que lucro ele não espera conseguir.
            Caso interessante foi o de uma senhorita que, conversando um amigo escritor, não teve o menor constrangimento em dizer para ele: “Passando pela livraria, vi um livro seu, mas nem comprei, não vou gastar dinheiro comprando um livro de um amigo que seu que vai me dar um ou pelo menos emprestar para tirar uma xérox”.
            Por falar em xérox, há aquelas pessoas que têm o descaramento de pedir autógrafo na cópia xerografada de um livro que foi lançado recentemente e que se encontra disponível para venda. Geralmente, quem faz isso age como se tal atitude fosse uma homenagem ao escritor.
            Temos também o caso em que alguém ganhou o livro do próprio autor, mas não se contenta em ter somente a obra e exige uma dedicatória. Quando, tempos depois, o escritor cai na asneira de perguntar se a pessoa gostou do livro, escuta invariavelmente: “Rapaz, ainda nem tive tempo de ler, mas assim que puder, eu leio”.  Houve um caso bastante interessante de um autor que distribuiu seus livros para os amigos mais íntimos em uma quinta-feira e, na terça-feira seguinte, encontrou seu livro disponível em um sebo, com uma marca de corretivo cobrindo a dedicatória que ele fez para um de seus grandes amigos.
            Não podemos esquecer aquelas pessoas que, quando são convidadas para um lançamento de livro, não perguntam nem mesmo o título da obra, vão logo para o seguinte questionamento: “vai ter um coquetel de graça para os amigos, não vai?”
            De qualquer forma, esses acontecimentos, que oscilam entre o trágico e o cômico servem para dar mais cor à vida do escritor ou, quem sabe, possam até se transformar em mote para novos livros.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SOBRE EDUCAÇÃO


CLIMA ESCOLAR E APRENDIZAGEM


José Neres


            No início de 2010, foi lançado o livro-relatório “Factores asociados al logro cognitivo de los estudiantes de América Latina y el Caribe”, assinado por alguns dos mais renomados pesquisadores da área de Educação  da atualidade. No livro, o grupo, formado por Ernesto Treviño, Héctor Valdés, Mauricio Castro, Roy Costillas, Carlos Pardo e Francisca Donoso Rivas, discute os problemas encontrados no processo educativo dos países que serviram de base para uma longa e exaustiva pesquisa, que teve início em 2004 e foi concluída em 2008. Depois  de meses de análise dos dados levantados, a pesquisa culminou no livro acima citado, publicado pela UNESCO e que se encontra disponível gratuitamente na internet.
            Em uma leitura rápida, alguém poderia pensar que o objetivo maior dos autores é comparar os sistemas educacionais dos países envolvidos na investigação, contudo, lendo página a página o trabalho, percebe-se que os autores vão mais além e sugerem soluções para diversos dos problemas que atravancam o progresso das crianças nas escolas dos países latino-americanos e do Caribe.
            Um dos pontos que chamam a atenção no trabalho dos educadores-pesquisadores é o que fala da relação entre clima escolar e aprendizagem. Ao longo de todo o relatório, os autores alertam para o fato de que “os estudantes aprendem mais quando frequentam escolas onde se sentem acolhidos e se dão relações de cordialidade e respeito entre alunos e professores” (pág. 15) e há a constatação de que “a gestão do diretor é a variável que ocupa o segundo lugar nos processos educativos quanto à consistência de sua relação com o rendimento” (pág. 125). De modo geral, o relatório deixa claro que “o clima escolar e a gestão do diretor são elementos essenciais para explicar uma melhora na aprendizagem, seguidos pela satisfação e o desempenho dos docentes” (pág. 107).
            Fica claro então que o clima escolar ao qual eles se referem está diretamente ligado à relação de empatia entre alunos, professores e gestores, com a áurea de respeito mútuo que deve pairar entre os atores envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Sem dúvida alguma, o aluno se sente mais à vontade em uma escola onde ele se sente respeitado em seus direitos e onde sabe que será ouvido em seus anseios e necessidades.
            Alguns gestores, infelizmente, pensam que esse clima educacional se resuma à limpeza física do ambiente e às estratégias de apenas fornecer recursos didático-pedagógicos para que os professores possam manter os alunos ocupados e, de preferência, calados durante a maior parte do período de aula. Claro que uma escola limpa, com  bons recursos tecnológicos, com livros à disposição de alunos e professores, com lanche e locais apropriados para o lazer muito ajudarão no desenvolvimento social e cognitivo dos alunos. Porém, além dos recursos materiais, é preciso também investimento no ser humano, no fortalecimento de valores positivos e no crescimento do capital imaterial dos alunos, dos professors e da comunidade em geral.
            Os próprios pesquisadores admitem que não é fácil atingir esse clima dentro das escolas, já que se trata de “uma medida complexa que denota o trabalho de docentes e diretores para criar uma sociedade acolhedora e respeitosa para os estudantes” (pág 15). Como o clima escolar não é uma variável mensurável e que possa ser divulgada como marca de sucesso administrativo, geralmente fica relegada a um plano secundário, contudo, o livro alerta para a necessidade de toda a comunidade escolar envolver-se com esse objetivo. Há no estudo a constatação de que “o clima escolar tem efeito positivo sobre o rendimento dos estudantes na maior parte dos países (pág. 107).
            Mas também há a comprovação de que esse clima positivo alcançado na escola pode ser potencializado em aprendizagem de leitura, matemática e ciências, se houver também um clima familiar que favoreça a permanência do aluno em sala de aula. O trabalho infantil é apontado pelos autores como um mal a ser combatido, pois, “um menino que trabalha obtém, em média, 7 a 22 pontos a menos que os alunos que não trabalham” (pág. 124), e isso irá se refletir, sem dívida no clima escolar, pois o aluno dificilmente poderá concentrar-se, durante seu período na escola, apenas às tarefas educacionais e, possivelmente, sentirá bem menos os efeitos do clima escolar sobre as ações educativas em geral.
            Mas o livro não se resume a essa discussão sobre clima, pelo contrário ele é bastante rico em sugestões de políticas educacionais e em sugestões para professores, gestores e para a comunidade em geral. Vale a pena ser lido na íntegra.

OBS: Se alguém quiser ler ou baixar o livro na íntegra, pode entrar no site na UNESCO ou clicar aqui.

domingo, 18 de abril de 2010

SOMBRAS NA ESCURIDÃO


Conforme prometemos, disponibilizo hoje o livro SOMBRAS NA ESCURIDÃO, uma obra que não foi publicada de forma tradicional em livro, mas que agora chega às suas mãos pelo mundo digital.

Em breve, para meus alunos vestibulando, irei disponibilizar o livro MANUAL DE ANÁLISE SINTÁTICA


Aguardem!!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CABELOS GRISALHOS NA SALA DE AULA
José Neres
Professor e Escritor

            Diante do espelho, ela retoca a maquiagem. Passa as mãos nos cabelos. Põe umas gotículas de perfume atrás das orelhas. Arruma a roupa. Pega os livros, xérox e apostilas, dá um tchau para todo mundo e, elegantemente, segue seu caminho.
            Ele, quase sempre apressado, escanhoa a barba, toma um banho, veste-se rapidamente. Aperta o cinto, amarra o cadarço dos sapatos. Pega os livros, cadernos, apostilas e demais materiais, despede-se da família e sai.
            Os quadros acima apresentam o ritual de dois estudantes que se preparam para mais uma jornada de estudos em sala de aula. Até bem pouco tempo, essa descrição viria acompanhada de alguma palavra que denotasse a pouca idade das pessoas que se dirigem para a escola ou para a faculdade. Hoje, porém, a mesma cena pode ser vista cotidianamente com pessoas que, após anos e mais anos de dedicação ao trabalho, à família, aos filhos e até mesmo aos netos, decidem voltar para a sala de aula e dar prosseguimento – ou até mesmo início – a seus estudos.
            Apesar do choque inicial da volta à sala de aula, tais estudantes de faixa etária diferenciada logo se recuperam e demonstram a professores e colegas de turma que idade não é obstáculo para a aprendizagem. Os limites impostos pelas condições físicas podem facilmente ser superados pela tenaz vontade de continuar aprendendo. As dificuldades de assimilar alguns assuntos mais complexos desaparecem com a dedicação aos livros e às pesquisas. E os preconceitos iniciais podem ser derrubados aos poucos, durante o período de permanência em sala de aula e com a troca de experiências que, obrigatoriamente, acontece no decorrer das diversas atividades educacionais.
            A pessoa idosa se adapta à condição de estudante com relativa facilidade. A volta às aulas, na fase da maturidade física, que, em um primeiro momento, pode parecer motivo de vergonha, passa a ser vista como exemplo de orgulho e de superação. Não são raros os depoimentos de estudantes que se dizem chocados com a presença dos chamados “tiozinhos”, “tiazinhas”, “vovozinhos” ou “vovozinhas” dividindo o mesmo espaço estudantil com os jovens, mas que, depois de algum tempo de convivência, se rendem ao magnetismo das experiências de vida dos colegas mais velhos. Em muitos casos o estudante idoso deixa de ser visto como elemento exótico e passa à condição de espelho, no qual os mais jovens começam a vislumbrar o próprio possível futuro.
            Visto apenas por esse prisma, parecer que a vida dos idosos em sala de aula vai às mil maravilhas, mas não é bem assim. O sistema educacional como um todo não se preparou para receber essa esses estudantes que em alguns casos requerem uma atenção e um cuidado especial. A estrutura física das instituições de ensino não facilita o deslocamento do idoso, os currículos nem sempre são adaptados às necessidades dessa nova clientela, e os profissionais da educação nem sempre estão preparados para lidar com pessoas que pararam de estudar há muito tempo ou que estudam com a finalidade maior de sedimentar um lastro de conhecimento e não mais com a de lutar por um espaço no competitivo mercado de trabalho.
            Embora estejam na mesma sala de aula, os objetivos dos estudantes mais jovens quase sempre diferem dos daqueles outros alunos que trazem no rosto, no corpo e na experiência de vida todo um histórico de desafios enfrentados ao longo de toda uma existência de glórias ou de sofrimentos. Mas o sistema educacional não se preocupa com isso e se propõe a medir os estudantes pela escala da vitalidade juvenil e não dose de experiência que cada pessoa pode  compartilhar com os companheiros de turma. Dessa forma, a educação destinada oferecida aos idosos esbarra em pelo menos duas barreiras, ambas altamente excludentes: ou vê o aluno como um corpo e uma mente cansados pelo tempo, ou o vê como um intruso em um universo feito somente para os jovens.
            Não importando o nível de aprendizagem ou o curso, línguas, informática, dança, artes, graduação ou pós-graduação, o idoso é um estudante como outro qualquer, com dúvidas e dificuldades somas a momento de vitórias e de superação contra os obstáculos impostos pelo próprio processo de ensino e aprendizagem. Mais que cabelos grisalhos em sala de aula, temos no ambiente educacional seres humanos  que já não lutam apenas por uma certificação, por um diploma, mas sim, como afirma a professora Jacira Câmara, uma das maiores autoridades no assunto, por qualidade de vida. E o direito à educação, assim como à saúde, é uma forma de oferecer a essas pessoas que tanto já se doaram para o mundo, mais alguns anos de  qualidade de  vida agregada à idade.   

segunda-feira, 5 de abril de 2010

POEMAS DE DESAMOR - Livro gratuito


Este pequenino livro foi publicado em 2003. Nunca foi comercializado, apenas distribuído aos meus amigos mais próximos. Agora, sete anos depois, ele está disponivel no mundo virtual.
Clique AQUI e baixe o livro para seu computador.
Um abraço.
Continue votando no próximo livro a ser liberado gratuitamente

terça-feira, 30 de março de 2010

OUTRO LIVRO GRATUITO

NEGRA ROSA & OUTROS POEMAS foi o meu primeiro livro publicado. Como ele está esgotado há muito tempo, disponibilizo para quem quiser lê-lo ou baixá-lo para seu computador. Clique AQUI e baixe o livro.

Boa Leitura

domingo, 28 de março de 2010

LIVRO GRATUITO

Agora você pode baixar gratuitamente nosso livro 
50 PEQUENAS TRAIÇÕES em PDF.
Basta você clicar AQUI
Pronto, basta esperar o arquivo abrir.
Você pode lê-lo ou baixá-lo para seu computador
Para fazer o download e salvar em seu computador, basta clicar no ícone que lembra um disquete.

Em breve disponibilizaremos também o já esgotado NEGRA ROSA E OUTROS POEMAS.
Vote em nossa enquete

Um abraço

quinta-feira, 25 de março de 2010

JOMAR MORAES

O Maranhão e sua literatura devem muito a Jomar Moraes, o incansável pesquisador que dedicou parte de sua vida a resgatar algumas obras e alguns autores essenciais de nossa literatura. Em maio, o mestre completa 70 anos e aqui, antecipadamente, vai nossa homenagem.

segunda-feira, 22 de março de 2010

RONALDO COSTA FERNANDES

Ronaldo Costa Fernandes é quase desconhecido no Maranhão. Mas, para compensar é reconhecido como grande escritor em boa parte do Brasil e em alguns outros países. Sua obra, tanto em prosa quanto em verso, é densa e vivaz, carregada de metáforas nem sempre comuns e de fácil apreensão.

A foto do autor foi retirada do site da Academia maranhense de Letras 

 A seguir, temos um artigo sobre a poesia desse escritor de grande capacidade técnica e de grande criatividade

.

terça-feira, 9 de março de 2010

ARTIGO

Temos aqui este artigo que saiu publicado na revista CPLP deste mês. Boa leitura!
Clique na imagempara aumentá-la.

segunda-feira, 8 de março de 2010

PARABÉNS ÀS MULHERES

Aqui vai minha homenagens às mulheres, nesse dia tão especial.
Clique na imagem para vê-la ampliada.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

REPRODUÇÃO DE MATÉRIA IMPORTANTE




O ESTADO DO MARANHÃO de hoje, último dia de fevereiro de 2010, chega à bancas com uma excelente notícia: a cada duas semanas haverá um texto especial sobre a LITERATURA MARANHENSE. Não há como não ficar feliz com uma novidade dessas. Esperamos que o plano seja cumprido e que os pesquisadores da nossas letras tenham mais uma fonte de consulta.

Reproduzo aqui, com os devidos créditos de autoria, o artigo da jornalista CARLA MELO, que contou com o apoio e a consultoria do sempre amante das letras JOMAR MORAES.


OBS: Não deixa de ser motivo de orgulho para mim ter um de meus artigos citado na matéria.

Grupo Maranhense e o surgimento da Atenas

Carla Melo


(FONTE: Jornal O Estado do Maranhão, 28 de janeio de 2010 - Caderno Altenativo, página 1)


Eles foram considerados românticos de primeira hora. Viveram em uma época na qual a literatura maranhense começava a ganhar destaque e respeito dentro e fora das fronteiras estaduais. Batizados tempos depois como Grupo Maranhense, é deles o mérito de inscrever a alcunha de Maranhão-Atenas no Brasil e no mundo.

Sobre a importância desses vultos do romantismo maranhense na literatura brasileira, o crítico José Veríssimo, escreve em seu famoso “História da Literatura Brasileira”, o capítulo intitulado “Gonçalves Dias e o Grupo Maranhense”. Nele, o autor fala sobre a obra de nomes como Gonçalves Dias, João Lisboa, Odorico Mendes, Sotero dos Reis e Gomes de Sousa, entre outros que compuseram o chamado Grupo Maranhense.

Principal representante desse momento literário, o poeta Gonçalves Dias é assim descrito por José Verísimo: “Nenhum poeta brasileiro, em prosa ou verso, teve em grau igual ao de Gonçalves Dias o sentimento do nosso índio e do que lhe constituía a feição própria. Todos os nossos indianistas, maiores e menores, sem excetuar o próprio Alencar, que é quem em tal sentimento mais se aproxima de Gonçalves Dias, o foram antes de estudo e propósito que de vocação. Daí a sua inferioridade relativamente ao poeta dos ‘Timbiras’ e os despropósitos em que caíram. E o conceito pode ser generalizado a toda a obra lírica de Gonçalves Dias”.

O professor Alfredo Bosi, em seu livro “História concisa da Literatura Brasileira” explica as diferenças entre Dias e seus contemporâneos. Para ele, o maranhense traz em sua obra “muito de português no trato da língua e nas cadências garretianas do lirismo, ao contrário de seus contemporâneos, sobre os quais pesava a influência francesa”. Isto talvez se explique pelo fato de o poeta ser filho de português e ter estudado Leis em Coimbra, na qual manteve contato com a poesia romântico-nacionalista de Garret e Herculano, poetas que o influenciariam durante sua trajetória.

Românticos - De acordo com o professor e pesquisador Jomar Moraes, o Grupo Maranhense manifesta-se entre os anos de 1840 e 1880. “Eles não se consideravam um grupo, esta denominação veio depois. Não tinham uma produção com características idênticas, mas diversas entre si. Nem sequer eram todos amigos. Na verdade, o que os unia era o fato de terem nascido todos aqui e serem contemporâneos”, salienta Jomar Moraes.

Por não se verem como grupo, não há como quantificar os autores que, por sua obra, se incluem no chamado Grupo Maranhense. Além de Gonçalves Dias, destaca-se Odorico Mendes, considerado como “último árcade” e “primeiro romântico”. Mestre nas línguas clássicas grega e romana, ele foi, ao lado de Gonçalves de Magalhães, precursor do romantismo no Norte do Brasil, com a publicação de seu “Hino à Tarde”, escrito em 1832. “A partir daí, o Maranhão, que era aparentemente uma terra sáfara para as letras começa a produzir uma boa quantidade de escritores de grande talento, chegando sua capital a receber o honroso epíteto de Atenas Brasileira, em homenagem à quantidade e à diversidade de valores intelectuais surgidos em tão pouco tempo”, diz o especialista em Literatura Brasileira pela PUC-MG, José Neres, em texto publicado em 1998, em O Estado do Maranhão.

Além desse, Joaquim Serra, Sousândrade, Maria Firmina dos Reis, Trajano Galvão, Gentil Braga, Henriques Leal, estão no rol de intelectuais do século XIX. Neres cita ainda José Cândido de Morais (jornalista), Joaquim Gomes de Sousa (um dos maiores matemáticos do Brasil); Belarmino de Matos (tipógrafo) “e tantos outros intelectuais, que não se limitavam à arte literária, mas sim compunham um verdadeiro quadro cultural de múltipla abrangência”, observa.

Saudosismos à parte, o Grupo Maranhense é ainda inspiração para muitos escritores, maranhenses ou não. “Considero Gonçalves Dias o maior poeta brasileiro. Sem exageros. Acho que é necessário conhecer mais sua obra, tal qual a de outros grandes vultos da literatura nacional”, diz Jomar Moraes.

O escritor e político José Sarney, em discurso proferido por ocasião do centenário da Academia Maranhense de Letras (AML), destaca a importância literária do Grupo Maranhense. “Fala-se sempre que a Academia foi fundada para retirar o Maranhão da angústia que se seguiu ao desaparecimento do chamado Grupo Maranhense, que fizera a glória do nosso passado”. Mas, ressalta também, no mesmo discurso, que o Maranhão não pode viver de glorificar apenas o passado, pois sempre foi celeiro de grandes escritores.

Saiba mais
GONÇALVES DIAS, Antônio (1823-1864) - Poeta, teatrólogo, etnólogo, porém, sobretudo e principalmente poeta, com justiça cognominado o Poeta da Raça. Sua obra poética, publicada nos livros Primeiros Cantos (1864), Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848) e Últimos Cantos (1951), e Os Timbiras (1857), foi reunida no volume Cantos, cuja primeira edição é de 1860. Após a morte do poeta, Antonio Henriques Leal publicou as Obras Póstumas de A. Gonçalves Dias, em 6 volumes. Todos esses títulos, porque de edição original muito antigas, são hoje raros e de consulta problemática. Edições recomendável pelo alto nível de selecionador, José Carlos Garbuglio, a intitulada Melhores poemas de Gonçalves Dias, da Global Editora.

LISBOA, João Francisco (1812-1863) – Jornalista, historiador e um dos principais fundadores da prosa portuguesa e viés brasileiro Tudo quanto de mais expressivo produziu, foi reunido postumamente por iniciativa da Antônio Henriques Leal e Luís Carlos Pereira de Castro nos 4 volumes das obras de João Francisco Lisboa, 1864/65.

MENDES, Manuel Odorico (1799-1864) – jornalista, poeta e, sobretudo, produtor de grande importância. Autor do grande feito de traduzir para o português os poemas do Homero, de Virgilio, além de outros diversos autores de nomeada, a exemplo de Voltaire. Os poemas homéricos traduzidos por Odorico, acham-se em boas edições de Ediouro.

DICA: Boas fontes de referência acerca dos autores citados são os livros de história da literatura brasileira. Também os três autores contam com estudos biográficos, entre outras obras, no Panteon maranhense, de Antonio Henriques Leal.

Jomar Moraes
Consultoria para o Alternativo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

JOSÉ MARIA NASCIMENTO


50 ANOS DE POESIA
José Neres


1960. O mundo passa por grandes transformações. Vários países africanos, após anos de conflitos, conquistam a independência. O Chile é abalado por um terremoto que ceifa milhares de vidas. Kennedy é eleito presidente dos Estados Unidos. O mundo dá adeus ao romancista Alberto Camus e à psicanalista Melanie Klein. No Brasil, a inauguração da nova capital é a grande notícia estampada em todos os jornais, dividindo espaço com a eleição presidencial que teve como vencedor o advogado e professor Jânio Quadros.
Foi nesse tumultuado momento histórico e embalado pelo sucesso “It’s now or never”, na voz de Elvis Presley, que o Maranhão recebeu “Harmonia do Conflito”. livro de estreia do poeta José Maria Nascimento. Se, para muitas pessoas, lançar um livro pode ser apenas uma forma de satisfazer o ego, para Nascimento era bem mais do que isso. Era uma tentativa de por seu nome entre os grandes poetas da história da literatura maranhense.
No lugar de se contentar com a primeira publicação, o poeta foi apurando seu estilo, participando de concursos, ganhando prêmios e publicando outras obras, até atingir a maturidade literária e solidificar seu nome como escritor de grande talento e detentor de grande sensibilidade artística.
Poeta que retira da própria carne e das dores mais íntimas o combustível para a confecção de seus versos, José Maria Nascimento traduz em poesia momentos que oscilam entre o sublime e o desespero, em uma obra marcada pelo fortíssimo tom confessional, por um lirismo profundo e uma consciência social a respeito do mundo que o cerca. Ou seja, mesmo marcado pelas invisíveis cicatrizes interiores, o escritor não deixa de levantar os olhos para ver e denunciar as inúmeras mazelas sociais que atormentam seu povo.
Ao longo de toda sua obra, como um fio condutor temático, o poeta despeja em seu eu lírico uma grande carga filosófica. Mas não se trata de meramente citar passagens pinçadas dos grandes pensadores da humanidade. O que ele faz é transformar as experiências particulares em sensações poéticas que podem ser compartilhadas com outras pessoas que passaram por momentos semelhantes, mas que não tiveram a oportunidade de transformar em palavras aspectos significativos da própria vida. Por isso não é estranho que o leitor se identifique com variadas passagens dos livros do poeta maranhense.
Em 2010, cinqüenta anos após sua estreia, José Maria Nascimento já não precisa provar nada a ninguém. Sua obra fala por si mesma. Hoje ele um homem que tem plena consciência de que já fez sua “Colheita de Cáctus”, servindo poesia na “Santa Ceia dos Renegados” para os “Hóspedes da Província”. Ele saboreou os “Frutos da Madrugada” e, aproveitando “O Silêncio em Família”, após anos de “Turbulência”, aproveita seus “Verdes Anos da Maturidade”. Ele, em uma verdadeira “Constelação Marinha” de bons versos, faz os leitores se sentirem eternos “Viajantes do Entardecer”.