
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
domingo, 22 de fevereiro de 2009
UM ADEUS A NASCIMENTO MORAIS FILHO

Além de grande poeta, um dos melhores de sua geração, Nascimento Morais Filho também deixou sua marca na historiografia literária maranhense ao redescobrir o talento de Maria Firmina dos Reis. Graças a ele e a seus esforços, hoje o Maranhão pode ler a obra da matriarca de nossas letras. Mas este não é o único débito que o Maranhense tem com esse brilhante escritor e pesquisador.
Defensor incansável dos valores de sua terra, o pesquisador também se debruçou sobre as trovas maranhenses esparsas em jornais do século XIX. Estudou também nomes como Frutuoso Ferreira, Estevão Rafael de Carvalho e Ladislau Henrique Maciel da Silva Aranha.
Dono de um estilo poético voltado para o social e para a defesa dos oprimidos, Nascimento Morais Filho era o típico escritor que não se calava diante das injustiças sociais e que encontrava nos versos as armas necessárias para mostrar que algo pode ser feito pelo bem da população, como pode ser visto no fragmento que ilustra o final desta postagem.
Nascimento Morais Filho é um daqueles nomes que só fizeram bem às letras e à evolução da pesquisa no Maranhão. Esperemos que seu nome não fique esquecido das gerações futuras e que suas obras possam ser lidas por jovens e adultos em futuras edições, um modo de preservar a memória desse homem que tanto lutou para que nossa terra tivesse sua própria memória.
ALGUMAS OBRAS DE NASCIMENTO MORAIS FILHO
Clamor da Hora Presente (poesia)
Azulejos (poesia)
Esfinge do Azul (poesia)
Pé-de-Conversa (pesquisa)
Cancioneiro Geral do Maranhão (pesquisa)
Esperando a Missa do Galo (pesquisa + coletânea)
Maria Firmina dos Reis – Fragmentos de uma vida (pesquisa)
Úrsula (edição fac-similar do romance de Maria Firmina dos Reis)
Cantos à Beira Mar (edição fac-similar do livros de Maria Firmina dos Reis)
FRAGMENTO DE CLAMOR DA HORA PRESENTE
Ai de vós, Industriais da Miséria e da Injustiça!
Ai de vós
que desperdiçais em vossa lauta mesa
a comida que roubais da boca dos meus irmãos!
Ai de vós
que transformais em vinho de vossa adega
o sangue que sugais dos meus irmãos!
Ai de vós
que transformais em sons de “long play”
os soluções e os ais de meus irmãos!
Ò vós
que céus enegreceis de tantos crimes,
levantai-vos de vossa prostração!
- É outra vossa crença! É outro vosso culto!
- As vossas oblações ofendem a Deus,
Ó vós
que celebrais a Missa Negra da Miséria
e da Injustiça
FONTE: Clamor da Hora Presente – Edição Internacional, São Luís, 1992. pág. 31)
sábado, 21 de fevereiro de 2009
OS CONTOS CRUÉIS DE BRUNO TOMÉ FONSECA


São apenas sete contos, a maioria com narração em primeira pessoa, mas que trazem em comum personagens angustiadas e que buscam desesperadamente encontrar um motivo para continuar a própria existência. Ironicamente, o autor coloca no mesmo patamar de tédio e de angústia, um escritor de best sellers, uma lésbica abandonada pela parceira, um advogado em

O desejo de conhecer o mundo e ao mesmo tempo de (re)conhecer-se como parte integrante das sempre contraditórias insanidades do


Esperemos que o livro seja editado e chegue às mãos de quem aprecia a literatura contemporânea. Alguns contos podem chocar leitores mais sensíveis, mas isso é bom, pois, às vezes é preciso lembrar ao mundo que além das rosas e dos jardins há também o esterco, os porcos e as bactérias.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
UMA RESENHA DE FLAVIANO

domingo, 15 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
UM POEMA PARA COMEÇAR O DIA

José Neres
O silêncio é a arma
dos sábios e dos loucos.
O silêncio ilumina muitos,
mas guia bem poucos.
O silêncio é o grito
eterno da Morte
que grita ao vento
o destino e a sorte.
O silêncio é meu olhar
de moribundo eterno.
O silêncio é o crepitar
deste meu inferno.
O silêncio é a comunhão
de dois amantes
que se encontram, mas
não se entendem como antes.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
COMO VAI NOSSA CIDADE?
José Neres
Hoje, aproximando-se as comemorações de mais um aniversário, eu, bem longe das badalações, volto minha enrugada face rumo ao passado e contemplo, com os olhos cheios de lágrimas, a magnitude de minha história em contraste com a miséria de meu presente.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
FONTES ESQUECIDAS

FONTES ESQUECIDAS
José Neres
(Professor de Literatura)
Estamos numa época em que as tentativas de inovações no âmbito da prosa e da poesia parecem suplantar o trabalho de quem se contenta em usar as formas mais tradicionais de pôr a inspiração no papel.
Desse modo, os escritores que optam por uma literatura aparentemente menos ousada acabam, em muitos casos, condenados às trevas do ostracismo e ao limbo do silêncio. Seus livros, frutos de hercúleos esforços que vão da concepção dos textos à editoração gráfica, mesmo publicados, permanecem inéditos aos olhos do público. Não raras vezes, lançamento serve de rima para lamento, sofrimento, arrependimento e, principalmente, esquecimento.
Publicado sem muito barulho em 1998, o livro “Fontes de Inspiração”, do maranhense Antônio Torres Fróes, é uma obra que traz em cada página, em cada poema, em cada verso, o esforço do poeta de tirar da alma e da memória os lugares e os momentos que marcaram sua vida e que ficaram eternizados em sua memória.
Em uma primeira leitura, o livro pode parecer um álbum de reminiscências, um exercício de resgate das inúmeras impressões que passeiam pelas retinas do autor e que encontram no papel uma forma de eternizar-se. Porém, em um olhar mais atento, pode-se ver também que, no conjunto, o livro é uma grande declaração de amor à vida, à natureza, à terra natal e aos lugares que nunca serão esquecidos.
Em versos simples e bem ritmados, privilegiando quadras e sonetos, Antônio Torres Fróes passeia pela própria memória e dela tira a fonte primária para sua inspiração de homem encantado com a vida, mas insatisfeito com algumas situações sociais que poderiam ser corrigidas. Em verdade, as forças motrizes que do livro são as seguintes: um passado que só pode ser recuperado pela memória, um olhar para os lugares visitados e os diversos painéis de um cotidiano que mistura lirismo e saudade.
A. T. Fróes, como está grafado na capa do livro, deseja pura e simplesmente dar vazão a seus próprios sentimentos, despertando no leitor a empatia para com as situações apresentadas. Em alguns poemas é possível notar o descontentamento do eu-lírico com o quadro social do país e do mundo. Em outros momentos, há o sobressair de emoções que não podem ser contidas pelo uso da razão e que encontram na poesia o escoadouro necessário.
Em suma, Fontes de Inspiração pode até não ser um livro de caráter inovador na forma, no estilo nem na temática, mas, sem dúvida é uma obra que pode levar o leitor alguns pontos do elo perdido da própria existência.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
BANDEIRA TRIBUZI

Para terminar, um poema de Tribuzi:
Vista do mar, a cidade,
subindo suas ladeiras,
parece humilde presépio
levantado por mãos puras:
nimbada de claridade,
ponteia velhos telhados
com as torres das igrejas
e altas copas de palmeiras.
Seus dois rios, como braços
cingem-lhe a doce figura.
Sobre a paz de sua imagem
flui a música do tempo,
cresce o musgo dos telhados
e a umidade das paredes
escorre pelos sobrados
o amargo sal dos invernos.
Tudo é doce e até parece
que vemos só o animado
contorno de iluminura
e não a realidade:
vista do mar, a cidade
parece humilde presépio
levantado por mãos puras
e em sua simplicidade
esconde glórias passadas,
sonha grandezas futuras.